aki

cadastre-se aqui
aki
Economia
18-01-2016, 9h08

BC está dividido sobre elevar juros

Dilma quer manter 14,25%, mas faltam medidas para ajudar Copom
13

KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Faz algum tempo que a presidente Dilma Rousseff procura, publicamente, transmitir a imagem de que não se intromete nas decisões do Banco Central sobre a taxa básica de juros, a Selic.

Amanhã e quarta, o Copom (Comitê de Política Monetária), órgão do BC que se reúne bimestralmente para arbitrar a Selic, terá o seu primeiro encontro deste ano. Há expectativa dos agentes econômicos para saber se taxa será mantida em 14,25% ou elevada em 0,25 ponto percentual.

O Brasil paga hoje um preço alto pela interferência da presidente no Banco Central em particular e na política econômica como um todo. Portanto, do ponto de vista público, é melhor mesmo Dilma se manter afastada desse debate. Mas, nos bastidores, há um desejo presidencial de que o Banco Central não suba a taxa básica de juros.

O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, que tenta conquistar credibilidade perante os agentes econômicos, também tem tido um posição cautelosa ao falar de juros, reforçando a ideia de que agora, no segundo mandato da presidente, existe autonomia do Banco Central.

Há divisão no Banco Central. Um grupo avalia que seria preciso elevar um pouco a taxa de juros, em 0,25 ponto percentual, como forma de demonstrar rigor no combate a uma inflação que está realmenta alta.

Outra ala do Banco Central considera que a atual taxa de juros é suficientemente elevada e que nova subida só resultará em desnecessário aumento da dívida pública, porque está em curso uma recessão que produz desemprego e diminui a demanda.

O correto seria a manutenção da Selic no atual patamar, com o Banco Central deixando claro que poderá agir se a inflação de 2016 começar a ter um desenho parecido com o do ano passado, que ficou acima dos 10%.

O melhor seria o Banco Central aguardar um pouco mais, para sentir os efeitos de uma recessão que tende a baixar a inflação, ainda que, nos anos Dilma, tenha havido um excesso de tolerância com a alta dos preços. Na quarta, o Banco Central mostrará o caminho que seguirá _com votação unânime no Copom ou preferindo expor publicamente divergências.

*

Filme antigo

O Brasil continua em 2016 com o mesmo problema de 2015. Falta um plano fiscal de longo prazo que seja crível, que gere confiança nos agentes econômicos.

Há poucos dias, a presidente disse que o Brasil precisa realizar uma reforma da Previdência. Também afirmou que o governo faria tudo para cumprir a meta fiscal de 2016, que é de 0,5% do PIB, o Produto Interno Bruto. O ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, também afirmou em entrevista que perseguirá o cumprimento da meta fiscal do ano.

Acontece que a presidente não tomou medidas efetivas para discutir a sério uma reforma da Previdência. Parece mais uma declaração que ela sabe que o mercado gosta de ouvir, mas com uma ação inconsequente. Reforma da Previdência é um tema impopular, exige proteção aos mais pobres que começam a trabalhar mais cedo e demanda algum tipo de acordo com a oposição e reorganização da base de apoio do governo no Congresso.

Ora, o Palácio do Planalto ainda vai lutar na Câmara para enterrar um pedido de abertura de processo de impeachment. A tese de impedimento da presidente perdeu força, mas ocorrerá uma batalha nesse sentido depois do Carnaval. Logo, haverá um cenário hostil a um debate sobre reforma da Previdência.

Condicionar o cumprimento da meta fiscal à aprovação da nova CPMF é praticamente admitir que ela não será cumprida. Persiste o quadro de enorme dificuldade para votar uma medida dessa natureza no Congresso.

Portanto, continuam faltando medidas sólidas e críveis do governo para impedir que o Banco Central tenha de arcar sozinho com o combate à inflação e aumente a taxa de juros, tornando a crise atual ainda mais sacrificante do que seria necessário.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Assista à participação no “SBT Brasil”:

Comentários
13
  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Esse desgoverno está praticando exatamente a cartilha nazista: utilizando os sindicatos pelegos que pagam desocupados para promover desordem e vandalismo, e assim desviar a atenção dos verdadeiros problemas e se perpetuar no poder. A história se repete !!

    • walter disse:

      Excelente 2016 Maria Aparecida Ramos Tinhorão…É isso mesmo cara; para a nossa sorte, eles são desorganizado, e o “Cabeça esta a premio”; esta em depressão, como todo Covarde fanfarrão, sabe ter passado de todos os limites; será detido a qualquer momento…”são muitas emoções”; se o Juiz só esta segurando, para usar como “xeque mate”; tão logo seja preso, “o castelinho de cartas cai”…
      Como pode uma “presidenta”, intrometer-se neste assunto…eles só tem um plano; reinaugurar a “CPMF”, PARA ISSO LIBEROU AS VERBAS “PARALAMENTARES”; UM “GOLPE BAIXO”, no Pais…
      Sem nenhum plano de retomada e com tantas duvidas e falta de credibilidade; será mais um desengano; precisa pedir para sair, enquanto pode…desta vez, as coisas vão engrossar…

