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Economia
07-08-2017, 8h24

Parte de reservas cambiais poderia financiar fundo de infraestrutura

ideia seria usar entre US$ 20 bi e US$ 30 bi para obras novas ou paradas
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

A equipe econômica do presidente Michel Temer sempre disse que agiria de modo diferente do governo Dilma Rousseff e trabalharia com metas econômicas realistas. Nesse contexto, a provável mudança da meta fiscal deste ano deverá gerar um debate no governo sobre quebrar um outro tabu da atual equipe econômica.

Tende a ganhar força uma discussão sobre usar uma pequena parte das reservas cambiais para financiar um fundo de obras em infraestrutura. O Brasil tem hoje mais de US$ 380 bilhões de dólares em reservas cambiais. O país poderia utilizar neste e no próximo ano entre US$ 20 bilhões e US$ 30 bilhões para financiar obras públicas novas ou que estão paradas a fim de gerar emprego.

Seria criado um fundo de investimento em infraestrutura abastecido por essas reservas. O dinheiro só poderia ser usado no investimento e não no custeio. Por exemplo: terminar a construção de uma estrada é gasto em investimento. Dar reajuste ao funcionalismo público, como tem sido concedido com generosidade à elite dos servidores, é gasto em custeio.

O destino dos recursos precisaria ficar bem claro, bem como o valor máximo que seria retirado das reservas. Por exemplo: menos de 10% do total das reservas cambiais usadas para proteger a moeda brasileira, o Real.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, já se manifestou tempos atrás contra o uso das reservas cambiais em investimentos. Argumentou que traria dano à credibilidade da equipe econômica e seria irresponsabilidade fiscal.

Mas Meirelles jurava até duas ou três semanas atrás que jamais mexeria na meta fiscal. Aumentou fortemente o imposto sobre a gasolina e o diesel sob o argumento de que, sem essa paulada tributária, não poderia cumprir a meta fiscal deste ano _já deficitária em R$ 139 bilhões. Agora, há um debate no governo para que a meta seja elevada para uma faixa entre R$ 150 bilhões e R$ 160 bilhões de deficit neste ano.

Parte do mercado financeiro já aceita a mudança, porque vai reforçar o lobby para os juros não caírem de forma mais incisiva. Também é um dado da realidade. Insistir na meta de R$ 139 bilhões seria mais danoso para a credibilidade da equipe econômica. Quando atende aos seus interesses, o mercado tolera uma heterodoxia. No governo Dilma, essas mexidas eram criticadas, com razão, pela frequência e irrealidade.

O Brasil entrou num círculo vicioso: corta gastos, isso diminui investimentos, a arrecadação cai e o Estado não tem dinheiro para honrar seus compromissos. Então, o governo fala que é preciso aumentar imposto ou cortar mais gastos. É preciso quebrar esse círculo vicioso.

Um grande plano de investimento em infraestrutura, lastreado em menos de 10% das reservas cambiais e feito com responsabilidade, poderia gerar empregos, aumentar a arrecadação e reduzir o corte de gastos na área social, que é como a equipe econômica tem arbitrado as perdas.

Os mais pobres estão pagando a conta de um ajuste econômico _que o país precisa fazer_ numa proporção maior do que os mais ricos. Essa equipe poderia usar a credibilidade que tem para bancar um plano de investimento público. O investimento privado não está acontecendo nem dando sinais de que virá de forma significativa.

*

Retrato da desigualdade

A “Folha de S.Paulo” publicou ontem uma reportagem que revela que, em 14 anos, o setor produtivo obteve R$ 420 bilhões em subsídios do governo. Já programas com impacto social ficaram com R$ 372 bilhões.

Esses dados mostram como boa parte dos empresários que defende corte de gastos e um Estado mínimo faz discurso da boca pra fora e deseja recursos públicos para os seus projetos.

Muitos desses projetos foram e são positivos, porque geram e geraram empregos. Mas foram feitos com desoneração de tributos ou juros mais baixos, tudo, em última instância, pago pelo conjunto da sociedade. Foi uma escolha política, que precisaria ter sido aplicada com maior equilíbrio.

A partir de 2011, no governo Dilma, esses subsídios cresceram imensamente. O PT precisa fazer uma autocrítica sobre o desastre econômico do governo Dilma. A política aplicada por ela desorganizou a economia. Dilma não foi a única culpada pela catástrofe econômica do Brasil, mas foi a principal personagem desse triste episódio.

Tampouco foi uma presidente de esquerda, imagem falsa à qual ela se agarrou na reta final do impeachment. Foi uma má governante, que destruiu a política fiscal, gerou inflação e elevou a dívida pública do patamar de 50% para 70% do PIB (Produto Interno Bruto).

Isso sem contar os erros na política, determinantes, ao lado da economia, para a queda dela do poder. Sem uma autocrítica, o PT perde autoridade para fustigar a atual equipe econômica. Também não dá uma satisfação ao eleitor sobre os erros que cometeu, fazendo uma aposta política equivocada e que dificilmente levará o partido de volta ao poder porque hipócrita.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Rogerio Vidal disse:

    O senhor se esquece que muito desse cenário pelo qual ela passou foi provocado pela direita nervosa. Não acredito que aqueles que a cercavam não a tivessem alertado.

