aki

cadastre-se aqui
aki
Política
07-02-2017, 9h13

Para Justiça, Temer busca nome com perfil de Mariz

Na lista de prós e contras, Moraes reuniu mais apoio no Congresso e STF
8

KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

O presidente Michel Temer avalia escolher para ministro da Justiça um nome com peso jurídico e personalidade forte. Hoje, o perfil mais provável seria o do advogado criminalista Antonio Cláudio Mariz de Oliveira. Dificilmente Temer nomeará um deputado ou senador do PSDB para o lugar de Alexandre de Moraes.

Por causa da crise de segurança pública, Temer busca para a Justiça um ministro que demonstre autoridade perante a opinião pública. O presidente agiu com rapidez ao enviar as Forças Armadas para o Rio Grande do Norte e o Espírito Santo justamente para tentar mostrar empenho no combate a problemas na segurança pública e na crise carcerária.

Mariz era o nome que Temer queria colocar na Justiça quando assumiu a Presidência no afastamento de Dilma, mas uma entrevista dele à “Folha de S.Paulo” com críticas à Polícia Federal e à delação premiada inviabilizou a indicação na época. Agora, Mariz voltou a ser uma carta no baralho, sobretudo se reconsiderar as críticas que fez.

*

Apoio federal

Na lista de prós e contras de Temer, Alexandre de Moraes foi o candidato a ministro do STF que reuniu mais fatores a favor da indicação dele. A começar, pela amizade com Temer. Dos 28 nomes sugeridos ao presidente, Moraes era, de longe, o mais próximo do presidente da República.

Moraes foi o nome que recebeu maior apoio partidário. PSDB, PMDB, DEM, PSD e integrantes de outros partidos o defenderam. O governo Temer tem a marca de expressivo suporte no Congresso.

Moraes teve o apoio ou simpatia de cinco ministros do STF: Marco Aurélio Mello, Celso de Mello, Dias Toffoli, Luiz Fux e Gilmar Mendes. Numa conversa no Palácio do Planalto, Temer convidou Moraes ao meio-dia de ontem. Pediu a ele que esperasse que conversasse com os presidentes do Senado, Eunício Oliveira, da Câmara, Rodrigo Maia, e do STF, Cármen Lúcia. Cármen Lúcia elogiou a escolha, dizendo que o tribunal ganhava um constitucionalista. Em resumo, Moraes reuniu apoio no Congresso e até no STF.

O novo ministro reforçará o conservadorismo no Supremo. No espectro político, ele está à direita dos dois últimos indicados, Luiz Roberto Barroso e Edson Fachin. É mais conservador do que o ministro Teori Zavascki, cuja vaga lhe caberá. Temas como descriminalização da maconha e mudanças na legislação do aborto terão um adversário no STF.

Para os integrantes e defensores da Operação Lava Jato, ele causa preocupação, porque há expectativa de políticos do PMDB e do PSDB em relação aos votos que ele proferirá como revisor do caso, se for aprovado pelo Senado, como tudo indica que será.

O juiz Sérgio Moro, que costuma se manifestar publicamente sobre assuntos jurídicos e políticos, disse não ter opinião sobre a escolha de Alexandre de Moraes e lhe desejou boa sorte. É claro que não gostou. Também não gostaram integrantes do Ministério Público que fazem parte da Lava Jato. Haverá enorme lupa em relação ao trabalho de Moraes como revisor da Lava Jato.

O presidente sabia que sofreria críticas ao indicar Moraes, mas decidiu pagar o preço político de eventual desgaste público. Recorreu a precedentes nos governos FHC e Lula.

FHC indicou Gilmar Mendes, que era advogado geral da União, e o Nelson Jobim, ministro da Justiça e filiado ao PMDB. Lula indicou Dias Toffoli, que foi advogado geral da União, e Carlos Ayres Brito, que concorreu a cargo eletivo pelo PT.

