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Geral
30-03-2017, 19h40

Acordo União Europeia-Mercosul só deve sair após eleição de 2018

França, vital nas negociações, adota cautela em relação a governo Temer
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KENNEDY ALENCAR
MARSELHA

O acordo entre a União Europeia e o Mercosul deverá ter chance real de sair do papel somente depois do resultado da eleição presidencial brasileira de 2018 e da instalação de um novo governo no ano seguinte.

A França, um dos países centrais para destravar pontos da negociação, sobretudo em pendências agrícolas e industriais, adota uma atitude cautelosa em relação ao governo Temer, com reflexos no andamento do acordo entre os dois blocos.

Na visão do governo francês, há dúvida quanto à capacidade de o presidente Michel Temer entregar as reformas que vem prometendo. O clima de incerteza criado pela Lava Jato em relação ao futuro da classe política brasileira também não é favorável a uma iminente conclusão do entendimento entre o Mercosul e a União Europeia. A França acha prudente aguardar qual força política estará no comando do país mais importante da América Latina a partir de 1º de janeiro de 2019.

Com a provável vitória de Emanuel Macron na eleição presidencial francesa, a relação do país europeu com o Brasil deverá seguir inalterada. Isso é uma boa notícia, porque o candidato centrista tende a dar continuidade aos planos da França de manter a cooperação militar com Brasil e de participar de concessões de infraestrutura. Além de iniciativas culturais importantes, os franceses também apostaram suas fichas na indústria automobilística brasileira.

Emblemático da cooperação na esfera militar, o projeto do submarino nuclear brasileiro sofreu atrasos, mas não se cogita cancelá-lo por decisão dos franceses. Tampouco o Brasil tem interesse em interromper o projeto, tocado pela Odebrecht, um dos alvos principais da Lava Jato. Mas o cronograma foi modificado para demorar mais do que deveria.

Na França, não existe investigação oficial a respeito de propinas que envolveriam esse programa. No Brasil, há acusações de corrupção de lobistas franceses pela Odebrecht.

A “Operação Carne Fraca” causou dano ao Brasil no mercado europeu. Além da inspeção à carne exportada para a União Europeia, fazendeiros franceses ganharam argumentos para dificultar o acordo com o Mercosul.

Segundo um dos envolvidos na negociação, os europeus chegaram a uma proposta que atenderia à superação de 90% dos obstáculos para a assinatura do acordo. No entanto, o Mercosul ofereceu uma contraproposta que corresponderia a 87% desses pleitos.

Apesar de parecerem insignificantes, esses três pontos percentuais de diferença são um empecilho real ao avanço das negociações no campo diplomático-comercial. Além do ceticismo francês, o tempo curto da administração Temer joga contra a solução dos impasses.

Se for adicionada a isso a incerteza sobre quem será o próximo presidente do Brasil, há motivo de sobra para que o acordo entre a União Europeia e o Mercosul avance mesmo só a partir de 2019.

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Monsieur Lula

Apesar do desgaste que sofreu no Brasil com a Lava Jato, a imagem do ex-presidente Lula continua positiva na França, sobretudo entre as forças de esquerda e centro-esquerda.

Temer é pouco conhecido no meio político francês. E Dilma deixou a impressão de que não ligava para política externa _o que é um fato lamentável.

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Eleição francesa

O instituto Ipsos tem uma pesquisa presidencial em andamento que será publicada na terça-feira pelo “Le Monde”. Há expectativa de que Emanuel Macron apareça na liderança da simulação de primeiro turno. O candidato centrista, do movimento “Em Marcha”, deverá superar a candidata da Frente Nacional, Marine Le Pen, postulante da extrema-direita.

O primeiro turno acontecerá no dia 23. A segunda fase ocorrerá em 7 de maio. Nas projeções de segundo turno, Macron tem 20 pontos percentuais de dianteira em relação à candidata da extrema-direita francesa.

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Visita oficial

O autor do blog participa de um programa para jornalistas preparado pelo governo francês para apresentar iniciativas de inovação digital, econômica e cultural no país, bem como acompanhar a reta final da campanha presidencial.

Comentários
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  1. Rosana disse:

    Et Vive la France! A França nunca reconheceu governo golpista. “Luláh”, como dizem os franceses, retirou milhões de brasileiros da miséria extrema e é respeito por ter sido o melhor presidente para o povo brasileiro. FHC que continue se roendo de tanta inveja.

  2. walter disse:

    Caro Kennedy, a união europeia não esta em condições de condenar ou ignorar um “novo” mercado como o Mercosul; vale salientar que a crise da carne do Brasil no mercado externo é passageira, pela qualidade preço e disposição no fornecimento, excepcional por aqui. A máxima da União Europeia, fica a grande pergunta, até quando aguentará, se os grandes estão pulando fora; aliás a França com sua esquerda lamentável, não deixará saudade. Falar do lula, com reconhecimento externo, é não conhecer, ou ignorar o Brasil…o Lula e a dilma acabaram com nossa economia, só mesmo os cabecinhas de esquerda na França…Quanto ao nosso País, precisa moralizar minimamente, nossas instituições, elegendo um governo legitimo, sem PMDB, que é um verdadeiro antro de inescrupulosos, tal qual o PT pela ordem…Precisamos mais do que nunca, dar total credito a LEI, acabando com os excessos de recursos e Forum privilegiado…

  3. Marco Túlio Castro disse:

    Pode até ser que os franceses ainda queiram falar com o Lula mas, moro na Europa e sei que a maioria dos governos daqui tem outra ideia sobre este senhor.
    Mas… Afinal os franceses gostam de vender avião e se precisar perdem até a vergonha. Todos aqui sabem disto também

  4. Luiz de Paula disse:

    Parabéns,Kennedy!!! Você é um excelente profissional. Poucos Blogs publicam a NOTÍCIA conforme tem que ser, sem apelos nem parcialidades. SUCESSO para o “autor do blog”.

  5. Quem é a França para se intrometer num governo local que diz respeito aos brasileiros apenas. Gostam do Lula pois apenas conhecem o lado marqueteiro dele.

  6. mano disse:

    prezados: As principais lideranças dos principais partidos políticos do Brasil são investigados, réus e/ou denunciados por corrupção. Sob este aspecto não há diferença. O que está em jogo é o conteúdo da constituição cidadã que aliás nunca foi efetivamente cumprida porque o Direito/Judiciário no Brasil tem muitos Princípios, muitos Meios e Rodeios e os Fins Justificam os Meios. No governo atual a economia tende ao fracasso total e o cordão dos desempregados só faz aumentar: 20 milhões de desempregados, dos quais 13 milhões procuram emprego e não encontram, e outros 7 milhões já desistiram de procurar. Enquanto isso, o governo do PMDB/PSDB está recheado de corruptos e as reformas só prejudicam a classe média, a classe C e os pobres deste país. Não adianta substituir corrupto por corrupto e muito menos pelos mesmos corruptos.

  7. Musica disse:

    Como acreditar em um país corrupto como o Brasil…

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2017-10-23 20:17:42