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Política
04-09-2017, 8h11

Para 2018, PSDB acha Alckmin mais consistente do que Doria

Ao admitir mudar de partido, prefeito deixa abertas portas no PMDB e DEM
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Ao cogitar uma mudança partidária a fim de disputar a Presidência em 2018, o prefeito de São Paulo, Joao Doria Jr., pressiona os tucanos e deixa portas abertas no PMDB e no DEM.

Em entrevista publicada hoje pelo jornal “O Estado de S. Paulo”, Doria admite a possibilidade de sair do PSDB e volta a defender que a escolha da candidatura ao Palácio do Planalto seja feita com base nas pesquisas eleitorais.

A lei 13.165, de setembro de 2015, resultado de uma reforma eleitoral feita pelo então presidente da Câmara, Eduardo Cunha, alterou o prazo de filiação partidária para quem deseja disputar a eleição de 2018. Antes dela, era exigido o prazo de um ano. Esse período caiu para seis meses.

Doria está fazendo um movimento bem antecipado. A discussão sobre sair do PSDB para ser candidato poderia ser deixada para depois. Afinal, o prefeito não tem nem um ano de mandato à frente de São Paulo.

A entrevista de Doria também é reflexo da força interna que ganhou o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, nos últimos meses. Quando foram reveladas as delações da Odebrecht, em abril deste ano, os principais presidenciáveis tucanos foram alvejados. Eram eles Alckmin e os senadores Aécio Neves e José Serra. Depois, a delação da JBS causou mais dano ainda a Aécio.

Desses três presidenciáveis, Alckmin foi o menos atingido, mas foi avariado. Nesse contexto, abriu-se uma janela para Doria obter a candidatura por gravidade.

Mas o prefeito errou por açodamento, o que gerou reação contrária no PSDB. Doria achou melhor sair a campo, viajar pelo Brasil e pelo exterior e apostar num crescimento nas pesquisas que tornasse a candidatura fato consumado.

Acontece que esse movimento de Doria causou críticas internas no PSDB e não lhe garantirá a candidatura ainda que esteja à frente das pesquisas. Hoje, internamente no partido, a eventual candidatura de Alckmin é vista como mais consistente e menos aventureira pela maioria dos caciques tucanos. Diante da pressa de Doria, Alckmin passou a articular uma decisão mais rápida do PSDB sobre a candidatura (escolha em dezembro).

A posição nas pesquisas não será o único fator a influenciar a escolha tucana. Na última pesquisa Datafolha, divulgada no final de junho, Alckmin estava com 8%. Já Doria obteve 10%. É uma situação de empate técnico.

Muitos tucanos ligados a Alckmin invocam o argumento de que Doria começou a disputa pela prefeitura de São Paulo com baixa intenção de voto. Afirmam que Doria está sendo açodado e desleal com Alckmin, mostrando-se pouco confiável para um projeto partidário e se comportando de forma personalista.

Na entrevista ao “Estado”, Doria tenta moderar o discurso, sinalizando que foi um erro chamar a ex-presidente Dilma Rousseff de “anta” e pediu desculpa. No entanto, as falas de Doria são extremamente agressivas a Lula, Dilma e ao PT, disputando uma faixa do eleitorado abocanhada pelo deputado federal Jair Bolsonaro. Essa agressividade tem provocado críticas internas de tucanos.

Em resumo, há um conjunto de sinais emitidos por Doria que levou à maioria dos caciques do PSDB a considerar, hoje, a candidatura de Alckmin mais confiável para o partido. Isso pode mudar? Pode. Mas não parece provável.

O presidente interino do partido, o senador Tasso Jereissati (CE), disse que Alckmin é o primeiro da lista no PSDB para ser candidato. Os senadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) têm mais críticas a Doria do que a Alckmin. Apenas o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso se comporta de maneira dúbia, o que, neste momento, favorece Doria.

Mas o prefeito sabe que, numa prévia, seria acusado de traição e perderia para Alckmin. Na máquina partidária tucana, a candidatura de Alckmin é vista como mais consistente do ponto de vista político e administrativo.

