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Política
29-11-2017, 8h17

Diretor da PF quebra hierarquia e defende privilégios

Segóvia faz lobby contra reforma da Previdência
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

O diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, agiu mal ao fazer lobby contra a atual proposta de reforma da Previdência. Segóvia tomou café da manhã ontem com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

Após o encontro, o diretor-geral disse numa entrevista que estava preocupado com a perda de “direitos”. Afirmou que seria “péssimo” isso acontecer neste momento, porque o policial “enfrenta a corrupção”.

A Polícia Federal não é uma instituição com autonomia administrativa, como no caso do Judiciário e do Ministério Público. Administrativamente, está subordinada ao Ministério da Justiça. É um departamento do governo.

A atual administração tem uma proposta de reforma da Previdência apresentada ao Congresso. Segóvia deveria respeitar o projeto do governo. Houve um gesto claro de indisciplina em relação ao chefe direto dele, o ministro da Justiça, Torquato Jardim, e ao presidente da República, Michel Temer, que o nomeou.

Cabem às associações sindicais que representam policiais fazerem esse tipo de lobby. Um diretor-geral não poderia e não deveria agir assim. Esse é o primeiro ponto grave da atitude de Segóvia.

A péssima qualidade da argumentação é o segundo ponto grave. Segóvia fala em perda de direitos. Na verdade, haveria a amenização de um privilégio.

O antecessor de Segóvia, Leandro Daiello, se aposentou aos 51 anos. Hoje, bastam 30 anos de contribuição para um policial do sexo masculino se aposentar. Do sexo feminino, são 25 anos de contribuição. A atual proposta já prevê idade mínima de 55 anos para aposentadorias de policiais de ambos os sexos.

Para as mulheres que trabalham na polícia, são sete anos a menos do que a regra geral proposta, que é de 62 anos. Para os homens, dez anos a menos, porque a regra geral prevê 65 anos. Ou seja, já está assegurada a manutenção de um privilégio.

Para piorar a sua argumentação, Segóvia misturou a defesa de um privilégio com a tese de que seria “péssimo” mudar a regra neste momento em que o policial “enfrenta a corrupção”. Ora, enfrentar a corrupção não tem nada a ver com a defesa de privilégios. É parte do trabalho do policial.

Associações que representam os magistrados e integrantes do Ministério Público também costumam recorrer a essa argumentação. Esse pensamento reflete uma espécie de patrimonialismo moral, no qual categorias de servidores avaliam que têm direito natural e vitalício a um naco do dinheiro do Estado porque passaram num concurso público. Então, invocam o combate à corrupção como manto corporativo.

Sem preocupação com a origem dos recursos, agem como se estivessem cobrando da sociedade um preço mais alto para fazer o seu trabalho. É uma espécie de chantagem. É uma forma de se apropriar indevidamente de recursos públicos.

Os investimentos públicos estão em queda. Há uma regra de teto de gastos que tornará a disputa orçamentária mais sangrenta no futuro. E vemos um privilegiado como o diretor-geral da Polícia Federal dar um péssimo exemplo e defender o indefensável.

Pelas recentes entrevistas desastradas e o lobby escancarado, Segóvia começou mal o seu trabalho na direção da Polícia Federal.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
13
  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Deixa ver se eu entendi… pela lógica do delegado, se não tiver privilégios vale a corrupção ?
    Me dá meu embornal, vou-me embora pra Pasárgada.

    • walter disse:

      “Diga me com quem andas”…infelizmente, esta é a realidade cara Maria Aparecida; este sujeito foi indicado pelo Sarney e Temer, esperar o que…pelo discurso barato, mais a reivindicação de aumento, numa hora dessas…se a PGR não endurecer o mais cedo possível, este sujeito vai gerar marajás na PF, não vão prender mais ninguém…o sujeito não pode envolver se politicamente com ninguém…tentar influenciar a câmara, sobre a reforma da previdência, é uma temeridade, e falta de objetivos…o Temer quer acabar com tudo, se tirar a moral da PF, automaticamente acaba com a Lava Jato; alguém tem duvidas disso…estamos nas mãos de um chefe de gangue que não para…teremos que enfrenta los, o ano inteiro de 2018.

