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Política
21-12-2016, 9h07

Derrota na Câmara significa fim da lua de mel entre Temer e Congresso

Deputados retiram contrapartidas de renegociação de divídas dos Estados
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

A derrota ontem na Câmara significa o fim da lua de mel do governo Temer com o Congresso. Com um placar de 296 votos a favor, os deputados federais aprovaram o projeto de renegociação da dívida dos Estados com a União, mas retiraram contrapartidas defendidas pela equipe econômica.

Em Brasília, ocorreu uma piora política nas últimas semanas, com as revelações de detalhes das delações da Odebrecht e a continuidade de notícias negativas na economia. No Senado, já havia acontecido uma redução da margem de segurança do governo ao votar a PEC do Teto no segundo turno quando se compara com o resultado da primeira fase.

Ontem, porém, houve uma derrota acachapante do governo em geral e do Ministério da Fazenda em particular. O resultado também mostra que a disputa pelo comando da Câmara já é fator predominante em todas as articulações. O presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), candidato à reeleição em fevereiro, atropelou o líder do governo, André Moura (PSC-SE), e ainda afirmou que os deputados não precisavam “dizer amém ao Ministério da Fazenda”.

Politicamente, o projeto aprovado dificultará as negociações da União com cada Estado. Se houvesse previsão das contrapartidas, seria mais fácil para o governo federal fechar os acordos. Agora, isso dependerá de negociações caso a caso.

No Rio, a Assembleia Legislativa resistiu a aprovar medidas de combate à crise propostas pelo governo estadual. O mesmo tende a se repetir em outros Estados.

A derrota de ontem sugere que o governo deverá ter mais dificuldade no Congresso no ano que vem, quando deseja aprovar a reforma da Previdência.

Do ponto de vista econômico, adia mais uma vez uma solução para a crise fiscal dos Estados, que tendem a empurrar os problemas com a barriga e deixar a conta para as gerações futuras. Não adianta a Fazenda divulgar uma nota arrogante, dizendo que não muda nada com a aprovação do projeto e que jogará duro nas negociações..

Muda muito. Foi uma grande derrota de Meirelles, que deveria ter mais humildade na reação. Ocorreu um enfraquecimento do governo Temer.

O presidente Michel Temer errou na estratégia ao implementar medidas econômicas. Focou apenas na PEC do Teto. Adiou o envio de uma reforma da Previdência que estava pronta fazia tempo. Também demorou a fechar um acordo com os Estados e acabou cedendo demais.

O governo perdeu tempo. Deveria ter jogado duro na largada. Temer está no poder há mais de sete meses, mas assumiu pra valer há três meses e meio. O clima político era outro. Agora, piorou.

O governo fez uma opção para agradar setores empresariais que apoiaram ostensivamente o impeachment. Manteve desonerações que Dilma havia dado, abrindo mão de receita em favor de segmentos escolhidos a dedo. Abandonou a ideia de uma CPMF para ajustar as contas públicas mais rapidamente.

De agora em diante, Temer terá um ambiente político mais adverso e que tende a piorar com o avanço da Lava Jato e as suas repercussões sobre PMDB e PSDB, os dois principais partidos de sustentação do governo.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
16
  1. DONG disse:

    Simplesmente o Brasil esta ingovernável e já faz tempo, esta a deriva.
    Medidas desesperadas e equivocadas que não vão trazer o crescimento de volta.
    As perspectivas não são nada boas.
    Pelo jeito teremos um 2017 mais difícil que 2016.
    Mesmo com tudo isso não podemos perder a Fé e o OTIMISMO com dias melhores.

  2. Wellington Alves disse:

    Foi com esse congresso que Dilma tinha que lidar. Eles não votaram nada. E você saiu na rua, bateu panela, dizendo que o problema era ela.

    • Joaquim José da Silva Xavier disse:

      e o PSDB que em certos momentos no governo Dilma votou contra projetos dele mesmo, (nunca vi isso) apenas para prejudicar a economia e fragilizar mais o governo!!

      e o centrão e alas do PMDB/PSB (que faziam parte do Governo Dilma), que votam hoje a favor de projetos exatamente iguais aos que Dilma propôs…

      O Governo Dilma foi horrível, mas se não tivéssemos um legislativo tão picareta e tantos analfabetos políticos nas ruas(e na internet) aplaudindo esse tipo de coisa, hoje a economia do país poderia estar melhor!!!

  3. Sebá disse:

    O receituário é sempre o mesmo. Nas crises econômicas e financeiras, o primeiro e muitas vezes o único a ser chamado a pagar a conta é o servidor público, como se ele fosse sempre o culpado pelos desmandos dos governantes. Nunca falha o “diagnóstico”! Toda equipe econômica, que vem da iniciativa privada, tem essa má vontade para com os servidores.