  2. walter disse:

    Acho bastante valido caro Kennedy, que seja usada parte das reservas cambias, para a infraestrutura; desde que sejam feitas as lições de casa; quando se fala, em corte de gastos, nenhum governo fez isso…exatamente como vc afirma, tudo da boca para fora; temos uma mania irritante, quando tem caixa se gasta, quando não tem, aumenta se os impostos…ninguém dos últimos governo economizou; nem no plano real, houve de fato esta intenção…quanto ao comentário da Folha, me perdoe, mas são comparações desnecessárias, já que o temer faz um mandato tampão, e com muita irresponsabilidade; por dar sequência, querendo fazer melhor que o governo dilma, que não deve ser difícil; a “presidenta” se perdeu em sua gestão, por ser arrogante; não conseguiu mudar sua postura, exatamente por isso foi expurgada,tornou se inútil na condução do país,são fatos

  3. DEPUTADOS E SENADORES, ESQUEÇAM TEMER, MEIRELES E SE CUIDEM: ACORDEM PARA A VIDA DO POVO BRASILEIRO - 2018 ESTÁ AÍ! disse:

    Excelente comentário,Kennedy! Acrescentaria apenas que além de se usar uma pequena parte das reservas cambiais para financiar um “FUNDO DE OBRAS DE INFRAESTRUTURA” (o que deveria ser super fiscalizado), deveria imediatamente ser implantado um “TETO MÁXIMO DE APOSENTADORIA” para todos os brasileiros, com o valor do teto máximo atual do INSS de R$5.331.31 reais para o funcionalismo público civil e militar, políticos, governantes etc. Quem quisesse valor maior que pagasse uma aposentadoria complementar, “DO PRÓPRIO BOLSO”. Especialistas dizem que isso geraria uma economia de 50 bilhões de reais por ano, mais que duas vezes do que se pretende usar das reservas cambiais. É claro que quem sabe o que Meireles e Temer representam não os imaginam propondo algo assim, porém os chamados “REPRESENTANTES DO POVO” da Câmara e Senado, se quisessem se redimir de suas corrupções poderiam bem agir em favor da maioria do povo brasileiro!

    • Matias disse:

      Importante esclarecer que os servidores públicos do executivo federal, egressos a partir de 2013, já estão vinculados ao teto do INSS.

      • Stanislaw. disse:

        Eu desconhecia isso, Matias, obrigado pela informação. Mas, caramba, então os privilegiados de antes de 2013 continuam como “brasileiros especiais… mais brasileiros que a maioria dos brasileiros”?
        Bem, como a lei não pode retroagir para prejudicar, só se mudassem lei então? Quando nossos “representantes” querem eles mudam qualquer lei, poderiam mudar essa, acabando com as mordomias indecentes e as altíssimas aposentadorias dos funcionários públicos cujos salários são pagos por quem ganha muito menos que eles. Mas isso eles não farão, pois afetaria seus próprios interesses. Eta paizinho de safados!

    • DEPUTADOS E SENADORES, ESQUEÇAM TEMER, MEIRELES E SE CUIDEM: ACORDEM PARA A VIDA DO POVO BRASILEIRO - 2018 ESTÁ AÍ! (2). disse:

      N.b. A economia de 50 bilhões de “reais” com a equiparação do teto de aposentadoria para todos os trabalhadores do país não representa duas vezes mais que um eventual emprego de 20 a 30 bilhões de “dólares”, como dito, (eu não havia lido corretamente o que disse nosso prezado Kennedy, que falou de “dólares”), mas, mesmo assim, seria uma economia importantíssima para o país.

  4. luis disse:

    Por que condicionar o salvamento da economia ao investimento público? Será que não bastou a irresponsabilidade do PT, nos últimos anos? O país precisa de menos Estado. O estímulo dever ser ao setor privado, que é mais eficiente.

    • Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

      Concordo com você Luis e acrescento que além de investimento no setor privado, é mandatória a desregulamentação e desoneração da economia e produção.
      É impossível investir em produção num país que o empreendedor é penalizado por gerar emprego e renda !

  5. Jonas disse:

    Os golpistas apostaram no “quanto pior, melhor” para facilitar o golpe parlamentar. Votaram “pautas bomba”, aumentando muitos gastos para fragilizar o orçamento, e jogaram muito esterco no ventilador para ajudar no golpe. Sendo assim não tem moral agora para falar nada ou dizer que querem ajudar, já que prejudicaram o país *deliberadamente*.
    O governo petista ao menos entendia o porquê de políticas anti-cíclicas, enquanto o governo tucano-golpista só irá arrochar os mais pobres com políticas cíclicas que irão quebrar e sucatear ainda mais o país além de aumentar a desigualdade social, já que é um governo dos bancos para os bancos, que se importa mais com o mercado financeiro do que com o povo, como demonstraram no governo FHC.
    E o “grande” empresariado brasileiro, que se acha “competente” e “eficiente”, na verdade nem sobrevive sem subsídios do governo e ainda sonegam aos montes. São hipócritas.

  6. Pedro Joaquim da Veiga disse:

    É inadmissível pagarmos juros orbitantes aos Bancos, com 380 bilhões de dólares, parado como reservas.

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