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Política
08-11-2017, 8h27

Marcelo Miller avacalhou delação premiada

Ex-procurador simboliza o que MP não pode fazer
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

A “Folha de S.Paulo” publicou hoje reportagem que traz um e-mail que o ex-procurador da República Marcelo Miller enviou para ele mesmo com um roteiro de sugestões para os acordos de delação do grupo JBS.

Essa reportagem é a mais forte revelação feita até agora sobre um direcionamento nos acordos de delação dos donos e executivos do grupo JBS. É uma prova de uma manipulação que não poderia ser feita nos acordos de colaboração.

Houve uma ilegalidade no uso de um instrumento importante e legítimo de investigação a fim de criar uma armadilha contra políticos. Isso é uma forma de avacalhar o instrumento da delação premiada e de abrir uma porteira para o questionamento das investigações da Lava Jato.

A reportagem, dos repórteres Camila Matoso e Ranier Bragon, mostra que o ex-procurador Marcelo Miller chega a dizer como os integrantes da JBS deveriam rebater argumentos do procurador da República Sérgio Bruno. Marcelo Miller foi um dos principais colaboradores do então procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Com a experiência de diplomata, comandava as negociações com as autoridades americanas.

Sem dúvida, essa revelação vai facilitar a defesa dos acusados e lançar mais dúvidas sobre a lisura de acordos feitos pelo Ministério Público. A defesa do ex-presidente Lula está pedindo a anulação da delação do ex-senador Delcídio do Amaral. Há indícios claros de que houve manipulação semelhante à do caso JBS, com a participação de Marcelo Miller enquanto procurador da República.

A atual procuradora-geral da República, Raquel Dodge, precisa reforçar as investigações internas que foram abertas e dar uma resposta à sociedade. O ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot deve uma manifestação mais detalhada sobre o que aconteceu.

Do contrário, um trabalho importante de combate à corrupção poderá ser colocado em xeque. Foi muito grave o que aconteceu. Estamos debatendo hoje a reforma da Previdência, se ela será ainda possível ou não. Em maio, quando vieram à tona detalhes da delação da JBS, o governo estava prestes a aprovar essa reforma. Esse caso mexeu com a política e a economia do país. Mexeu com a vida das pessoas.

O poder legítimo do Ministério Público precisa ser protegido. Para isso, seu uso deve ser correto. O episódio Marcelo Miller é muito ruim, como são desaconselháveis declarações de procuradores que hoje estão em suas funções dizendo que, no futuro, pretendem trabalhar na área de compliance (normas de boa governança) de empresas.

O Ministério Público precisa cobrar de seus integrantes a mesma lisura que demandam de políticos e empresários investigados pela Lava Jato. O caso de Marcelo Miller é um símbolo do que o Ministério Público não deve e não pode fazer.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. VIVA A LAVA JATO! CADEIA NOS CORRUPTOS, DOA A QUEM DOER! disse:

    Não podemos julgar todos os presidentes, governadores, senadores, deputados etc tomando como parâmetros o que hoje sabemos que fizeram Lula, Temer, Sergio Cabral, José Roberto Arruda, Demóstenes Torres, Delcídio do Amaral, Eduardo Cunha, Pedro Correa etc.
    Como há bandidos no Executivo, Legislativo, Judiciário, há também bandidos dentro do Ministério Público. O importante é que a sociedade não aceite “espírito de corpo” dentro de instituições para evitar que suspeito por crime não responda na Justiça , como temos visto acontecer, através de pactos de “toma lá dá cá” entre Legislativo/Executivo.
    Que esse ex-procurador seja investigado e punido mas que não se use esse fato para anular ações legítimas do MPF. Os bandidos da política estão desesperados porque seus dias estão contados e usarão de todos os meios para minimizarem o valor da Lava Jato na moralização do país.

  2. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    As trapalhadas de Marcelo Miller não excluem a dolosa criminalidade dos acusados.
    O modelo legal brasileiro já é feito sob medida para priorizar a impunidade, a Lava Jato veio para quebrar esse paradigma, qualquer ação em contrário vai perpetuar a bananocracia criminal !

  3. walter disse:

    Suspeitíssima atuação do Marcelo Miller caro Kennedy; esta estória não esta bem contada; certamente os delatores da JBS, tem um compromisso de sigilo, no acordo com ele; não sairia por qualquer coisa, do ministério público…As aulas dadas a JBS com o privilegio dos conhecimentos, e quem sabe, sobre as pessoas e personalidades internas…tratando se de BIS, tudo ficou em suas mãos…este acordo sigiloso, que acabou virando pó, nas mãos do Janot e Fachin foi uma ação totalmente desastrada…paralisou as ações do País, em resgatar os Bilhões desviados; estão os meliantes se fazendo de vítimas, e não querem pagar o devido; nesta hora, a justiça brasileira, precisa ser firme, bloqueando os ativos deles, aqui e no exterior; se não acontecer ações imediatas, estarão sim, rindo de nossa cara, com muita razão; não somos sérios infelizmente.

  4. karla disse:

    Infelizmente, ainda vão aparecer algumas coisinhas não muito agradáveis, principalmente, quando for a hora do ex-procurador geral da republica, que, com certeza, cometeu abusos na forma como conduziu algumas investigações, tendo em vista que, sua única blindagem, além do peso do cargo que ocupava, era a Lava Jato, que cada dia se enfraquece mais. Raquel Dodge é pessoa séria e, ao que tudo indica, vai cortar na própria carne. O Ministério Publico precisa adotar uma postura mais cautelosa com relação as delações premiadas, pois, se assim não for, irá por em rico todo um trabalho de combate a corrupção. Parece que Gilmar Mendes estava certo quando fazia suas críticas.

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