aki

cadastre-se aqui
aki
Geral
28-02-2018, 8h12

País deveria cogitar fusão policial proposta por Covas

Entrevista de interventor tem cautela e generalidades
6

KENNEDY ALENCAR
LONDRES

Interventor federal no Rio, o general Braga Netto concedeu ontem uma rápida entrevista, de menos de 20 minutos, descontados os quase sete minutos de apresentação de um PowerPoint. Ao final, ficou claro que os jornalistas queriam conversar um pouco mais.

Faltou dar mais atenção à imprensa, porque é natural que ela queira mais tempo para abordar um assunto de interesse público. O pedido de perguntas prévias por escrito mostra pouco apreço pelo contraditório e o contato com jornalistas.

Durante a entrevista, o general Braga Netto se comportou com cautela. Isso tem um lado bom, porque evita pirotecnia, mas também confirma que ele pegou um abacaxi de surpresa. A impressão é que ele ainda está montando o seu plano de ação. As generalidades da entrevista, como valorizar o bom servidor e recuperar o orgulho de ser policial, coisas que nem precisariam ser ditas, sinalizam o grau de improviso dessa intervenção federal no Rio.

A respeito das polícias Civil e Militar, esse era um ponto no qual ele poderia ter avançado. É um erro manter o comando de forças que não estão funcionando. Trocas de comando sinalizam mudanças de linhas de ação.

Difícil valorizar as corregedorias, como prometido ontem, mantendo as estruturas policiais do mesmo jeito. Mas pode ser que o general esteja ganhando tempo para fazer as trocas com mais reflexão. Ele disse que está estudando esse tema. Afirmou que a intervenção seria basicamente um “trabalho de gestão”.

Nas últimas missões de GLO (Garantia da Lei e da Ordem) das Forças Armadas no Rio, os vazamentos eram uma queixa frequente dos militares ao presidente Michel Temer. Algumas operações planejadas tinham baixo resultado porque vazavam e alertavam criminosos, que se retiravam das áreas de busca.

Em 1997, o então governador de São Paulo, Mario Covas, apresentou uma proposta de emenda constitucional que previa a fusão das polícias civis e militares. A ideia era criar uma força praticamente do zero, com novo treinamento. Os lobbies das polícias militares atuaram contra. Muitos governadores se sentem reféns dessas corporações.

Hoje temos uma intervenção federal que impede a aprovação de emenda constitucional. A ideia de Covas não poderia ser levada adiante neste momento. Mas é algo sobre o qual o país deveria refletir para aplicar no futuro.

Na entrevista de ontem, faltou também uma menção ao plano que o general Braga Netto pretende deixar para ser aplicado após 31 de dezembro. Dez meses voam e não são suficientes para solucionar um problema complexo, a não ser que o interesse seja apenas uma melhora pontual e cosmética que cause impacto eleitoral no Rio e no país.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”, que também falou da queda de Segovia da PF:

Comentários
6
  1. Fabio disse:

    Kennedy, aqui em São Paulo em 24 anos de PSDB eles destruíram a Policia Civil.
    É uma policia sucateada, com salarios baixíssimos, falta efetivo e nada é investigado a fundo.
    Uma coisa é certa, os tucanos se tornaram inimigos declarados da segurança publica paulista.

  2. Wellington Alves disse:

    Perguntas prévias e pouca atenção à imprensa (pelo que sei, responderam mais perguntas da Globo). Militares com a mesma transparência de 1964.

  3. BRAGA BH disse:

    A fusão das polícias civis e militares tem tudo pra dar errado. Como disse na matéria, teria que nascer do zero. Seria algo inovador para aplacar os animos e as choradeiras que iriam advir desta junção. Quanto aos planos para após 31/12 caro Kennedy há outro ingrediente que está sendo esquecido pelo jornalista. Final do mes de Março o General Villas Boas se aposenta. É preponderante saber quem irá assumir o seu cargo. Daí a derivação do Plano pós 31/12! Assim como após o golpe de 64, cada general que assumia o comando do exercito posteriormente era galgado a Presidente. Sei lá o que se passa na cabeça deles…

  4. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Unificar as polícias é uma boa medida há muito reivindicada por vários governos. Entretanto é preciso adicionar outros ingredientes como: rebaixar a maioridade penal, endurecer a legislação penal e investigar as ONG´s de direitos humanos, sempre comprometidas e obedientes com a criminalidade.

  5. walter disse:

    Esta intenção de unificar as polícias, são tão indigestas Kennedy; tem a mesma importância da reforma na previdência…este mundo é complicado e “violento”; se acham melhores que os outros, não querem dividir poder jamais, não trocam informações, da forma ideal; a policia civil por exemplo, segue caminhos mais “suaves” que a militar…fosse tão simples, já teria acontecido a muito tempo…com as incursões do exercito, podem ocorrer mudanças geradas pelo conjunto; será uma excelente chance para mudanças de diretrizes; criação de outras frentes por exemplo, e unificação das forças…os maiores obstáculos como sempre são recursos, bem direcionados para equipamentos de forma geral; com a consequente melhora salarial; tudo é possível, já que as coisas estão cada vez mais complicadas neste setor, a muito tempo…

  6. camila santos disse:

    Esta seria um bela solução para o Brasil em termos de segurança pública

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados

Não serão liberados comentários com ofensas, afirmações levianas, preconceito e linguagem agressiva, grosseira e obscena, bem como calúnia, injúria ou difamação. Não publicaremos links para outras páginas devido à impossibilidade de checar cada um deles.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

 
2018-06-24 19:29:34