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Economia
21-02-2017, 9h10

Governo está perdendo debate sobre reforma da Previdência

Ala política pressiona equipe econômica por causa de recessão e Lava Jato
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

O governo está perdendo o debate público a respeito da reforma da Previdência. A proposta é muito dura. Está se consolidando a imagem de uma reforma que dificultará aposentadorias e retirará direitos.

O presidente Michel Temer tem dito em seus discursos que os direitos adquiridos estão garantidos e tem apontado motivos para a realização da reforma da Previdência. Ela é necessária para que Temer entregue a segunda parte do ajuste fiscal que prometeu ao mercado financeiro e à elite econômica. A primeira parte do ajuste fiscal foi a PEC do Teto, mas essa regra orçamentária precisa do complemento da reforma da Previdência para que tenha efeito real.

Com o abalo que as delações da Odebrecht deverão causar no mundo político, crescerá no Congresso o sentimento para mostrar serviço. A reforma da Previdência deverá ser aprovada, mas numa versão mais light do que a defendida pelo governo. Exigir 49 anos para aposentadoria integral não tem apoio da base do governo. As regras de transição para quem está no mercado de trabalho deverão ser suavizadas.

Temer tem reunião hoje com representantes da comissão especial da Câmara que analisa a reforma da Previdência. Deve fazer um apelo pela aprovação e acertar limites de concessões do governo diante das resistências à proposta.

*

Guerra interna

A ala política do governo Temer avalia com ansiedade e preocupação os movimentos da equipe econômica. Apesar de o presidente Michel Temer dar os sinais públicos de que está bancando a política defendida pelo ministro Henrique Meirelles (Fazenda), há pressões por causa da Lava Jato e da forte recessão.

O governo não tem dúvida de que depois do Carnaval deverão começar a ser divulgados os vídeos dos depoimentos das delações da Odebrecht. A agenda política vai ficar mais negativa. Nesse contexto, aumentam as pressões para que a equipe econômica produza boas notícias.

Os saques das contas do FGTS serão feitos paulatinamente. Portanto, os R$ 30 bilhões que deverão ser injetados na economia surtirão efeito aos poucos.

Na visão de ministros políticos, como Eliseu Padilha, da Casa Civil, e Moreira Franco, da Secretaria Geral, o Banco Central deveria acelerar um pouco mais a queda dos juros. No entanto, a tendência do BC é reduzir a taxa básica, a Selic, em 0,75 ponto percentual. A área política gostaria de uma redução de um ponto percentual. A Selic está hoje em 13% ao ano.

A equipe econômica tem dito a Temer que a ansiedade por resultados pode gerar medidas equivocadas, a exemplo do que aconteceu no governo Dilma, e enterrar um início de recuperação econômica. Por ora, Temer está bancando Meirelles, mas a pressão política sobre a equipe econômica tem crescido nos bastidores.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    O governo está perdendo o debate da reforma de previdência por uma combinação perversa de falta de moral com o lobby de sindicatos pelegos.
    Vivemos uma ditadura sindical temperada por um governo promíscuo !

  2. walter disse:

    Caro Kennedy, se a reforma da previdência fosse tão fácil, outros governos já teriam feito; precisamos caminhar, mas o fato do governo temer, não ser legitimo já causa uma certa acomodação do congresso…precisamos continuar por circunstância este movimento, mas se não for o necessário…se considerar demais os sindicatos, nada vai evoluir, a favor dos trabalhadores, será um faz de contas
    Quanto aos políticos de “rabo preso”, com a lava jato; devem ser vigiados pelo supremo, tentaram até o fim causar na lava jato…

    • Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

      Walter mais uma vez lúcido e correto.
      O governo é trôpego, mas o imposto é cobrado, inclusive o indecente imposto sindical.
      É a receita do “finge que faz, eu finjo que acredito”.

