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Política
10-03-2017, 9h33

Em hora difícil, volta de Padilha criará mais problemas para Temer

Janot deverá pedir abertura de inquérito para investigar ministro
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KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

Se reassumir a Casa Civil, como defendem integrantes do PMDB, o ministro licenciado Eliseu Padilha tenderá a repetir a trajetória de Geddel Vieira Lima na Secretaria de Governo: vai se agarrar ao cargo e aumentar o desgaste para o presidente Michel Temer até que fique evidente a impossibilidade de continuar no posto.

Usa-se até a mesma argumentação que fracassou com Geddel. Naquele episódio, líderes de partidos aliados disseram que Geddel era considerado indispensável para aprovar as reformas. Agora, fala-se da necessidade imperial de ter Padilha para votar as mudanças na Previdência. As coisas não funcionam assim no Congresso.

Para piorar a situação do governo, Padilha ficou calado até agora sobre o depoimento de José Yunes. Segundo o depoimento, Yunes afirmou que teria atuado em 2014 como “mula” do atual ministro-chefe da Casa Civil.

A acusação de Yunes é grave. Dá conta de que Padilha teria usado o escritório dele para repassar propina, segundo suspeitas baseadas nos relatos de Yunes e de delatores da Odebrecht. É absurdo que Padilha não tenha se manifestado a respeito do depoimento de Yunes e usado o tratamento médico para ficar em silêncio. Padilha já deveria ter dito se Yunes mentiu ou não.

O governo também finge que o ministro da Casa Civil não precisa dar satisfação. Esse é o melhor caminho para criar mais uma crise.

Nos bastidores, investigadores da Lava Jato dizem que Padilha deverá estar entre os políticos a respeito dos quais o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pedirá a abertura de inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal) com base nas delações da Odebrecht.

O presidente Michel Temer estabeleceu a regra de afastar do cargo temporariamente apenas ministros denunciados. Por essa norma, Padilha poderia continuar ministro. Mas a falta de condições políticas poderá derrubar auxiliares do presidente.

Além de delatores da Odebrecht, o amigo e ex-assessor de Temer José Yunes também atirou em Eliseu Padilha. O provável pedido de abertura de inquérito contra o ministro da Casa Civil terá repercussão política e ainda haverá detalhes das delações que poderão surgir, como quem teria buscado o envelope deixado pelo doleiro Lúcio Funaro, se for verídico o relato de Yunes.

O custo de manter Padilha dificultará mais a tramitação da reforma da Previdência e não facilitará a aprovação da medida.

*

O atraso

É um retrocesso o ministro Ives Gandra Martins Filho, do TST (Tribunal Superior do Trabalho), ter impedido a divulgação da lista que mostra empregadores que usam trabalhadores em condições análogas à escravidão. Martins Filho atendeu a um pedido do governo.

Essa lista cumpre um papel importante. Em pleno século 21, expõe quem usa trabalhadores como se fossem escravos. A ONU (Organização das Nações Unidas) considera a divulgação fundamental para combater o desrespeito aos direitos humanos.

A lista é tornada pública após amplo processo administrativo de investigação, com direito a defesa. Martins Filho afirmou que um propósito nobre não poderia afetar a presunção de inocência jurídica, contrariando instâncias inferiores da Justiça e a argumentação de entidades como a OIT (Organização Internacional do Trabalho).

Haverá um grupo de trabalho de 120 dias no âmbito do Ministério do Trabalho para analisar como e quando divulgar a “lista suja” do trabalho escravo. É uma vitória do atraso civilizatório.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Enquanto ministros e políticos do colarinho branco de todas as vertentes se fazem de mortos, pessoas de bem estão morrendo de verdade nas ruas, assassinadas por bandidos do colarinho sujo.

    Quanto ao ministro Gandra Martins, é preciso lembrar que a justiça do trabalho é truculenta e não contempla o outro prato da balança.

    • walter disse:

      Cara Maria Aparecida, perfeita vsas colocações, este ministro Ives Gandra sempre foi polemico e com certas tendências…as atitude dele não contribuem neste instante; esta gente vem atrasando o Brasil a séculos, com aval do antigo…
      Caro Kennedy, com licença de minha amiga…uma cirurgia de prostata, leva um tempo considerável para recuperação, e a pressão não é recomendável…se tivesse Juízo se afastava automaticamente o Padilha, não faz diferença alguma agora.
      Não há qualquer motivo positivo, para a sua manutenção, vai atravancar um pouco mais, as aprovações no congresso.

    • Sebastiao Canabrava disse:

      Maria Aparecida, voce nao fala nada com nada. Nada que voce escreve tem conexao. O Kennedy quis dizer nas entrelinhas, que a Justica do Trabalho esta’ acorbertando o erro do lado patronal. E voce vem dizendo que a Justica do Trabalho defende somente o trabalhador. Tsc, tsc!

  2. João Torres disse:

    Aos poucos vai ficando claro que todo o governo temer é um atraso civilizatório. Mas quem está preocupado com isso??

  3. mano disse:

    prezados: várias decisões oriundas da justiça são difíceis de entender e difíceis de aceitar. O direito e a moral podem até não convergir totalmente, mas o presidente do TST impedir a divulgação da lista dos trabalhadores em regime de escravidão fere a teoria do mínimo ético, portanto num país desenvolvido não teria condições morais para exercer este cargo. Há muito o que mudar no Brasil, inclusive no Poder Judiciário. Podem inferir este comentário no âmbito dos países desenvolvidos onde a democracia está consolidada.

  4. Ricardo disse:

    Na **MINHA** opinião, o PMDB é o pior Partido que existe. Desde a época do Tancredo-Sarney, o PMDB sempre esteve no Poder. Mesmo na época do FHC-Lula-Dilma, o PMDB era da “base de apoio”. Ou seja, o PMDB NUNCA largou o osso. E esses políticos “velhacos”, que acham que lugar de mulher é na cozinha ou no supermercado, só estão atrasando ainda mais o Brasil. Precisamos de renovação, URGENTE!

    • Francisco Miranda disse:

      Boa tarde Ricardo. Tenho a mesma opinião que voce. O PMDB sempre foi o partido mais vendável do Brasil. Todos ocupantes do executivo de todos partidos, compraram o PMDB. Veja que sempre teve ligado ao poder maior. Só nunca teve ninguém no topo, por falta de competência, mas vende-se todo o partido.

  5. ANDRE disse:

    È preocupante uma interferência do executivo na justiça do trabalho, impedindo a divulgação de uma informação que é de interesse público. Por que motivo o presidente Temer não quer que esta informação seja divulgada? Outro fato preocupante e também lamentável, foi a fala do presidente da câmara Rodrigo Maia, que disse ser a justiça do trabalho desnecessária, com isto desrespeitou o trabalho de 4 mil juízes. No entanto, por mais que respeitemos a democracia, não podemos deixar de dizer que o Brasil precisa muito mais da justiça do trabalho, do que precisa dele e de seus imprestáveis asseclas da câmara de deputados, que em breve votarão contra o povo nas reformas da previdência e trabalhistas .

  6. juliano disse:

    Brasileiros, quase não se comenta ao respeito da transposição do São Chico, porque foi uma obra “megalomaníaca” iniciada pelo PT. Mas foi um governo dito incompetente que a fez. Desde D. Pedro II que se pretendia faze-la mas todos os governos até 2007, achavam-na impossível. Segundo o governo será concluída até dezembro 2017 e beneficiará 12 milhões de brasileiros que com certeza terão um futuro nestas regiões e não viajarão para construir uma ou duas São Paulo.

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2017-08-22 00:33:42