aki

cadastre-se aqui
aki
Política
27-11-2017, 8h28

Huck ilustra risco e dificuldade de outsider disputar Planalto

Apresentador entra e sai do debate eleitoral sem expor uma ideia
19

KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Em artigo hoje na “Folha de S.Paulo”, o apresentador Luciano Huck encerra a especulação que ganhou força nas últimas semanas sobre disputar a Presidência da República. Mas, em política, é arriscado considerar todo movimento como definitivo.

Ainda há muito tempo para oficializar uma candidatura presidencial. As convenções partidárias que farão isso estão previstas para acontecer entre 20 de julho e 5 de agosto.

Obviamente, uma candidatura presidencial não se faz da noite para o dia, ainda mais a de alguém que nunca disputou eleição. Seria preciso que essa eventual postulação estivesse na rua bem antes de 20 de julho, mas ainda há tempo para muitas articulações até abril, quando vencerão prazos eleitorais importantes. Um deles é a necessidade de estar filiado a um partido. No início de abril, quem ocupa cargo executivo e quiser concorrer a um eletivo terá de deixar essa posição, exceto aqueles que forem concorrer à reeleição.

No artigo, Huck fala que tem “certeza” de que estará fora da eleição presidencial, mas também diz que não fará esse pleito “neste momento”, o que deixa uma pequena brecha para eventual mudança de ideia.

As conversas que embalaram o sonho presidencial de Huck refletem movimentos que buscam um nome fora da política tradicional para disputar o Palácio do Planalto. As pesquisas mostram que há algum espaço político para o surgimento de uma candidatura que represente uma novidade.

Mas o caso Huck também ilustra a dificuldade que um outsider terá para concorrer em 2018. Apesar do alto desgaste da classe política, não é tarefa fácil viabilizar a candidatura à Presidência de um outsider para que ela se torne competitiva e tenha chance de vencer.

A eleição de João Doria em 2016 é sempre citada como um exemplo de sucesso da novidade política. Mas Doria concorreu por um partido grande, o PSDB, e teve um padrinho tradicional, o governador Geraldo Alckmin. O PSDB e Alckmin foram fatores importantes para construir e sustentar a candidatura numa fase difícil.

Doria foi beneficiado pelo forte antipetismo numa praça específica, a cidade de São Paulo. Ele concorreu num momento em que a Lava Jato estava mais forte e não havia enfrentado a resistência de peemedebistas e tucanos, como acontece agora. Uma eleição nacional tem mais complicadores do que uma disputa municipal. A dificuldade que Doria enfrenta para ser candidato a presidente agora reforça esse tese. O “tradicional” Alckmin é o favorito no PSDB para concorrer ao Palácio do Planalto.

Numa disputa presidencial, é importante ter uma estrutura partidária mais robusta do que o PPS, como era aventado no caso de Huck, ou do PSB, na hipótese de o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa aceitar concorrer pelo partido.

Huck e Barbosa também teriam de enfrentar pela primeira vez o corredor polonês de uma campanha presidencial, que é ter a vida pessoal e profissional esquadrinhada. Teriam de passar no teste de exposição de ideias e propostas.

Nomes como os do ex-presidente Lula, do governador Geraldo Alckmin, da ex-senadora Marina Silva, do ex-ministro Ciro Gomes já passaram por esse corredor polonês. No caso de Huck, ele foi uma especulação presidencial que não apresentou uma única proposta nas últimas semanas.

No artigo de hoje, no qual teria oportunidade de fazer isso, Huck escreveu generalidades. Recorreu a um discurso difuso sobre conversas que teve com diferentes atores a respeito de construir um projeto para o Brasil. Não se sabe o que ele pensa sobre a Lava jato, a economia, a saúde e a educação, por exemplo. Huck entrou e saiu da pré-campanha sem apresentar uma ideia. Joaquim Barbosa já deu algumas entrevistas sinalizando o que pensa, mas ainda de forma incipiente. O ex-ministro precisará ser mais claro, caso se aventure na eleição.

