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Política
17-07-2017, 10h53

Temer já ensaia discurso contra Cunha e Funaro

Governo avalia que delações tratariam de fatos anteriores ao atual mandato
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

O governo já prepara um discurso de defesa em relação às eventuais delações do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e do doleiro Lúcio Funaro. No Planalto, auxiliares de Temer avaliam que Cunha e Funaro fariam revelações sobre fatos anteriores ao mandato de Temer. Portanto, não poderiam ser investigadas agora. Valeria a imunidade presidencial para atos exercidos durante o mandato.

Já a Procuradoria Geral da República se prepara para usar o argumento de que fatos anteriores ao mandato que tenham conexão com o atual termo presidencial poderiam ser investigados agora.

Haverá uma guerra entre governo e Ministério Público sobre a possibilidade de usar essas delações para ferir Temer. Seria preciso a revelação de algum ato cometido no exercício do mandato presidencial ou ligado a esse período.

*

Batalha na Câmara

O governo tem planos A e B para enfrentar a batalha marcada para 2 de agosto. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), marcou essa data para tentar votar a autorização a fim de que o STF (Supremo Tribunal Federal) examine a denúncia feita pela procurador-geral da República, Rodrigo Janot, contra o presidente Michel Temer.

Nos bastidores, o plano A considera importante votar em 2 de agosto e não deixar essa ameaça engavetada na Câmara. O governo crê ter votos para impedir a autorização.

Hoje, o Palácio do Planalto trabalha com uma planilha em que haveria a promessa de 262 votos contra o prosseguimento da denúncia de Janot. Articuladores de Temer acreditam que, com uma quebra, poderiam obter cerca de 240 votos. Nas contas do governo, a oposição e alguns dissidentes de partidos aliados poderiam atingir 170 votos. E um grupo de aproximadamente 100 deputados acabaria se ausentando, algo positivo para o governo.

Mas há um problema nesse plano. Ainda que tenha 262 votos, o governo precisaria da presença da oposição em plenário para obter o quórum de 342 deputados. Esse é o número para dar início à votação, o que interessa ao governo, e para dar a autorização ao STF a fim de examinar a denúncia, o objetivo da oposição.

No entanto, se a oposição não quiser votar, o governo terá dificuldade para matar a primeira denúncia em 2 de agosto.

Nesse caso, seria acionado o plano B: acusar a oposição de obstruir para enfraquecer o governo e, por consequência, a capacidade do Palácio do Planalto de votar a reforma da Previdência. Se não houver quórum para votar a autorização em 2 de agosto, deputados da base do governo vão fazer um discurso dizendo que a oposição fugiu do plenário a fim de causar dano econômico ao país, apostando na crise política.

Os aliados de Temer dirão que, se a oposição quiser deixar o tema engavetado até o fim de dezembro de 2018, isso seria bom para o presidente. No fundo, o governo sabe que seria ruim essa matéria não ser votada, mas tentará jogar para a oposição a responsabilidade por eventualmente não apreciar no início de agosto a autorização em relação à primeira denúncia.

Há integrantes da oposição dizendo que aguardar o melhor momento para votar, que seria antes da saída de Rodrigo Janot da Procuradoria Geral da República, marcada para 17 de setembro. Por essa estratégia, opositores poderiam esperar uma segunda denúncia do Ministério Público contra o presidente a fim de criar mais desgaste para o governo.

Se surgirem fatos novos até o início de agosto, como delações de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, e do doleiro Lúcio Funaro, adversários do governo poderiam querer ir a voto no próximo dia 2 ou aguardariam mais algumas semanas, se isso provocar maior dano ao governo.

A oposição tem dito que cabe a Temer, com base parlamentar maior, a responsabilidade por buscar o quórum necessário para votação desse tema.

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Concessão federal

Na volta do recesso parlamentar, o governo deverá dizer que fez a sua parte, enviou o projeto ao Congresso e aprovou o relatório da reforma da Previdência na comissão especial da Câmara.

Se os deputados quiserem aprovar apenas a idade mínima de aposentadoria de 65 anos para homem e de 62 anos para mulher, o governo se daria por satisfeito.

Ou seja, não vai brigar para aumentar o tempo de contribuição mínimo de 15 anos para 25 anos. Com essa concessão, o que eleva a chance de a reforma passar na Casa.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Assista aos temas do “SBT Brasil”:

Comentários
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  1. walter disse:

    caro Kennedy, não há o que ensaiar contra o Cunha, já que o Michel, esta fazendo exatamente o que o dito cujo queria; privilegia o centrão, com cargos, benesses e verbas gordas…quem conhece o cunha sabe que “burro” ele não é, e nem o temer…estão somando neste momento…infelizmente neste País, falta sintonia final…muito provavelmente fará algumas citações sobre o presidente, mas sem provas cabais, que certamente possui…o cunha sabe que vai sair daqui a pouco da cadeia, devolvendo um pouco do arrecadado; tem muito a falar e muitas delações a fazer dos infiéis…quanto a Funaro, mais um caso que precisará de provas; depois do homem da mala, nada mais pode assustar; quem sabe o palocci, mas até aí, ganhará tempo…o mesmo vai delatar o mundo…até aqui, esta tudo dominado e nada mudará agora…precisamos da previdência…

  2. DIRETO AO ASSUNTO: ISSO É UMA VERGONHA! disse:

    Plano A, plano B, etc etc etc: planos para não ser indiciado, processado, julgado, perder o cargo, ir para a cadeia etc – mas não para Fernandinho Beira Mar, Marcola, Sergio Cabral, Eduardo Cunha, Paulo Maluf e coisas afins: planos para livrar o PRESIDENTE DA REPÚBLICA EM EXERCÍCIO! E, o pior, há planos semelhantes para proteção do ex-presidente Lula, ex- presidente Dilma, senador Aécio, senador Renan, senador Jucá, e uma infinidade de gente do cenário político nacional! Até quando tanta falta de vergonha na cara? E embrulha o estômago ainda ter que ver alguns comentaristas políticos na televisão dando “risadinhas”, fazendo chacotas, pilhérias, como se tais vergonhas não devessem ser comentadas, se não com indignação, pelo menos com seriedade. Afinal “muito riso é sinal de pouco siso”. Ou os bandidos travestidos de “representantes do povo” contaminaram parte da imprensa? Só aos programas humorísticos cabem piadinhas, chacotas sobre tanta roubalheira aos cofres públicos!

  3. DIRETO AO ASSUNTO: TEM JORNALISTA QUE "VIROU A CASACA E RODOU A BAIANA " QUANDO A LAVA JATO COMEÇOU A ATACAR CORRUPTO DO PMDB, PSDB ETC ETC ETC; disse:

    Enquanto a Lava Jato se empenhava em combater a corrupção atingindo apenas a quadrilha formada por gente do PT, muitos jornalistas apoiavam o Ministério Público Federal e a Polícia Federal. Foi só a Lava Jato mostrar que não estava perseguindo a quadrilha formada por membros do PT, mas sim todos os corruptos, fossem do PMDB, PSDB etc etc etc, que alguns jornalistas começaram a criticar o MPF, a Polícia Federal etc etc etc. Tem um jornalista então, figura ridícula, um tal de ronaldo não sei das quantas, ou coisa parecida (nem interessa saber o nome, de tão ridículo que é), que fica “histérico” quando fala da ação dos agentes do MPF e PF. É uma pena, pois a mídia é muito importante quanto ao apoio ao combate à corrupção, pois o país está numa situação crítica moral, política e economicamente falando, e a grande razão é, sem dúvida, a corrupção.

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2017-09-25 21:14:54