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Política
12-01-2018, 8h14

Sonhos presidenciais de Meirelles e Maia se enfraquecem

Rebaixamento de nota de crédito tem efeito político
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KENNEDY ALENCAR
SÃO PAULO

Não dá mais para colocar a culpa na gestão Dilma. O novo rebaixamento da nota de crédito do Brasil afeta a credibilidade da atual equipe econômica.

A Standard & Poor’s (S&P) rebaixou ontem a nota de avaliação de risco para investir no Brasil de BB para BB-. Isso significa que a agência de avaliação de risco norte-americana considera mais arriscado investir no Brasil. Agora, a S&P rebaixou a nota para três níveis abaixo do grau de investimento, que é a recomendação de segurança para colocar dinheiro num país.

A S&P é uma das agências de avaliação de risco que erraram bastante na crise mundial de 2008 e 2009. Não deveria ser levada tão a sério. Acontece que os investidores internacionais a levam a sério na hora de aplicar o dinheiro deles. E a S&P está correta ao dizer que a reforma da Previdência se arrasta no Congresso desde abril do ano passado, quando houve a delação de executivos da JBS.

Na verdade, já se arrastava desde 2016, porque foi uma estratégia deliberada do governo, que se mostrou equivocada, ir adiando a reforma da Previdência por insistir num texto draconiano, muito duro, que seria suavizado recentemente. Nem esse texto suavizado está conseguindo caminhar sem problemas. Há incerteza sobre a aprovação dessa reforma.

Outro impacto político é enfraquecer a eventual candidatura presidencial do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, pelo PSD. O novo rebaixamento da nota de crédito do Brasil reforça a percepção de que Meirelles está diminuindo o foco na economia e priorizando a ação na política.

Transmite uma imagem de que Meirelles e a chamada equipe dos sonhos, como foi batizada pelo mercado financeiro, não estão dando conta do recado e fracassando na sua missão principal, que é resolver a questão fiscal do país.

Lateralmente, essa notícia também afeta de forma negativa as movimentações presidenciais de Rodrigo Maia, presidente da Câmara. Se a reforma da Previdência fracassar, Rodrigo Maia (DEM-RJ) também perderá politicamente, porque tem sido um espécie de avalista perante o mercado financeiro de questões que demandam soluções do Congresso Nacional. A reforma da Previdência é hoje a principal dessas questões.

O novo rebaixamento da nota de crédito do Brasil também tornará mais dura a missão do presidente Michel Temer no Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça, no fim do mês. Esse fórum é sempre usado pelo Brasil como palco para atrair investimentos para o país.

*

Limonada federal

Apesar da notícia ruim, o presidente Michel Temer tentará fazer do limão uma limonada. Ontem à noite, a assessoria da Presidência da República divulgou nota na qual disse que o presidente “sempre contou com o Congresso Nacional para aprovar medidas necessárias e importantes para o país”.

O objetivo é usar o risco de maior dano econômico ao Brasil para pressionar os deputados e senadores a aprovar a reforma da Previdência. Nesse sentido, o novo rebaixamento da nota pode ajudar como mais um argumento de pressão a favor da reforma da Previdência e de projetos que diminuam gastos, como aquele que quer limitar os supersalários do funcionalismo que furam o teto constitucional.

Mas não há garantia de aprovação da reforma da Previdência. O medo do desgaste eleitoral tem pesado contra na avaliação de deputados. Há lobbies de servidores públicos que ganham altas aposentadorias, como juízes e procuradores, que desejam manter seu sistema previdenciário privilegiado e seus salários que furam o teto constitucional por meio dos chamados penduricalhos, que custam uma fortuna aos cofres públicos.

No Supremo Tribunal Federal, o governo foi derrotado no fim de 2017 por uma liminar do ministro Ricardo Lewandowski, que derrubou o adiamento do reajuste do funcionalismo público deste ano para 2019.

Numa hora em que se exige sacrifício de toda a sociedade para o Brasil enfrentar a questão fiscal, que é um problema grave, grupos privilegiados e mais ricos não querem ajudar a pagar conta.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
15
  1. BRAGA-BH disse:

    Na Republica tupiniquim das bananas, ‘se a farinha é pouca, meu pirão primeiro’!!!

