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Política
23-11-2017, 8h04

Eleição, corporativismo e PSDB dificultam reforma da Previdência

Temer apresenta a deputados nova proposta enxuta
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Há chance de ser aprovada a nova proposta de reforma da Previdência, mas haverá resistência mesmo a esse projeto desidratado.

O governo esperava mais de 200 deputados federais no jantar de ontem no Palácio da Alvorada no qual foi apresentado o novo texto. Convidou 300 e apareceram cerca de 180. É sinal de dificuldade.

Mas há três obstáculos maiores. O primeiro deles é que o Congresso sempre tende a mudar uma proposta do Executivo. Apesar de essa versão da reforma da Previdência já ter feito concessões em relação ao texto votado em maio, é provável que os deputados queiram modificar algo.

Isso é uma forma de dizer ao eleitorado que atuaram para diminuir o peso de medidas impopulares. O fator eleitoral terá peso.

O segundo obstáculo é o corporativismo. A atual proposta endurece as regras para os servidores públicos. O lobby do funcionalismo, sobretudo da magistratura e do Ministério Público, é muito forte na Câmara e vai lutar pela manutenção de seus privilégios _algo inacreditável em tempos de crise, no qual os mais ricos deveriam dar contribuição maior do que os mais pobres.

Por último, permanece a indefinição na reforma ministerial em relação à articulação política. Enquanto esse nó não for resolvido, haverá insatisfeitos dos diversos lados, o que atrapalha a articulação para obter os 308 votos necessários.

Uma vez resolvido, uma ala fica mais contente e outra permanece reclamando, mas a contabilidade de votos se torna mais realista. Temer tem de desatar esse nó, decidindo sobre a articulação antes da votação da reforma da Previdência ou aguardando o resultado da nova investida.

*

Fisiologismo explícito

Depois de acertar a indicação do deputado federal Carlos Marun (PMDB-MS) para a Secretaria de Governo, o presidente suspendeu a nomeação. A conta do Palácio do Planalto no Twitter chegara a anunciar a posse de Marun no lugar de Antonio Imbassahy.

Mas houve reações duras do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do senador Aécio Neves (PSDB-MG). Os dois são aliados importantes de Temer e barraram a nomeação de Marun, que havia se reunido com Temer e acertado que não disputaria a reeleição em 2018 a fim de ficar no posto até o fim do governo.

Temer também discutira a indicação com o PMDB da Câmara e outras forças do Centrão, grupo que reúne legendas conservadoras no Congresso. Agora, o presidente está refazendo os cálculos.

Com Marun, avaliava que teria os votos para aprovar a reforma, porque o PSDB e a maior parte do Centrão se comprometeriam a apoiar o projeto. Mas os tucanos votaram apenas uma recomendação de voto e não fecharam questão.

O discurso tucano pró-reforma da Previdência é dúbio. Serve para justificar o rompimento com o governo, suavizando o fato de que os tucanos estão saindo por cálculo político depois de terem avalizado a ascensão do PMDB ao poder.

Há uma parcela da bancada de deputados federais que não quer votar a reforma da Previdência. A indicação de Marun serviria de pretexto a reforçar essa resistência na bancada tucana, alertou Aécio.

Temer está inclinado a bancar Marun, mas isso vai depender da conta de chegada para votar a reforma da Previdência. Uma ala tucana deseja romper com o governo, pero no mucho. O motivo são benesses oficiais fundamentais para fortalecer candidaturas em 2018.

Ouça o comentário no “Jornal do CBN”:

Comentários
7
  1. Fabio disse:

    Em 2018 nao voto em ninguem do PSDB e do PMDB e qualquer um que dê apoio ao denunciado Temer.

    • oliveira disse:

      deveria ter uma reforma politica pra valer reduzindo os numeros de parlamentares pois brasilia esta cheio de corruptos.

    • walter disse:

      Entendo sua reação caro Fabio, mas as novidades não tem partido; defendo sempre os Novos e com fichas limpas…Quando o candidato tem origem, o partido é o que menos importa; exceção o PMDB, ali a os feudos se mantem, a cabresto, nada mudará jamais…Quanto a indicação do Marun Kennedy, foi calculada para escandalizar, o próprio já sabia, pela ficha que tem…o PSDB foi cutucado e não gostou…agem como se fossem o último gomo da laranja; enquanto não escolherem o Novo presidente, nada acontece…quanto ao funcionalismo e os mais ricos, não vão abrir mão de NADA…esta gente caros não tem Pátria…Este reforma enxuta dá nojo, mas é melhor assim, ou perderemos o Trem; ano que vem, serão manobras eleitoreiras infelizmente.

      • MARCIO disse:

        Acho que há muita informação repassada de modo errado. há uma tendência em confundir juízes, procuradores, senadores, deputados como se o salário destes fossem a regra no serviço público. Existem muitos servidores que não ganham essa montanha de dinheiro toda, não tem dois meses de férias ao ano, não ganham auxilio moradia, educação. NADA. ainda por cima, pagam os 11% sobre o seu salário bruto e agora será 14%. Além do mais não tem FGTS e a idade para se aposentar sempre foi de 55 anos para mulheres e 60 para homens com 25 anos no cargo. Acho que antes de falar ou escrever seria melhor vc apurar o que está falando para não generalizar.

  2. Sucaneiro disse:

    Senão vejamos:
    Os grandes bancos devem em impostos e previdência cerca de R$ 200.000.000,00.( duzentos bilhões de reais ).
    Os fazendeiros latifundiários e grandes empresários mais ou menos 400 bilhões.
    Os times de futebol e as TVs especialmente a Globo mais de 150 bilhões de reais.
    Os grandes comerciantes, redes de super-mercados e escolas particulares alÉm dos incentivos e da sonegação fiscal devem mais de 250 bilhões.
    O governo federal retira da arrecadação da previdência 30% com a DRU que deveria ser apenas a desvinculação das receitas da União e não da previdência.
    Será que só os pobres aposentados pela previdência e os funcionários civis aposentados do executivo tem que ser os únicos prejudicados ? ( sim porque a reforma pretendida não atinge os inúmeros privilégios dos militares que além de não contribuírem para a previdência ainda os benefícios não acabam nunca ficando para a filha, depois para a neta, bisneta e etc, etc, etc.)

  3. José Vidigal disse:

    Não há corporativismo. O que há uma indignação com a forma com que os servidores estão sendo tratados. Desde a primeira versão até a proposta atual, para os servidores não houve nenhuma “desidratação da reforma”, muito pelo contrário, a cada versão as regras foram cada vez mais duras. Além disso, mentiras são veiculadas sem pudor, demonstrando a amoralidade de membros do governo, detentores de reais privilégios. Essa campanha de desinformação lembra um passado totalitário que nos envergonha. Será um dos nefastos legados desse governo: VERGONHA!

    • Analista Alpha disse:

      Não podemos esquecer que o governo conta com a ajuda da imprensa que faz a veiculação de mentiras sobre a previdência dos servidores.
      Porque não dizem a verdade?
      Servidores tem de recolher previdência por 35 anos como qualquer um.
      Servidores pagam 11% sobre seus vencimentos brutos, não há teto de recolhimento.
      Servidores não tem FGTS, nem multa, nem aviso prévio.
      Servidores não tem seguro desemprego.
      Servidores podem ser demitidos.
      Servidores não recebem o salário integral ao se aposentarem, pois verbas do cargo ou função não fazem parte do salário.

      Leiam as leis, não repitam as mentiras contadas pelo governo com a conivência da imprensa.

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2017-12-17 23:04:37