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Política
02-10-2017, 8h38

Acusações de Cunha devem ser levadas em conta

Ex-deputado diz que Janot e Moro cometem abusos
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Em primeiro lugar, o objetivo da entrevista do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha à revista “Época” é tentar ressuscitar as negociações com a Procuradoria Geral da República para que faça uma delação premiada.

Na entrevista publicada na última edição da revista, Cunha faz críticas ao ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot. Diz que Janot queria que ele fizesse uma delação premiada para ajudar a derrubar o presidente Michel Temer. O ex-presidente da Câmara também acusa Moro de organizar uma operação para destruir a elite política do país. O peemedebista questiona a forma como o juiz aplica a lei.

Cunha apresenta uma série de acusações contra Janot e se coloca à disposição para tentar reabrir a negociação com a nova procuradora-geral da República, Raquel Dodge. É uma entrevista que deve ser vista dentro desse contexto. Aliás, é legítimo que Cunha aja assim, se achar que a melhor estratégia de defesa é tentar novamente o caminho da colaboração, um instrumento legal.

Dito isso a entrevista é importante. Uma eventual delação de Cunha poderia ter interesse público, a depender do que realmente acrescente de novo às investigações _se disser a verdade. Pelo peso que ele teve na política brasileira, poderia valer a pena.

Cunha faz acusações graves contra a equipe do ex-procurador-geral da República. Aponta um indevido direcionamento da colaboração premiada com o objetivo de derrubar um presidente da República. Afirma que Moro age politicamente e que desconsidera o direito para atingir seus objetivos, a fim de condená-lo e também o ex-presidente Lula.

Ora, delações são relatos feitos por criminosos confessos que podem ajudar a elucidar delitos. Se a palavra de um delator vale contra um político, é óbvio que ela também tem de ser investigada se apontar abusos no uso da colaboração.

O caso JBS já mostrou fatos que levam a crer num uso indevido da delação. Novos áudios revelados na sexta pela revista “Veja” trouxeram mais sinais de trama política na negociação do empresário Joesley Batista e executivos da JBS. Atitudes de Moro, como divulgar um grampo ilegal de uma conversa entre Dilma e Lula e adotar postura de acusador ao tutelar perguntas do Ministério Público aos depoentes, não podem e não devem ser vistas como naturais.

A Lava Jato não pode se transformar numa instituição acima das outras, que não possa ser questionada, ou num escudo para que objetivos políticos sejam alcançados por supostos justiceiros. Logo, é preciso cautela, sim, com o que diz Eduardo Cunha. Afinal, a Lava Jato tem cumprido um papel importante no combate à corrupção.

Mas as acusações feitas por Cunha merecem ser investigadas e suas críticas levadas em conta para que a busca da Justiça não sirva a abusos e desvios no Estado democrático de direito. Se uma pessoa hoje aplaude um abuso contra um inimigo, seja ele Cunha, Temer ou Lula, amanhã a vítima poderá ser ela.

*

Politicamente viável

No domingo, a “Folha de S.Paulo” publicou nova pesquisa Datafolha sobre a sucessão presidencial que mostrou que o ex-presidente Lula cresceu apesar de uma condenação do juiz Sergio Moro e das declarações do ex-ministro Antonio Palocci Filho à Justiça.

O bom desempenho de Lula é resultado da estratégia do ex-presidente de enfrentar com mais força as acusações da Lava Jato. Lula também fez uma caravana pelo Nordeste que lhe trouxe ganhos políticos, como mostraram os números mais favoráveis ao petista na região.

Ele vem adotando um discurso político claro de defesa dos mais pobres, que têm sido mais penalizados no ajuste econômico em curso. Lula é alvo da Lava Jato há quase três anos, o que também causa certa saturação.

Foi condenado num processo sobre um apartamento do qual nega ser dono. Agora, noutro processo, a principal discussão se dá a respeito de recibos de aluguel, o que contrasta, por exemplo, com a filmagem pela Polícia Federal de entregas de malas de dinheiro da JBS e a descoberta de R$ 51 milhões num apartamento em Salvador que seria usado pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima .

Pouco ou nada se fala nos processos sob os cuidados de Moro a respeito de quais foram os atos de ofício do então presidente relacionados aos contratos da Petrobras. A Lava Jato se notabilizou por investigar corrupção na estatal petrolífera.

Há um conjunto de fatores que permitiu a Lula uma reação política e jurídica contra as acusações. Junta-se a isso a memória de setor expressivo do eleitorado de um presidente que fez um governo positivo do ponto de vista econômico, sobretudo para os mais pobres.

Lula é um político carismático, que resolveu ir à luta e conseguiu, perante parte significativa do eleitorado, recuperar cacife político a ponto de liderar os levantamentos no primeiro turno e se mostrar competitivo no segundo turno, diminuindo a taxa de rejeição.