    • walter disse:

      Caro Kennedy, este rebaixamento da Standard & poor´s, é precoce porém necessário; carregada por interesses internacionais é verdade; com esta idas e vindas, mais as nomeações confusas como esta da ministra prejudicada, gera mais incertezas; com tudo isso, a total falta de credibilidade, na aprovação retaliada da previdência, fica muito nebuloso..Quanto aos presidenciáveis esquece; este governo, na havia e não haverá qualquer chance a postulantes…com relação a dilma, será sempre conhecida, como a trapalhona de fato, vinculada aos caprichos do lula…quero esclarecer também caro, que uso um celular para as publicações, na hora que me é possível, já que não ganho para comentar e não tenho revisor; procuro ser isento, e realmente externar a minha visão dos fatos, com o máximo de minhas convicções; acontecem falhas na escrita mais não blefes carregados de inverdades e omissões; agradeço sempre vso espaço democrático; nosso objetivo é contribuir, na formação de opinião p/ o bem do Brasil..

      • Sebastiao Augusto Canabrava disse:

        Tambem uso celular e nao cometo estas gafes que vc comente, meu caro. Que isencao voce tem? Voce defende os tucanos desde sempre. Seus idolos sao Doria, Alkmim. Agora joga pedra em Aecio e Serra, mas ja’ os defenderam aqui com unhas e dentes. Se coloque, meu caro. Voce escreve como se fosse parceio/conselheiro do KA. Voce ta’ longe disso.

  2. e.venzke disse:

    E a tentativa de acabar com a regra de ouro que limita o poder de gastar do executivo, não influenciou?

  3. MARIO PERZ disse:

    Muito bom isto acontecer porque cai por terra as mentiras contadas pelo presidente e seu staff, alicerçado pela mídia brasileira mentirosa que quer passar para o povo brasileiro dados econômicos mentirosos, forjados, de que o pais está entrando nos trilhos!!

    • jurandir de j s disse:

      DEUS e maior que tudo e todos a palavra fala que não ha nada em oculto que não seja revelada a verdade atona vai aparecendo DEUS E TREMENDO ele não falha abençoada e a nação cujo DEUS e o SENHOR .

  4. Wellington Alves disse:

    Elites nunca querem pagar a conta. Por isso gritaram: não vou pagar o pato.

  5. Analista Alpha disse:

    “Na verdade, já se arrastava desde 2016, porque foi uma estratégia deliberada do governo, que se mostrou equivocada, ir adiando a reforma da Previdência por insistir num texto draconiano, muito duro, que seria suavizado recentemente. Nem esse texto suavizado está conseguindo caminhar sem problemas. Há incerteza sobre a aprovação dessa reforma.”

    É o governo mais burro desde o fim da ditadura. Nem o governo Sarney foi tão BURRO.
    Tivesse enviado uma proposta de reforma que mude radicalmente a previdência, mas para quem entra no sistema, já estaria aprovada faz tempo.

    Não adianta falar de cortar privilégios. Mesmo os privilegiados PAGAM PREVIDÊNCIA a 25, 30, 35 anos …. É um quebra de contrato, é uma insegurança jurídica…..
    Tanto defendem a tal segurança jurídica para empresas e empresários, mas e para os pagadores da previdência???
    E não adianta dizer que não afeta os pobres, AFETA SIM !!! Um motorista de 60 anos que contribuiu por 15 anos terá sua renda diminuída de 85, para 60%.

  6. Analista Alpha disse:

    “”Numa hora em que se exige sacrifício de toda a sociedade para o Brasil enfrentar a questão fiscal, que é um problema grave, grupos privilegiados e mais ricos não querem ajudar a pagar conta. “”

    Kennedy, não ficou claro qual o sacrifício TODA A SOCIEDADE está fazendo???

    A questão fiscal é de fato gravíssima, mas esse grupos privilegiados que cita (não estou entre eles, entendam bem) também são pagadores de impostos, e não aceitam serem apontados como causadores do problema, o que de fato não são.

    Há muito anos se fala de cortar os salários acima do teto, e até hoje quem fez tal proeza???

    Os privilegiados que cita, pagam previdência, pagam imposto de renda. A lei deve mudar para os novos, aqueles que ainda nada pagaram, e entrariam cientes do seu futuro.

    Tá errado mudar as regras do jogo, durante o jogo. Parem de apoiar isso, é um tiro no próprio pé.

    Todos apoiam a reforma, enquanto não forem alvo. Tá errado, estão dividindo a sociedade.