O presidente da França, Emmanuel Macron, é frequentemente invocado como exemplo por alguns defensores de outsiders no Brasil. Convém lembrar que Macron foi ministro da Economia do então presidente François Hollande. Ele representou uma reação política racional de parcela do eleitorado francês, que quis evitar a vitória da extrema-direita e que estava desiludida com o governo socialista.

Macron foi uma reação europeia ao trumpismo, este, sim, um fenômeno mais radical e antipolítico. Mesmo assim, Trump teve de vencer uma prévia no Partido Republicano. Macron é claramente uma resposta da política. Trump venceu tirando proveito da crise da política, mas trilhando caminho dentro de um grande partido tradicional.

No Brasil, é seja arriscado apostar no sucesso de um outsider, de um salvador da pátria sem estrutura partidária. A chance de desilusão é alta. E hoje, existe no país, um nome que já saiu na frente explorando o sentimento contra a política: o deputado federal Jair Bolsonaro.

Bolsonaro, que é um político profissional mas critica a política, ainda terá de atravessar o corredor polonês de uma campanha presidencial. Isso é um filtro bom e necessário.

Eleição é assunto muito sério para ficar a cargo de aventureiros. A negação da política tende a produzir um desastre maior do que se possa imaginar.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
19
  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Huck tem SIM toda a condição e o preparo para a presidência da república. Ele faz um trabalho social consistente e discreto nos morros e periferias, sem alarde mas com devoção e respeito.
    Além disso ele é filho e neto de pessoas com profundo ativismo social, intelectual e humanista… Vai fazer falta na política !

    • walter disse:

      Exatamente cara Maria Aparecida, mas o buraco é mais embaixo; voltando ao passado,quando o Ermírio de Moraes, quis levar avante, a ideia de uma candidatura; trataram de acusa lo,ser proprietário de escravos, sem qualquer prova, por consequência o fez desistir…este preconceito, misturado com calúnias, não permite que outros cidadãos, queiram tentar ser candidatos, tratam logo de levantar a ficha do dito cujo, aumentando negativamente sua biografia; por isso chegamos ao fundo do poço, os meliantes do poder, fazem de tudo para não ter concorrentes…Caro Kennedy, a imprensa deveria ser a primeira a contribuir e desmistificar, qualquer acusação infundada aos novos candidatos…nesta hora, ficam caladinhos pelas verbas futuras da publicidade; renovar para esta gente, não é opção…

    • milton disse:

      Tá de sacanagem né ???
      Luciano participou da campanha do desarmamento, mas quando sai com sua familia, os seguranças dele estão armados.!! A familia dele é mais importante que as nossas ?

    • Ivaldo Muniz Carvalho disse:

      O que ele faz é abater tudo isso no, imposto de renda! Por favor

  2. julio paes disse:

    ele sabe que não tem chance nenhuma nas eleições, e que também poderia comprometer o emprego dele na globo por isso antecipou sua saída se retira.

  3. Não sei o que é pior. Votar nos mesmos ou em alguém que é totalmente inexperiente em gestão pública. Não que os outras saibam muita coisa mas dá medo mesmo assim.

  4. Luiz Roberto Faria de Oliveira disse:

    Se o Sr. Luciano Huck tivesse uma proposta séria de fazer algo pelo Brasil, inicialmente ele deveria começar se candidatando à Deputado, para aprender a ser um político.
    No Congreso ele poderia agir de forma séria e honesta e demonstrar à todo o Brasil, que daí sim ele já estaria apto a ser Presidente do Brasil.

  5. Olindo Souza Marques Neto disse:

    Trata-se de um jovem empresário bem sucedido, já muito rico, tem seu programa na Rede Globo, etc. Entrar na política seria a pior coisa que ele iria fazer em sua vida, já que dificilmente alguém entra no fogo e não se queima. Seria procurar sarna para se coçar e ele não precisa disso. Fuja disso Luciano!!!

  6. Luci Nychai disse:

    No sistema presidencialista brasileiro,os governos tendem a privilegiar a governalibilidade em detrimento da governança para sobreviver. Neste contexto, a corrupção política não escolhe Partido ou Pessoa. Pode ser o Cidadão mais integro possível, mas este será forçado a se corromper, corrompendo seu governo e dilapidando os recursos públicos para conseguir governar. Isso acontece porque as instituições brasileiras são fracas. E quem muda e consolida as instituições é a força e a participação da população. Como mudar? Agindo em prol da mudança, começando pelas nossas atitudes. Mais do que um Partido ou de uma Pessoa, precisamos de um Projeto para o Brasil!. Avante povo brasileiro, a caminho de um novo tempo!