  2. Vejamos que em se tratando de Moeda & Crédito – foi para isso que a SUMOC – Superintendência da Moeda e do Crédito que fazia parte do Banco do Brasil – foi criada – cuja estrutura deu origem ao Banco Central do Brasil isso para os que lembram ou para os que estudaram isso nos bancos das faculdades de economia. Antes de Delfin Neto o Ministério da Fazenda tinha um conho conservador em função das escolas de economia dominantes – europeias. Depois disso – outras correntes de pensamento passaram a dominar a doutrina econômica do País. Pode-se dizer que ficou atrelada aos interesses financeiros pelas influências que vieram dos EUA para os economistas do Brasil. Sempre com o cunho da “modernidade” no campo da economia mundial – dominada pelas sete maiores economias do mundo no mercado de ações que veio para valer. Depois disso veio o domínio dos bancos privados americanos e ingleses que sempre ditaram regras a economia mundial. Não podemos esquecer disso (…)!

  3. Joaquim disse:

    Credibilidade ZERO!!!
    Este governo nem começou e já acabou.
    Vamos ver este ano o começo do estouro da inflação, ou será que alguém acredita na seriedade desde governo, ainda mais em ano de eleição.

  4. LYRA disse:

    Quero alertar os senhores e, em particular os aposentados, que continuam a trabalhar, da iniciativa privada, para as retenções que a CEF vem fazendo com os depósitos do FGTS dos mesmos, as empresas depositaram a referida contribuição por volta do dia sete de cada mês mas, só está repassando depois do dia dezoito, ou seja, agora estão praticando as conhecidas pedaladas com o dinheiro dos aposentados, dinheiro esse que já é parte integrante do orçamento deles e que serve para comprar medicamentos e alimentação.

  5. Fabio disse:

    Primeiro, a chefe da Nação é a sra Dilma, eleita pela maioria do povo brasileiro, assim sendo, o Banco Central é subordinada a ela e não ao mercado.
    Segundo, ou abaixa esse juro absurdo, ou o país vai passar mais um ano andando para trás.

    • Joaquim disse:

      Fabio, deixa eu lhe dar uma péssima noticia. O “mercado” não é aquele ser abstrato que se esconde no esquina para assustar os mesmos avisado. O “mercado” somos todos nós que trabalhamos, compramos ( arros, feijão, celular, televisão e por ai vai ) e vendemos. E também somos mercado quando aplicamos aquela econoniazinha que sobra do salário na poupança e ficamos puto quando a mesma perde feio para a inflação. Por tanto “mercado” somos todos nós, inclusive o optante ( ou melhor obrigante ) pelo FGTS que em 2015 recebeu 4% de correção e juros e a inflação foi 11%. Por tanto qualquer governo deve respeito ao “mercado”. Não acredite na mentira desde e outros governos.

  6. Alberto disse:

    Tudo como dantes no quartel de abrantes. Até a cantilena militante.

  7. Fernando disse:

    A dona Dilma tentando esconder o que já esta arrebentado.

  8. Ruy Teixeira disse:

    Aquela velha estorinha da esquerda: Estado x Mercado. Como se um conseguisse viver sem o outro.

  9. PEREIRA disse:

    Infelizmente nada muda mesmo com esse desgoverno em nossa atualidade, acaba 2015 e começa 2016, para o gestor do nosso país isso tanto faz como tanto fez, quem continua pagando a conta são os brasileiros mesmo. Só são bons até quando não elegem ou reelegem, depois só resta os famosos discursos com muita mentira e conversa sem fundamento. Estamos caminhando a cada dia que passa para o buraco sem fundo.

  10. Helton disse:

    Não adianta subir ou baixar os juros. O problema é fiscal.

    O país está parado e a inflação só aumenta, então a causa não é mais do consumo em si…

    Ou a presidente muda a política econômica/fiscal dela, ou o país só voltará para os trilhos quando mudar a presidente.

    Estamos a deriva !!!

  11. Moody Monk disse:

    Na verdade nada se fez, nem ideias mudaram deste o ano passado. Esta teoria de independência do BC torna o ministro da fazenda um eunuco, só favorece aos bancos e vai intensificar ainda mais a recessão. Tudo está na mesma, apenas rodando mais devagar, inclusive a economia. A esperança em Barbosa deu em nada, é mais um escravo subserviente desta coisa estranha que nem sei se devemos chamar de cúpula do PT. Continuam precisando de dinheiro, então querem aumentar os impostos. Os estados já fizeram isso, a revelia do governo federal. As prefeituras vão faturar nas multas de trânsito. O impeachment gorou e gente que não quer pagar aumento na condução apanhou da polícia. Bom, é isso. E a praia? Como é que estava? Choveu para caramba, não foi? É o El Niño. Já me ferrei numa dessas, nos anos 80. A Globo tinha uma novela, Sol de Verão. Foi o único sol que eu vi naquele final e começo de ano. Na tela da tv. Bom retorno!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados

Não serão liberados comentários com ofensas, afirmações levianas, preconceito e linguagem agressiva, grosseira e obscena, bem como calúnia, injúria ou difamação. Não publicaremos links para outras páginas devido à impossibilidade de checar cada um deles.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

 
2016-08-25 22:20:20