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Política
06-03-2017, 9h08

Delação de Assad deveria resultar em filhote paulista da Lava Jato

Há claro interesse público em investigar corrupção em governos tucanos
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Há interesse público cristalino numa delação do empresário Adir Assad, que está preso em Curitiba sob acusação de lavar dinheiro para empreiteiras. Segundo reportagem de ontem do “Estado de S.Paulo”, Assad tenta negociar uma colaboração na qual contaria que repassou R$ 100 milhões a Paulo Vieira da Costa, ex-diretor da Dersa e suspeito de ser operador de campanhas eleitorais do PSDB.

A importância dessa eventual delação reside na possibilidade de dar início a uma investigação sobre a atuação de empreiteiras no Estado de São Paulo, onde teriam utilizado o mesmo modelo aplicado na Petrobras. Ou seja, um percentual de contratos em obras públicas seria destinado a financiar campanhas políticas do PSDB e aliados.

Nos últimos anos, acusações de corrupção nos governos tucanos em São Paulo nunca avançaram como aconteceu em relação à apuração de desvios nos governos federais do PT. A Lava Jato está diante de ótima oportunidade de mostrar que não utiliza dois pesos e duas medidas.

Há uma informação na reportagem que dá conta de que o Ministério Público Federal não teria tido muito interesse em fechar o acordo de colaboração com Assad. Ora, merece ser levada adiante uma delação que pode apontar desvios de R$ 100 milhões na administração de José Serra no governo de São Paulo.

Investigadores da Lava Jato costumam dizer que há dificuldade para investigar corrupção nos Estados devido à competência para apurar os eventuais delitos. Ou seja, ela seria dos Ministérios Públicos estaduais.

Mas a Operação Calicute, que investiga o ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), é feita pela Polícia Federal e Ministério Público Federal. A Calicute está sob os cuidados de um juiz federal, Marcelo Bretas. A eventual delação de Adir Assad poderia resultar em outra operação filhote da Lava Jato, permitindo ao Ministério Público Federal paulista, por exemplo, investigar como as empreiteiras agiam em grandes obras estaduais. Há óbvia conexão entre a corrupção na Petrobras e nos Estados.

Paulo Vieira da Costa, ex-diretor da Dersa, é um personagem conhecido dos bastidores da política. Em 2010, disse que o PSDB não deveria abandonar um amigo ferido na beira da estrada. Na época, soou como chantagem em relação a políticos tucanos.

É ingenuidade achar que as empreiteiras montaram um esquema de corrupção apenas na Petrobras. O caso de Sérgio Cabral no Rio de Janeiro mostra que há uma estrada a ser trilhada pelo Ministério Público em relação a outros Estados, como São Paulo.

*

Hora delicada

O ex-presidente FHC tomou posição clara no debate que tem sido feito no Congresso para dar anistia a quem praticou caixa 2 investigado pela Lava Jato. O tucano sugeriu fazer “distinções” em relação ao caixa 2.

Em nota na semana passada, FHC defendeu o presidente do PSDB, o senador Aécio Neves (MG), que foi acusado por um delator da Odebrecht, Benedicto Júnior, de intermediar repasse de R$ 9 milhões via caixa 2 para campanhas eleitorais de políticos tucanos.

Além de falar em “notícias alternativas” e dizer que delações precisam ser provadas, FHC afirmou: “Há uma diferença entre quem recebeu recursos de caixa 2 para financiamento de atividades político-eleitorais, erro que precisa ser reconhecido, reparado ou punido, daquele que obteve recursos para enriquecimento pessoal, crime puro e simples de corrupção”.

É curioso que a fala de FHC aconteça numa hora em que tucanos e peemedebistas entraram com mais força na mira da Lava Jato. Nesta semana, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deverá pedir a abertura de inquéritos contra políticos do PMDB e do PSDB.

Em relação à distinção entre caixa 2 para campanha dos recursos ilegais destinados ao enriquecimento pessoal, é muito difícil separar o que foi feito à sombra. Abre-se a oportunidade de usar dois pesos e duas medidas, preservando alguns políticos e punindo outros.

O Ministério Público Federal tem considerado caixa 2 como crime de corrupção ativa de quem pagou e corrupção passiva de quem recebeu, porque a contribuição de campanha estaria condicionada a um favor da parte do político.

No julgamento do mensalão, a ministra Cármen Lúcia, hoje presidente do STF, disse que caixa 2 era “crime” e “agresssão à sociedade”. Ela afirmou que esse ilícito não poderia ser tratado com normalidade.