  7. Geraldo Souza Martins disse:

    Gente, a possibilidade desse garoto, Hulk, se candidatar a presidência da república é uma mostra de falta de credibilidade de nossos políticos e, por outro lado, mostra o desespero que os partidos estão na busca de pessoas sem vínculo político.

  8. Ronaldo disse:

    A candidatura de tal criatura visava angariar votos da população mais humilde e inculta que votará em Lula pelos benefícios auferidos durante seu governo, mas, que pode ser iludida pela popularidade de pessoas sem o menor “cacife” político, mas, que por orquestrarem quadros que beneficiam pessoas necessitadas, tornam-se simpáticos e populares entre os mais vulneráveis.
    Seus apoiadores tinham bem mais interesse em sua candidatura do que o próprio, já que o verdadeiro objetivo nunca foi assegurar sua eleição e sim facilitar o projeto político do grupo.
    Obviamente, o apresentador que é deslumbrado mas não é burro, percebeu que estava sendo utilizado como “massa de manobra”, logo tendo tudo a perder e nada a ganhar nessa aventura criada para atender aos interesses dos mistificadores que assolam a Nação !

  9. Ivaldo Muniz Carvalho disse:

    Será que vamos ter mauitas latas-velhas no plnalto? por favor seriam um absurdo dos maiores, talvez a pior coisa que o Brasil passaria! Vai ser chato assim pra lÁ

  10. Fernandes disse:

    Eu prefiro anular meu voto do que votar em Luciano Huck. Mostra que este país realmente não é sério. Por isso que a corrupção toma conta desse Brasil.

  11. Douglas Dogol Sucar disse:

    Esse fato é a prova definitiva da falência do modelo político atual. Deveria haver a convocação de uma constituinte especialmente designada para fazer uma total reforma do sistema político. O mal, apenas se representa na maioria dos políticos atuais, eles são reflexos. O mal verdadeiro é o nosso modelo de sistema político, a ignorância das pessoas e a má fé de nossa grande mídia. (O escravo não tem como prioridade ser livre, o seu primeiro desejo é ter o orgulho de ser escravo do mais forte.

  12. Julio C. Maciel disse:

    Estão brincando de fazer Política.

  13. Rodrigo Gimenez Uchoa disse:

    Ele ja deu uma ajuda incrível ao País não sendo candidato !
    De oportunistas e Mentirosos o Brasil ja ta cheio !

  14. VIVA A LAVA JATO! VIVA A NÃO REELEIÇÃO DOS CORRUPTOS! VIVA O SURGIMENTO DE NOVOS POLÍTICOS! disse:

    Enquanto continuarmos achando que fazer política é comprometer-se com bandidos, continuaremos a ver governos vergonhosos, fingindo ser a favor da maioria do povo, mas fazendo o jogo dos bandidos travestidos de políticos e governantes a favor do povo. Foi o que aconteceu com Lula – ninguém teve tanto apoio popular e no Congresso, ao mesmo tempo, como ele, que preferiu no entanto passar para o lado da ladrãozada – cometendo pior ainda pois, a roubalheira que antes era feita comedidamente, disfarçadamente, recebeu dele o “liberou geral” – e nunca houve tanta roubalheira aos cofres públicos como do tempo de Lula para cá! Fingindo ser a favor dos mais pobres roubou como nunca se roubou, e permitiu que se roubasse como nunca antes: os exemplos são o Mensalão e Petrolão!

  15. Wellington Alves disse:

    Dilma e Fernando Collor foram os nossos últimos outsiders….

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados

Não serão liberados comentários com ofensas, afirmações levianas, preconceito e linguagem agressiva, grosseira e obscena, bem como calúnia, injúria ou difamação. Não publicaremos links para outras páginas devido à impossibilidade de checar cada um deles.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

 
2017-12-17 23:00:30