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Política
07-03-2017, 9h41

Alckmin mostra fraqueza e revela força de Doria 2018

Queda de 3,6% do PIB é resultado do que classe política plantou
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KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

Ao assumir ontem o desejo de ser candidato à Presidência da República no ano que vem, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, mostrou fraqueza e revelou a força dos rumores tucanos que querem lançar o prefeito João Doria ao Palácio do Planalto.

Se o governador precisa ir ao evento de uma empresa do prefeito dizer que não seria verdadeiro negar o desejo de ser candidato, como aconteceu ontem em São Paulo, isso mostra que os rumores no PSDB a favor de um projeto presidencial de Doria são consistentes.

Até recentemente, o nome do governador de São Paulo era o mais forte para disputar a Presidência pelo PSDB no ano que vem. Há informações de bastidor que dão conta de que as delações da Odebrecht e outras colaborações, como o recall da Andrade Gutierrez, atingiriam de forma mais dura os senadores José Serra e Aécio Neves do que o governador Geraldo Alckmin.

Os três caciques tucanos são citados nas delações, mas os próprios investigadores dizem que, por ora, Alckmin apareceria de forma menos negativa, digamos assim. Portanto, se passar pelas delações com tiros de raspão, Alckmin manteria a vantagem que tem hoje em relação a Aécio e Serra para concorrer ao Palácio do Planalto pelo PSDB. Mas Doria é um fator novo no PSDB e na política nacional, que poderia ser apresentado como um nome sem a mancha da Lava Jato e tirar a vantagem política que Alckmin possui hoje.

Nesse momento, a declaração de Alckmin ajuda um pouco a esfriar, a conter o avanço da ideia de Doria ser candidato. O próprio prefeito repetiu ontem no mesmo evento que o governador é o candidato dele. Mas a tanto tempo da eleição, é uma afirmação de lealdade que precisa ser relativizada.

Nas pesquisas sobre a sucessão presidencial de 2018, Alckmin, Serra e Aécio perderam cacife para Jair Bolsonaro. Doria tem um ritmo feérico na administração de São Paulo, com muito foco no marketing político e exposição nas redes sociais. Será preciso ver se terá fôlego e se resolverá questões complicadas da cidade de São Paulo. Em algum momento, o excesso de marketing pode ser um fator negativo.

No entanto, Doria é um fenômeno político que não pode ser desprezado e que pode ser abraçado pelos eleitores mais conservadores e pela extrema-direita, bloqueando Bolsonaro e se colocando como o tucano mais bem posicionado em pesquisas sobre a sucessão. A forma como Doria não perde uma chance de se contrapor ao ex-presidente Lula estimula os que sonham com a candidatura dele ao Planalto.

*

Jabuti na árvore

Na entrevista ao SBT, o presidente do Senado, Eunício Oliveira (PMDB-CE), disse que Michel Temer poderia ser candidato novamente à Presidência na hipótese de o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) cassar a chapa PT-PMDB que concorreu na eleição de 2014. Segundo Eunício, Temer poderia ser candidato numa eleição indireta no Congresso ou até num pleito direto.

Nos bastidores do Congresso e do PMDB, há uma tese pela qual Temer poderia continuar elegível mesmo com a cassação, desde que a decisão do TSE fizesse uma diferenciação sobre as responsabilidades dele e de Dilma numa eventual cassação da chapa. É tema delicado, mas só de estar sendo discutido mostra a disposição do atual grupo no poder de se manter onde está.

Eunício fez coro com o ex-presidente Fernando Henrique e com o governador Geraldo Alckmin, que defenderam a diferenciação entre caixa 2 praticado em campanhas eleitorais e dinheiro recebido para enriquecimento pessoal ilícito. Eunício defendeu que o Congresso discuta a anistia e até debata o tema com o Ministério Público. Também disse que, em último caso, a Justiça deveria separar o joio do trigo.

As falas de Eunício, FHC e Alckmin mostram que cresce o movimento a favor dessa anistia, extremamente difícil de ser aceita pelo Ministério Público e pela opinião pública. A ministra Cármen Lúcia, hoje presidente do STF, disse no julgamento do mensalão que caixa 2 era crime e agressão à sociedade. Não há informação de que ela tenha mudado de opinião. Mas o jabuti da anistia ao caixa 2 eleitoral foi colocado novamente na árvore por tucanos e peemedebistas bem à luz do dia.

*

No buraco

O desastre da queda do PIB de 2016, com retração de 3,6% na comparação com 2015, veio dentro das expectativas do mercado. O número, divulgado hoje pelo IBGE, é resultado do que a classe política plantou.

A política econômica do governo Dilma é a principal responsável pela recessão, mas ela foi agravada por ações do PSDB e da atual base de apoio do governo Temer.

O PSDB apostou na política do quanto pior melhor. A base de apoio de Temer, que era a mesma de Dilma, aprova agora medidas que negou à petista. A classe política como um todo priorizou a luta pelo poder e deixou em segundo plano a economia.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Daniel disse:

    Discordo da fraqueza do Alckmin. Ele sendo padrinho e patrocinador político do Dória, ganha sempre que o Dória fica bem na foto.

