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Política
16-12-2016, 9h14

Nova citação a Temer tem mais impacto político que jurídico

Márcio Faria, executivo da Odebrecht, relata reunião com Cunha em 2010
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KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

Uma nova citação ao presidente Michel Temer nas delações da Odebrecht tem mais impacto político do que jurídico, enfraquecendo a imagem do governo perante a opinião pública.

Segundo Márcio Faria, executivo da Odebrecht, ocorreu em 2010 uma reunião em São Paulo para tratar de doações ao PMDB em contrapartida a uma ajuda à empreiteira em contratos com a Petrobras. A assessoria de Temer confirmou o encontro, mas negou que tenha havido discussão sobre contratos ou doações. Afirmou ainda que a reunião foi marcada pelo então deputado federal Eduardo Cunha, hoje preso em Curitiba.

Como se trata de um episódio da campanha de 2010, ele não pode ser usado para resultar numa investigação contra o presidente. Sempre se invoca aquela regra que o presidente não pode ser investigado por atos anteriores ao seu mandato ou que não tenham conexão com o atual termo.

A delação de Cláudio Melo Filho, que fala de um pedido de doação em 2014 e causou forte impacto no governo e no PMDB, dificilmente poderá resultar numa investigação contra Temer, porque ele era vice na época.

Ou seja, existe uma blindagem jurídica. Já a proteção política de Temer depende da manutenção do apoio majoritário no Congresso. Apesar da rebelião do centrão, da menor votação no Senado no segundo turno da PEC do Teto, Temer ainda conta com essa blindagem política.

*

Embate no TSE

A ameaça mais preocupante para o governo vem do julgamento do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) da chapa Dilma-Temer, que deverá acontecer no ano que vem.

Essa ameaça tem um grau razoável de gravidade, mas implicaria numa saída extremamente complicada e que teria um custo alto: a realização de uma eleição indireta no Congresso para presidente na hipótese de a chapa Dilma-Temer ser cassada.

Os advogados do PMDB já deixaram em segundo plano a estratégia de tentar separar as contas de Dilma e Temer. A prioridade é defender a legalidade das contas da chapa como um todo. Seria a saída mais fácil para obter maioria no plenário do TSE.

Se essa estratégia fracassar, por mais que existam obstáculos legais à antecipação da eleição presidencial de 2018, haverá forte pressão a favor dessa saída.

Até o julgamento do TSE, novos vazamentos de delações da Odebrecht deverão fazer um estrago maior no Congresso. Dificilmente um Congresso tão fragilizado bancaria uma saída da crise via eleição indireta.

Esse cenário reforça a possibilidade de Temer ficar no cargo, mesmo sob forte desgaste. É o mais provável hoje, mesmo em meio a uma nova delação que traz menção ao presidente.

Mas esse cenário pode se enfraquecer a depender do grau de octanagem de novas revelações, inclusive da parte de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara que aguarda um julgamento de recurso no Supremo Tribunal Federal para deixar a carceragem da Polícia Federal em Curitiba.

Em resumo, Temer navega em mar revolto e tudo indica que vai continuar assim, o que sempre atrapalha o cotidiano administrativo do governo.

*

Pacotinho

O governo lançou um pacote econômico limitado. Está mais para pacotinho do que para um conjunto de medidas com vigor para realmente aquecer a economia.

Não tem mágica. A economia vai demorar bem mais a se recuperar do que imaginava o governo. O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, repetiu ontem a promessa de melhora sensível só no fim do ano que vem.

É um pacote que pode dar um pequeno alívio a empresas e pessoas físicas endividadas, mas que não estava pronto. Seria lançado em janeiro e foi antecipado por causa do desgaste que o governo e o PMDB sofreram com a delação de Cláudio Mello Filho, executivo da Odebrecht. Foi uma tentativa do governo Temer de criar alguma agenda positiva em meio a tantas notícias negativas.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN':

Comentários
11
  1. Wellington Alves disse:

    Imensamente grato pelos apoiadores do impeachment. Belo trabalho fétido.

  2. Joaquim José da Silva Xavier disse:

    me parece que a única dúvida agora é saber quem serão os candidatos na eleição indireta . . . infelizmente Temer não cai antes de janeiro!!!

  3. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    O país deverá crescer um pouco neste próximo recesso de férias do legislativo.
    É um período em que os congressistas não têm como parar a vida nacional com as suas trapalhadas, safadezas e burrices !

