aki

cadastre-se aqui
aki
Política
10-07-2017, 8h10

PSDB debate derrubar governos como se país fosse parlamentarista

Atitude golpista dá poder excessivo a Congresso e ameaça presidentes
17

KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

O PSDB tem discutido o rompimento com o governo Temer como se o Brasil fosse parlamentarista e um presidente pudesse ser trocado pelo Congresso por falta de condições para continuar governando. Hoje, haverá nova reunião de tucanos em São Paulo a fim de debater se o partido rompe ou não com o presidente Michel Temer.

Na semana passada, o presidente interino do partido, o senador Tasso Jereissati (CE), disse que a administração Temer se aproximava da ingovernabilidade e que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), poderia assumir o Palácio do Planalto para dar mais estabilidade ao país a fim de aplicar uma agenda econômica que é contestada pela maioria da população.

Segundo o Datafolha, a maioria dos entrevistados é contrária às reformas trabalhista e previdenciária. Está acontecendo com o presidente Michel Temer o que ocorreu com a então presidente Dilma Rousseff. A petista caiu por diversos fatores. Um fator determinante foi a decisão política do PSDB e de seus principais caciques, como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador Geraldo Alckmin (SP) e o senador Aécio Neves (MG), de dar aval à troca de governo.

Dali em diante, o Congresso acelerou o processo de queda da presidente. O PSDB, que perdeu as quatro últimas eleições presidenciais, bancou o governo Temer e uma agenda econômica que agora quer transferir para Rodrigo Maia.

*

Não é mera coinciência

Há muitas semelhanças entre os calvários de Dilma e Temer. Quando Tasso diz que Rodrigo Maia traria estabilidade política, essa declaração lembra a fala de Temer em agosto de 2015 afirmando que o Brasil precisava de um nome para unir o país. Com Temer, o PSDB invoca mais uma vez o conjunto da obra e não uma acusação de corrupção para justificar a troca de presidente.

Ou seja, Temer estaria incapacitado para governar assim como se passou com Dilma. As acusações objetivas, assim como ocorreu com Dilma, ficam em segundo plano. Essa atitude tucana é ruim para as instituições do Brasil. O país é presidencialista.

Não dá para usar o impeachment ou autorização da Câmara dos Deputados para o Supremo Tribunal Federal analisar uma denúncia por crime comum como se fossem um voto de desconfiança do sistema de governo parlamentarista.

Isso é golpismo, algo frequente na história do país pré-64. Após a redemocratização em 1985, recomeçou quando Aécio não aceitou a derrota eleitoral de 2014. Ocorreu com Dilma. Está acontecendo com Temer. Está aberto um precedente que pode vitimar futuros presidentes, caso Rodrigo Maia seja alçado ao Planalto ou na hipótese de um tucano ganhar a eleição presidencial de 2018.

O PSDB está, na prática, reforçando o poder do Congresso para derrubar presidentes que percam a governabilidade. Se Temer cair, será o terceiro entre sete presidentes da República desde a redemocratização em 1985 que não terminará o mandato. É uma taxa de mortalidade muito alta para o sistema de governo presidencialista.

Continuar nessa toada lançará a ameaça da instabilidade sobre futuros presidentes que fiquem em minoria no Congresso ou atravessem períodos de baixa popularidade. Já houve um plebiscito em 1993, e a maioria dos brasileiros optou pelo presidencialismo e não pelo parlamentarismo.

*

Questão de coerência

O discurso ético do PSDB para romper com Temer só faria sentido se a legenda estivesse disposta a afastar Aécio Neves da presidência do partido e analisar sua eventual expulsão. No entanto, o PSDB finge que Aécio não está denunciado no Supremo Tribunal Federal por motivos bem parecidos com os que sustentam as acusações contra Temer.

*

Jogando pra frente

Ao dizer que o PSDB deve continuar com Temer até a votação das reformas trabalhista e previdenciária, o governador Geraldo Alckmin encontra uma forma de tentar adiar o rompimento.

A trabalhista será votada nesta semana. Mas a reforma da Previdência, se for analisada, só terá chance de sair do papel no segundo semestre. Isso dá tempo a Temer. E dá tempo ao PSDB para aguardar novas denúncias de Janot e novas delações que possam dar mais conforto aos tucanos para abandonar o governo.

A eventual ascensão de Rodrigo Maia à Presidência contraria os planos de Alckmin de concorrer ao Palácio do Planalto no ano que vem, porque quem se sentar na cadeira poderá querer ser candidato à reeleição. Maia poderia ser uma pedra no caminho de Alckmin ou do prefeito de São Paulo, João Doria, se um deles for candidato à Presidência.

Na atual situação, se Temer permanecer, estará fora da cédula eleitoral no ano que vem. Esse cenário interessa mais a Alckmin.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
17
  1. MARINA SANTOS disse:

    sinto discordar, no que tange às citadas semelhança entre o calvário de Temer e Dilma.
    a presidenta eleita foi impedida de governar por decisão do psdb, desrespeitando a agenda de governo escolhida pela sociedade. NÃO cometeu crime e não aceitou ser chantageada pelo judiciário ou parlamentares. Diferentemente de quem com provas polpudas chefiou quadrilha, traficou, corrompeu e até mandou matar.
    Tem explicação para o STF até hoje não ter julgado o mérito do Impeachment? Está aguardando o que? As reforma ou a entrega das riquezas e do território nacional?

