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Política
13-02-2017, 9h21

Lava Jato não corre risco de ser enterrada

Apesar de reação política, investigação ganhou dinâmica própria
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Em relação à Lava Jato, é fato que PMDB e PSDB possuem maior capacidade de reação do que tinha o PT quando estava no poder. Peemedebistas e tucanos são mais habilidosos ao manejar o cenário político na defesa dos seus interesses.

No entanto, não há risco de a Lava Jato ser enterrada. Mais de uma vez, políticos e analistas previram o fim da Lava Jato. A investigação sempre se manteve firme e forte.

As delações da Odebrecht foram homologadas. Há negociação de colaboração com executivos da OAS. Integrantes da Andrade Gutierrez foram chamados a fazer um recall de delações justamente porque omitiram informações contra o PSDB. Toda semana surge notícia de um acordo de delação sendo fechado.

Há uma atitude arrogante de alguns integrantes da Lava Jato que enxergam qualquer crítica à operação como uma conspiração de corruptos. Ora, discutir uma lei de abuso de autoridade interessa ao país. Só não interessa a quem abusa de autoridade. Não dá para negar que houve excessos e abusos na investigação. O ministro Teori Zavascki fez duras críticas a decisões do juiz Sérgio Moro e ao tom de espetáculo que o Ministério Público deu à apresentação de denúncias.

Sem dúvida, a indicação para o STF de Alexandre de Moraes, tão ligado politicamente ao PMDB e ao PSDB, foi um sinal de reação dessas forças políticas contra a Lava Jato. Os parlamentares que o apoiam esperam que ele seja uma voz no Supremo a favor do seus interesses.

Mas o nome foi escolhido por Temer dentro da regra do jogo e será sabatinado no Senado, que deverá aprová-lo. A ida de Moraes para o STF mexe na correlação de forças na corte em relação à Lava Jato. É fato. Mas isso está longe de significar o fim da operação e de seus filhotes.

É muita ingenuidade achar que políticos importantes que estão sendo investigados não queiram acabar com a investigação. No caso, querer não é poder.

O célebre diálogo entre o ex-presidente da Transpetro Sérgio Machado e o senador Romero Jucá, do PMDB de Roraima, no qual se falava de estancar a sangria, resultou na abertura de um inquérito na semana passada no Supremo Tribunal Federal.

A Lava Jato desvendou muita coisa e ganhou dinâmica própria. É um processo que não vai parar tão cedo.

O maior risco contra a operação está nos erros que os investigadores e o juiz Sérgio Moro cometem. É um equívoco Moro entrar em debate político contra os advogados do ex-presidente Lula e diretamente com Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, porque o juiz dá sinais de que está levando questões do direito para o lado pessoal. Moro alimenta os argumentos de quem o acusa de parcialidade.

*

Ministério da Justiça

A tendência do presidente Michel Temer é escolher um novo ministro da Justiça somente depois do dia 22, data em que Alexandre de Moraes deverá ser sabatinado e provavelmente aprovado. Temer tem dito que poderia “parecer arrogante” apontar um novo ministro antes da decisão do Senado.

O presidente está avaliando suas opções. Perdeu força a possibilidade de o criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira ser indicado, apesar do presidente achar que ele tem o perfil ideal. Críticas de Mariz à Lava Jato dificultam essa indicação. Mas houve um momento que Alexandre de Moraes esteve em baixa, voltou ao jogo e acabou indicado.

Temer prefere um nome de peso do meio jurídico, mas recebeu pressões para nomear um deputado do PMDB. A bancada sugeriu Rodrigo Pacheco, de Minas, e Osmar Serraglio, do Paraná. Mas indicar um deputado para a Justiça, pasta à qual a Polícia Federal está subordinada, não agrada Temer. Senadores do PMDB também reagiram contra essa movimentação da Câmara.

Provavelmente, o presidente combinará a indicação do novo ministro com a do secretário de Segurança Pública da pasta da Justiça, em razão dos problemas graves que estão acontecendo no país. Temer ouviu sugestão para levar o ex-secretário da Segurança Pública do Rio José Mariano Beltrame para cuidar dessa área na Justiça.

