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Política
16-03-2017, 9h20

Deputados e senadores fora da nova lista de Janot podem minar acordão

Políticos dizem que Odebrecht contou corrupção, mas não sonegação de impostos
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Deputados e senadores que ficarem fora da nova lista de Janot poderão bombardear um acordão entre setores da elite do Legislativo, do Executivo e do Judiciário para enfrentar danos da Lava Jato. Esse setores têm debatido as ideias de anistia ao caixa 2 e de criar o voto em lista fechada para eleger deputados federais.

A chance desse acordão prosperar dependerá bastante do número de deputados e senadores que responderão a inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) a pedido do procurador-geral da República. Há deputados e senadores que se imaginam fora da nova lista de Janot e que creem que isso seria um ativo eleitoral na campanha do ano que vem.

Ou seja, o político poderia tentar exibir como uma vantagem ele não ser investigado pela Lava Jato. Portanto, enquanto não for quebrado oficialmente o sigilo dos 83 inquéritos pedidos por Janot, haverá muita fumaça, mas pouco fogo.

Quem está articulando uma reforma política em resposta à Lava Jato são as cúpulas do PMDB e do PSDB mais o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) e ministro do STF Gilmar Mendes, que desempenha papel central nesses movimentos. Gilmar Mendes tem muita proximidade política com o presidente Michel Temer e com caciques peemedebistas e tucanos de alta plumagem.

Ontem, os debates desse grupo começaram de manhã no Palácio do Planalto e terminaram numa festa à noite na casa do ministro do STF. Esse grupo tem muita capacidade de produzir notícias, porque é uma elite política que sustenta o governo Temer. No entanto, precisará levar em conta o instinto de sobrevivências de deputados e senadores que ficarem fora da nova lista de Janot.

Ontem, havia congressistas que diziam que seria preciso separar o joio do trigo, insistindo em anistia ao caixa 2 eleitoral e na lista fechada. Mas também outros falavam que, por se julgarem fora da nova lista de Janot, viam isso como vantagem para concorrer em 2018 a diversos cargos e não tinham interesse, por exemplo, em anistiar o caixa 2 eleitoral, tese que poderia ser questionada no STF.

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Sob medida

A lista fechada para eleger deputados federais é elaborada pelo partido, com o eleitor votando na legenda e não nos nomes dos políticos. Essa ideia vem sendo debatida há anos.

Tinha muito apoio no PT  no auge do governo Lula, mas é algo que pode ser tirado da cartola para ajudar políticos a obter mandatos e o foro privilegiado sob o escudo do partido. Com a imagem deteriorada, o PT tem uma ala hoje que não apoiaria a ideia.

Usar a lista fechada para conter danos da Lava Jato é uma operação difícil de ser concretizada. Se for um remédio contra efeitos da Lava Jato, como é o que se deseja, não parece que seja do interesse do eleitor.

*

Contra-ataque à Odebrecht

No grupo dos políticos que avaliam que serão atingidos pela nova lista de Janot, cresce um discurso de que a Odebrecht contou a corrupção que usou com os políticos, mas escondeu impostos que teria sonegado por meio do departamento de operações estruturadas.

Temos até agora delações homologadas e que estão em sigilo. Com o fim do segredo, haverá reações dos acusados. Uma delas deverá ser dizer que possuir um banco no exterior e criar um departamento para pagar propina serviam para corromper políticos no Brasil e no estrangeiro, mas também para sonegar impostos nacionais e internacionais _seja realizando manobras contábeis para reduzir o pagamento de tributos em obras, seja pagando bônus a diretores e acionistas no exterior que depois seriam trazidos para o Brasil por meio de repatriação de recursos.

Alguns políticos dizem que a multa de cerca de R$ 12 bilhões, dos quais R$ 7 bilhões só para o Brasil, seria pouco diante do que a Odebrecht pagou de propina e sonegou em impostos aqui e no exterior. Um delator disse que, só em propina, foram pagos US$ 3,4 bilhões de dólares entre 2006 e 2014, o que daria mais de R$ 10 bilhões.

