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Política
13-04-2017, 8h04

Temer se agarra a agenda econômica para enfrentar Lava Jato

Governo está ciente do dano de imagem que sofreu com lista de Fachin
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

O presidente Michel Temer está ciente do dano de imagem que o governo sofreu com a lista de Fachin, que atinge quase um terço do ministério e ele próprio, que não pode ser investigado devido a uma imunidade temporária. A avaliação do presidente é que o governo precisa se agarrar à agenda econômica para enfrentar o dano político causado pela Lava Jato.

Ontem, houve queda novamente da taxa básica de juros. A inflação também está em processo de forte redução. O governo não tem outra saída: se perder o controle de sua base de apoio no Congresso e as votações forem paralisadas, a economia voltará a piorar e o governo Temer fracassará, porque perderia o forte apoio que possui hoje do empresariado e do mercado financeiro.

Nesse contexto, Temer marcou um café da manhã na próxima terça-feira, dia 18, com líderes partidários na Câmara a fim de que o relator da reforma da Previdência, Arthur Maia (PPS-BA), apresente o texto final que será votado pela comissão especial.

Temer quer fechar na terça que vem o acordo com a Câmara para votar um texto de reforma da Previdência que inclua as concessões já negociadas e que possa ser aprovado com rapidez pela Comissão Especial e o plenário da Casa. A suspensão das votações ontem na Câmara e no Senado serviu de alerta ao governo.

Perto dos feriados, já ocorre um esvaziamento natural do Congresso. Mas a pausa de ontem foi também uma decisão estratégica para tentar esvaziar a enorme repercussão da divulgação dos vídeos dos delatores, que têm causado enorme dano aos principais partidos, com destaque para PT, PSDB e PMDB.

Se o Palácio do Planalto não coordenar uma reação da sua base de apoio na Câmara, a reforma da Previdência correrá risco. O próprio relator da reforma, Arthur Maia, está na lista de Fachin e responderá a inquérito no Supremo Tribunal Federal.

Nesse café da manhã da próxima terça, o relator da reforma trabalhista na Câmara, Rogério Marinho (PSDB-RN), também deverá apresentar a sua proposta. Essa reforma é um desejo do empresariado.

*

Reforma política

De imediato, o impacto da lista de Fachin tende a inviabilizar as propostas de eleger deputados federais, deputados estaduais e vereadores pelo voto em lista fechada, aquele no qual o eleitor vota no partido e não no candidato.

Essa nova fase da Lava Jato exigirá mais transparência na relação entre eleitor e candidato. O voto em lista favorece políticos em apuros que querem obter foro privilegiado.

Aquela ideia recorrente de anistia ao caixa 2 também tende a cair por terra, diante da quantidade de acusações de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e formação de cartel que atingem políticos de diversos partidos. Nesse tiroteio, há espaço para discutir o fim da coligação proporcional, aquela regra que permite que os votos dados a um partido e a um candidato acabem indo para outra sigla e elegendo outro político.

Haverá esforço dos grandes partidos para aprovar uma cláusula de barreira, que exigiria um desempenho nacional mínimo das legendas em termos de votações num determinado número de Estados a fim de que tenham acesso ao fundo partidário e a tempo de propaganda na TV e no rádio, além de benefícios no Congresso.

Essas duas medidas ajudariam a reduzir a fragmentação partidária e a criação de partidos de aluguel.

Será difícil aprovar a volta do financiamento empresarial para campanhas políticas. Ou ele viria com regras duras, como exigir que a empresa contribua apenas para um partido e com valor pequeno, ou crescerá o debate sobre aumentar formas de financiamento público misturadas às contribuições eleitorais de pessoas físicas, regra aplicada nas eleições municipais do ano passado.

Os políticos criticam essa regra, mas talvez tenham de se adaptar a uma nova realidade para fazer campanhas mais baratas e mais limpas.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Três pesos e três medidas! disse:

    Ele só não está sendo investigado porque a Constituição não permite que o Presidente em exercício seja investigado por fato ocorrido “antes” do período em que está como Presidente! “Na hora da pedida, ele saía da mesa”, e o Padilha entrava em ação e fazia a pedida, contou o Marcelo Odebrecht! Que vergonha”! O país mergulhado num lamaçal de corrupção – e todo mundo dizendo que é “inocente”!
    Na verdade o que essa gente fazia eram “extorsões” (concussões se funcionário público). Usavam na pedida a expressão “expectativa de tantos milhões”, para definir o quanto “queriam”. Isso é “extorsão ou concussão”!
    É exatamente como são enquadrados todos os policiais militares, civis, rodoviários, fiscais da receita etc que são condenados por receberem dinheiro de suas “vítimas”! Por que esses governantes e políticos também não são enquadrados igualmente? Um peso para presidente, um peso para políticos e governantes, um peso para funcionário público concursado!