  2. Stanislaw: “Espírito de corpo” deve ter limite! disse:

    É grave não enxergar o absurdo das diferenças entre os sistemas previdenciários do funcionalismo público e da iniciativa privada. Com todo o respeito à classe policial, não há classes superiores nem inferiores – deveria haver apenas as diferenças das amenidades e dificuldades inerentes às funções (escolhidas por livre arbítrio de cada um) – uns trabalham sob o ar condicionado, como os juízes; outros sob o sol e chuva, como os garis etc – mas nem deveria haver diferenças nos vencimentos e, muito menos, nas aposentadorias. Os policiais são importantes sim, seu Segóvia, se eles param, é o caos. Mas e quando param os garis, os que recolhem o lixo das cidades? Já viu o caos que é ver uma cidade sem recolhimento do lixo? E se param os médicos? E se parassem todos os pedreiros? E os eletricistas? E os padeiros? E os açougueiros? E os motoristas de ônibus? E os metroviários? Causa caos quando qualquer categoria profissional para, seu Segóvia! Todas as categorias são importantes, seu Segóvia!

    • Sebastiao Canabrava disse:

      Cara, voce falou tudo. Esta certissimo. Mas, infelizmente, os politicos, nossos governantes, e nem os eleitores pensam ou concordam com voce. O sistema e’ assim por que os mais poderosos assim o tornaram. E o eleitor (digo o povao) nao sabe o poder que tem. O voto e’ nossa maior arma. Mas, e’ fustigada pela manipulacao. Quando (coisa rara) um politico ou governante ousa corrigir estas desigualdades, ele e’ defenestrado. Analise por que o Getulio suicidou, por que o Jango foi derrubado. Por isto o PT foi apeado do governo em 2016. Por que começou a promover igualdade social. Mas, deu a Dilma deu “pedaladas”, ne’? A Janaina Pascoal, pessoa preocupadissima com a injustica social (moça pobre, coitada!) fez questao de “provar” as pedaladas. Pedaladas nao pode, 51 milhoes pode, malas de dinheiro pode, tirar direitos do trabalhador via previdencia pode. Etc.

  3. Edélcio Walmir Salvador disse:

    Gostaria de saber com tantas especulações se é ou não provável a aprovação dessa tal reforma da previdência.Gostaria de saber qual a sua opinião Kennedy.Obrigado!!!!

  4. Marcos paulo Brito Coelho Couto Domingues disse:

    Tenho comigo que, se a Reforma da Previdência é tão necessária e não retira direitos de ninguém mas apenas minimiza privilégios, não deviria começar a minimizar os privilégios daqueles que mais são privilegiados? Por que então as classes política, judiciária e os militares estão de fora?

  5. Edu Aguiar disse:

    Quando a gente pensa que já viu tudo aparece mais uma aberração desse tipo que vem demostrar que vivemos em brasis diferentes, uma vergonha.Isso que este senhor da policia federal esta querendo não deixa de ser um tipo de corrupção, pois esta usando de um expediente chamado de chantagem.Somos ou não somos todos iguais perante a carta magna!Se cada categoria funcional se achar mais importante do que outra, jamais sairemos do caos e nunca chegaremos ao patamar de uma nação desenvolvida.De trambique e trambique , de corporativismo a corporativismo continuamos a ver cada um puxando brasa para sua sardinha, e ai não chegamos a lugar algum de construímos uma nação forte para todos os brasileiros.Não perdi as espareças, mais confesso que não terei chance de ver o Brasil que gostaria. Sera que nossos filhos e netos terão esta oportunidade? Pelo andar da carruagem estamos cada vez mais longe do paraíso e cada vez mais perto (dentro) do inferno.

