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Geral
09-02-2017, 9h19

Congresso e governo federal precisam debater reforma policial

Corporativismo das PMs acua governadores; movimento no ES é perigoso
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KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

O governador licenciado do Espírito Santo, Paulo Hartung (PMDB), está certo ao dizer que há uma “chantagem”, comparando a paralisação dos policiais militares do Estado a um “sequestro” da liberdade da sociedade.

Ora, é legítimo reivindicar melhores salários e condições de trabalho. Existe um drama vivido pelos familiares dos policiais. Devem ser levados em conta os riscos e a dificuldades da profissão.

As autoridades do Estado têm vendido o Espírito Santo como um modelo de austeridade fiscal, ressaltando apenas o lado positivo do aperto financeiro implementado lá e deixando em segundo plano aspectos negativos, como os baixos salários dos policiais.

Isso ilustra os custos sociais da receita de intenso corte de gastos públicos para deixar as contas no azul. O arrocho afeta a vida real. Não é uma abstração.

No entanto, greve de policiais é algo ilegal. Uma paralisação desse tipo nunca poderia ser usada como moeda de troca para obter aumento salarial. Greve de polícia é covardia com a população. Os familiares estão sendo usados como um biombo para esconder a responsabilidade dos oficiais da PM.

Não tem cabimento reunião entre autoridades e familiares de PMs para tratar da greve de policial. O bloqueio feito pelos familiares na porta dos quartéis só é efetivo pela conivência da PM. O Brasil tem Polícias Militares ruins.

Corporativistas, elas já acuaram nos últimos anos diversos governadores com greves que resultaram em aumento da violência. Isso é pura chantagem. Em ação, têm tradição de truculência e desrespeito aos direitos humanos, sobretudo dos mais pobres. Em greve, como agora no Espírito Santo, desrespeitam os direitos humanos de toda uma população. Como confiar numa polícia capaz de expor a população ao caos?

Há ações de longo e curto prazo que poderiam ser adotadas. No longo prazo, as PMs bem como as Polícias Civis merecem uma reforma. Como estão hoje, funcionam mal.

Esse é um assunto que precisa ser tratado no Congresso e no governo federal, porque os governadores de Estado são reféns do corporativismo das PMs e das polícias civis. Essa reforma não pode ser feita no âmbito dos Estados, porque as Assembleias barrariam mudanças, e os governadores seriam retaliados. Uma reforma policial deveria ser incluída na lista de mudanças que o governo federal quer realizar no Congresso. Uma justa remuneração deveria vir acompanhada de uma renovação de métodos e mentalidade.

No curto prazo, aceitar o êxito da estratégia da greve de PMs no Espírito Santo é arriscado, porque poderá servir como precedente para movimentos do mesmo tipo em outros Estados. O Rio já prometeu um aumento a policiais para evitar algo parecido com o Espírito Santo. O Rio está no fundo do poço financeiro, mas pega a pá para cavar e afundar um pouco mais diante do medo do caos na segurança pública. Se a moda pega, será o sucesso da chantagem policial. Esse movimento do Espírito Santo é perigoso e indefensável.

O problema demanda mais atenção do governo federal, que está sem ministro da Justiça. Seria prudente acelerar a indicação para o comando da Justiça. Deixar a pasta com um interino numa situação como a atual transmite imagem de descaso. O presidente Michel Temer já enviou tropas federais, tanto da Força Nacional como o do Exército, mas há um limite para esse tipo de socorro.

As cúpulas das polícias Civil e Militar de todo o país têm de ser cobradas a agir com mais responsabilidade. Não podem lavar as mãos e ceder ao corporativismo para tornar regra o que acontece no Espírito Santo. Bons policiais não se comportam assim, porque colocam em risco as vidas que juraram defender.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. juliano disse:

    Não tem nenhum sentido duas polícias as vezes até disputando o poder entre si e a população sem proteção! Herança da ditadura que não ajuda a sociedade. Gostamos de copiar4 o Império porque não copiar esta, uma única policia estadual?

