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Política
13-03-2017, 9h57

Lista de Janot será teste de sobrevivência para Temer

Pedidos de inquérito mostrarão "modus operandi" da corrupção no Brasil
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KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

A nova lista de Janot será um teste de sobrevivência para o governo Temer. O procurador-geral da República, Rodrigo Janot, deverá pedir nesta semana ao STF (Supremo Tribunal Federal) a abertura de inquéritos e a realização de diligências contra políticos.

Quem está no poder sempre tem mais a perder com grandes crises políticas. Esses pedidos de inquéritos e diligências abrirão uma nova fase na Lava Jato. Vão gerar uma crise que tende a ser grande, expondo o “modus operandi” da corrupção e do financiamento eleitoral no país. Essa tormenta alcançará figurões do PMDB e do PSDB que usaram o discurso da corrupção petista para derrubar o governo Dilma.

Portanto, um dos principais efeitos será medir a capacidade de resistência do governo Temer à sua maior crise política, que provavelmente será desencadeada nesta semana. Pedidos de abertura de inquérito atingirão ministros importantes, como Eliseu Padilha, da Casa Civil. Segundo o noticiário do fim de semana, um delator da Odebrecht chegou a dizer que Padilha teria senhas para recebimento e distribuição de dinheiro via caixa 2.

Há pressão no PMDB e no PSDB para que o presidente Michel Temer mantenha os ministros até que eles sejam eventualmente denunciados, a fim de que assegurem o direito ao foro privilegiado no Supremo Tribunal Federal. Isso daria tempo para que eventualmente pudessem nos seus postos ficar até o final do governo Temer.

Tucanos e peemedebistas argumentam que Temer precisa manter os ministros nos cargos para não perder apoio no Congresso. No entanto, essa alegação pode ser ilusória. Segurar ministros encrencados na Lava Jato poderá contaminar a agenda de reformas do governo, porque muitos casos poderão ser desmoralizantes a depender do que vier a público nos próximos dias e semanas. E Temer só sobreviverá politicamente se entregar a agenda de reformas que o mercado financeiro e a elite econômica cobram dele.

O presidente terá de escolher entre priorizar a ação de governo no Congresso para aprovar as reformas e a manutenção de amigos e aliados nos cargos que garantem foro privilegiado no Supremo.

No mesmo barco

Ao longo dos últimos dias, gente de peso defendeu a tese de diferenciar caixa 2 eleitoral do dinheiro usado para enriquecimento ilícito. Além de Gilmar Mendes e do presidente do Senado, o peemedebista Eunício Oliveira, os tucanos Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República, Aécio Neves, senador e presidente do PSDB, e Geraldo Alckmin, governador de São Paulo.

A nova lista de Janot deverá criar dificuldades para emplacar uma tese que, no fundo, diz que existe um caixa 2 ideológico, que seria do bem porque é usado só para campanha, do caixa 2 da propina, que seria do mal porque é utilizado para enriquecimento pessoal.

Quem acompanha os bastidores das campanhas eleitorais sabe que há uma zona cinzenta e de interseção quando se recorre ao caixa 2. Essa tese, diferenciar o caixa 2, tem o objetivo de limitar danos da Lava Jato num momento em que ela se aproxima de tucanos e peemedebistas. Haverá dificuldade para que o Ministério Público e o Supremo Tribunal Federal aceitem passivamente essa tese.

Ainda que ela seja votada pelo Congresso, os investigadores poderão enquadrar as práticas de caixa 2 em crime de lavagem de dinheiro e de corrupção passiva. O correto é cada acusado fazer a sua defesa no inquérito e no eventual processo. Qualquer solução fora disso significará um acordão para estancar a sangria da Lava Jato. Será difícil sustentar, de agora em diante, que a corrupção petista seria mais grave do que a tucana e peemedebista. Estão todos no mesmo barco.

Efeito no PT

As delações da Odebrecht vão trazer complicações à linha de defesa da ex-presidente Dilma Rousseff, que continua a sustentar que não tinha conhecimento de caixa 2 em sua campanha. Haverá nova leva de danos políticos ao ex-presidente Lula, porque delatores da Odebrecht fecharam o acordo de delação somente depois que cederam às pressões para falar do petista. Dilma já perdeu o poder, mantém um discurso distante da realidade e não tem peso eleitoral.

