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Política
14-03-2017, 9h21

Padilha trata a opinião pública como se fosse burra

Assim como Geddel, ministro da Casa Civil joga crise no colo de Temer
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

José Yunes, ex-assessor especial da Presidência e amigo do presidente Michel Temer, acusou o ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, de usá-lo como “mula”. Já Padilha trata a opinião pública como se fosse burra.

O ministro, que estava de licença médica, reassumiu a Casa Civil ontem e se negou a comentar as acusações de corrupção de delatores da Odebrecht e o depoimento de José Yunes à Procuradoria Geral da República. Yunes disse que recebeu o doleiro Lúcio Funaro a pedido de Padilha. No episódio, de 2014, teria sido entregue um envelope no qual haveria propina da Odebrecht.

É uma atitude reprovável que uma alta autoridade pública diga que não precisa dar satisfações a respeito de acusações tão graves. O chefe da Casa Civil é o braço direito do presidente da República. Ao se calar, mostra desprezo pela opinião pública e falta de argumentos para rebater as suspeitas e acusações. As delações e o depoimento de Yunes existem e trazem notícias péssimas para Padilha e o governo.

Ao se agarrar ao cargo, o objetivo político é manter o foro privilegiado, numa aposta de que a longa tramitação de eventuais inquérito e processo no Supremo Tribunal Federal ajude a empurrar o caso com a barriga.

Usar a reforma da Previdência como escudo é um discurso que não para em pé. Se o governo depende de Padilha para aprovar essa reforma, isso significa extrema fragilidade política no Congresso.

Padilha está agindo como Geddel Vieira Lima, jogando a crise no colo do presidente Michel Temer. O efeito tende a ser criar mais um problema para o governo numa hora difícil.

*

Armadilha federal

Se o Supremo Tribunal Federal não se preparar para analisar com rapidez a nova leva de inquéritos e eventuais processos da Lava Jato, será alto o risco de impunidade. Há expectativa em Brasília em relação à nova lista do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, que deverá pedir a abertura de inquéritos contra dezenas de políticos.

No mensalão, o Supremo julgou 37 réus e condenou 24 deles. O caso surgiu em 2005. A denúncia foi aceita em 2007. O julgamento aconteceu em 2012. Os recursos foram julgados em 2014. Da aceitação da denúncia ao final do julgamento, foram, portanto, sete anos.

A nova lista de Janot alcançará muito mais gente _e já há inquéritos e processos em andamento da primeira lista, que é de 2015. O julgamento do mensalão é considerado célere e excepcional para os padrões do Supremo.

Mas o relator da Lava Jato, Edson Fachin, tem outros casos a analisar. O Supremo não pode virar um tribunal apenas da Lava Jato. Existem outros processos importantíssimos a decidir. Portanto, há uma armadilha no meio do caminho dos ministros do Supremo.

*

Nuvens da Lava Jato

Em entrevista ao SBT, o prefeito de São Paulo, João Doria Jr., criticou a tese de diferenciar os tipos de caixa 2, uma para campanha eleitoral de outro para enriquecimento ilícito. Disse que o atual estágio das investigações da Lava Jato, no qual tucanos e peemedebistas entram na mira da operação, torna vulnerável a defesa dessa tese. Ele tem razão nesse ponto. Parece uma forma de conter danos da Lava Jato.

Doria não descartou concorrer à Presidência da República ou ao Palácio dos Bandeirantes no ano que vem. Disse que concordava com a célebre frase do governador Magalhães Pinto, que dizia: “Política é como nuvem. Você olha e ela está de um jeito. Olha de novo e ela já mudou”.

O prefeito reiterou que hoje apoia Geraldo Alckmin para disputar a Presidência pelo PSDB, mas foi claro ao dizer que, a depender das nuvens da política, poderia concorrer ao Palácio do Planalto. Essa é uma articulação que vem crescendo no PSDB e que dependerá bastante das nuvens da Lava Jato.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
10
  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    A ascensão de Dória a postos mais ambiciosos se dá mais pela alta rejeição de Alckmin e menos por ser uma “estrela super nova”.
    Aguardem o próximo capítulo quando Alckmin lhe puxar o tapete, sua ganância eleitoral e vaidade política farão dele o carrasco de Dória.

    • walter disse:

      Tem total razão cara maria aparecida, os viúvos do PT agora querem colocar “todos no mesmo saco”; meter o Pau no Alkimin tem espaço sim, mas se não fosse sua gestão tal “País Brasil”, estaria muito pior que a Venezuela, já que SP é o centro do poder positivo aqui…esta questão do candidato melhor para o País, ainda passará muita água embaixo desta ponte, mas não será o Lula, mas nem com reza Braba…este sujeito é um cancro, e não vai prosperar…aliás, até nisso quer nos enganar para mudar de assunto…teremos o Alkimin, e mais algum candidato que não surgiu ainda com uma proposta séria, temos que acreditar…quanto ao Dória não será idiota de se queimar, precisa melhorar sua gestão, e não proteger as cabeçadas do Haddad, que ficaram pelo caminho…deve ser exemplo, e faltam pelo menos 3,5%, anos e meio para podermos julga-lo…

  2. Jonas disse:

    Mas a “opinião” pública é mesmo burra…
    E a “opinião” nem sequer é do público, mas sim da imprensa criminosa e mentirosa que a coloca na cabeça do público ignorante, e em especial da classe média, que além de burra é endoutrinada e massa de manobra. Se não fossem burros o Brasil não seria o que é.

    • Sebastiao Canabrava disse:

      Jonas, falou tudo. E voce, Wellington Alves, se tiver de ir, vá para qualquer país onde você não seja julgado por suas ideias, posições ou criticas políticas. Mas se quiser ficar aqui, precisamos de você, trabalhador. O que não precisamos é de empresários egoístas, manipuladores e principalmente, empresários que tratam o trabalhador como um escravo.

  3. ANDRE disse:

    O governo de Michel Temer aposta todas as suas fichas de sustentação no apoio do congresso, do mercado financeiro e em parte do empresariado, menosprezando completamente o restante da sociedade e a opinião pública. Tenta aprovar reformas, criadas dentro do seu gabinete, sem nenhum aval dos setores sociais, sem nenhuma consulta a aqueles digamos “notáveis” que debruçam e estudam os temas em questão. O presidente só aprofunda cada vez mais o abismo que o separa do povo brasileiro, abismo criado por sua própria soberba, e estas poucas pedras citadas no início, que o sustenta no alto, logo abrirão, precipitando a sua queda eminente, para o bem de todos.

  4. Wellington Alves disse:

    Doria na presidencia? Tenho que fazer meu pé de meia para ir embora desse país… Não duvido que ganhe… Vai pousar de popstar com as obras de Niemayer….

    • Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

      Vai sim … vai para Cuba ou Venezuela até para a Nicarágua.
      Esses países precisam de pessoas boas como você… nós não !

      • Wellington Alves disse:

        Posso ir para Noruega ou Suécia por exemplo, que sabem fazer funcionar um Estado de Bem Estar Social e as estatais são mais poderosas que a iniciativa privada. Por que você também não os chama de pelego comunista? Nossa doença é essa classe média pérfida que só vê o próprio umbigo…

  5. mano disse:

    prezados: não é só Padilha. É Temer, Jucá, Renan, Rodrigo Maia e o juiz Do TSE Herman Benjamin, aquele que aceitou substituir o nome de Aécio por uma tarja preta. Mas, o povo não é burro e já sabe que ele ganhou um apelido: Aécio tarja preta.

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2017-12-15 08:21:01