    • walter disse:

      São fatos Juliano, “cavalo esta descendo escada”, temos que considerar, que os exemplos vem de Brasília…quando o Renan desafiou o Supremo, que demonstrou se fragilizado…”DEU GUARIDA AO TRANSGRESSOR”, criou se um precedente perigoso ali…O governador Paulo Artung, por estar doente, fragilizou ainda mais, a relação já prejudicada com seus comandados; por ser do PMDB, e que se diga de passagem, tem cumprido a responsabilidade fiscal, mas esta sozinho…o governo federal tem sido frágil nas imposições, para acabar de vez com esta baderna…que fique claro, as reivindicações são legitimas, mas não tem recursos para reajustes, não são prioridade para Brasília…esta situação deve ser contornada com a máxima urgência, ou teremos o Caos, semelhante a Venezuela…

  2. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Antes de debater reforma policial é obrigatório reformar a legislação penal, agravando as penalidades, rebaixando a maioridade penal e principalmente ignorando as ONG´s e pastorais de direitos humanos que, como já ficou demonstrado, são fiéis defensores e apoiadores da criminalidade.

  3. DIRETO AO ASSUNTO: TODOS QUEREM COMER DO “MANÁ”! disse:

    É um caos uma greve dos policiais militares, como é um caos uma greve dos médicos, dos metroviários, dos motoristas de ônibus, dos lixeiros, dos juízes, INSS, dos caminhoneiros, dos Correios, dos bancários, dos coveiros.
    Os seres humanos, biologicamente iguais, insistem em viver desigualmente, egoisticamente, sem respeitar os princípios básicos de sobrevivência do semelhante: alimentação, saúde, moradia, saneamento básico, trabalho, educação, salário etc etc etc.
    Por que ganha 33 mil reais um juiz, um promotor, um deputado, um senador (sem contar “as graças” embutidas (ou escondidas), enquanto os serventuários, os policiais, têm salários tão inferiores?
    Não seria mais justo e producente que, dentro da hierarquia funcional indispensável ao funcionamento do sistema, as vantagens se resumissem à lógica do trabalho com uma caneta ou uma marreta, mas que todos tivessem os mesmos direitos quanto aos princípios básicos de sobrevivência?

    • Daniel Fernandes disse:

      Concordo plenamente, sem falar, que deputados, senadores, juízes e promotores, geralmente decidem seus salários. Outra coisa, se a polícia é uma categoria especial, tem que ser bem paga, para não ter greve, pois, policiais, não tem FGTS, horas extras, horário fixo e carga horária fixa, dificilmente possuem vale alimentação, sendo que trabalham em escalas variadas de 12 horas ininterruptas, ou 24 horas ininterruptas, muitas vezes, tendo que “se virar” com a alimentação.

  4. Carlos Veiga disse:

    Não é o foco mas eu vou dar uma opinião sobre isso. Policia ostensiva deixar de ser militar vai melhorar? Ser civil impede outros funcionários públicos de cometerem crimes? O que vai acontecer simplesmente é que vão aumentar as faltas e atrasos de policiais.

  5. PEDRO ERNESTO disse:

    Tem que reformar sim, tem que diminuir os orçamentos do judiciário e legislativo e pagar salários descentes aos policiais.
    O policial não é escravo então tem que ter sim direito a greve.
    Realmente o governo tem que mudar muita coisa.

  6. CLODOALDO SOUSA disse:

    Paralisação da Polícia Militar não é chantagem não! Paralisação da Polícia Militar é apenas o indicativo de que essa categoria profissional não é valorizada e devido a esse tratamento, chegou-se ao extremo. É preciso acabar com esse discurso hipócrita de que greve das polícias é ilegal. Ilegal é: por que não dizer imoral, parlamentares ganharem muito bem, obrigado, para não exercerem suas atribuições com honestidade e probidade e as categorias profissionais importantes para a sociedade, serem aviltadas nos seus salários e condições de trabalho. A Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal têm um salário unificado no país, por que não unificar os salários dos PM’s do país nivelando por Brasília que é o salário mais alto dessa categoria? Por que os senhores não apoiam essa ideia como forma de reconhecer e valorizar esses nobres guerreiros? Preferem desmerecer e menosprezar esses profissionais que tanto atuam em defesa da sociedade.