  2. Teres Virmond disse:

    O país tem uma tradição de golpes. Herdou de Portugal e Espanha. Os golpistas se concentram na direita, nas elites eclesiásticas, rurais, , jornalísticas, indústria e comércio. Tudo se concentrando nos mercados financeiros e de ações. Os jornais falam como se a única instituição com legitimidade e autoridade para gerir os destinos do país fosse os tais mercados. Descarta totalmente o voto e a vontade popular. Mantém um sistema político ultrapassado e que leva à impunidade e à desorganização proposital do Estado a fim de que os políticos comprometidos com essas elites posssam usufruir deste estado de incerteza e calamidade. A salvação está com o Lula e de modo diferente, sem ceder um milímetro aos seus ideais.

  3. Stanislaw: QUEDA DA DILMA... QUEDA DO TEMER... OU TROCA TROCA DE CORRUPTOS? disse:

    A diferença nas duas quedas, caro Kennedy, é que na da Dilma houve a influência das manifestações populares. Em ambas houve troca de membros de quadrilhas, digo, de partidos, dentro da lei quanto à ordem sucessória. Na primeira troca houve até carimbo posterior do Gilmar Mendes via TSE, digo, do TSE comandado por Gilmar Mendes. Ambas são trocas de 6 por meia dúzia com apoio do PSDB, de olho nas eleições de 2018.
    Na verdade estamos num mato sem cachorro: “se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. A única coisa certa nos dois momentos – impeachment da Dilma e queda do Temer, é o inimigo “interno” comum: a Lava Jato! E as quadrilhas estão unidas contra o inimigo “interno” comum. Azar do povo. Se fosse inimigo externo, o buraco seria mais embaixo. E a Lava Jato é “inimigo interno”. Mas, se a Lava Jato fosse “inimigo externo”! Quem não se lembra quando os inimigos eram os “comunistas”?!!!

  4. walter disse:

    Atualmente caro Kennedy, nada funciona em Brasília, é terra de alguns; só tem canalhas por metro quadrado, estão enredando o temer para conseguir, pilhar o país…não há consenso a favor do Brasil…não há de fato oposição, existe um grupo de parlamentares, que não ganharam com as empreiteiras, e outros até o pescoço, com acusações que surgirão…qual partido tem moral hoje para dizer alguma coisa, que fuja a mesmice???
    As reformas é a única saída do temer, precisa manter o PSDB, para manter o DEM…mesmo que passe incólume pela CCJ…terá o desafio inicial, de aprovar pelo menos a trabalhista, totalmente descaracterizada; tem que combinar bem, com o Maia traíra…infelizmente as “raposas felpudas” querem continuar a dar a s cartas; vão jogar sujo até o fim; apostam na queda…

  5. Analista Alpha disse:

    Finalmente as mentes do jornalismo começam a enxergar o que realmente aconteceu no Impeatchment. Foi derrubada uma Presidente eleita pelo voto, com desculpas esfarrapadas de artimanhas fiscais, como fazem todos os governos, e isso foi um GOLPE, arquitetado por quem manda no país, os empresários e industriais, a grande imprensa, através dos seus partido controlados, PSDB e PMDB.
    Eu gosto da Dilma? Sou PT por isso? Não, não gosto da Dilma, não sou PT, mas respeito o voto e acho muito valioso nosso voto, nossa opinião, para sre jogada fora pela vontade do empresariado.
    Derrubaram a Dilma para arquitetar essas reformas, que lesam o trabalhador, o assalariado, enquanto passa a mão na cabeça das mega empresas, industriais e bancos.
    Porém, inflamaram a popupalão nessa guerrinha idiota de esquerda/direita, que não passa de cortina de fumaça, o objetivo é disfarçar essas reformas como se fossem para o bem do Brasil, mas é para o bem das empresas e empresários.

    • walter disse:

      caro a dilma caiu por falta de condições básicas; total falta de conhecimento e articulação, independente da honestidade ou não, já que o caso de pasadena esta mal contado, e vai condena la no futuro próximo; por isso que ser senadora, para ganhar fórum privilegiado…nesta história sua conduta foi absurda do inicio ao fim, quando assinou um contrato sozinha, com pressa…nada e nem ninguém de bom senso, joga tanto dinheiro pela janela…estão tentando vender pasadena, que nem a “preço de banana”, aparece interessado…caiu de madura, não teria condições de continuar; veja que o temer sendo tão conhecedor da matéria não tem vida fácil,imagine a “coitada desprovida”…

      • Jonas disse:

        Falam tanto de Pasadena, mas ficam em silêncio quando o assunto é o campo de petróleo do Carcará, que vale 20 Pasadenas mas foi entregue pelo PSDB/PMDB por 10% do valor de mercado.