Em resumo, o jogo está embolado e todas as opções estão na mesa do presidente.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    O risco de melar a “lava jato” é real.
    Basta ver quantas pessoas envolvidas estão em todo o espectro político e a vocação nacional para o esquecimento que permeia a sociedade.

  2. walter disse:

    caro Kennedy, são fatos, a lava jato não perderá força, por ser a única operação seria de verdade, que esta fazendo o retorno de muitos Bilhões roubados; todo o os procuradores da justiça e oficiais Jurídicos, estão do lado do Dr Sergio Moro.
    Se o País estivesse no comando do Temer totalmente, mesmo assim não conseguiria alternativas contra os processos em curso.
    A escolha do novo ministro da Justiça, deve ser uma dura prova, mas o Osmar Serraglio,ao contrario do Beltrami, é um grande nome; faltam nomes de carreira ilibada para a indicação ideal.

  3. O STF NA HISTÓRIA DO BRASIL! disse:

    A Ministra Cármem Lúcia – Presidente; Ministro Dias Toffoli – vice-presidente; Ministro Celso de Mello – Decano; Ministro Marco Aurélio; Ministro Gilmar Mendes; Ministro Ricardo Lewandowski; Ministro Luiz Fux; Ministra Rosa Weber; Ministro Roberto Barroso; Ministro Edson Fachin, do STF, vão entrar para a História, conforme seus posicionamentos:
    Diante de atitude de Alexandre de Moraes, dentro do STF, como “reação” de forças políticas contra a Lava Jato, uma “voz” no Supremo, em favor de citados, investigados, réus, ou condenados pelos maiores crimes de corrupção da História do país, talvez do mundo;
    Diante do fato que sejam integrantes da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ ) no Senado Federal, 10 citados na Lava Jato;
    Diante do fato de citado na Lava Jato (SENADOR EDSON LOBÃO) seja o condutor da sabatina de Alexandre de Moraes para o “STF”!
    Diante do fato de que “réus”como Renan Calheiros e Romero Jucá continuem em articulações políticas não republicanas.

  4. mano disse:

    prezados: a morte da lava jato será lenta e gradual. a estratégia está definida: turma do STF mais alinhada com a suspensão da prisão preventiva (penas longas) em decisão de 1ª instância; próximo procurador geral da república menos independente e mais parecido com o perfil do antigo engavetador geral da república; novo ministro da justiça também alinhado com a suspensão da prisão preventiva (penas longas) em 1ª instância, congresso brasileiro e ccj recheado de deputados e senadores citados nas delações da lava jato e povo brasileiro inerte, ou seja: imobilizado, inanimado, inativo, estático, paralisado, parado, imóvel, fixo, sem energia, sem forças, ocioso, prostrado, pachorrento, molenga, apático, indolente, mole, preguiçoso, abatido.

  5. Stanislaw - LIMPEZA NA POLÍTICA: SÓ COM A LAVA JATO E POVO NAS ELEIÇÕES 2018! disse:

    Há juiz corrupto, promotor corrupto, policial corrupto, enfim, está cheio de funcionários públicos corruptos. Só que são minoria. E quando são pegos, pagam por seus crimes, e, na maioria das vezes, além de serem presos perdem seus cargos.
    O grande problema na classe política, incluindo os governantes, os corruptos se tornaram maioria esmagadora! Com isso o “espírito de corpo” se fortaleceu sobremaneira, principalmente pelas leis especiais que eles mesmos criaram para se protegerem, como o foro privilegiado, por exemplo, ou sobre o “caixa dois” que vêm tentando modificar, ou sobre impedir que o MP investigue junto com a polícia etc.
    Daí a importância da Lava Jato: colocar o máximo de políticos ladrões na cadeia, contribuindo para uma limpeza total nos quadros políticos, o que, sem dúvida, só se completará com o povo fazendo sua parte nas próximas eleições!

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2017-09-25 01:23:09