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Entrevistas
10-12-2014, 9h12

434 pessoas morreram ou desapareceram na ditadura

Pedro Dallari diz que Comissão da Verdade proporá mecanismo para descobrir mais vítimas
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Coordenador da CNV (Comissão Nacional da Verdade), o advogado Pedro Dallari afirma que 434 pessoas desapareceram ou foram mortas durante a ditadura militar de 1964. Esse é o número oficial que a CNV apontará no relatório final que apresentará em 10 de dezembro, o Dia Internacional dos Direitos Humanos.

Dallari defende que os chefes militares de 1964 reconheçam os erros da ditadura, o que eles se recusam a fazer. Ele diz  que houve uma política de Estado de “violação dos direitos humanos”. A CNV vai propor a criação de uma “Comissão de Seguimento” para continuar a tentar descobrir o paradeiros de perseguidos e um maior número de mortos e desaparecidos.

Segundo Dallari, esse número de mortos e desaparecidos (434) é “subestimado”, porque se refere “às organizações urbanas ou políticas ou, no caso à guerrilha do Araguaia”. Não foram considerados “os mortos entre camponeses, entre trabalhadores rurais”, declara.

A Secretaria de Direitos Humanos da Presidência trabalhava com um total de 362 mortos ou desaparecidos na ditadura. A CNV chegou a apontar 421 vítimas. Agora, Dallari fechou o número para o relatório final: 434.

Houve um forte repressão sobre índios, acrescenta o coordenador da CNV. Dallari afirma que a Comissão da Verdade proporá a criação de um organismo para dar seguimento às investigações sobre mais mortos e desaparecidos. “A Comissão [da Verdade] vai propor o que a gente chama de Comissão de Seguimento.”

Professor de Direito Internacional da Universidade de São Paulo, Dallari defende a revisão da Lei da Anistia de 1979, seja por uma reinterpretação do STF (Supremo Tribunal Federal) ou por uma mudança via Congresso Nacional. Apesar de a CNV não ter poder de punição, pode recomendar penalidades.

“O aspecto mais importante do relatório é mostrar que as graves violações de direitos humanos que ocorreram no Brasil no período da ditadura militar não foram fruto da ação de alguns indivíduos isoladamente. Houve uma política de Estado praticada pelo governo brasileiro, a partir do gabinete da Presidência da República, que estabeleceu como diretriz a eliminação dos opositores políticos de uma maneira sistemática, com uso de tortura, execuções, desaparecimentos forçados. E as cadeias de comando de toda essa estrutura que conduziu a esse quadro de horror vão ficar expostas com muita nitidez no relatório”, afirma.

Dallari considera que houve casos de terrorismo de Estado, como o famoso episódio do Riocentro. “O regime quis explodir uma bomba no Riocentro. E o atentado teria vitimado ali milhares de pessoas que lotavam aquele local. Ora, isso é terrorismo de Estado.”

“Nós vamos propor é que haja a responsabilização criminal, civil e administrativa daqueles autores que deram causa às graves violações dos direitos humanos pelas instituições competentes”, diz Dallari, que avalia que as Forças Armadas não contribuíram para o trabalho da CNV como poderiam.

Para Dallari, as Forças Armadas deveriam reconhecer as violações aos direitos humanos: “Pelo menos, não neguem”. Na avaliação do coordenador da CNV, os comandantes da Marinha, Exército e Aeronáutica deveriam reconhecer “que houve graves violações, que as Forças Armadas deram causa a isso, foi incorreto, que não deve ocorrer nunca mais”. Dallari diz que “isso é que consolida a superação desse processo”.

Indagado sobre sua maior surpresa na coordenação da CNV, Dallari respondeu: “O grau de organização, de sistematicidade da tortura e da repressão. Hoje a gente fala muito em política públicas, políticas de saúde, política de esporte. Pois bem, havia uma política pública de violação de direitos humanos. Isso, pra mim, na escala que ocorreu, foi realmente muito impactante”.

Pingue-Pongue

Getúlio Vargas: “Ainda é a grande referência de políticas sociais no Brasil”.

João Goulart: “É um jovem. A impressão que eu tenho é que amou muito o Brasil. Na sua renúncia, fez um gesto de amor ao Brasil ao evitar uma guerra civil”.

Castello Branco: “Não tenho uma boa impressão do Castello. Muitas vezes, é glorificado como uma figura menos dura ou menos raivosa da ditadura, mas ele é o precursor de tudo”.

Costa e Silva: “Esse é a linha dura. Ele é realmente aquele que acaba materializando com o AI-5 a institucionalização do terror”.

