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Política
25-01-2017, 9h16

Em 25 dias, Doria se revela um gestor do passado

Muito marketing e pouco diálogo marcam ações do prefeito de São Paulo
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

No aniversário de 463 anos de São Paulo, dá para fazer uma avaliação do início da gestão do prefeito João Doria na maior cidade do país. Em pouco mais de três semanas, Doria produziu uma série de notícias que transmite uma boa ideia do tipo de administrador que ele é.

Na campanha eleitoral, Doria fez um discurso antipolítico, enfatizando a qualidade de gestor. Nesses 25 dias de governo, o prefeito teve atitudes que apontam que ele é um gestor do passado.

Um gestor moderno ouve, dialoga e descentraliza decisões. Mas ocorreu o contrário nesses 25 dias. Houve pouco diálogo, como mostrou o episódio recente em que o prefeito decidiu apagar grafites na avenida 23 de Maio sem consulta aos artistas urbanos. Ele confundiu grafite com pichação.

Diante da má repercussão, o secretário da Cultura, André Sturm, agora fala em reunir artistas para pintar novos murais exatamente onde foi gasto dinheiro com tinta cinza para apagar grafites. Além do desperdício de dinheiro público, o açodamento revela a falta de planejamento com que foi tomada essa decisão. Isso não é boa gestão.

Hoje, as velocidades nas Marginais foram elevadas. Mais uma vez, o prefeito se recusou a ouvir a maioria dos especialistas e não levou em conta os estudos que apontaram melhoria na segurança e no fluxo do trânsito. Doria implementou uma medida que é um retrocesso.

Na largada, fez faxina numa praça que havia sido limpa na véspera. Na semana passada, andou cerca de cem metros numa cadeira de rodas para, nas palavras dele, entender o que sofrem pessoas com dificuldade de locomoção. Essa imagem cobrará do prefeito medidas concretas e urgentes, sob pena de ter feito pura demagogia em relação aos cadeirantes.

Ações de zeladoria são importantes, como também atos simbólicos nas aparições públicas do prefeito. É prudente levar em conta que a administração está no começo, mas também é preciso cuidado com a dosagem da política de pão e circo _no caso, há muito mais circo do que pão. Doria tem um excessivo pendor marqueteiro, que ameaça fazer dele uma mistura de duas figuras do passado, Janio Quadros e Fernando Collor. São Paulo, que é uma cidade complexa, com suas qualidades e problemas, merece mais no seus 463 anos.

Houve ainda um episódio com clara confusão entre público e privado. O prefeito cancelou palestra num evento programado pelo Lide, empresa da qual é sócio e fundador. Nesse evento, havia cobrança de cota de patrocínio de 50 mil que dava direito ao empresário de almoçar na mesa do prefeito.

Doria cancelou a participação. A assessoria disse que não havia impedimento ético, mas que seria melhor assim e não se falou mais disso. Saiu barato para o prefeito.

A relação entre o gestor público e empresas privadas tem limites claros estabelecidos em lei. O uso do prefeito para atrair patrocínio para um evento privado não pode ser visto como algo menor _pior ainda se ele é sócio e fundador da empresa.

Esse episódio soou como achaque a empresários, porque pode causar medo de retaliação da administração pública às suas companhias no caso de recusa de patrocínio.

Tem havido, da parte de algumas empresas, doações para ações públicas do prefeito que lembram atos de campanha. Há todo um regulamento que trata da ocupação de espaço público pela iniciativa privada. Isso tem de ser feito com transparência e respeito à lei. Não combina com telefonema da empresa do prefeito oferecendo almoço na mesa com ele em troca de cota de patrocínio de 50 mil reais.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    As ações de marketing de Dória não representam o gigante administrativo que ele é. Lembra muito o Jânio !
    Limpar a cidade daquele lixo de mau gosto chamado Grafitti, foi um antigo apelo do munícipe que nunca foi ouvido se gosta ou não.
    Quanto à velocidade nas marginais, o famigerado ex Haddad nem sabia o que é conceito de “via expressa”.
    Parabéns Dória…parabéns S. Paulo !

    • Leon disse:

      Ele vai ser um desastre como prefeito

      • Leonardo Gama disse:

        acho que São Paulo fez uma grande bobagem ao eleger esse cara em primeiro turno!!! no segundo turno é que se põe os argumentos a prova . . .

        como não teve segundo turno e Dória não tem outra experiência pública para compararmos, nós vamos ver quem é ele durante o mandato, e já começou mal, fazendo politicagem populista barata, a coluna do Kennedy é perfeita!!!

