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Política
18-04-2017, 8h09

Mulheres deverão contribuir menos do que homens para se aposentar

Temer diz que diferenciação faz sentido devido à jornada dupla de trabalho
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

O presidente Michel Temer avalia que o conjunto de concessões na proposta de reforma da Previdência será suficiente para aprovar o tema no Congresso. Ele fará reunião hoje de manhã com aliados no Congresso para acertar mudanças em relação à proposta original do governo.

Haverá uma diferenciação importante para as mulheres. O presidente admitiu que elas tenham um tempo de contribuição menor do que dos homens para se aposentar. Afirmou que “tem uma correlação lógica entre a redução do tempo de contribuição e a atividade da mulher”, por causa da chamada jornada dupla de trabalho.

Existe a possibilidade de também ser fixada uma idade mínima ligeiramente menor para as mulheres ou de uma transição mais longa para que elas cheguem eventualmente a 65 anos, como os homens.

Do ponto de vista do impacto fiscal, será uma reforma 25% menos ambiciosa do que pretendia o governo. Segundo cálculos da equipe econômica, a proposta original teria um impacto de enxugar ao longo dos anos R$ 800 bilhões de reais. Agora, a redução esperada nas despesas previdenciárias, disse o presidente, é da ordem de R$ 600 bilhões.

Temer diz que melhor do que não ter redução nenhuma é haver a perspectiva dessa redução de R$ 600 bilhões. Ele afirmou que futuros governos fariam eventualmente outras reformas previdenciárias.

Temer, agora, está interessado em aprovar a reforma da Previdência, ainda que com muitas concessões em relação à proposta original. Para o governo, o pior cenário seria a reforma não passar _um risco real diante do impacto das delações da Odebrecht. Daí as concessões.

*

Eduardo Cunha

Em entrevista ao SBT, Temer disse que não estava preocupado em relação a essa eventual delação do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, preso em Curitiba. Mas teve cuidado ao falar dele. Disse que desejava que Cunha fosse feliz na defesa em relação às acusações que sofre.

O presidente voltou a rebater a delação de Márcio Faria, ex-executivo da Odebrecht que disse que Temer participou de reunião na qual se discutiu propina. Afirmou que o delator fez uma narrativa com termos que ele não usa em conversas públicas nem privadas, devido ao caráter formal de sua personalidade. Chegou a dizer que não seria uma delação qualquer que paralisaria o país, mostrando contrariedade com a tese de que as revelações poderiam fragilizar a agenda de reformas do governo.

*

Riscos institucionais

Temer se mostrou contrário às teses de antecipar a eleição presidencial ou de realizar uma Assembleia Constituinte para escrever uma novar Carta. Ele tem razão nesses dois pontos.

Não faz sentido antecipar uma eleição presidencial que está marcada para outubro do ano que vem. Tampouco seria bom para o país uma nova Assembleia Constituinte. Agravaria ainda mais a crise atual, porque geraria mais uma vez uma saída oportunista ou uma quebra da normalidade democrática, como aconteceu no processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. São remédios demasiadamente pesados para serem usados como respostas frequentes a crises políticas e econômicas.

Com todos os seus defeitos, boa parte dos quais sendo bastante exposta nas delações da Odebrecht, essa é a classe política que o Brasil tem. Não é tarefa simples, argumentou o presidente, organizar uma Assembleia Constituinte, o que demoraria mais de um ano até ser concluída.