  4. walter disse:

    Prezado Kennedy, é exatamente o que estará acontecendo no congresso, mas o Temer tem o PSDB de “curinga”, por tabela outros aliados, que o tornam refém mas permite “governar”; imagino por exemplo, que o Meirelles será substituído, pelo Armínio Fraga, para a alegria do Aécio, que passará a ser o Plano B, se for cassada a chapa do temer. Quanto aos Estados e Municípios, chega a ser “nojenta” esta “pendenga”, jamais cumprem o combinado, a muito tempo; estamos a mercê da incompetência e desvios a muito tempo; podem recombinar a vontade, sempre metem a mão no Tesouro, quem acaba pagando a conta, é o Estado de SP, que apesar de tudo, não esta de “pires nas mãos”, para a sorte da Nação; faz uma diferença de 50%…

  5. joao dias disse:

    Concordo, Kennedy. Nem a liberação de cargos foi suficiente.E tem mais um agravante, o lider do PSDB, no senado, já sinalizou que Temer não cumprirá o mandato , acompanhando declaração de Ronaldo Caiado. E ontem, a Camara demonstrou claramente, que não terá mais fidelidade ao governo e aprovou o absurdo de rolagem de dívidas dos estados, inviabilizando o governo. Se vetar a lei, derrubam o veto, pois não estão preocupados com o que pensam os brasileiros, pois estão direcionados para interesses pessoais e corporativos. O país e o governo que se danem.Prometeram muito, com a queda da Dilma e nada estão fazendo de importante, para o Povo acreditava. O Brasil está sem rumo e o povo mostrou , nas eleições, com votos brancos, nulos e ausencias, que já chegaram no limite. E falam, até em ditadura, pelos abusos sem limites. Os jovens da decada de 60 para cá, não tem dimensão dos absurdos de uma ditadura e da castração do pensamento. nao tem saida, senao, o regime presidencialista parlamentar

  6. Alberto disse:

    Sem contrapartidas as massas falidas.Simples assim.Quem viver/sobreviver verá.

  7. Esses deputados só pensam em si próprios, por isso o país está quebrado.

  8. Nunca, ocorrerá o rompimento do atual Executivo com o Legislativo.
    Só jogo de cena cinematográfica.
    O Presidente Temer não fará vetos.
    Temer é candidato e quer a garantia do apoio dos governadores.
    Os parlamentares e os gestores públicos (servidores públicos) se aproveitam do poder, deixam de prestar serviços ao povo.
    Ao povo só resta, mais uma vez votar. Ou melhor, trocar o voto por favores, milgalhas etc.

  9. ANDRE disse:

    De tudo isto, a única coisa positiva é que talvez o enlameado congresso não leve adiante este projeto absurdo de mudanças nas regras da previdência, pelo menos não da forma que este nefasto governo quer. Governo este que já nasceu abortado. Só aguardamos o momento em que ele se dissipe na pira da história e seja sepultado no esquecimento.

  10. juliano disse:

    Não precisaria ser nenhum Einsten para prever o que aconteceria com a derrubada de um governo legítimo. Não tem conserto! A única possibilidade é uma nova eleição, fora isso estes remendos dos aproveitadores que são ineficientes.

  11. Jose Ribamar Anute disse:

    Pau neles, Michel Temer não tem legitimidade para governar, pois deu golpe de Estado,
    e agora vai receber o troco. Eleições Diretas JÁ.

  12. joao dias disse:

    Kennedy, eu e voce entendemos errado.o comportamento dos congressistas. O presidente declarou ontem, que a imprensa errou nas informações, porque ele está totalmente a favor do texto aprovado, não obrigando aos Estados qualquer reciprocidade, enquanto a opinião era inversa. Deve ter havido um mal entendiddo, mesmo. Os governos estaduais podem realmente prorrogar a dívida em mais 20 anos e tornar a dívida vencida, em principal, começando a pensar em compromissos somente em meados de 2017. Em resumo, os governadores podem voltar a gastar sem planejamento e sem critério seletivo de investimentos e buscarem novos emprestimos e endividamento, porque afinal, tem um grande fiador para pagar as dívidas passadas e presentes, que chama-se Povo Brasileiro que não tem até, direitos de pedir explicações. E, em nome da crise, estão preparando novas crises. O Rio de Janeiro que o diga.

  13. alex disse:

    Kennedy….A questão vai muito além da infantilizada briga de coxinhas e mortadelas formatada nos escritórios da Globo, a questão é:

    Estado Mínimo Vs Estado desenvolvimentista.

    O PT com vocação desenvolvimentista nutre a economia implementando obras de infraestrutura que irrigam a economia e no efeito cascata promove uma ciranda virtuosa do dinheiro público atingindo desde a quitanda da esquina até os grandes geradores de mão de obra. Que o modelo foi corrompido é fato, mas daí a destruir a logística brasileira em nome do combate a corrupção é irracional, é queimar a casa para acabar com os ratos.
    Por incrível que pareça o modelo desenvolvimentista é exatamente igual ao utilizado pelos governos militares dos anos 70 – 8º economia
    O modelo pregado pelo Temer é o Estado Mínimo, o mesmo utilizado pelo FHC nos anos 90 quando o Brasil foi parar no 13º lugar na tabela.
    Estado mínimo significa transformar uma economia industrializada em outra prestadora de serviços…caos social absoluto.

  14. A MELHOR SOLUÇÃO, NEM É BOM FALAR! disse:

    A solução para o país está cada dia mais difícil: um Congresso com maioria de bandidos corruptos, muitos já com reserva na cadeia, outros lutando desesperadamente para se livrar dela. Qualquer presidente teria dificuldade de se articular com esse Congresso atual, a não ser que não existisse Judiciário, MPF, Lava Jato etc e o presidente continuasse no mesmo ritmo de corrupção que os governos Lula e Dilma.
    Parlamentarismo seria uma solução mas sem os membros do Congresso atual – seria necessária uma renovação total – numa linguagem curta e grossa: uma limpeza total!
    Tem uma outra solução para colocar a casa em ordem, que ninguém gosta de falar, nem de ouvir falar, e que por isso também não vou falar.

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2017-12-15 08:17:07