  3. DIRETO AO ASSUNTO: EM PRIMEIRO LUGAR A LAVA JATO – REFORMAS APÓS ELEIÇÕES DE 2018! disse:

    Mais importante que promover a Reforma da Previdência, reforma política e reforma tributária, que, ninguém nega, são imprescindíveis e urgentes, seria primeiro promover o fim do “foro privilegiado”. Não há como dissociar os políticos e governantes (responsáveis por tão importantes reformas) de seus envolvimentos nos crimes de corrupção apontados pela PF, MPF, RF, JUDICIÁRIO ETC. Fazer tais reformas debaixo do clima atual é total falta de responsabilidade.
    Tais reformas deveriam ser feitas pelos eleitos em 2018. São importantes demais para serem feitas num mandato tampão e por citados em escândalos de corrupção.
    Com o fim do foro privilegiado muitos corruptos iriam para a cadeia, ou não poderiam se candidatar em 2018.
    Os eleitores concretizariam a limpeza, pelo voto, elegendo gente nova e descompromissada com a corrupção.
    Reformas hoje, com os quadros políticos atuais, não teria o apoio da nação e, com certeza, seriam reformas feitas por maioria de corruptos, sem o aval do povo.

  4. ANDRE disse:

    A reforma da previdência só traz vantagens para o mercado financeiro e à elite econômica, só a eles interessa este assalto ao povo brasileiro. Como vimos não foi levado os cálculos atuariais, porque a mentira não se sustenta diante de uma análise apurada. O governo e sua corja do congresso, querem aprovar, sem nem ao menos justificar. Estes senhores nefastos, não parecem temer a nada, votarão contra o interesse do povo, mesmo estando toda a casa legislativa imersa na lama. Mas um dia a paciência popular acaba e arrastados pela fúria, estes impostores, traidores do povo, começarão a ter um pouco de vergonha na cara. Peço a todos que se informe, sobre como é calculado o rombo da previdência e não acreditem no que a tv prateada diz. Vamos a luta! Lembremos de Bertolt Brecht : Na primeira noite, eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim: não dizemos nada.
    Na segunda, já não se escondem. Pisam as flores, matam o nosso cão e não dizemos nada.
    Até que um dia o mais frágil deles..

  5. Antonio Bianco disse:

    Esta reforma está sendo feita com pressa, sem discussão apropriada com os trabalhadores e baseada em mentiras.
    Não há deficit na previdência: fabrica-se deficit porque o governo não contabiliza como receitas previdenciárias fontes que a Constituição considera como tal, assim temos o PIS, COFINS, recursos oriundos de sorteios da CEF, etc. Mas considera como despesas diversos gastos que não são previdenciários, como o pagamento do FUNRURAL. Estas aposentadorias são justas, mas não deviam ser custeadas pela previdência, pois os beneficiados nunca recolheram contribuição. Estes gastos deveriam ser do tesouro nacional e considerados como assistência social. Por outro lado faz política econômica, reduzindo recursos da providência com a desoneração da folha de pagamento e o desvio para a DRU, que surrupia bilhões de reais por ano. Antes de fazer uma reforma injusta deveria corrigir estas malandragens. Mas governo e parlamento só pensam em ganhar algum dinheiro para eles.

  6. Alberto Kilinski disse:

    Caro Kennedy – Tenho por princípio que quando se fala NÃO para alguma coisa (no caso Previdência) não vejo colocação e/ou proposta de algo melhor. Em geral é somente NÃO e a atenção para a política financeira do atual governo é como se fosse rebaixar o salário na Carteira de Trabalho
    Agradecendo – – – Alberto Kilinski

  7. Reinaldo disse:

    A reforma da previdência só traz vantagens para o mercado financeiro e à elite econômica!

  8. Stanislaw. disse:

    Esses deputados federais e senadores não têm moral e nem cabeça para fazerem reforma alguma. Estão preocupados apenas em não irem para a cadeia – se livrarem da Lava Jato!
    É preciso a população primeiro renovar totalmente essa Câmara e esse Senado além, é claro, o Executivo. E isso só poderá ocorrer em 2018, através das próximas eleições. Aí sim, será hora de fazermos reformas verdadeiras e não remendos a toda pressa, apenas para enganar. Reformas verdadeiras têm que mexer nos bolsos dos que ganham muito, têm altos salários e não em cima dos mais pobres! Reforma nas altas aposentadorias provenientes de altos salários, nas mordomias dos altos salários de políticos e governantes corruptos, reformas na forma de combater a corrupção etc.

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