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Política
09-03-2017, 9h19

Insatisfação de Renan pode atrapalhar reforma da Previdência

Governo dá tiros no pé no debate sobre mudança na aposentadoria
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KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

O líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), vem dando sinais de insatisfação com o governo Temer e tem poder de fogo para atrapalhar a tramitação da reforma da Previdência _e até para, eventualmente, modificar a proposta original.

Na semana passada, Renan disse que essa proposta era “exagerada”. Ontem, alfinetou o discurso do presidente da República no Dia Internacional da Mulher, considerando a fala “infeliz”, e afirmou que o PSDB e o ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, preso em Curitiba, disputam cargos na administração Temer.

Renan mantém forte influência na bancada do PMDB. As críticas dele a Temer e ao governo são sinais de alerta. Há uma disputa por espaço no governo entre alas do PMDB da Câmara e do Senado. Deputados que foram aliados de Eduardo Cunha passaram a atirar publicamente no presidente do PMDB, o senador Romero Jucá (RR), que também é o líder do governo no Senado.

Apontar a influência de Eduardo Cunha em nomeações para o governo é dar corda à tese de que o ex-presidente da Câmara tem munição para complicar a vida do presidente da República. Temer e Renan sempre tiveram relação instável _ora distante, ora próxima. A atual fase é de turbulências à vista.

*

Tiros no pé

O governo vem argumentando bem mal a favor da reforma da Previdência. Nesse ritmo, terá dificuldade para convencer a opinião pública, o que é fundamental para persuadir deputados federais e senadores que resistem a aprovar a proposta de reforma da Previdência.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, disse ontem que, se o Congresso fixar idade mínima para aposentadoria de 60 anos para mulheres, seria precisa estabelecer 71 anos para os homens, a fim de compensar eventual mudança na proposta original do governo, que é de 65 anos para os dois sexos.

É óbvio que seria inviável estabelecer 71 anos como idade mínima. Sugerir usar isso como compensação a uma regra mais favorável à mulher é descabido. A argumentação a favor de fixar a mesma idade para homens e mulheres não pode ser puramente contábil. Tem de levar em conta argumentos mais consistentes.

Ou deve ser implementada levando em conta a maior expectativa de vida das mulheres. Ou deve ser diferente, porque vivemos numa sociedade machista na qual a mulher ganha menos do que o homem e tem a chamada dupla jornada, justificando assim uma diferenciação. O debate tem de ser feito de modo mais sensato.

Há outros exemplos bem claros de que o governo vem dando tiros no pé nesse debate. Nessa toada, só vai aumentar a resistência à reforma da Previdência, dando a ela um carimbo de proposta exagerada para retirar direitos.

A propaganda do PMDB nas redes sociais é pura chantagem. Ameaçar acabar com o Bolsa Família se não houver reforma da Previdência é atacar de forma vil os mais vulneráveis na sociedade.

O presidente Michel Temer disse que os mais ricos são os que mais reclamam da reforma. De fato, os mais ricos têm maior poder de mobilização. Também é fato que funcionários públicos, muitos dos quais ganham acima do teto constitucional, reclamam das novas regras.

Mas há uma preocupação legítima de pessoas que ganham menos com propostas como a que pode reduzir os benefícios de idosos e deficientes a menos que um salário mínimo. O presidente afirmou que 63% dos que se aposentam já receberiam benefício integral porque, infelizmente, disse Temer, ganham o salário mínimo.

Ora, o mínimo é o piso, não o benefício integral. Isso só mostra que há uma distorção no sistema, porque os trabalhadores da iniciativa privada são, na grande maioria, os que recebem os menores salários. Não é uma boa forma de tentar justificar que alguém tenha de trabalhar 49 anos para obter os 100% de benefício do INSS.

Por último, a fala do relator da reforma na comissão especial da Câmara, Arthur Maia (PPS-BA), é um primor de insensibilidade política. Ele afirmou que a aposentadoria deve ser visto como um dinheiro para subsistência. Quem quiser mais, recomendou, deveria poupar.