  2. Wellington Alves disse:

    A solução é esse golpista renunciar, haver outra eleição, mesmo que indireta, e fazermos reformas apenas em 2019. Esse governo e congresso não tem moral para reformar nada.

  3. sidney disse:

    Este governo golpista e sem legitimidade tem de cair.
    Quem tem pagar a reforma dos previdência são os empresários, novas fontes de custeio que não incida sobre a folha de pagamento. Alicotas sobre o faturamento de eventos desfiles de escolas de sambas e show como Rock in Rio, comercio eletrônico, jogos, agronegocío, extração de minérios, legalização de jogos e de algumas drogas, pedagios das rodovias, taxação de igrejas, fim de todas as isenções, essas são apenas algumas formas de aumentar a arrecadação.

  4. Marcos disse:

    Como um número tão grande de pessoas citadas em envolvimento na corrupção podem estar a frente de reformas da previdência/trabalho e política, esta muito claro que estes políticos não estão defendendo nenhum interesse do povo, sempre deixando de fora setores privilegiados, para uma futura análise e cerceando os direitos do povo trabalhador. Esta muito claro que com a Reforma da Previdência o trabalhador será amplamente afetado, porque não se inicia uma reforma cobrando as grandes empresas que devem ao INSS? Ou melhor como pode 1 milhão de pessoas do setor público/militares serem responsáveis por 70 bilhões da conta da previdência, enquanto o restante dos trabalhadores da rede privada 28 milhoes são responsaveis pelos outros 70 milhões, esta conta esta muito mal equilibrada.

  5. roque silva filho silva disse:

    Gostei da sua matéria e assisto algumas reportagens suas na televisão, mas o que eu acho é que precisamos passar o Brasil a limpo como diz nosso colega Boris Casoy! O problema do nosso país não é estritamente econômico mais político. Um forte abraço

  6. Jonas Moreira disse:

    Apesar da redução da taxa Selic, o Brasil se mantém firme no PRIMEIRO lugar do ranking como o melhor pagador de juros reais do mundo. Alguma dúvida, veja abaixo várias formas de cálculo.

  7. Carlos/SP disse:

    BRASILEIROS: Temos que manifestar na frente do Congresso Nacional, pedir a dissolução de todo o Congresso, pedir o impeachment do Temer, novas eleições para todos os cargos, a inserção na Constituição da Pena de Morte e Prisão Perpétua para todos os crimes hediondos, inclusive para qualquer tipo de corrupção, fim do foro privilegiado e a paralisação das reformas até a mudança de todo o Congresso Nacional!!! Mas tudo sob o Regime Democrático e sem violência!

    • Stanislaw p/Carlos: CHEGA DE LADRÃO DE COFRE PÚBLICO TRAVESTIDO DE REPRESENTANTE DO POVO! disse:

      Concordo com você em alguns pontos. Uma Assembléia Constituinte para fazer uma reforma política, seria o ideal, pois esse Congresso cheio de bandidos não pode de maneira nenhuma fazer reformas de nenhuma espécie. Após a reforma política e as eleições de 2018, aí sim, com um novo congresso se fariam as reformas necessárias, como as da previdência, tributária, trabalhista etc. Foi culpa do Temer a inviabilização das reformas no seu governo, pois encheu os ministérios com as piores figuras do cenário político, escolheu os mais corruptos para a maioria dos cargos, demonstrando claramente seu apego ao que não presta!
      Quanto à prisão perpétua para corrupto seria o ideal, mas com uma condição: que cumprissem suas penas trabalhando, em penitenciárias agrícolas, para produzirem seus próprios sustentos! O povo não suporta mais pagar impostos para sustentar esses políticos e governantes vagabundos que, além de viverem suntuosamente à custa do suor do povo, ainda roubam os cofres públicos!

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2017-10-18 11:07:37