  6. Antonio Araujo disse:

    É bom lembrar que o delegado da polícia federal é funcionário publico e como funcionário público ele é contra a reforma da previdência. Com relação aos chamados privilégios, estes só ocorrem quando se recebe mais dando a o mesmo que os outros, que receberam menos. Os servidores tem uma contribuição em termos percentual de quase 50% maior que a da iniciativa privada. O governo não é que não paga a parte dele e ainda com mecanismos como a DRU retira recursos da Previdência para outros setores. E ainda a previdência federal não é deficitária, ela este anos possui uma receita de quase 900 bilhões para o pagamento de 120 bilhões de aposentados e pensionistas do governo federal. Que me desculpe os entendedores de contas públicas de plantão. Reforma já tiveram várias, e não diminuiu o defict. Vamos propor o fim da corrupção? isso sim é o fim de privilégios. Quem trabalha merece viver bem até que a morte nos separe.

  7. “CUIDADO, UM DIA A CASA CAI”! disse:

    Na casa da “mãe joana” é assim mesmo, Kennedy. Por que será que o Presidente da Câmara toma café da manhã com o diretor da PF… será que tomaria com um representante dos lixeiros, dos motoristas de ônibus, dos agentes penitenciários, dos metroviários, para ouvi-los sobre o que pensam sobre a reforma da previdência? Um diretor da PF no atual momento não tem que ficar defendendo “privilégios” da categoria (são privilégios, se comparados aos trabalhadores da iniciativa privada, tudo o que desfrutam, não só os valorosos policiais federais, civis, etc como a grande maioria do funcionalismo público). O egoísmo é algo que deveria ser deixado de lado nesse momento em que há necessidade de consertos urgentes nas áreas social, política, econômica e, principalmente, no que tange à moralidade, em prol da ordem institucional seriamente ameaçada. É antigo o ditado popular: “cuidado, um dia a casa cai”!

  8. Wellington Alves disse:

    Salário já não basta para cada um fazer seu trabalho. Precisa das benesses do Estado.

  9. "Questão de Justiça" disse:

    Sou um assíduo leitor desta coluna e gostaria de parabenizá-lo pelas reportagens sempre com uma opinião sensata, agora quanto a esta última o nobre jornalista mandou muito mal, não se trata de manter privilégios e sim usar o bom senso e não cometer injustiças, o que diretor da Polícia Federal quer é que não se cometa injustiças por exemplo no caso do policial que conta com 29 anos de serviço e 51 de idade e tenha que laborar mais 4 anos, isso é mudar as regras no meio do jogo. Falar de uma categoria tão sofrida como a dos policiais sem conhecimento de causa é no mínimo temerário, além do mais não foi prevista nenhuma regra de transição em relação aos policiais. Agora apoiar uma reforma da previdência que demoniza o funcionalismo público é triste ou o senhor não sabia que policiais e professores ganham muito mal em sua maioria.

    • JOSÉ DANISIO MARTINS disse:

      Na verdade, O funcionalismo público em geral, tem Salários melhores que o da INICIATIVA PRIVADA.Afinal, quem paga o SALÁRIO do Servidor Público em geral, não são os IMPOSTOS suados da sociedade em geral? Por que esse privilégio? se 40% dos contribuintes ativos deste país ganham em média UM SALÁRIO MÍNIMO, POR QUE os servidores ganham em média 3 a 5 vezes mais?sem falar das aposentadorias, pois, conforme levantamento OFICIAL, 69% dos APOSENTADOS do Brasil ganham UM SALÁRIO MINIMO. Por acaso algum POLICIAL ou PROFESSOR, ou Servidor Público se aposenta com Um Salário Mínimo?Que País é esse, extremamente CORPORATIVISTA e SELETIVO DE CLASSES.Isso tem que se Corrigir, pelo menos aos poucos, pois do jeito que está, seremos sempre escravos para pagar Impostos exorbitantes para Manter as classes PREIVILEGIADAS deste País cheio de Injustiças.

  10. É impressão minha ou já passou da hora da Polícia Federal ser um órgão “Sui generis” e ter autonomia própria?

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