  7. Ricardo disse:

    Caro Kennedy, pare de ficar achando que a solução é alterar a previdência. Eu sou funcionário público e tenho descontado todo mês a parte da previdência. Os gastos do governo não são sérios. A própria previdência é desfalcada pelo governo federal com uso do seu dinheiro para outras coisas. Não fui eu quem causou os problemas na previdência e sim a falta de gestão, corrupção, uso indevido do dinheiro da previdência e muitos calotes de empresas grandes, times de futebol, fazendeiros, etc. Primeiro façam uma caixa específico da previdência, cobrem de quem deve, não tirem dinheiro da previdência para cobrir outros rombos, acabem com a corrupção e aí sim podemos começar a discutir alguma reforma que não seja prejudicial a quem já está no programa. Ou me devolvam todo o dinheiro que eu paguei e ficamos numa boa. Além do que pago plano de saúde particular, educação particular para os filhos e pago todos os impostos. Porque o Temer não revisa a aposentadoria dele que foi aos 50 anos?

  8. Ricardo disse:

    Porque o governo pode dar dinheiro a vontade para brecar as duas denúncias graves contra ele? Isso pode? Porque parlamentares ganham muito e se aposentam acima do teto do INSS? Isso pode? Porque temos mais de 200 mil assessores nas empresas federais sem concurso público, ganhado bem e não fazendo nada, só para satisfazer os partidos? Isso pode? Olha só quanta economia faria nestes pontos levantados. Pare de levantar a bandeira da reforma da previdência que via somente beneficiar as previdências privadas. Chega de smepre ouvir este mercado predador.

  9. ANDRE disse:

    Kennedy, a reforma atinge milhões de brasileiros que esperavam se aposentar contribuindo com 35 anos de contribuição e que receberiam um aposentadoria menor que o teto previdenciário. Estas pessoas são os privilegiados a que você se refere e que deveriam dar seu sacrifício pelo país? Os banqueiros com os bilhões que recebem pela dívida pública não são? Os militares de alta-patente e suas filhas solteiras, pela ótica também não seriam privilegiados? Os políticos, os ministros, os membros do judiciário também não seriam? Nos aposentaremos mais tarde para continuarmos a pagar as altas aposentadorias do Sarney, do Temer, do Gedel e de filhas de militares? Pois pelo que sei da reforma ela não retroage e nem mexe nas aposentadorias pagas atualmente. NÃO VOTAREI JAMAIS, EM QUE CIRCUNSTÂNCIA FOR, EM QUE VOTAR A FAVOR DESTA REFORMA.

  10. A maior burrice de um povo é colocar no poder pessoas que nunca viram não conhecem e pagando um salário de 33 mil reais e mais as mordomias que nunca irão ganhar na sua vida. E o pior para depois serem roubados pelos mesmos e o povo de donos passarem a ladrões. No dia que povo entenderem que políticos são funcionarios públicos irá acabar essa panelinha denominada de elite. Elite existe porque povo deixa. Políticos no Brasil (politiqueiros) usam o poder para seus meios de vida e ficarem milionários. E o povo burro engole que está numa democracia sendo obrigados a votarem. Meu lema para esses vagabundos é 000 CONFIRMA. Se um dia o Brasil tiver políticos de verdade quem sabe eu venha a votar.

  11. Analista Alpha disse:

    Qualquer um que queira se apresentar como presidenciável, candidato à cadeira, não pode apenas pensar em agradar o “Mercado”, prometer reformas que são contra a população.
    O “mercado” não vota, quem vota é o povo, o eleitor. O eleitor não quer saber de pagar ele e sua esposa, previdência por 30 anos, e no caso de um dos 2 ficar viúvo, não receber o que seu parceiro recolheu por 30 anos !!!!
    Será que um candidato é tão cego assim, tão burro? Quem vai apoiar uma reforma assim?
    Para onde foram os recolhimentos do parceiro????
    É apropriação do dinheiro do recolhimento suado, muitas vezes de uma vida.
    Isso não é reforma, é apropriação indébita.
    Cada vez que anunciam nova reforma da previdência, mais pessoas se aposentam com medo de perder seus recolhimentos, e maior fica o débito da própria previdência com pessoas que se aposentaram e poderiam continuar contribuindo por anos ainda, não é possivel que não enxerguem isso.

  12. Sebastiao Augusto Canabrava disse:

    Interessante. Somente o Sr Walter defendendo a reforma da previdencia. Com certeza nao e’ trabalhador.

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2018-04-27 03:54:06