  7. Celso Costa Curta disse:

    O Fato é que ficou comprovado que ruim com Polícia, pior sem ela. A PM precisa ser reestruturada e seus homens melhor qualificados…mas é impossível a qualquer um ser humano, independente da profissão, ficar tanto tempo sem aumento…No Est de SP é a mesma coisa..as polícia sucateadas e o Sr Gov de SP fechou várias delegacias…não é a toa que os crimes tem aumentado, porque os criminosos estão cada vez mais audaciosos e a polícia cada vez mais desprestigiada. Acabar com algo sem ter outro plano para sanar problemas??? Não seria melhor debatermos qual a segurança pública que desejaríamos??? Parece que estamos realmente sendo conduzidos pelas armadilhas dos governos não…

  8. Regis D'Almeida disse:

    Excelente ponto de vista. Vou além: é preciso revisar todo o serviço público, ter uma tabela salarial real, segundo as competências e responsabilidades de cada categoria. E não estou falando de aumento de salário generalizado, mas de redução de salários de uns e aumento de outros. Emprego público é opcional. A pessoa não está satisfeita, peça demissão e vá trabalhar na iniciativa privada, pois os concursos públicos mostram que está cheio de brasileiros querendo um emprego público. O cara teve competência para passar no concurso público, mas como não existe estabilidade de competência, é preciso prova-las a cada dia, como os (des)empregados privados. E, claro, para subir na carreira tem que se esforçar e não se acomodar. A covardia com a população, que paga impostos astronômicos, é o fato de uns poucos preguiçosos apropriaram-se dos sindicatos para esconder sua incompetência e para se auto-proteger de conduzir sua categoria à greve, geralmente por salários cada vez mais astronômicos.

  9. Daniel Fernandes disse:

    Não concordo com o teor da reportagem, pois, se policiais e forças armadas, não podem fazer greve, não tem FGTS, não recebem horas extras, não tem carga horária fixa, ou horário fixo de trabalho, fazem parte de uma categoria especial, que agora nossos políticos, querem, colocar junto com todos os trabalhadores privados, o que é um erro grave, e isso já está tendo seus reflexos por todo o país. Então, para isso não acontecer, é necessário, que todos os governadores de estados, antes de fazerem, suas gastanças, desnecessárias, pense nas polícias, pois se tiverem um salário digno, não farão greve e outra coisa, o presidente, precisa, investir e cuidar melhor de nossas forças armadas, pois vai precisar, pois estamos indo para o caos. Vale lembrar, que qualquer vereador, que se reúnem uma vez por semana e nem devia ser remunerado, pois, geralmente tem outras fontes de renda, ganha mais que qualquer policial, assim como, deputados estaduais, federais e senadores ,promotores e juízes.

  10. Sentado, confortavelmente em um ambiente agradável, provavelmente, no ar condicionado, e com tempo para ouvir os noticiários tendenciosos, e munido de todo o conhecimento em segurança pública, conhecimento de descaso humano, vem a público, e de forma parcial, enxovalhar, execrar uma instituição, que já existe, bem antes que muito dos seus antepassados; Em momento algum se aprofundou, colheu informações que não fosse, de terceiros, para expressar sua indignação; Não destinou um paragrafo sequer, para questionar o mandatário do estado da ilha da fantasia, sendo, que foi na gestão dele, na penúltima vez que esteve no “trono de ferro” que se iniciou a depreciação, a desvalorização, e o descaso com a segurança pública; em momento algum, em seu exorbitante conhecimento, deu alguma formula, mesmo que fosse mágica, para se sustentar com o descaso do senhor feudal (Governador), nobre senhor que detém as verdades do mundo, fica uma dica, aquilo que não nós mata, nós fortalece

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