Evitar a condenação em segunda instância é o principal desafio para o petista viabilizar a candidatura em 2018. Politicamente, ela se mostra viável. O entrave será jurídico, se acontecer a condenação na segunda instânica e o enquadramento na Lei da Ficha Limpa.

O Datafolha traz hoje um dado ruim para Lula. Segundo o instituto, 54% veem motivo suficiente para prender o petista. Mas a surpresa é que 40% não encontrem razão para a prisão do ex-presidente, que tem sofrido bombardeio diário nos últimos anos.

*

Muda pouco

Ainda de acordo com o Datafolha, 89% dos entrevistados dizem que a Câmara deveria dar autorização para o STF (Supremo Tribunal Federal) examinar a segunda denúncia contra o presidente Michel Temer. Apenas 7% são contra.

O impacto desse dado na decisão dos deputados tende a ser baixo. Se a decisão da Câmara dependesse da opinião pública, a primeira denúncia de Janot contra Temer teria sido autorizada a prosseguir perante o Supremo.

Agora, em relação a essa segunda denúncia, há uma série de questionamentos à forma como foi feito o acordo de delação do empresário Joesley Batista e dos executivos da JBS. O ânimo na Câmara é contra a autorização.

Não interessa aos deputados derrubar Temer a um ano das eleições de 2018. Esse dado do Datafolha é reflexo da baixa popularidade do governo, mas terá pouco peso na decisão dos deputados.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. mano disse:

    prezados: vetar a candidatura do Lula e permitir a candidatura do Aécio e similares denunciados por corrupção e organização criminosa é um tiro fatal na democracia. São dois pesos e duas medidas. A punição exemplar à Lula precisa vir das urnas. Se Lula não for candidato, a melhor opção é Bolsonaro.

    • walter disse:

      Mano o Aécio e o Lula, são candidatos a presidente Bernardes…não há qualquer condição honesta, destes dois ter qualquer chance; não valem as pesquisas compradas, que surgem do nada, para confundir as pessoas…quanto ao Cunha, não vale nada, e continua a julgar, logo quem, o janot e o Dr Moro; quem é este delinquente, que na delação, tentou ludibriar o MP e o próprio janot…vive a tutelar o temer, através de seus anões…Já sabemos que o temer será mais uma vez abonado; não há oposição capaz, o que é uma vergonha, para outro resultado…teremos que acreditar na reforma da previdência, ao apagar da luzes de 2017…nada ali me surpreende..os gastos continuam, nada de cortes que importam no orçamento…teremos sorte, se tivermos candidatos fortes, nas próximas eleições..

  2. Silvana Garcia disse:

    Em que pese entendimentos contrários, sinceramente, não vejo problema algum com a divulgação do juiz Sérgio Moro, e que só convalida a torpeza que norteia o cenário político. Afirmar que um juiz ou órgão do MP deve se fixar em atos de ofício praticados por uma autoridade, é de uma inocência imensa, pois todos sabemos que as torpezas praticadas encontram-se muito à margem dos cenários fabricados.

  3. Antonio Albino disse:

    O Povo Brasileiro espera que seja Esclarecidos os Fatos e que os Verdadeiros Culpados sejam Punidos e que o Brasil retome sue Crescimento que a cada dia que passa Aumenta o indice de Desempregados.

  4. Falou certinho querem ‘derrubar’ a elite da politica corrupta, e bandida que Cunha faz parte.

  5. ARMANDO MOREIRA FILHO disse:

    Me surpreende o termo Elite Política do Brasil, pois dias a dia entendemos que não passa de uma quadrilha apartidária, que se especializou em roubar o país, desviando recursos públicos e cobrando propina.

  6. Antonio Carlos disse:

    Esse individuo chamado Eduardo Cunha agora quer fazer delação, já que tem na PGR um indicado do Temer para favorecê-lo. Esse Temer já deveria estar na cadeia como tantas acusações, por menos que isso derrubaram Dilma, numa conspiração escancarada. Esse país é uma vergonha!

  7. vladimir dina convento disse:

    onde a maioria dos deputado esta na lava jato´se a maioria fosse honesto com certeza iria para a suprema corte neste caso tanto o povo como o supremo tribula federal já conhecemos o resultado infelizmente até quando vamos conviver com esta corrupção só DEUS sabe, tal-vez um dia nossos netos terão o prazer de votar com alegria, satisfação,e certeza que está votando em pessoas honestas e não no político que rouba mas faz ai sim seremos o melhor pais do mundo.

  8. cleder disse:

    Cunha é um criminoso, mentiroso e corrupto contumaz, há mais de 30 anos. Como acreditar nesse ser deplorável ?

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2017-10-18 11:11:32