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Política
30-11-2017, 8h14

Miller é exemplo de dois pesos e duas medidas na Lava Jato

Ex-procurador nega crimes em depoimento a CPI da JBS
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

O ex-procurador Marcelo Miller, que deu orientações jurídicas à JBS enquanto ainda estava no Ministério Público Federal, admitiu ontem a uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Congresso que fez uma “lambança” e que teve comportamento “impróprio” ao atuar dessa maneira.

Do ponto de vista jurídico, Marcelo Miller foi bem. Os parlamentares não conseguiram arrancar dele um dado mais incriminatório do que já se conhecia. Miller recorreu, e está no direito dele fazer isso, a toda a defesa permitida num Estado Democrático de Direito.

No entanto, não usou para ele os critérios que aplicou a investigados da Lava Jato enquanto procurador da República. No lugar do procurador durão, que ameaçava possíveis delatores, apareceu ontem na CPI um depoente cordato que insistia na tese de que não cometeu crime nenhum.

Miller orientou executivos da JBS a negociar acordos de delação e de leniência enquanto estava na função de procurador da República. Afirmou que não há provas de que tenha participado de organização criminosa, tentado obstruir a Justiça e explorado prestígio, uma variante de tráfico de influência.

O então procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu a prisão de Miller. O ministro do STF e relator da Lava Jato, Edson Fachin, negou o pedido. A Procuradoria Geral da República nunca recorreu contra a decisão do ministro do Supremo.

A atitude de Fachin no caso é estranha, porque ele já tomou decisões mais duras. E a atitude do Ministério Público é mais estranha ainda, porque deveria ter recorrido. Seria coerente. Mas parece que o Ministério Público e Edson Fachin, que chegou a avalizar a delação da JBS, querem colocar uma pedra em cima dessa lambança, para usar as palavras de Marcelo Miller.

É evidente que Miller fez jogo duplo, algo negado ontem. Ele sabia que os delatores da JBS envolveriam o presidente Michel Temer e o senador Aécio Neves. Deu diretrizes de advogado de defesa na condição de procurador da República.

Miller minimiza a gravidade de uma conduta que deveria envergonhar o Ministério Público e não invocar esse sentimento de deixa disso. É incoerente com o rigor da Lava Jato em relação a outros investigados. Miller é mais um caso de dois pesos e duas medidas na Lava Jato.

O depoimento de Miller também foi tema do comentário no “Jornal da CBN”, que abordou ainda a reforma da Previdência:

Comentários
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  1. walter disse:

    Tudo neste caso caro Kennedy, é muito nebuloso;por envolver Bilhões, deveria ser aberta a CPI da JBS…”Donos quem”, são irresponsáveis ao máximo, não demonstram ter condições, de gerenciar um grupo, com tamanha dimensão…estão presos, e o preço da “mandioca não subiu”…a decisão do seu Marcelo, que já admite “lambança” é no mínimo muito estranha…privilegiou se da condição , extremamente benéfica, para oferecer seus “serviços”; abandonando a condição de procurador da república, de uma hora para outra…a posição do Janot, embora tenha rasgado o verbo, mesmo a posição do sr Fachin; transformou se num “angu de caroço”, e fica a pergunta; quanto o Brasil esta perdendo, ou deixando de receber nesta contenda; quantos oportunistas de plantão, estão aguardando p/ se dar muito bem?

  2. Wellington Alves disse:

    Tinha petista no meio? Não. Coloca uma pedra e boa.

    • FABIO disse:

      Wellington, não vem ao caso. Mas daqui há pouco os defensores aPartidários da Lavajato estarão por aqui justificando o injustificável.

      • Wellington Alves disse:

        Mas é o que eu vejo na Lava-Jato é isso. Ferro e fogo por um lado e porteira aberta por outro. TODOS precisam ser investigados e condenados com igual fervor.

        • BRAGA BH disse:

          Isso que eu sempre escrevi aqui. Tudo tem que ser feito dentro do estado de direito e sem invencionices como as inventadas em Curitiba. Contra o PT e Lula vale de tudo, inversão de provas, criação de elementos jurídicos inexistentes. Contra o demais, parafraseando Sergio moro: “Não vem ao caso”!!

  3. VIVA A LAVA JATO! CADEIA NA LADRÃOZADA, DOA A QUEM DOER! disse:

    Ladrão de cofre público do Mensalão chamou de “valores não contabilizados” o dinheiro roubado dos cofres públicos; um ex-presidente disse que “NUM SABIA DI NADA” das roubalheiras organizadas na sala ao lado da sua, chefiadas por seu assessor e ministro; há dias um senador da república chamou de “empréstimo” 2 milhões de reais de propina por parte de um empresário bandido; outro disse que é preciso “estancar a sangria”, referindo-se a ações de combate à corrupção efetuadas pelo MPF, PF e ala não podre do Judiciário; agora um ex-procurador da república chama de “lambança” ato que não deixa dúvida a nenhum brasileiro honesto de que seja “crime”! Até quando esses canalhas vão continuar a menosprezar, minimizar, chacotear a inteligência alheia? E quando as autoridades responsáveis por coibir e punir tais crimes vão criar vergonha na cara e agir como homens com vergonha na cara, não sendo lenientes e muito menos coniventes com os maiores bandidos do planeta – os ladrões de cofres públicos?

  4. renata vieira disse:

    Um verdadeira vergonha este país

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