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Política
14-07-2017, 8h25

Temer vai ao STF questionar fatiamento de Janot

Presidente considera que novas denúncias seriam chicana do MP
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

A defesa do presidente Michel Temer apresentará recurso ao STF (Supremo Tribunal Federal) para argumentar que o fatiamento de denúncias seria ilegal e uma chicana praticada pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Temer avalia que derrubará a primeira denúncia de Janot na Câmara, mas quer evitar a apresentação de outras acusações.

O presidente alegará que há um conjunto único de provas e evidências. Sustentará que Janot não poderia fatiar as acusações, mas apresentar as diversas acusações por crime comum numa única peça e que estaria fazendo uma guerra processual desleal e de má-fé.

O Ministério Público busca novas delações a fim de acrescentar novidades à investigação que nasceu a partir das colaborações dos donos da JBS justamente para tentar rebater eventual contestação do governo. Haverá um round jurídico antes em relação a essas novas denúncias.

O governo sabe que, se a Câmara tiver de repetir todo esse processo da CCJ e votar novas denúncias em plenário, aumentará o risco de uma derrota de Temer e crescerá a chance de o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), assumir o governo. Temer tem dado mostras de que lutará com todas as armas para ficar no cargo até o fim do ano que vem.

*

Fôlego na guerra

A vitória ontem na CCJ da Câmara fortaleceu Temer para a batalha decisiva na Câmara, sinalizando que ele deverá conseguir derrubar o pedido de autorização para que o Supremo analise a primeira denúncia do procurador-geral da República. O presidente reverteu em poucos dias uma derrota que era dada como certa.

Na segunda-feira, o relatório de Sérgio Zveiter provocou um enorme dano à estratégia política do presidente. O governo usou a máquina, distribuindo cargos e verbas. Fechou com partidos do centrão e deixou o PSDB de lado. Temer articulou diretamente a reação. Falou por telefone e recebeu pessoalmente dezenas de deputados.

Ao contrário da presidente Dilma, Temer conhece o Congresso e mostrou poder de reação na hora em que precisava. Ganhou fôlego.

Mas foi uma derrota pontual a marcação para 2 de agosto da votação para o plenário da Câmara analisar o parecer da CCJ. O governo queria votar na próxima segunda-feira. Estava tentando convencer o presidente da Câmara a abrir a sessão para discutir o tema com a presença da maioria absoluta dos 513 deputados. Ou seja, com 257 deles em plenário.

Rodrigo Maia não topou. Insistiu que o número para debater o tema é um quórum qualificado de 342 deputados, dois terços da Câmara. O governo, então, mudou de estratégia. Passou a dizer que a responsabilidade para atingir o quórum é também da oposição.

Se a oposição obstruir e não aparecer, o Palácio do Planalto considera que o tema pode ficar engavetado. Mas o mais provável é que haja o embate no dia 2 de agosto e uma decisão seja tomada. Não interessa ao governo deixar esse tema insepulto.

Hoje, a tendência é vitória de Temer, salvo um fato novo que cause impacto na estratégia do governo. Sempre que o governo ganha fôlego, surge uma notícia negativa para administrar.

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PSDB em baixa

A presidente do STF, Cármen Lúcia, rejeitou um pedido da oposição que sustentava a tese de obstrução de Justiça. Temer jogou dentro das regras do Congresso. Outros governos também trocaram integrantes da CCJ em momentos de votações importantes.

Há outra diferença em relação a Dilma e ao PT: Temer e o PMDB exercem o poder na defesa dos seus interesses. Têm maior capacidade de sobrevivência política e de reação à Lava Jato e ao Ministério Público. É fato notório.

Temer contou até com a ajuda do senador Aécio Neves, que trabalhou para que um deputado tucano Paulo Abi-Ackel, de Minas, fizesse o relatório favorável a Temer que acabou aprovado. Nesse episódio da primeira denúncia de Janot, o PSDB tem ficado mal na foto.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
6
  1. mano disse:

    prezados: Para resolver o problema da ficha limpa e viabilizar as candidaturas dos políticos à presidente da república, o congresso aprova projeto de lei de emenda à constituição para permitir que o presidente eleito possa governar da cadeia. Se o presidente tiver nível superior, o gabinete será em cela especial. Como este projeto atende a grande maioria, vai passar folgado, e tudo vai dá certo!

  2. mano disse:

    prezados: O Brasil precisa inovar em matéria penal e permitir que o presidente da república possa governar usando tornozeleira eletrônica. É melhor mandar prender o presisdente e deixá-lo governando com restrições do que deixá-lo solto, mas recheado de denúncias de corrupção e sem restrições.

  3. Edgard Esteves disse:

    …e vergonha na cara, nenhuma…..

  4. walter disse:

    Acho Válido caro Kennedy, questionar o fatiamento do Janot, mas nesta altura não faz diferença ao Temer, esta mais forte, e precisa continuar a batalha do inicio do més de agosto…tratando se de tantos deputados, para sair definitivamente da encrenca, este deve se ser seu alvo…quanto ao Aécio, não podia ser diferente, em contribuir com o segundo relatório, que por tabela o engradece diante de toda crise que vive…se o temer acreditar em suas cartas, pode aproveitar se, e já promover a próxima aprovação, que sabe da previdência, se reunir tantos deputados a seu favor…quanto a dilma e o PT caro na época de hecatombe, foram desordenados com relação, quanto a maquina pública, por pura ignorância e falta de coordenação interna; ouviu se todos do partido e ninguém com capacidade de articulação técnica; junte se a isto o tempo…

  5. Jonas disse:

    É revoltante ver a hipocrisia da classe média que esbravejava e ia às ruas “contra a corrupção” mas agora fica em silêncio quando o Temer e o PSDB estão atolados até o pescoço na corrupção e todos os direitos da própria classe média são confiscados de forma cruel.
    Hoje eu tenho nojo do Brasil. País maldito que nunca vai dar em nada porque o povo é burro e a “elite” é a escória da sociedade.

    • Stanislaw p/Jonas. disse:

      Realmente dá nojo, Jonas, diante do monte de vermes podres em maioria no Executivo, Legislativo e Judiciário. Fedem a coisas podres, em decomposição, literalmente. Não adianta querer tapar o sol com a peneira! Há gente boa mas em minoria que não consegue prevalecer pois corre muito dinheiro para a manutenção do poder nas mãos dos “lixos”. Não bastasse isso uma mídia também corrompida, com raras exceções, também amarrada pelo poder do dinheiro. Houve um impeachment para tirar uma quadrilha do poder, todos viram, com muita dificuldade, com “os podres do judiciário” tentando defender a quadrilha que saiu. No final a quadrilha saiu, mas entrou outra. Só mudou a quadrilha, continuamos nas mãos de bandidos. E os podres do judiciário continuam apoiando os bandidos da quadrilha que entrou. Em que pesem os Sergios Moros Brasil afora, heróis de uma resistência valorosa. Se o povo não tomar posição e apoiar firmemente a Lava Jato, acho que no final “a cobra vai fumar” – como última opção!

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