Ao abrir uma oportunidade dessa natureza, há risco de ocorrer uma retirada ainda maior de direitos e conquistas sociais da Constituição de 1988. É importante o país fazer a travessia até as próximas eleições sem novas saídas extraordinárias, mas dentro do calendário político e eleitoral previsto.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. ANDRE disse:

    DIGA NÃO A REFORMA DA PREVIDÊNCIA.
    EM 2018 NÃO VOTE EM QUEM VOTA CONTRA VOCÊ.
    Vamos trabalhar junto a toda a população para não eleger novamente estes políticos que votam na reforma da previdência, que votam contra todos nós, e outrora vendiam emendas para Odebrecht. Um parlamento enlameado, um governo ilegítimo, com 10% de aprovação não pode e não deve conduzir esta reforma da previdência. Esta reforma e a trabalhista é prerrogativa do novo governo e parlamento a ser eleito em 2018. A idade mínima e o pedágio são lesivos e abusivos contra o cidadão, são confiscos disfarçados de reforma. Podemos começar a campanha conscientizando a população para que não votem em Arthur Maia, Rodrigo Maia e Rogério Marinho.

  2. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    A extinção do imposto sindical será o pontapé inicial para o ingresso do país na modernidade trabalhista.
    O que temos agora é uma ditadura sindical.

  3. Analista Alpha disse:

    Isso evidencia como o governante de plantão quer enfiar a conta do desgoverno na goela do contribuinte, nesse caso o trabalhador, o empregado, aquele que menos tem a chance de contornar esse tipo de “despesa nova”.

    É um novo imposto, mas aplicado apenas ao empregados. Custaria milhares de horas de trabalho aos empregados, às mulheres.

    Mas, se o problema do desgoverno é um problema de todo brasileiro, que foi quem votou nesses governantes que só tem competência para negociar propina, então o problema é de todos, indistintamente, empregados e patrões, pobres e ricos, servidor público e profissional liberal, médicos, pedreiros e ….jornalistas.

    Se o problema é de todos, porque cobrar a conta apenas do empregado, do trabalhador?

    Será que mais ninguém raciocina nesse país?

    Se a conta é de todos, que seja cobrada de todos e não apenas do empregado, do trabalhador e das mulheres.

  4. Reinaldo Neves de Oliveira disse:

    Na situação atual do Brasil, é muito importante que o Presidente Temer continue no poder até as próximas eleições, e que ele consiga fazer as reformas necessárias, principalmente a da Previdência, mesmo que com muitas concessões, para que o país não afunde ainda mais.

  5. mano disse:

    prezados: Demasiadamente pesado é aguentar esse cara na presidência da república. A destituição de Dilma e a prisão de Eduardo Cunha foram decisões acertadas, mas falta punir Temer. A chapa Dilma – Temer precisa ser cassada o mais breve possível para que a justiça seja feita, caso contrário a injustiça sairá vencedora. Se o Direito não tivesse se afastado demasiadamente da moral e se aproximado tanto da política, a chapa Dilma – Temer já teria sido cassada.

  6. walter disse:

    Caro Kennedy, considerar as mulheres prejudicadas no processo de reforma, é um dever; muitas encaram a tripla jornada por tabela. O Temer precisa manter a espinha dorsal da reforma; se fizer concessões absurdas, não eliminar a contribuição obrigatória, aos sindicatos por exemplo, ficará capenga, criando outras exceções; não pode deixar de considerar o máximo que for possível, a equivalência para todos, nos prazos mínimos para se aposentar…quanto a delação do Cunha, ou mesmo do Palocci que vem por aí, vai por mais água nesta fervura…a lava jato vai colocar muita gente na cadeia; serão inquiridos ministro do supremo…a lava jato chegou para ficar…

    • Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

      Caro Walter, corretíssimo !
      Sindicatos são formação de quadrilhas que assaltam o trabalhador sem oferecer nenhuma contrapartida… bandidagem pura, pelegos que criam dificuldades para vender facilidades a todas as empresas !

  7. Rodrigo Pasa disse:

    A extinção do imposto sindical realmente é algo interessante!

  8. mano disse:

    prezados: os que estão propondo a reforma não têm moral. Simples assim! E a reforma proposta é injusta e covarde porque não contempla todas as categorias de servidores, sobretudo as categorias dos mais poderosos e melhor remuneradas. A principal reforma é a cassação da chapa Dilma – Temer.

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2017-06-25 17:39:33