Há políticos afirmando que o Ministério Público e a Justiça deveriam penalizar ainda mais os acionistas e diretores da empresa. Eles se queixam de que os delatores negociaram acordos vantajosos para entregar os políticos e que isso não seria justo. Esse discurso tem sido frequente nos convescotes brasilienses para discutir as reações à Lava Jato.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. walter disse:

    Caro Kennedy, é claro que os caciques de todos os partidos grandes, como vc diz de alta plumagem, são os mais mais, nesta lista da Odebrecht…o nosso supremo, deveria ser eficaz, contra todos os envolvidos, sem sigilos; indicia los todos de imediato, criando uma pressão ao governo, para afasta los…Falar em lista fechada para eleger políticos através dos partidos, é uma medida duvidosa ao extremo…votar num grupo selecionado pelo partido, onde constarão nomes indigestos; podres por assim dizer, só convém aos meliantes de sempre…quanto a Odebrecht, devemos crer que o acordo para delação, previu todo e qualquer ressarcimento nesta hora…

  2. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Seria oportuno que os três poderes se lembrassem de conduzir e administrar esse país desgovernado.
    Só se fala em sobrevivência política enquanto o desemprego, a criminalidade, a falência da saúde e a ditadura sindical avançam !

  3. Robson S.C. Milhorance disse:

    Boa tarde, é triste presenciar que no Brasil, as notícias são divulgadas, porém, não se divulga seus resultados posteriormente, ou seja, onde se encontra a lista dos correntistas brasileiros do Banco Santander, que “enviou” irregularmente milhões para Paraísos Fiscais, sonegando tais valores à Receita Federal.
    Outra questão, qual a razão de se dar tanta atenção quando nas delações, são informados os nomes de Lula, Dilma e Cia Ltda e qdo são citados altos figurões do PSDB e PMDB, não se dão tanta importância, a considerar que nas delações que conste o nome de Aécio Neves, esse nome seja tarjado??? Onde se encontra a transparência, qual a razão de não se investigar? Qual a razão de os presidentes citados do Congresso e Senado, terem sido citados e continuarem nas respectivas presidências?? Qual a razão do Ministro Gilmar Mendes estar articulando esse acordão e não ser advertido pelos seus pares?

  4. Matias disse:

    Sempre escolhi um candidato para votar. Sempre procurei o melhor, ou o menos ruim. Se vingar a metodologia da lista fechada, pela primeira vez, contrariado, serei obrigado a anular o meu voto.
    Espero que todos os brasileiros de bem façam o mesmo e que sejamos maioria, para assim darmos uma resposta para esses políticos inescrupulosos.

  5. A LISTA DO JANOT QUER SE ESCONDER NA LISTA FECHADA! disse:

    Os deputados e senadores que estão fora da “Lista do Janot” e que por isso não precisam se esconder no “Foro Privilegiado” nem na “Lista Fechada” (que os corruptos querem criar para as eleições de 2018, afim de se abrigarem nela), deveriam tomar firmes posições em três coisas, urgentemente:
    1 – UMA CPI DA PREVIDÊNCIA (para ver se há rombo mesmo, o porquê do rombo, onde foi parar o dinheiro ou se na verdade não há rombo e sim muito dinheiro desviado.
    2 – UMA CPI DO BNDES.
    3 – não participar de “espírito de corpo” para apoiar defesas de bandidos infiltrados na Câmara e no Senado – ao contrário, devem demonstrar fidelidade ao país, à nação e principalmente a seus eleitores.

  6. ANDRE disse:

    O sistema eleitoral no que diz respeito à eleição para a câmara de deputados, já é por legenda, já que soma-se os votos de todos os deputados que concorreram pelo partido, faz-se a proporção em relação ao total de votos e se tem o número de cadeiras do partido. As cadeiras são preenchidas pelos mais votados. Só consigo enxergar dois motivos nesta mudança para a lista fechada, a primeira é dificultar mais ainda a renovação na câmara e a segunda fortalecer os partidos da situação. Ao dificultar a renovação, garantem a permanência deles e o fôro privilegiado. Se é para mudarmos de verdade, vamos pro voto distrital, semelhante ao dos ingleses.

  7. Maurício Assuero disse:

    Complicado mesmo essa questão de lista fechada. A gente se esforçar para escolher bem e quando vê tá lá o cara envolvido com falcatruas. Uma lista fechada, entendo que não seria a vontade do povo que está sendo atendida e se o cara não der certo, como tirá-lo se a indicação é do partido? Como ficaria a representatividade dos estados? De repente surge na lista o nome de uma figura que está lá apenas para se blindar e obter foro privilegiado. O congresso deveria trabalhar em benefício da sociedade e não em benefício próprio.

  8. Matias disse:

    cade os coxinhas?

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2017-04-28 16:54:52