  4. Romanelli disse:

    Triste ter que ver o país se voltar novamente a pacotinhos tal como nos inesquecíveis anos do tucanado de THC que NÃO deixaram saudades em quase ninguém
    .
    Interessante que Temer golpeou a democracia e entrou pela porta dos fundos, trazendo consigo todo tipo de ave agourenta ..e THC se deu a reeleição ..não tem jeito, é o mesmo DNA ..ELEIÇÕES DIRETAS JÁ !!!
    .

  5. Joselito Moura disse:

    Fato é que o governo Temer e seu malfadado Ponte para o futuro está insustentável. Corrupção, retrocessos, agenda impopular imposta pelos partidos que perderam a eleição em 2014, um presidente acuado que não tem coragem de aparecer em público…pacotinho econômico requentado… verdadeiro fiasco. Estou convencido que só eleições diretas poderão trazer esperanças de sairmos dessa crise política e econômica. DIRETAS JÁ.

  6. walter disse:

    Prezado Kennedy, este imbróglio nos Trés poderes, já passou do razoável a muito tempo; teremos um desfecho da lava jato na virada do Ano, que deve colocar um eixo, nesta bagunça dos citados…Quanto ao Temer caro Kennedy, vai sobreviver a virada do Ano; já esta se precavendo, pensando o no plano B, já que tudo indica, que o TSE vai cassar a chapa, dilma temer; são previsíveis demais. Se tudo der certo, com as medidas tomadas, teremos um inicio de Ano promissor, que só será detectado em Março, um prazo muito grande, para o sucesso deste Governo fazer diferença; esta na Hora do Temer Rezar por milagres…

  7. joao dias disse:

    KENNEDY, não dar para entender certas coisas que acontecem no Governo. Uma delas e importantíssima, é a arrecadação de impostos. E, para gerar receitas administradas, a competência é exclusiva da Receita Federal. Mais acontece que durante um ano, discutiram com o Governo, as correções salarias e chegaram a um acordo bilateral. No entanto, o Governo Federal , encaminhou um projeto de lei ao congresso nacional, com os itens acordados. Acontece que as lideranças do Governo não fizeram nenhum empenho para que o projeto seja aprovado, inclusive geraram um substutivo, totalmente descabido, com a anuência das lideranças do Governo. Hoje, comenta-se na imprensa que estão querendo , com isso, transferir a direção da Receita para um político, tornando-se uma banca de negócios p/os parlamentares. Confesso que não estou acreditando no absurdo dos comentários. E o PL continua sem empenho para aprovação.

  8. ANDRE disse:

    Se para a Dilma que tinha a legitimidade das urnas, muitas vozes diziam que ela não tinha mais condições de governar, acho que estas mesmas vozes deveriam repetir o mesmo se tratando de Temer. Um governo colocado indiretamente pelo congresso, estando os dois enlameados até o pescoço, com um a impopularidade maior que o governo anterior, não tem condições de apenas com o apoio do congresso, dos bancos e de alguns empresários, tentar impor medidas tão lesivas ao povo brasileiro, sem dialogar com os setores da sociedade. Não há mais condições morais e viabilidade de sucesso com o governo Temer. Hoje o melhor para o Brasil, seria a sua saída, para a entrada de alguém mais conciliador, menos arrogante. É deprimente a forma como este senhor trata a opinião pública, o trabalhador e a sociedade. Precisamos ir as ruas.

  9. Ricardo disse:

    Duvido que o Temer caia. Para ele cair, só se o Congresso quiser ou a população sair às ruas aos milhões, e duvido que qualquer uma dessas coisas aconteça. Infelizmente, o Brasil é assim mesmo. É o voo de galinha e em zigue-zague (esquerda e direita). Agora estamos indo para a direita. Mas o pior mesmo está por vir: a “reforma” da Previdência. Trabalhar 49 anos para conseguir 100% do benefício é ridículo. Tem algum país de 1º mundo (onde a expectativa de vida é maior que a nossa e a qualidade de vida também) onde se tenha que trabalhar tanto assim para se aposentar? O verdadeiro “golpe” é esse: as pessoas são obrigadas a contribuir, mas poucos vão usufruir. Tenho inveja de quem pode ir embora daqui.

  10. Dimas disse:

    Temer deve cair e este congresso não tem moral para eleger nem sindico de prédio. Eleições Gerais Já!

  11. marques disse:

    Fica Temer até 2018 conforme quis o pessoal da Paulista. Quem deu o golpe foi a Dilma que deixou essa bomba na mão do Temer, se aposentou e passou de vidraça para ser pedra.

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2017-06-25 17:39:18