  2. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Alckmin, a grande farsa ! A máscara está caindo.
    Paga mal professores e aposentados, sucateou a segurança pública e deixou o Estado à mercê da bandidagem, a saúde está à míngua mas a sanha arrecadatória nunca esteve tão feroz ! É só cara de santo… Só !

  3. Edi Rocha disse:

    Os três últimos parágrafos escritos nesse post do Kennedy são precisamente os fatos.

  4. Jorge Luiz Gomes disse:

    Tudo isso confirma a tese de que a “lava jato” vai definir o futuro Presidente em 2018.

  5. Pierre disse:

    O problema é que o PSDB é essencialmente paulista e acha que o cidadão paulista médio representa o brasileiro médio. Tomara que lancem o Dória, vai ser engraçado.

  6. frederico costa barros disse:

    Candidato fabricado por quem esta no poder; o povo já tem o candidato: MiTO 2018.

  7. Elaine disse:

    É verdade quando dizem que a política econômica do governo Dilma em 2015 é a principal responsável pela recessão. É verdade, só que É EXATAMENTE A MESMA POLÍTICA ECONÔMICA DO MEIRELLES ELEVADA À DÉCIMA POTÊNCIA.
    É isso que todos os formadores de opinião precisam entender, é a mesma política, a mesma, entenderam? ou precisa desenhar???

  8. Lagosta disse:

    “Pecunia non olet”!!!!
    Para o povo, o dinheiro que roubam no caixa 2 é o mesmo da corrupção que enriquece essa elite podre e disfuncional.
    Cadeia para todos!!! E que fique claro que se o STF não mudar a jurisprudência da impunidade mudaremos também os Ministros!!!

  9. walter disse:

    Caro Kennedy, o Alkimin será o candidato da vez, por consequência, os outros estarão prejudicados…lembre se caro, eles sempre foram confusos; trata se de um partido muito dividido, degladiando-se o tempo todo…imagine a insistência do Aécio e do próprio Serra, em ser o cara…estamos mal representados, por estes partidos todos. Quanto ao Dória, não vai cometer voos longos, vai cumprir o seu mandato, se tiver juízo, será o fiel escudeiro do Alkimin. Fica uma mensagem importante, até 2018 se chegarmos lá, com este governo, teremos candidatos que não estão em nenhum partido…passará muita água embaixo desta ponte; até o temer tem esperança em ser bem sucedido nesta empreitada, e consequente candidato também; Pior, este tem a maquina nas mãos, pode conseguir um crescimento positivo e não previsto, tornando se Forte, em 2018

    • Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

      Walter, mais uma vez concordo com você.
      Alckmin agora precisa do Dória para contornar sua enorme rejeição.
      Quem anda por S.Paulo é inevitável ver os esqueletos do Metrô inacabados, caros e degradantes para uma cidade líder do país !

  10. Wellington Alves disse:

    “A política econômica do governo Dilma é a principal responsável pela recessão, mas ela foi agravada por ações do PSDB e da atual base de apoio do governo Temer.

    O PSDB apostou na política do quanto pior melhor. A base de apoio de Temer, que era a mesma de Dilma, aprova agora medidas que negou à petista. A classe política como um todo priorizou a luta pelo poder e deixou em segundo plano a economia.” E foram para ruas justamente para dar poder a esse povo. Essa classe média deveria ir embora para a Arábia Saudita.

  11. ANDRE disse:

    Disse tudo nas poucas palavras finais do seu artigo. A crise hoje é bem maior, graças a atuação da classe política.

  12. Grande parte dos direitistas conservadores (simpatizantes de Jair Bolsonaro) também criticam João Doria, por ele assumir o seu apoio a Hilary Clinton, ao Geraldo Alkimin, ao PSDB e a social democracia (modelo dos estados de bem estar social europeus) também denominada de “socialismo fabiano”. Somente parte dos direitistas liberais, libertários e anarcocapitalistas (a maioria simpáticos ao Partido Novo, Movimento Brasil Livre – MBL e aos Institutos Liberais de cada estado ou região: São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Goiás, Mato Grosso, Centro-Oeste, Bahia, Pernambuco, Nordeste, etc) são os que provavelmente darão grande parte dos votos ao João Doria, caso ele seja um dos candidatos em 2018.

    Sou graduado em filosofia pela UFMG e conheço razoavelmente filosofia política e ciência política.

  13. Gonzales disse:

    Ninguém consegue enxergar o erro chamado Dória, erro político, ele está super valorizado por ter ganho a prefeitura em primeiro turno, mas ninguém consegue ver o grande erro que está nas últimas eleições, Dória será como aqueles artistas de uma única música.

  14. GENELSO LUIS COELHO disse:

    “A classe política como um todo priorizou a luta pelo poder e deixou em segundo plano a economia.” Concordo plenamente!!!

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2017-08-22 00:34:33