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Política
03-02-2017, 9h20

Fachin começaria bem retirando sigilo de delações da Odebrecht

Vitória de Maia fortalece chance de aprovar reforma da Previdência
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KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

É boa a escolha de Edson Fachin para ser o novo relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal). Ele é um civilista, não um criminalista. Mas é considerado técnico e discreto.

Será preciso ver se terá a capacidade de resistir às pressões, como tinha Teori Zavascki _seja corrigiindo eventuais abusos do Ministério Público e de outras instâncias da Justiça, seja resistindo a eventuais lobbies para proteção política, deixando em segundo plano algumas figuras e priorizando ações em relações a outras.

Fachin está começando. Merece um voto de confiança. Começaria bem retirando o sigilo das delações da Odebrecht.

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Vitória de Maia reforça chance de aprovar reforma da Previdência

A vitória expressiva de Rodrigo Maia ontem na Câmara reforça a chance de aprovação da reforma da Previdência e abre caminho para mudança nas legislações trabalhista e tributária. Maia (DEM-RJ) foi reeleito presidente da Câmara com 293 votos em primeiro turno.

Houve também uma vitória do presidente Michel Temer, que terá dois aliados confiáveis no comando da Câmara e do Senado. A reeleição de Rodrigo Maia somada à de Eunício Oliveira no Senado mostra que o governo tem base sólida no Congresso.

O placar nas duas Casas sinaliza desgastes mínimos na base de apoio do governo no Congresso. No caso do centrão, grupo de 13 partidos conservadores, não há mais uma liderança a unificar a estratégia de ação, como aconteceu na época em que Eduardo Cunha presidiu a Câmara.

O fator Lava Jato tende a ameaçar mais as carreiras políticas que serão atingidas individualmente. É claro que, se causar dano aos principais aliados do governo no Congresso, isso terá efeito ruim para o governo Temer. Figuras do próprio governo serão atingidas.

No entanto, o único recurso eficiente que a classe política tem para enfrentar essa tempestade é aprovar reformas que ajudem a economia a se recuperar. Nesse contexto, o estresse da Lava Jato pressiona o Congresso a mostrar serviço como um todo.

Mas as incertezas provocadas pela Lava Jato em relação à política têm efeitos negativos para a economia. No curto prazo, isso não é desprezível.

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Civilidade na dor

O abraço de ontem entre FHC e Lula foi extremamente comovente do ponto de vista pessoal. O tucano foi ao hospital visitar o petista em virtude da perda de fluxo cerebral de dona Marisa. Ela passará a ser submetida a um processo de doação de órgãos após realização de protocolo internacional para constatar eventual morte cerebral.

Diferenças políticas à parte, FHC e Lula deram uma demonstração de solidariedade e civilidade. Num momento de divisão política no país e de luta acirrada no debate público, esse gesto tem grande feito simbólico.

Na conversa com o presidente Michel Temer, Lula disse que era importante separar as divergências políticas das relações pessoais. Numa hora de imensa dor, é um gesto de grandeza. FHC e Temer, com suas visitas, pagam um tributo de respeito a Lula num momento delicado da vida dele.

Dona Marisa cumpriu bem o papel dela como militante política e chefe de família. Ajudou a fundar o PT em 1980 e articulou uma resistência de mulheres contra a prisão de Lula e outros sindicalistas durante a ditadura militar.

Na prática, ela foi a chefe da família Lula da Silva. Como o ex-presidente da República sempre teve uma atuação muito pública, cheia de viagens e compromissos, ela agia para proteger a vida privada dele e da família.

Comentários
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  1. Mauro disse:

    Para a satisfação da curiosidade do povo brasileiro, a quebra de sigilo das delaçoes seria algo, diriamos “bacana e transparente”, pois a vontade de saber quem cometeu delitos, talvez seja maior do que a punição que cada um deve receber, mas analisando a questão sob o ponto de vista de normalidade das instituiçoes, que já estão mais do que frágeis nesse momento, é oportuno questionar o quanto de utilidade para o pais teriam essas revelaçoes.
    Não vejo nada de positivo e construtivo em falar de nomes, sejam quais forem, pois alem de serem nomes delatados (talvez ainda sem comprovação material dos delitos), o efeito seria sómente de fofoca destrutiva e revolta da população em um momento que o pais necessita é de calma e não de mais disturbios.
    Edson Fachin tem todas as qualidades, isenção e respaldo para fazer seu trabalho e o que devemos fazer nesse momento é cobrar para que faça um trabalho eficaz e rápido. Qualquer coisa alem disso é querer por mais gasolina nesse incêndio.

  2. walter disse:

    Caro Kennedy, seria sim, muito positivo tal iniciativa do Sr Fachin, o “sorteado”; nem o Jonot ou a ministra, quis botar a mão nisso; a pressão é forte dos outros poderes, por motivos óbvios, não querem a transparência, por envolve los “até os dentes”, nas delações; vão retaliar como puderem…
    O grande vitorioso foi o governo, com a eleição dos lideres; mas o Maia já mostrou a sua prioridade, que é votar censura ao Judiciário; eles pretendem enfrentar o Supremo principalmente, vamos ver se Dna Carmen Lúcia endurece,tomando atitudes firmes,contra os citados na lava jato;”rabo não abana cachorro”
    Quanto ao gesto do FHC, foi por reciprocidade, já que o lula fez o mesmo quando partiu dna Ruth,e deveria ser sempre assim..

  3. COM TODO O RESPEITO: SEM SIGILO, SEM "BLINDAGEM" COM FORO PRIVILEGIADO E COM MUITA VERGONHA NA CARA! disse:

    Guardado o devido respeito à dor da família enlutada de dona Marisa, como foi feito em relação à família do ex-ministro Teori Zavaski, temos que continuar a vida.
    O que toda a nação deseja é que o país continue buscando sair da situação crítica em que se encontra, moral, política e econômica.
    É hora de serem tomadas as medidas necessárias:
    1 – econômicas – sem privilégios e sem sacrifícios exclusivos aos menos favorecidos, como retirar direitos dos aposentados etc, etc, etc;
    2 – políticas – uma ampla reforma política que impeça o sucesso dos políticos ladrões e privilegie a ação dos políticos verdadeiros;
    3 – moral – com o irrestrito apoio à Lava Jato, a menina dos olhos do país, indispensável para que nos tornemos um país sério, onde todos os brasileiros sejam iguais perante a lei, onde não exista “foro privilegiado”, para que nunca mais vejamos investigados por crimes serem blindados por governantes com nomeações a cargos beneficiados com tal prerrogativa!

  4. walter disse:

    Caro Kennedy, considerando a posição do Fachim, o “sorteado”…se dna Carmen lúcia e o próprio Janot não quebraram o sigilo, deve se a pressão imensa dos outros poderes, para manter o sigilo; ou até um acordo, considerando que a cúpula dos partidos, estão na maioria citados…Tomara que acabem com este segredo inútil, mas são vícios antigos…
    Quanto a eleição dos lideres, o grande vitorioso foi o governo; mas o rodrigo Maia já mostrou porque veio, quer aprovar censura ao judiciário, por retaliação clara…cabe a Dna Carmen Lúcia, endurecer, não ceder a acordos absurdos nesta hora.
    Quanto ao gesto ao Lula do FHC, foi um ato de reciprocidade; quando dna RUTH partiu o lula fez o mesmo,deveriam ser sempre.

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2017-02-26 07:18:59