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Economia
01-08-2017, 8h39

Mercado ganha dinheiro ao prever e precificar mudança da meta fiscal

Equipe econômica beneficia lobbies poderosos e que querem juros altos
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Ao admitir que estuda alterar a meta fiscal deste ano, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, faz uma inflexão importante. Ele era a autoridade que assegurava até ontem a manutenção da previsão de um rombo de R$ 139 bilhões nas contas públicas de 2017. Essa mudança de atitude ministerial se deve a dois fatores: a pressão política para ampliar gastos e o risco de um apagão fiscal, paralisando a máquina administrativa.

O mercado financeiro sempre trabalha antecipando cenários. Parte do mercado afirma que já precificou a mudança da meta. Assim, ganha mais dinheiro. Se o rombo fiscal cresce, isso significa maior aumento da dívida pública e reforça o lobby dos que desejam manter os juros num patamar mais elevado.

Apesar de a taxa básica da economia ter diminuído em um ponto percentual na semana passada, caindo para 9,25% ao ano, o ganho real em juros ainda é muito alto no Brasil. A inflação está rodando em torno de 3% a 3,5% ao ano. Com juros a 9,25%, o ganho real está em torno dos 6%.

É um valor elevado e que transfere renda do conjunto da sociedade para quem tem aplicações financeiras. Esse é um possível efeito econômico, que seria danoso, porque juros mais altos contribuem para aumentar ainda mais a dívida pública. Isso vai exigir mais sacrifício da sociedade para pagá-la.

O efeito político da mudança da meta será a perda de credibilidade da equipe econômica perante uma fatia do próprio mercado financeiro, do empresariado e da sociedade. A equipe econômica de Temer tinha o discurso de ser diferente do time de Dilma Rousseff.

Mudar a meta fiscal será a mesma coisa feita no governo Dilma, algo que Meirelles jurou não fazer. Por mais que se queira dourar a pílula, porque a atual equipe econômica tem mais credibilidade do que a anterior, a mudança da meta fiscal exporá um fracasso. Motivo: essas metas já são muito frouxas e generosamente negativas. Foram usadas para acomodar gastos que beneficiaram empresários simpáticos ao governo, aliados políticos e a elite do funcionalismo público.

Há uma grave recessão em curso, cuja conta recai, sobretudo, nos ombros dos trabalhadores mais pobres. A escolha da equipe econômica foi injusta do ponto de vista social.

A queda da inflação, vendida politicamente como algo que beneficia os mais pobres, aconteceu pelo aprofundamento da recessão provocado por uma política monetária conservadora do Banco Central, por cortes de investimentos públicos que poderiam gerar empregos e por redução de gastos em políticas sociais.

Essa equipe econômica foi frouxa fiscalmente com os lobbies mais poderosos do empresariado e do funcionalismo público e muito dura com os mais pobres, como mostraram a reforma trabalhista aprovada e a proposta original de reforma da Previdência (já desfigurada pelos lobbies mais poderosos) e a manutenção dos juros na Lua.

No entanto, talvez seja melhor aumentar a meta do que viver numa fantasia, mas o encanto com a equipe econômica será quebrado. Se aumentar a previsão de rombo, o governo deveria deixar bem claro onde pretende gastar esse adicional de rombo.

Deveria usar o dinheiro para programais sociais com os mais pobres. Deveria investir em obras que gerem empregos. Deveria cobrar mais imposto dos mais ricos, que, proporcionalmente, pagam menos tributos no Brasil na comparação com os mais pobres. Deveria impedir a aprovação no Congresso de um refis que beneficia políticos que têm empresas endividadas com a União. Deveria dar outro uso a receitas do Sistema S, que são recursos de origem pública utilizados de forma privada com pouca transparência por entidades empresariais. Deveria congelar durante anos aumento salarial para as carreiras da elite do funcionalismo público, tanto no Executivo, como no Legislativo e no Judiciário.