    • p/ Analista Alpha: LUGAR DE LADRÃO DE COFRE PÚBLICO É NA CADEIA! disse:

      Olha, Analista Alpha, o mais claro de tudo isso é que saiu uma quadrilha, entrou outra e, caindo Temer, entrará outra. Só há duas hipóteses do Brasil ter jeito: 1 – o povo alijar da vida pública todos os políticos corruptos (cerca de 90%, colocando gente nova) e indo para as ruas para exigir lei que puna com 30 anos de cadeia, como crime hediondo (progressão de regime só com 2/5 da pena em regime fechado), todo brasileiro condenado por roubar cofre público (qualquer valor); 2 – se o povo não conseguir isso, a volta dos militares, para colocar na cadeia todos os corruptos!

      • Marcelo disse:

        Também seria a troca de 6 por meia dúzia, de um grupo de corruptos por outros, ou você se esquece que o Sarney, Maluf, Ademar de Barros, Antônio Carlos Magalhaes, deram suporte e foram apoiados pelos militares.
        Nós, o povo, é que devemos lutar, é nossa responsabilidade!
        Não delegar isto a outros!

  6. Mauro C Andrade disse:

    1- O Temer não está inviabilizado de forma alguma, o PT sim faz de tudo para impedi-lo de governar.
    O único problema de Temer é Rodrigo Janot com sua armação porca e mal feita que deu inacreditáveis benefícios a criminosos da JBS contra o povo brasileiro.
    Temer tem menos problemas de gestão do que tinha Dilma, além de ser muito mais competente.
    2 – O Aécio não deveria ter aceitado a fraude nas urnas, ele teria vencido se o voto tivesse comprovante de votação.

  7. mano disse:

    prezados: A política brasileira está recheada de descendentes do estilo Domingos Calabar e Joaquim Silvério dos Reis. Acreditar em quê? No discurso atual do Ronaldo Caiado?; No nhemnhemnhem do FHC? No discurso da “esquerda” brasileira?; No discurso de direita do Bolsonaro?; No silêncio, falta de iniciativa e determinação da Marina?; No discurso isolado do Joaquim Barbosa? Aécio e Serra estão mortos! Alckmin está na UTI! Dória é uma incógnita! Lula é uma incógnita! Se Tiririca virar candidadto, de repente ganha!

  8. Fernando M.A. disse:

    No meu ver o maior problema não é exatamente derrubar o presidente, mas sim a ausência do quarto poder que existe no parlamentarismo que dá poder excessivo ao legislativo.
    Honestamente tanto o executivo como o legislativo estão igualmente na lama, sendo necessário primeiro uma renovação no legislativo para ter uma mudança no executivo, basicamente o chefe de estado dissolvendo o legislativo e o primeiro-ministro, convocando uma nova eleição.
    Agora sobre o plebiscito de 93, por mim ele já caducou, pois a compreensão pela população da diferença dos sistemas de governo é muito superior hoje do que foi na época, assim merecendo ao menos um novo grande debate nacional para definir o que é o melhor para o país.

  9. Robson Macedo Barreto disse:

    Caro Kennedy, como mero observador sou da opinião que os tucanos e seus financiadores do empresariado, diga-se fiesp e demais organizações patronais, viram uma espécie de “janela de oportunidades” para aprovar as tais reformas “modernizantes”, que na verdade prejudicam grande parte dos trabalhadores e beneficiam os empresários. Entendo que se forem aprovadas como propostas, as reformas vão enfraquecer enormemente o mercado interno, empobrecendo os trabalhadores e tonando a vida mais difícil para todos. Seremos um grade méxico ou uma pequena áfrica.

  10. Matheus Santos disse:

    Mas, desde o golpe contra Dilma, o país é infelizmente parlamentarista!

  11. Andre disse:

    O impeachment da presidente Dilma fez com que o pais caminhasse de vez para a falência do seu modelo de governo. Com a ascensão do Michel Temer se criou uma atrofia no executivo frente ao judiciário e o legislativo, vivemos hoje sobre um descarado semi-parlamentarismo, mas sem que tenha sido aprovado pela vontade popular. Logo após o impeachment da Dilma, vimos uma declaração eufórica do Roberto Freire, falando de que vamos para o parlamentarismo, agora o PSDB, alias o congresso inteiro já age como se fosse a câmara dos comuns. Há muita coisa agora para se pensar, mas diante disto tudo, acho que fica uma lição: Que independente de qualquer coisa que seja respeitado o resultado das urnas.

  12. […] É um erro o PSDB atribuir a Temer as suas dificuldades. Elas são resultado de erros de cálculo e de contradições dos tucanos. O PSDB não aceitou o resultado eleitoral de 2014 e deu início a uma série de movimentos que o levou à delicada situação em que se encontra hoje. […]

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados

Não serão liberados comentários com ofensas, afirmações levianas, preconceito e linguagem agressiva, grosseira e obscena, bem como calúnia, injúria ou difamação. Não publicaremos links para outras páginas devido à impossibilidade de checar cada um deles.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

 
2017-09-25 21:17:13