Uma sociedade desigual como a brasileira deveria lutar para que, na velhice, alguém recebesse mais do que o necessário para subsistência. Subsistir é ganhar o mínimo para continuar vivo.

Uma reforma da Previdência é necessária. Mas o governo deveria mostrar os aspectos positivos de fazê-la, não partir para uma campanha agressiva porque acha que está certo e ponto final. É preciso debater e convencer. Mas o governo só parece preocupado em mostrar ao mercado financeiro que tem votos no Congresso para fazer a reforma goela abaixo da sociedade. Isso é arriscado.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. José disse:

    Prezado Kennedy, não é só isso. Uma reforma da previdência tem de ser justa tendo em vista a realidade social. Tenho um amigo que começou a trabalhar aos 13 anos em um banco, porque sua família necessitava. Hoje tem 47 anos de idade e 34 anos de contribuição. Se passar a estúpida reforma, ele se aposentaria aos 65 anos de idade e 52 anos de contribuição!!! Isso é um absurdo!!!! 52 ANOS DE CONTRIBUIÇÃO!! Por isso, A REGRA DE TRANSIÇÃO TEM QUE SER ALTERADA. Deveria basear-se em tempo de contribuição, e não nas idades arbitrárias de 50 anos (HOMEM) e 45 anos (mulher), ou – o que mais justo – deveria contemplar TODOS que se encontram hoje no sistema. NÃO DÁ PARA REFORMAR PREVIDÊNCIA PENSANDO SÓ NO MERCADO FINANCEIRO.

  2. Evandro Luiz Santos disse:

    Sou trabalhador estou as véspera da aposentadoria ganhando sempre o suficiente para sustentar minha família poupar não consegui quem ganha pouco não poupa com tantos impostos alimentação, remédios. vestuários, muito caros, agora o governantes que elegemos para nós representar estão lutando contra toda a população espero que nas próximas eleições eu possa lutar contra todos vocês, pois vou sair as ruas lembrando o povo da sacanagens, das ladroagens de quem já está aposentado e com um bom salário, vocês estão destruindo os mais pobres.
    Vocês não estão lutando pelo Brasil, o Brasil são todos os trabalhadores não importa região, só peço para quem ler este ajude a população despertar e se possível vamos as ruas antes da aprovação dessas leis absurdas, eles tem que entender são nossos representantes e não estamos contente com as decisões deles.
    Jornalistas, comentaristas e outros da mídia, vocês estão no mesmo barco denuncie ajude o povo a acordar.

  3. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    No governo, assim como no legislativo e judiciário, não há nada tão ruim que não possa ficar pior !
    É a “Lei de Murphy” tupiniquin.

  4. omar mauri disse:

    É uma vergonha fazer com que os aposentados e futuros trabalhadores paguem por esta roubalheira que se instituiu no pais. Se se roubou descaradamente de uma empresa como a Petrobras, que tem contabilidade o que dizer de um dinheiro que jorra com os recolhimentos das contribuições. Este pais precisa alem de uma reforma moral, a reforma desta constituição que foi feita por eles e para eles. Acho ainda que temos que apurar todas as empresas que não recolheram a contribuição patronal, com muito rigor. Omar

  5. Carlos Freitas disse:

    Este cara cheio de broncas continua apitando. Quando vai ser preso. Isso ai vem desde o tempo do Collor.

  6. walter disse:

    Caro Kennedy, esta situação desengonçada do governo; planos mirabolantes só pode trazer dúvidas para a sociedade…tem muitas empresas de fora indo embora; como exemplo este més, a Motorpress, e a FNAC, abandonaram o barco…as alegações são semelhantes…a falta de transparência, e políticas claras aos empreendedores. A política do temer, que demonstra radicalismo em suas falas, apoia os seus colegas de partido, mesmo estando todos podres na raiz; estou reafirmando tudo isso caro, para condenar o SUPREMO E O EXECUTIVO, NO CASO RENAN, este sujeito não vale o que come, e NUNCA FOI PUNIDO; estão esperando o que, para limpar a casa; o Brasil não vai caminhar com tantas “pedras no sapato”; o tempo esta acabando, não margem p/ erros.

    • Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

      Walter você está corretíssimo.
      O fato de ministros do supremo serem indicados pelo executivo, cria uma vaso comunicante entre os poderes da república… Isso pode desencadear essa enorme promiscuidade !

  7. Jose Rizzo disse:

    Parabéns por sua imparcialidade, Kennedy. Diferentemente do que lemos e ouvimos em boa parte da grande mídia. Definiu bem as mancadas que esse governo vem fazendo. Espero, com um pouco de desconfiança, que o sigilo das delações da Odebrecht acabem para que seja sacudida a “roseira” na podridão do mundo político. Acredito que isso irá abalar tanto o governo e o congresso que essas reformas (previdência e trabalhista) serão postergadas.

  8. O argumento é um absurdo o governo não tem inteligibilidade para fazer tal reforma. O que colocam para população “tem mais gente recebendo que contribuindo” é bem óbvio. Sequer mostram a conta… Será que o aumento da idade é a solução?
    1ºUma pessoa que em 1982 tinha 18 anos sonhou (apostou) em uma aposentadoria. Após 35 de contribuição teria o direito e está certo.
    2º Eu em 1987 apostei que em 2022 aposentaria com 53 anos. Com a última reforma para passei a 55 anos aumentou 2 anos e nessa nova passarei aposentar em 2033 com 11 anos a mais de contribuição.
    A pergunta é vale a pena contribuir com a previdência do governo? Se você for da classe operaria comum. NÃO!!!. Porque você não terá mais garantia. A tendência é aumentar a expectativa de vida e o tempo de contribuição.
    Então faça casa para alugar, compre ouro, monte seu negócio e trabalhe igual a ator tem que morrer no palco. Ou faça sua privada pelo menos caso você desista pega parte dela.

    Resumo a conta está errada.

  9. Elvis Rocha disse:

    Se a intenção do governo não fosse empurrar todo mundo pra previdência privada, resolveria facilmente a questão aprovando um projeto propondo descontar apenas dos novos aposentados para a previdência, começando e aumentando 1% a cada ano, até atingir o desconto considerado ideal e necessário para fechar a conta.
    Mas, se o relator do projeto é conselheiro de previdência privada, ele tem uma encomenda a entregar, não vai considerar nenhuma outra proposta que não massacre o trabalhador.
    De qualquer forma, por favor, encaminhe esta ideia aos deputados e senadores; quem sabe, com muita pressão, não conseguimos reverter mais esse crime contra o povo?!
    Obrigado!

  10. Domingos disse:

    Esse bandido é perigoso, até o STF tem medo dele.

  11. ANDRE disse:

    Se Renan colocar água nesta reforma, ganha pontos com a sociedade. A reforma significa a quebra de um contrato e regras que existe entre a previdência e o segurado, se é necessária precisa então ser costurada entre as partes afetadas, é preciso ter contra-partidas, como por exemplo, criar políticas que facilitem a permanência dos trabalhadores mais idosos nos seus postos de trabalho, diminuição da carga horária para determinada idade, com a diferença de horas sendo paga pela previdência. A melhor defesa seria com números e argumentos convincentes, mas o governo não os tem, usa a pior chantagem, pois se esquece da definição do tributo “contribuição”, que é atrelada a um retorno específico, diferente de “imposto” que não é atrelado, ou seja o bolsa-família não pode estar atrelado à contribuição previdenciária, já o benefício sim.

  12. Dimas disse:

    Se Maia acha que deve ser só subsistência, primeiro tem que estabelecer para eles. Porque aposentar-se somente com 2 mandatos? Coloque um teto à aposentadoria. Ninguém pode ter salários astronômicos. Como é que juízes obtem aposentadorias astronômicas? Porque os militares estão fora? Não há a menor decência neste governo.

  13. Edi Rocha disse:

    Grande Renan! Ainda que pelo motivos errados, ele costuma fazer a coisa certa.
    No impeachment, no meio do fogo cruzado, conduziu o processo (no que lhe coube) de forma a não favorecer nenhum dos lados.
    Quanto ao governo, são tantos erros, imposições, mais erros, falas desastradas, e tome mais erros ainda. Enfim, são tantos erros que tudo indica que precisamos de um novo governo.