    • Alcides Ferraz disse:

      Gigante administrativo??? Só se foi em outra encarnação. Ele nunca ocupou cargo público no Poder Executivo. Seu início de gestão é recheado de factóides, prefere aparecer na mídia do que administrar e tomar decisões sensatas. Pensa que é o futuro Trump brasileiro. A decisão de aumentar a velocidade nas vias expressas de SP é absurda e movida por puro capricho. As maiores capitais do mundo já comprovaram que velocidades menores matam menos pessoas e humanizam mais a vida nas cidades. Como disse Kennedy, ele é a mistura de Jânio (um maluco excêntrico) com o Collor (um playboy deslumbrado).

    • walter disse:

      Cara Maria Aparecida, tens razão na comparação, eu votei nele, e acredito na suas intenções, mas falta outras velocidades, como a da 23 de maio por exemplo; na campanha dizia, voltar velocidades…Estamos falando de alguém, que não tem experiências na vida pública; precisa ter cuidado, que a “turma do mau” e do deixa disso, estão de plantão, para “meter o pau”…não pode ser ingênuo, precisa ser mais pragmático, todo cuidado é pouco..mesmo seus assessores precisam ser vigiados..
      As questões herdadas pelo pior prefeito que já passou por aqui, são terríveis; não basta concertar, precisa dar “nome aos bois”

  2. EDUARDO DANTAS DE ALENCAR disse:

    Caro Kennedy, bom dia!

    Sou um assíduo ouvinte da sua coluna na CBN e sempre escuto com atenção os seus comentários, que considero pertinentes e relevantes.
    Disto isso, em relação a sua análise dos primeiros dias do governo Dória, entendo que deste maior ênfase ao discurso das pessoas que fazem oposição ao governo pelo simples fato de o prefeito não ser da esquerda.
    Considero prematuro, com o devido respeito, tecer críticas às políticas até agora adotadas em SP com base nas tentativas de buscar a aproximação com o eleitorado, ora, o que esperar do prefeito?
    Entendo que este é o momento de deixar eventuais desavenças ideológicas em segundo plano para tentar restabelecer a confiança necessária para que o governo tenha um mínimo de governabilidade.
    Acho que as cobranças, que são necessárias, devem vir no momento devido, não antes.
    Abraços.

  3. Edi Rocha disse:

    Nossa! Já tá assim em tão pouco tempo.

  4. Rodrigo Sanches disse:

    Concordo plenamente.

    É muita fumaça, e do jeito que as ações do Dória são pequenas e pontuais, parece mesmo um sindico de prédio. Ele não foi capaz de apresentar um programa sério, nem mesmo algo que possa padronizar a limpeza dos banheiros, ficou focado em dar showzinho no Ibirapuera.

    Dória que ir mais longe, mas será que quando a realidade bater na porta do povo, em especial a classe média que aplaude, com crises reais só o marketing de circo e apoio maciço da midia irá bastar?

  5. Luiz Carlos Castilho disse:

    Um fato que está passando “batido” na mídia, é a “bondade” e o “altruísmo” de alguns empresários que estão doando bens para PMSP,, como carros e motos em comodato, e placas de fiscalização, além de serviços como limpeza de banheiros de parques públicos. Se for dessa forma, ótimo para cidade e seus cofres, e em ultima análise para nós contribuintes, mas é sempre bom fiscalizar!

  6. Carlos Lima disse:

    Nao sou de Sao Paulo, mas acho que nesse começo de governo do prefeito esta maravilhoso, vamos olhar para o lado positivo do gestor, se é retrógado ou nao o futuro dirá!

  7. Guilherme Piedade disse:

    Kennedy, seus comentários normalmente são muito bem elaborados, mas lamentavelmente você errou feio nessa avalição do Doria. A redução das velocidades nas marginais foi um dos maiores absurdos que o Haddad cometeu, o Doria está somente arrumando. Sou paulistano e sei o que falo. Aliás o Prefeito alterou as velocidades das marginais justamente por ter ouvido a população. Quem faz o transito é o motorista. Hoje mesmo, dia 25/1 data que foram alteradas as velocidades já ocorreu um acidente, mas por que? o motorista estava bêbado, foi culpa do aumento de velocidade? Quanto aos grafites merecia realmente um ajuste, mas se o prefeito for ouvir sobre qualquer ato que irá fazer já viu. Imagina um sindico ter que ouvir os moradores sobre qualquer coisa que irá fazer no prédio, tudo ficará engessado e nada terá celeridade para ser resolvido.