FHC terá dificuldade para convencer o país de que o caixa 2 do PT é mais grave e mais sujo do que o caixa 2 dos tucanos.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    A indicação de Romero Jucá para a liderança no Senado e o sucateamento da estrutura policial, especialmente em S. Paulo, demonstram claramente o descaso dos governos federal e estadual com o cidadão/contribuinte. Temer e Alckmin decepcionaram !

    • emerson domingues disse:

      Decepcionaram só os otários que acreditam neles.

    • walter disse:

      Cara Maria Aparecida, é isso mesmo; estão preparando o “poleiro”, o Juca o Renan, são “safados” declarados…com o comando o Lobão, na CCJ, e toda a liderança nas mãos de canalhas, querem na base do abafa, com a participação do rodrigo Maia, estão interessado em aprovar na calada da noite simultaneamente nas duas casas, A TAL ANISTIA AOS ENVOLVIDOS NA LAVA LATO…pretendem aprovar a previdência a toque de caixa, e NA CALADA DA NOITE, esta anistia que interessa aos caciques e ao Temer…SE O SUPREMO QUISESSE PODERIA ENQUADRA LOS TODOS POR MAL USO DAS PRERROGATIVAS DE UM PARLAMENTAR…trata se de uma “quadrilha”, tentando se manter no poder a qualquer custo…Quanto ao que acha o FHC acha caro Kennedy, com suas tentativas de selecionar quem é mais ou menos culpado, é indecoroso, e só podia vir de uma mente perversa, e mal intencionada; “A LEI FOI FEITA PARA TODOS, SEM DISTINÇÃO”; Temos uma longa ladeira a nossa frente; precisamos limpar a sujeira nos três poderes o mais urgente possível.

      • Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

        Walter, obrigada pela lúcida intervenção.
        Essa “operação abafa” acaba desencadeando efeito cascata e promovendo a impunidade em todos os níveis da sociedade.
        Estamos caminhando a passos largos para uma “venezuelização” !

  2. É PRECISO PASSAR O BRASIL A LIMPO! disse:

    Não é surpresa o FHC começar a se manifestar a favor de caixa 2 “DISTINTO”, como ele fez na época do Mensalão em que o Lula deveria ter ido para a cadeia com o Sé Dirceu, e todos sabem, ele ajudou a blindar o Lula! Espírito de corpo com a ladrãozada da política pode manchar seu currículo.
    Deveria ficar quietinho no seu canto e admitir que É PRECISO PASSAR O PAÍS A LIMPO – ninguém agüenta mais tanta corrupção, tanto bandido na política! Deveria ficar apenas como observador e torcer para as coisas não voltarem muito atrás!

  3. ashy disse:

    tomara, acho ki no meio dessa onda anti petista, esqueceu-se que na verdade eles soh amplificaram todos os meios de se fazer politica que sao historicamente enraizados neh? logo, verdade doa a quem doer.

  4. Francisco Miranda disse:

    Boa tarde. Concordo plenamente que o Dr. FHC deve ficar caladinho, pois se houvesse justiça na época de seu comando, estaria preso. Comprou descaradamente o reeleição, através do seu capacho Sérgio Mota. Comprou quase todo o Congresso. Ah se pudesse voltar os tempos…

  5. ANDRE disse:

    Só quem acredita em papai noel e mula sem cabeça, é que acredita que este esquema de cobrança de propinas só existia na Petrobras. Acredito que nada muito diferente disto é o que ocorre nos contratos das três esferas do poder executivo: Federal, Estadual e Municipal. E lembremos que das três, a mais fiscalizada é a federal.

  6. Ricardo disse:

    O Brasil e um pais estranho hein pessoal, troca seis por meia duzia e todos nos ficamos aqui parados como se nada tivesse acontecido e acontecendo. VIVA A CORRUPÇÃO VIVA VIVA!!!!1

  7. Edson disse:

    o rombo estar nas três esferas, se fiscalizar os estados e os municípios ai que vocês vão ver que a escravidão só mudou de cor é o trabalhador pagando a conta e eles os “políticos ” desviando verbas que poderiam melhorar a situação de miséria que passa nosso país

  8. Rogerio disse:

    Kennedy, você tem razão com relação à necessidade de investigar a corrupção nos estados, mas a questão que separa a atuação do MP Federal do MP estadual é que o primeiro só pode atuar na investigação de contratos que envolveram $ federal, como foi no caso do Rio. Daí entram PF, MPF e Justiça Federal. No caso das obras estaduais de São Paulo, se não houver $ federais envolvidos, o MPF não tem como atuar e o MP estadual, como você bem sabe, nunca demonstrou muito ímpeto neste sentido

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2017-10-21 04:45:21