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Política
05-09-2017, 21h16

Eventual orientação de Miller a Joesley é fato mais importante

Para colegas do MP, Janot precisa punir ex-procurador e delatores
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KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

Do que se sabe até o início desta noite sobre o diálogo investigado por Rodrigo Janot, o fato mais impactante é a possibilidade de Joesley Batista ter recebido orientação do então procurador Marcelo Miller, à época braço direito de Janot, para gravar o presidente Michel Temer e outros políticos.

Isso desmontaria a versão de uma colaboração espontânea, como sustenta a Procuradoria Geral da República. Para colegas do Ministério Público, Janot precisará prender e punir Marcelo Miller e também Joesley Batista, sob pena de enfraquecer a imagem da Lava Jato e a força de todos os acordos de delações já feitos.

Provavelmente, os benefícios do acordo da JBS serão cancelados em relação a três colaboradores, pelo menos. Cresceu a chance de Joesley Batista, Ricardo Saud e o advogado da JBS Francisco de Assis e Silva passarem um bom tempo na prisão.

*

Efeitos políticos e jurídicos

Além de Gilmar Mendes, outros ministros do STF estão surpresos e contrariados com os vazamentos que surgiram até agora. No Supremo Tribunal Federal, haverá discussão sobre a validade das provas.

Apesar de Janot ter dito que as provas continuariam sólidas se o acordo de delação fosse quebrado por culpa do colaborador, a eventual orientação de Marcelo Miller para Joesley gravar Temer levará a um debate jurídico a respeito da anulação dessa conversa.

No Congresso, a avaliação é que o presidente da República recebeu um presente. Ganhou mais força para enfrentar uma eventual segunda denúncia de Janot na Câmara e para desacreditar Joesley Batista, que deu um tiro no próprio pé ao admitir que a saída para se livrar da prisão seria chamar de bandido todos os políticos a fim de dizer o que Janot gostaria de ouvir.

Isso criminaliza a política. Também cria um sentimento corporativista contra o Ministério Público entre os deputados e senadores, o que beneficia Temer.

Mas o presidente recebeu duas más notícias hoje: Fachin homologou a delação do doleiro Lúcio Funaro e a Polícia Federal descobriu, num apartamento em Salvador, uma montanha de dinheiro atribuída ao ex-ministro Geddel Vieira Lima.

Assista aos temas do “SBT Brasil”:

Comentários
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  1. ANDRE disse:

    É engraçado dizer que as provas oriundas das delações não terão validade, como quer e luta com todas as suas reiteradas críticas o ministro Gilmar Mendes. Então o STF vai fazer o que ? Fechar os olhos e dizer que tudo que estamos vendo não são nada? Que receber criminosos na calada da noite, acertar pagamento de silêncio, malas de dinheiro, desvios comprovados em estatais, conversas sobre o narcotráfico, compra de emendas e muito mais nada vale de nada? Da mesma forma que critico a lava-jato pelos seus excessos e digo que todas tem o direito de defesa e que só a palavra de um delator não basta como provas, também digo que tudo que evidência um crime, deve ser investigado, e se há crime deve ser punido, isto é justiça. Ou será que ela só existe para os pobres? Com a palavra a ministra Carmem Lúcia de sua suntuosa sala.

  2. marques disse:

    Orientação é o nome bonito que estão dando, não vou com a cara do Temer, mas está na cara que foi flagrante armado e preparado, e o pior que foi feito por pessoas que tem que zelar pela lei e legalidade, estamos fritos! Kennedy uma pergunta, quem é competente para investigar o Janot?

  3. walter disse:

    Esta claro Kennedy, que seu Marcelo Miller exorbitou; não se pode afirmar o envolvimento do janot, mas sua ficha ficará manchada…tanto que ele, como o fachin, foram apressados; mais motivo, para se rever, esta passagem, como um perigo mais grave a frente; não pode, um ministro apenas, deliberar deliberar uma delação deste porte sozinho…quando um bando, por anos rouba tanto, com tantas conexões, deveriam a quatro mãos, analisar todos os dados;fachin estranhamente, deu mais 60 dias, para os meliantes, apresentarem todos os dados;por aí, tudo nebuloso…

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