  14. mano disse:

    prezados: é impressionante o nível de irresponsabilidade do presidente da Câmara dos Deputados ao sugerir a extinção da Justiça do Trabalho. Filhote da ditadura, ou seja, DEM = PFL = PDS = ARENA = APOIO A DITADURA MILITAR. O que precisa de reforma é o Congresso Nacional e a reforma passará pelo voto dos trabalhadores deste país. De acordo com as delações e os próximos passos do MP, que aliás merece o nosso aplauso através do Rodrigo Janot, lá no Congresso, se gritar pega ladrão ficarão poucos meu irmão.

  15. O DESTINO DO CRIMINOSO “COMUM” E DO CRIMINOSO “PADRÃO FIFA” TEM QUE SER UM SÓ: CADEIA DURA! disse:

    Figuras do mundo do crime chamado “crime comum”, como Fernandinho Beira Mar, Marcola e muitos outros, continuam comandando o mundo do crime, mesmo estando presos em penitenciárias de segurança máxima.
    Nada a ver, mas há figuras importantes do cenário político citados em colaborações premiadas de bandidos chamados “Padrão Fifa”, outros investigados, outros respondendo a inquéritos, outros respondendo a processos, alguns até condenados e presos, que continuam exercendo fortes influências nos poderes Executivo, Legislativo e até no Judiciário – alguns chegam a ocupar cargos importantes da República!
    Tanto os do crime chamado “comum”, como os chamados criminosos “Padrão Fifa”, odeiam a PF, MPF, juízes Sergios Moros espalhados pelo país afora, prisão em regime diferenciado, fim de foro privilegiado etc etc etc.

  16. Emanuel Marra disse:

    Prezado Kennedy, breve e importante retificação: ao invés de dizer que “muitos dos quais” ganham mais que o teto constitucional, referindo-se aos salários do funcionalismo público, sugiro a expressão “alguns dos quais”. Mesmo que não seja sua intensão de fato, a expressão “muitos…” reforça uma discussão desqualificada sobre a Administração Pública brasileira. É verdade: há as remunerações, imorais, acima do teto constitucional no Brasil. Mas a quantificação redigida por você não expressa adequadamente o problema. Basta ver os salários dos profissionais da educação e da segurança pública – que são a maioria do funcionalismo público brasileiro. Eles, contudo, não são os “muitos dos quais” que ganham acima do teto salarial do serviço público.

  17. Rafael disse:

    O que estão omitindo de nós é o fato de haver uma dívida das empresas três vezes superior ao tal do “rombo”. Uma reforma da previdência focaria nessa dívida e na geração de empregos formais, isso sim resolve o problema da previdência e não ir pra cima dos trabalhadores e dizer que temos que nos aposentarmos próximos da nossa expectativa de vida.

  18. p/Mano: O CONGRESSO NACIONAL NÃO PRECISA DE UMA REFORMA, PRECISA DE UMA LIMPEZA - VIVA A LAVA JATO! disse:

    Pode estar certo, “mano”, que em 2018 a nação brasileira fará, não uma reforma, como você disse, mas sim uma limpeza, no Senado da República e na Câmara Federal. Ambos tornaram-se covis de bandidos declarados, que não têm sequer resquícios de pudor, quando defendem suas indecências. Perderam totalmente o respeito pelo povo, chegando ao absurdo de tentarem criar leis que os protejam de serem criminalizados. Figuras importantes do cenário político se manifestam a favor de caixa 2 se tais doações forem para partidos, independente de onde venha o dinheiro. Como se os partidos não fossem formados por “pessoas”, e tal dinheiro não fosse beneficiá-las, não importa se eleitoralmente ou se para enriquecimento pessoal. Canalhas, tentam sempre achar justificativas para suas desonestidades. Temos que apoiar a Lava Jato incondicionalmente, porque somente através dela poderemos ver esses criminosos travestidos de representantes do povo, na cadeia!

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2017-08-19 08:01:50