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Política
05-03-2018, 7h56

Fragmentação eleitoral estimula pré-candidatura de Maia

Ação do DEM é mais do que um balão de ensaio
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KENNEDY ALENCAR
LONDRES

O DEM deve lançar na quinta-feira a pré-candidatura ao Palácio do Planalto do presidente da Câmara, Rodrigo Maia. Apesar de esse lançamento ser visto como um movimento para fortalecer o cacife do DEM em eventual aliança no futuro, trata-se de uma iniciativa que busca neste momento construir uma candidatura para valer no campo da centro-direita.

A razão é simples. Não há na centro-direita um candidato com alta intenção de voto que iniba movimentos de outros nomes. Jair Bolsonaro, num patamar pouco abaixo dos 20%, corre numa faixa de extrema-direita.

A entrada de Rodrigo Maia na corrida presidencial é mais um indicativo da dificuldade política da pré-candidatura do governador de São Paulo, o tucano Geraldo Alckmin, para liderar uma ampla aliança no campo da centro-direita. Alckmin marcou entre 6% e 8% na última pesquisa Datafolha, a depender do cenário.

A candidatura de Maia também é sinal da fraqueza do governo Temer para viabilizar um postulante ao Palácio do Planalto, seja uma tentativa de reeleger o atual presidente, hoje uma possibilidade remota, seja o lançamento do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, pelo MDB. Meirelles deverá trocar o PSD pelo MDB.

Se Alckmin, Temer e Meirelles não têm força para aglutinar o campo de centro-direita, Maia vê espaço para se apresentar como um candidato que defenda uma agenda liberal com mais ênfase do que Alckmin e do que o próprio governo. Temer abandonou a agenda econômica pela da segurança pública.

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso já disse que dificilmente vencerá um candidato do mercado financeiro, mas Maia pensa diferente. O presidente da Câmara pretende explorar o espaço de defensor mais radical de medidas liberais, porque Alckmin terá dificuldade para abraçar uma agenda 100% afinada com o mercado, conforme alertou FHC.

Como as convenções que oficializam as candidaturas ocorrerão entre 20 de julho e 5 de agosto, Maia tem tempo para uma mudança de rumo. Ao se colocar como pré-candidato agora, faz um teste. No mínimo, ganhará mais musculatura política para disputar um novo mandato de deputado federal.

Mas ele ambiciona mais. É um erro tratar Maia como um político que está agindo na base do “se colar, colou”. Ele tem dado alfinetadas em Temer e Alckmin que mostram que não será um político fácil de ser cooptado para um projeto presidencial do PSDB, do MDB ou desses dois partidos em aliança.

Portanto, num quadro eleitoral fragmentado, não deve ser tratado como balão de ensaio o movimento de Rodrigo Maia. Ele pode até não concorrer à Presidência lá na frente, mas a fragmentação eleitoral abre espaço para que diversos candidatos se apresentem no primeiro turno.

Comentários
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  1. walter disse:

    Outro cidadão sem expressão Kennedy, sem origem positiva, sem coligações de peso; este Lobby todo, o leva a ser candidato a governo no Rio; aposto que esta visando isso, já que não terá cacife para ser presidente; infelizmente, o momento é dos oportunistas de plantão, não há qualquer possibilidade, de vingar tal intenção; como bom carioca, esta mantendo, a condição herdada de presidente da câmara, tendo alçar voos mais alto…

  2. João disse:

    A maior dificuldade de Maia mesmo me parece ser “cooptado pelo eleitor”…. pq de mercado a população tá com a garganta seca de tanto engulir…… mas eu, particularmente, prefiro um candidato que assuma francamente suas idéias de mercado do que essas embromações tucanas……

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