O Brasil está empobrecendo, mas os lobbies empresariais querem manter benesses tributárias. Os mais ricos querem continuar a pagar menos impostos. Funcionários públicos bem remunerados, como procuradores e juízes, acham quem têm direito de abocanhar recursos orçamentários como se dinheiro nascesse em árvore, sem a menor responsabilidade ética e social.

Responsabilidade fiscal e redução da dívida pública são importantes, mas é preciso escolher quem vai pagar a conta do ajuste econômico mais intensamente. Sem incluir os mais pobres no orçamento, o Brasil vai piorar para todos os seus cidadãos.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. walter disse:

    Caro Kennedy, é tudo previsível, já que o ministro Meirelles faz discursos catastróficos, e não podemos esquecer, é um banqueiro por excelência…este circulo vicioso previsto pelo mercado financeiro, é antigo; todos sabem, qualquer aquecimento por meno que seja, vai gerar as expectativas ideais aos especuladores de plantão,são endinheirados, e sabem que o Brasil, é uma economia com garantia de liquidez…o grande exemplo, que nem o lula evitou o mesmo banqueiro, com status de ministro no banco central…o Sr Meirelles é um perigo na economia sadia; somos inocentes de imaginar, quer o mesmo esta preocupado com o Brasil…o Temer é sim uma ameaça, nada mudou desde a dilma; não sabemos de fato, quais serão os planos, caso os ajustes não aconteçam, “o que será que será”…

  2. mano disse:

    prezados: parece muito grave! após aumento de imposto, desemprego elevado, infraestrutura paralizada, saúde, educação e segurança pública em frangalhos, dever de casa por fazer com relação a corte de supérfluos, benesse para político votar contra denúncia do MP e salário exorbitante no âmbito do judiciário e do MP, imagina-se que a classe média finalmante irá despertar e por o bloco na rua. Mas que nada, eu gosto mesmo é de bigbrother, novela e carnaval.

  3. Francisco Thainan disse:

    (…)Além do grande peso da taxa de juros e da divida pública, temos uma diminuição de renda disponível para municípios que possuem uma população com uma média de idade avançada, o que deteriora o comercio local e tem um multiplicador negativo gigantesco, outro fator é que um anúncio irresponsável sobre essas reformas faz com que grande parte da população pare de contribuir uma vez que sua probabilidade da obtenção do “Direito” é ínfima ainda em vida, o que prejudica a arrecadação;

    Flexibilização do Trabalho: Busca terceirizar todas as atividades dos setores da economia, inclusive as atividades fins, com o argumento da diminuição de custos para o empresariado – Sobre esse ponto podemos discorrer sobre três enganos principais, a iniciativa de reduzir custos para o empresariado é boa e lógica, entretanto, o inferno está cheio de boas intenções. Dificilmente o empresariado promoverá mais contratações em um cenário de demanda agregada reprimida…

  4. Marcos disse:

    O Brasil político, está retratado na série House of Cards1

  5. Caio Graco Santos Lobo disse:

    Excelente comentário. Praticamente um resumo da situação econômica do Brasil em 7 minutos.

  6. João disse:

    ou seja esse é o tal governo do mercado, pelo mercado e para o mercado…. aos poucos as fichas vão caindo…. população já percebeu…. pesquisa cni já aponta governo temer pior que dilma…. governo ruim (dilma) tem um preço.. porém tentar corrigir rumos golpeando a democracia… tem um custo ainda maior…

  7. EM 2018 O ELEITOR VAI DAR A RESPOSTA AOS CORRUPTOS E (OU) APOIADORES DE CORRUPTOS! disse:

    O deputado Carlos Marun defendia o Eduardo Cunha do mesmo jeito que defende o Michel Temer!
    O Eduardo Cunha foi parar na cadeia! Se eu fosse o Temer eu mandava esse Marun procurar sua turma… esse cara dá azar!

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2017-12-15 08:12:27