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22-08-2015, 8h00

100 cartas que revelam a intimidade de grandes personalidades

Instituto Moreira Salles digitaliza acervo de correspondência pessoal de nomes ligados a artes e história
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DANIELA MARTINS
BRASÍLIA

Quase não trocamos mais cartas no mundo atual. As redes sociais e os e-mails tomaram esse espaço. Há inegável praticidade na agilidade das novas mídias, que nos permitem conversar em tempo real. O serviço postal ficou reservado para o envio de documentos e objetos.

No entanto, basta a leitura de algumas das 100 cartas que compõem o acervo do “Correio IMS” para que a nostalgia chegue com força e mostre que a tecnologia moderna pode ter nos facilitado a vida, mas a objetividade de um e-mail jamais conseguirá substituir o emaranhado de informação e sentimento que uma carta pode conter.

As cartas são muitas, os temas são diversos. Estão reunidas num site lançado no dia 11 de agosto pelo Instituto Moreira Salles.

É um prazer e uma pequena aventura se debruçar sobre textos íntimos, emocionados, pessoais, de personalidades tão distantes como a Imperatriz Leopoldina, que, na virada de 1815 para 1816, ainda na Áustria, aos 17 anos, pede ao seu anjo da guarda que lhe encontre um marido que goste de mineralogia e que a ajude a controlar sua paixão por pudins e bolos. No ano seguinte, seu casamento com o príncipe herdeiro de Portugal seria arranjado e ela viajaria para o Brasil.

Se fosse escrita hoje em dia, a linda carta do escritor Otto Lara Resende para o historiador Francisco Iglésias, enviada em 1988, poderia ter sido apenas um e-mail objetivo pedindo uma pesquisa sobre o café na região de Minas Gerais. Mas Otto acaba utilizando muitos parágrafos para refletir sobre o falecimento recente do grande amigo Hélio Pellegrino, que o havia devastado emocionalmente.

Outra boa leitura é a correspondência entre Maury Gurgel Valente e Clarice Lispector. É uma pista da admiração que a densidade da escritora causou naquele que viria a ser seu marido. Em 1941, Maury responde a uma carta enviada por Clarice: “Confesso que, à medida que eu ia lendo, fui ficando pequenino, pequenino”, “Aquela carta não foi para mim, foi um panfleto dirigido a toda a humanidade”.

Forte é a breve recomendação escrita por Rubem Braga a seu filho, na véspera de sua morte. O escritor indica qual gostaria que fosse o destino de suas cinzas e pede ao final: “Agradeça a quem pretenda qualquer disposição em contrário, por mais honrosa que seja, mas não ceda aos símbolos da morte, que assustam as crianças e entristecem os adultos. Viva a vida”.

A correspondência oferece a possibilidade de conhecer as pessoas reais por trás das personalidades famosas da literatura, da música e da história.

Nessa comparação inevitável entre a linguagem contemporânea abreviada e corrida das redes sociais e o tempo mais elástico e sem imediatismo das cartas, não deixa de ser interessante que o suporte que nos permite ter acesso a toda essa coleção seja justamente a internet.

O site oferece várias possibilidades de navegação. As cartas podem ser pesquisadas por ano, pelo remetente, destinatário ou por temas, entre os quais saudade, ciúmes, amor, amizade, literatura, poesia e outros. Visite o site sem pressa e aproveite.

Comentários
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  1. César disse:

    Eu fico imaginando, se nós tivéssemos acesso aos e-mails da Presidente Dilma Rousseff, que foram alvo da espionagem da CIA. Facilitaria muito as investigações, que estão em curso. Muitas coisas poderiam ser esclarecidas.

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