Existem críticas no PSDB a essas frequentes viagens de Doria para fora de São Paulo e do país e dúvidas se ele entregará promessas de campanha. Até entre tucanos, a gestão de Doria é vista como marqueteira e de pouco resultado. Há uma série de dificuldades reais que, com o passar do tempo, vão trazer desgaste ao prefeito. Aliados de Alckmin afirmam que fracassos de gestão vão começar a aparecer. É fato que Doria possui pouco tempo de mandato e ainda pode mostrar resultados, mas a artilharia alckmista está se movimentando com força.

Outra diferença: o governador de São Paulo mantém um afastamento do governo Temer, que é impopular. Já Doria estabeleceu pontes com o presidente. Alckmin e Doria estão se distanciando, apesar das juras públicas de amizade e de fidelidade.

Portanto, não é absurdo imaginar Alckmin e Doria na corrida presidencial do ano que vem por partidos diferentes. Essa possibilidade foi colocada na mesa por Doria nessa entrevista ao “Estado de S. Paulo”. O PMDB e o DEM, por exemplo, não têm um candidato e podem ser um destino para o prefeito.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Edi Rocha disse:

    Dória foi eleito para tomar conta de São Paulo. Recebeu uma transição amistosa por parte de Haddad para que tivesse todas as condições de iniciar seu mandato. E o que ele faz? Sai por aí pra fazer campanha… Larga lá o povo que ele acabou de ser eleito pra cuidar. Francamente…

  2. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Alckmin é um político egocêntrico e desagregador, não pensa no país, apenas na sua carreira duvidosa que sucateou a polícia e a educação… Vai rachar o partido de novo e permitir a eleição da esquerda sindical-criminal-pelega… como já o fez em 2002.

  3. Fabio disse:

    Kennedy, so tenho uma certeza para eleições 2018, não voto em nenhum candidato tucano mais.

  4. Mário Sérgio Guidio Salzstein disse:

    Caso Dória se candidate a presidência, cairá na mesma podridão da qual o brasileiro está cansado. Deixará de ser o novo. O povo, com quem firmou compromisso através do voto, está acima do partido. Caso queira manter-se respeitado, deverá optar por concluir o mandato de prefeito.

  5. Brasilio disse:

    Não voto em Alckimin nem que me paguem… prefiro João Doria ou Bolsonaro

  6. walter disse:

    No jogo político, o PSDB esta seguindo o senso comum, caro Kennedy, o Alkimin esta com a maquina nas mãos, faz um Bom governo com verbas escassas; felizmente, o melhor de todos os governos; não abriu mão, diante das “benesses” oferecidas pela dilma; manteve se firme diante da tentação…não fosse ter sido citado na lava jato, seria o candidato ideal da maioria…pode até conseguir se isentar, mesmo com provas, mas continuará maculado, aos olhos da população, que anda desconfiada, com todos os políticos atuais…O Dória é um capitulo a parte, tem chances reais por ser NOVO como prefeito; não tem maculas, não tem passado escandaloso, e vem fazendo o que pode na prefeitura, embora este seja o maior desafio até Abril, prazo em que deverá se afastar do cargo para concorrer; terá que tirar “coelhos da cartola”, para não deixar o Bruno Covas, sozinho e desamparado…pode também, concorrer ao governo de SP, com eleição garantida para governador…difícil, mas deveria ser a tendência dele…

  7. Mauricio Jose da Silva disse:

    Alguém tinha alguma dúvida sobre este sujeito Dória?!
    Colocando jaleco de gari etc… resumindo!!!!
    Mais um para o saco de farinha!!!!

  8. mano disse:

    prezados: No Brasil, o político novo não tem nada diferente do espólio moral do DE CUJUS, seja ele morto-morto ou morto-vivo. Em outras palavras: FARINHA DO MESMO SACO COM VALIDADE VENCIDA.

  9. Paulo disse:

    Sem duvida que entre Doria e Alckmim, eu votaria no Alckmin.

  10. Andre disse:

    Doria nao politico, kkkkk. se juntando com o PMDB KKKK. Depois dizem que o Ciro Gomes falou besteira do Doria. #CIRO2018

  11. rod disse:

    Doria presidente é melhor coisa que pode acontecer ao Brasil, nada de Alckmin.

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2017-09-25 21:24:17