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Política
04-01-2017, 9h07

Disputa por comando da Câmara traz riscos a Temer

Briga por poder no Legislativo gerou crises nos governos FHC, Lula e Dilma
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Nos governos FHC, Lula e Dilma, grandes crises políticas nasceram de disputas dentro da base parlamentar para comandar a Câmara dos Deputados. E tudo indica que a próxima disputa, marcada para 2 de fevereiro, tem potencial para trazer danos políticos a Temer.

Há três candidatos da base de apoio do governo: Rodrigo Maia, do DEM e atual presidente da Câmara, e dois expoentes do chamado centrão, Jovair Arantes, do PTB, e Rogério Rosso, do PSD. Pela oposição, concorre André Figueiredo, do PDT. Com três candidatos na própria base, Temer fica em situação delicada.

O governo tem preferência pela reeleição de Maia, mas não pode assumir isso publicamente. Nos bastidores, Maia conta com o apoio dos principais auxiliares de Temer e tem a simpatia do presidente. O partido do presidente, o PMDB, embarcou na candidatura do democrata.

O governo avalia que Rodrigo Maia seria um nome mais confiável para tocar a agenda legislativa de interesse do governo. Maia possui o suporte do PSDB, que gostaria de, numa operação casada, indicar o deputado federal tucano Antonio Imbassahy para a Secretaria de Governo, que cuida da articulação política. Mas há forte resistência do centrão a Maia e Imbassahy.

Existe um movimento para tentar dividir o centrão, levando parcela a ficar com Maia, mas é uma operação arriscada. Se der errado, setores do centrão poderão retaliar o governo em votações no plenário.

Hoje, Maia tem audiência marcada no Palácio do Planalto. Está na agenda do presidente. Temer pode tentar costurar um acordo em torno do nome de Maia ou partir logo para um plano B, levando em conta os interesses do centrão. Mas isso não é tarefa fácil. Há complicadores.

Jovair Arantes promete questionar juridicamente a possibilidade de Rodrigo Maia se reeleger, apresentando contestação ao STF (Supremo Tribunal Federal).

No entanto, essa objeção não deverá prosperar juridicamente, porque há pareceres jurídicos para todos os gostos na Câmara. Diante das enormes críticas que sofreu por fazer interferências no Legislativo, dificilmente o STF proibiria a candidatura de Maia. No entanto, não devemos desconsiderar a possibilidade de surpresa da parte de um ministro do Supremo, apesar de ela ser pequena.

Rodrigo Maia considera que exerce mandato-tampão e que, portanto, poderia ser novamente candidato numa mesma legislatura, que é o período de quatro anos em que o Poder Legislativo no Brasil exerce as suas atividades. Coincide com a duração do mandato inteiro de um deputado federal e da metade de um mandato de senador.

Como a atual legislatura está no primeiro biênio, os presidentes da Câmara e do Senado não poderiam disputar a reeleição. Na virada de uma legislatura para outra, há essa possibilidade.

Provavelmente, Temer terá de casar os interesses dos partidos de sua base com alguma reforma ministerial, ainda que em pequena escala, a fim de tentar conter eventuais insatisfações. A história ensina que essa disputa tende a deixar sequelas para o presidente de plantão.

A força do atual governo está ancorada na solidez da base parlamentar. Em meio a turbulências da Lava Jato e dificuldades na economia, um desarranjo no Congresso pode complicar a vida de Temer.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    O país está nas mãos de assassinos, estupradores, traficantes e afins. Enquanto isso a famigerada classe política se articula para deter a maior fatia de poder… igual os presídios brasileiros !

  2. mario machado disse:

    Então se entende que o deputado Rodrigo Maia é do mais alto interesse do governo. Perguntamos: ele será igualmente justo aos interesses da população brasileira? Ou se acabam esses jogos de interesses partidários ou o Brasil continuará tendo governo somente para os amigos poderosos, os banqueiros, os empreiteiros, etc.. Todo governo que não aja de acordo aos interesses populares tendem a se tornar fracasso por incúria e por indiferença à população. Esses últimos governos – PT e agora PMDB – dividiram os brasileiros em classes (ou castas como à Índia) sociais, e apenas os que estão ao topo da pirâmide são os mais aquinhoados, protegidos a ferro e a fogo, e o resto que se dane! Vão mal… Muito mal, pois eles estão ao Poder graças aos votos populares e nunca dos poderosos, que escolhem os que mais lhes interessem. Isso tem wque ter um fim!

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2017-06-24 14:26:54