  8. Nerilton Amaral disse:

    Kennedy os seus comentários foram apropriados e pertinentes, São Paulo precisa de um grande Gestor, que infelizmente parece não ser o caso de Dória. A cidade é um dos maiores compradores de Serviços e Materiais do País. Aqui existem cartéis e sobre preço de todas as maneiras, que precisam ser combatidos. O Prefeito não pode convidar empresários, fornecedores ou potenciais fornecedores do município, ainda mais cobrando patrocínio, para eventos particulares. Existem questões legais e éticas gravíssimas que os homens públicos políticos ou não devem cumprir. Espero que as suas palavras sirvam de alerta. E está na hora de começar a governar.

  9. Nicolino Eugenio da Silva Junior disse:

    Caro Kennedy, sou assíduo ouvinte da CBN e acompanho com atenção seus comentários.
    Lamento que tenha sido essa a sua opinião sobre o que o Prefeito João Dória começa a fazer em nossa Cidade. Talvez por morar na “Ilha da Fantasia” chamada Brasília, você não tenha uma exata noção do que seja residir na Capital Paulista, como eu, há 55 anos. O fato é que os paulistanos elegeram João Dória justamente por desejarem mudanças como, por exemplo, o fim das pichações. Quanto aos grafiteiros, não me consta que alguém tenha nos perguntado o que achávamos de tantos desenhos de gosto duvidoso espalhados pela Cidade.
    Se o fato de tirar fotos com uma vassoura na mão, um dia após a limpeza de uma rua, soa como “circo”, o fato é que há anos essas mesmas ruas e praças estavam abandonadas e, hoje, estão limpas e assim estão permanecendo.
    Decorridos 25 dias de mandado, que Dória faça nos 340 dias restantes de 2017 o que fez até aqui, e assim seja até 31/12/2020.
    Parabéns, Dória!

  10. Karamujo. disse:

    Acredito que é cedo para falar da gestão de um candidato que foi o mais bem votado nas ultimas eleições em SP com mais de 53% dos votos contra 16% do candidato do PT.

  11. Leonardo Gama disse:

    vi certa vez a frase: “cuidado com os políticos que não se dizem políticos, pois são os que mais fazem politicagem”
    melhor exemplo do que Dória não existe…

  12. Solange disse:

    SP merece. Em 25 dias Doria brincou de gari, pedreiro, cadeirante e pintou a cidade de cinza. É um gênio!

  13. Wagner Martos disse:

    Jânio+Collor: Kennedy foi perfeito; vale lembrar que o destino do pais em mãos de ambos foi catastrófico.
    Dória nunca foi gestor, viveu sempre à sombra da politicagem; seus negócios são bizarros do ponto de vista de negócios sérios; por um lado vive de vender almoços, jantares e gincanas em resort envolvendo empresariado de 2o. escalão (nenhum empresário sério participa dessa empulhação) e por outro, vive de um atavismo brega chamado CasaCor. Em suma, seu mundo empresarial é fake, tão fake quanto ele se dizer gestor.
    No final, se a população tiver algum juízo, será bom como aprendizado pela dor pra não cair mais em enganação construída pela mídia (nisso ele também é uma cópia de Jânio e Collor)

    São Paulo não merecia “isso”!!!
    Triste destino da, outrora, uma das mais progressistas cidade brasileira.

  14. geraldo massaro disse:

    boa leitura da situação Kennedy. Do jeito que a coisa vai, daqui algumas semanas vai ser ainda mais fácil demonstrar o mal gestor! abraços!

  15. Wellington Alves disse:

    é publicitário. Esperava o que? Os conservadores reclamam do populismo da esquerda, mas engolem o da direita. Querem ser de primeiro mundo, indo contra as tendências do primeiro mundo. Falam: ” Já fez mais em um mês do que o anterior.” Fez onde? Porque onde eu moro não mudou nada…

  16. Lauro Vieira disse:

    Considerando que quase 30% dos eleitores não compareceram às urnas, o playboy travestido de Jânio e se dizendo apolítico não tenho dúvida, pelo que já mostrou, dará muitas cabeçadas! Tô com o Kennedy.

  17. Luis Delmondes disse:

    Claro deve ter alguma regulamentação para que a iniciativa privada possa fazer publicidade em espaço público mas do modo como você fala parece uma regulamentação excessiva, burocrática e desnecessária, a negociação tem que ser rápida a regulamentação deve estar no modo como o setor privado vai utilizar esse espaço para impedir abusos.

  18. Marcos disse:

    Apagar os grafites foi um absurdo sem tamanho. Ele apagou um patrimônio público, artístico, cultural. Isso teria que ter sido discutido com a população e com os artistas. Esse ato é grotesco. Nenhum prefeito tem o direito sobre a cidade, ele é apenas um gestor.

    Nenhuma obra de arte é consenso, nem mesmo a obra barroca brasileira é, mas isso não dá o direito de um prefeito derrubar uma estátua barroca.

    Um país sem história é um país sem futuro.

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2017-12-15 08:23:33