Lula ainda está no jogo político, tentando ser candidato a presidente em 2018. As delações da Odebrecht serão mais um teste para saber se ele conseguirá impedir uma condenação em segunda instância e assegurar a eventual candidatura ao Palácio do Planalto, já que o juiz Sérgio Moro deu todos os sinais públicos de que pretende condenar o petista.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Enquanto a famigerada classe política fica discutindo o sexo dos anjos, a ex-Dilma fica difamando o país no exterior com o dinheiro do contribuinte e ainda carregando o capacho-mór Marco Aurélio Garcia nesse tour de horror.

    • Dimas disse:

      Para difamar o país é só dizer a verdade. A grande piada é que o que Jucá disse está se confirmando. E agora? Que surpresa! descobriram o grande mistério. Desde de que o Brasil tem eleições, elas são fraudadas e bancadas com dinheiro público através da triangulação com empresas. As falas de FHC, Aécio e Alckmin são praticamente a confissão de que cometeram ilícito. Só as viuvas de Moro não sabiam. Mais do que nunca Dilma deve denunciar o país lá fora. Trata-se de um governo ilegítimo e os países democráticos devem tomar medidas severas contra um país onde os juízes são os primeiros a desrespeitarem as leis.

  2. walter disse:

    Caro Kennedy, só vão confirmar o que todos já sabem…a lista consta figuras de nome e poder até os dias de HJ, tentando desviar o assunto, para manterem as “benesses”conquistadas, na sujeira…O que de fato queremos, que estes sujeitos sejam processados sumariamente, e que sejam afastados da coisa pública de imediato; não importam que seja…o Temer tem que tomar uma decisão imediata, e afastar todos os podres do ministério…Se tentar salva los, vai afetar as reformas, e “morrerá na praia”; quanto as opiniões de perdão de certos envolvidos por tabela, devem calar a boca, já se comprometeram…não há perdão para “caixa dois”…

  3. Stanislaw: JUSTIFICAR CAIXA 2 E FORO PRIVILEGIADO É DEFENDER BANDIDO LADRÃO DE COFRE PÚBLICO! disse:

    Estamos diante do maior caos ético, político, econômico da História do Brasil.
    E, o mais grave, provocado pela ação de quadrilhas organizadas de bandidos periculosos, infiltrados na política, governo e alto empresariado.
    O alvo dessas quadrilhas: os cofres públicos!
    Já estão aparecendo provas de que os alvos já se tornaram internacionais.
    Tão grave quanto tudo isso é o que temos visto: figuras proeminentes dos cenários político, social, religioso, jurídico etc, ou por interesses escusos, ou por estarem sendo enganadas, fazendo declarações em prol desses bandidos – uma delas, o absurdo de querer dar sentidos diferentes a “caixa 2”, ou defender “foro privilegiado” – duas armas protetoras desses bandidos que precisam urgentemente ir para a cadeia!

  4. DIRETO AO ASSUNTO: É PRECISO PASSAR O BRASIL A LIMPO! disse:

    Ah se o povo, a parcela íntegra do judiciário, os militares honrados se unissem para defender a nação brasileira ultrajada, roubada, zombada – como se une a ladrãozada da política travestida de representante do povo, para se defender da cadeia!

  5. João Torres disse:

    Chega a ser engraçado se não fosse trágico. Certos grupos ainda acreditarem na possibilidade de temer afastar os podres.
    ” E Temer só sobreviverá politicamente se entregar a agenda de reformas que o mercado financeiro e a elite econômica cobram dele.” Enfim até o jornalista reconhece …. deem-se o nome que quiserem…. democracia, opinião da população… às favas….Poderiam ser mais objetivos: substituir as eleições pelo que o mercado financeiro e as elites querem.

  6. ISSO É UMA VERGONHA... É PRECISO PASSAR O PAÍS A LIMPO! disse:

    1 -Em 2012, Fernando Henrique Cardoso dizia que caixa 2 era crime.
    “O absurdo maior no mensalão é considerar como caixa 2, como se caixa 2 não fosse crime. Como se fosse normal. Ah não, foi só caixa 2. O que é isso? Caixa 2 é o uso do poder econômico por baixo dos panos para afetar o resultado de eleição”.
    2 – Na semana passada FHC divulgou nota afirmando que é preciso diferenciar o caixa 2 que serviu para financiar campanhas e o repassado para enriquecimento próprio.
    3 – Já José Eduardo Cardoso diz que caixa 2 é histórico e cultural no Brasil.
    4 – Emílio Odebrecht (pai do Marcelo Odebrecht) diz que caixa 2 era modelo reinante no país.
    TÍTULO QUE OS TRÊS MERECEM: “OS CARAS DE PAU”!

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2017-07-24 17:44:08