Dilma chegou a pensar em apontar José Eduardo Cardozo, seu ministro da Justiça, mas hesitou diante do desgate. Temer não. Exerceu o poder e indicou o seu ministro.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
8
  1. Dercival Almeida disse:

    A super lotação nos presídios, o caos na segurança pública, o ES sitiado por bandidos, porém o senhor Moraes, não mostrou competência para minimizar a crise institucional, e agora fica claro o motivo de sua inercia, sua intenção de ser Ministro do STF tirou seu foco em tentar resolver alguma coisa no ministério que lhe havia sido confiado

  2. walter disse:

    É cara Kennedy, e o temer contrariou todos na justiça…escolheu Alexandre de Moraes, com um patrimônio invejável, tudo adquirido no serviço público; este cidadão mora, do lado do clube pinheiros, o metro quadrado mais caro de SP…atropelou a própria tese de faculdade quando admitiu, que qualquer nomeação, quando já esta a serviço do governo, é protecionismo, contrariou-se na maior…O cidadão, indicado pelo PSDB, que esta tomando conta do governo aos poucos, será o revisor da lava jato, e sempre teve ideias solidas, quanto a postura conservadora, com relação a condenações em segunda instância por exemplo; pode ser sim, um “aliado” da lava jato.

    • Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

      Walter caríssimo amigo, sempre correto e cuidadoso observador.
      O ministro não poderia incorrer na própria cláusula de barreira ou quarentena, como queira. É no mínimo incoerente e inadequado.

  3. José Roberto Guimarães Carneiro disse:

    Tenho grande apreço pelo advogado Antonio Mariz de Oliveira, porém, por ser ele um advogado de linha de frente dos grandes criminalistas brasileiros, essa condição o torna inadequado para a função. Tanger toda as forças na defesa de alguém, torna o agente ineludivelmente impedido de capacitar-se a persecução de qualquer delas.

  4. ANDRE disse:

    De todas as indicações para o STF, talvez a mais política. A política se confunde com a justiça, neste vendaval de tantas indas e vindas entre os três poderes e a indicação de Moraes é reflexo disto, como foi a PEC da bengala e tantos outros atentados a famigerada independência entre os poderes.

  5. mano disse:

    Não consigo entender o que atrai o advogado Antônio Mariz de Oliveira à exercer o cargo público de Ministro da Justiça: foro privilegiado, vaidade; poder; amizade ao presidente e exercício da profissão em sacrifício pelo bem do povo e da nação ou outra alternativa que eu não consigo enxergar!!!!!????

  6. mano disse:

    somente o cidadão comum de classe média sofre com os julgamentos do STF e com a insegurança jurídica. vamos ao exemplo: veja o valor da aposentadoria de um cidadão de classe média que aposentou 1 mês antes ou alguns meses antes da aprovação da regra 85/95 e antes da extinção do fator previdenciário e compare com o valor da aposentadoria de um cidadão de classe média que aposentou na vigência da regra 85/95 e com a extinção do fator previdenciário. Quantas pessoas não estão prejudicadas com esta insegurança jurídica? O STF acha pouco, joga a pá de cal e enterra a desaposentação. Haja insegurança jurídica, falta de bom senso e/ou injustiça? Dá para acreditar nos poderes da República Federativa do Brasil?

  7. DIRETO AO ASSUNTO: É PRECISO PASSAR O BRASIL A LIMPO! disse:

    Num momento de caos nacional na segurança pública, o país fica sem Ministro da Justiça!
    É mais importante, para o governo, engrossar a tropa de choque no STF que protege os políticos aliados do governo, com foro privilegiado, envolvidos nas investigações da Lava Jato – e, ao mesmo tempo, deixar mais uma vaga de ministro (da Justiça) para algum aliado que “precise urgentemente do foro privilegiado”, como aconteceu com a nomeação do Moreira Franco, há dias!
    O QUE NÃO FOI PERMITIDO A DILMA, QUANDO “TENTOU” FAZER COM LULA, NOMEANDO-O PARA CARGO CONTEMPLADO COM O VERGONHOSO FORO PRIVILEGIADO!, ESSE GOVERNO ESTÁ FAZENDO, DESCARADAMENTE!

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados

Não serão liberados comentários com ofensas, afirmações levianas, preconceito e linguagem agressiva, grosseira e obscena, bem como calúnia, injúria ou difamação. Não publicaremos links para outras páginas devido à impossibilidade de checar cada um deles.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

 
2017-09-25 21:16:59