Médici: “Esse, então, surfou de um lado nesse quadro institucional de terror e, de outro lado, no sucesso econômico, do milagre brasileiro, para promover o período mais difícil do ponto de vista de direitos humanos no Brasil”.

Geisel: “É uma figura ambígua, porque ao mesmo tempo ele tem clareza da necessidade da transição e da redemocratização como algo inevitável. Por outro lado, a forma como ele lida com as graves violações é baseada não em princípio, mas no cálculo político. Tanto é que houve ainda graves violações em seu governo”.

Figueiredo: “Foi uma figura, assim como Castello Branco, que aparece em um contexto, aparentemente, mais democrático. Mas nós temos de lembrar que Figueiredo foi, nos governos anteriores, um homem do setor de segurança. Foi, inclusive, chefe do SNI (Serviço Nacional de Informações).. Portanto, com grande envolvimento na violações de Direitos Humanos.

Tancredo Neves: É um sábio da política brasileira. Nesse sentido, é uma figura para ser reverenciada. Esteve ao lado de Getúlio nos últimos dias. Esteve ao lado do Jango nos últimos dias. Foi uma figura indispensável na transição política. Mas é, por outro lado, uma figura que expressa muito essa cultura da transição negociada no Brasil.

José Sarney: É uma figura ambígua, ao meu critério. Por um lado, é um homem que viveu a ditadura com certo protagonismo. Tem uma presença no Nordeste do Brasil e no Maranhão muito caudilhesca, se nós analisarmos a história. Mas, do ponto de vista da democracia no Brasil, da redemocratização no Brasil, teve um papel importante. É o presidente que, junto depois com o presidente Itamar no processo do impeachment, de certa maneira, é associado à consolidação da democracia no Brasil, assim como Fernando Henrique é associado à ideia da estabilidade da economia. E Luiz Inácio Lula da Silva, ao resgate da vida social. Portanto, o país teve uma sequência de presidentes da República que promoveram mudanças importantes na vida do país.

Dilma: Eu gosto muito da Dilma. Talvez porque eu sempre tenha trabalhado com mulheres. Fui ligado politicamente à Luiza Erundina a vida inteira, a minha candidata. E uma coisa a favor da presidenta que eu devo dizer: a CNV nesse período todo jamais sofreu nenhuma ingerência por parte da presidenta da República. Nenhuma. Nós tivemos estrutura pra trabalhar. Tivemos apoio. Tenho clareza de que o enfrentamento que nós fizemos de temas muito difíceis em alguns momentos pode ter deixado o governo em situação delicada. Em nenhum momento, houve qualquer tipo de ingerência, o que não foi comum nas Comissões da Verdade espalhadas pelo mundo. Muitas das Comissões da Verdade eram constituídas por presidentes para investigar os seus antecessores e eles punham controle na Comissão. Isso nunca ocorreu no Brasil. É algo que deve ser registrado.

Veja a íntegra da “Entrevista da Semana” ao SBT:

Comentários
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  1. Fernanda Lopes disse:

    E as pessoas que morreram pelas mãos dos guerrilheiros?
    Onde estão os números, onde estão as indenizações para essas famílias e para essas pessoas?
    Onde está a verdade, que só contabiliza um lado?

    • Iria disse:

      As pessoas que fizeram isso, foram julgadas e condenadas, alguns foram anistiados e outros foram mortos. Ninguém do lado contrário ao regime militar ficou impune. Muitos não concordam com a anistia que veio posteriormente mas os militares a assinaram para que pudessem ficar impunes.

  2. JC Tavares disse:

    É o Brasil sendo passado à limpo. Essa investigação jamais seria possível em um governo tucano,por exemplo. Parabéns a Dilma e a CNV.

  3. Anafilófio disse:

    É, os esquerdistas que lutaram contra o regime, que mataram agentes da ditadura, militares, que sequestraram, etc., de fato foram punidos com prisão, tortura e/ou morte e/ou desaparecimento à época, alguns, não todos. Uma pequena parte rouba até hoje, alguns estão presos, exceções, claro, Eu também sou contra a lei de anistia, acho que os militares e torturadores assassinos devem ser punidos, os militantes que mataram civis também, os que assassinaram os próprios companheiros (justiçamentos) também.

    Enfim, se não for assim é puro revanchismo, coisa que sabemos não promove nenhum tipo de reconciliação com o passado, porque trata apenas de parte do problema, criando um muito maior, que é o ódio que vai gerar o desprezo pelas vítimas não reconhecidas pela comissão, as de “segunda classe”, que são os militantes julgados e executados pelas próprias organizações de esquerda e os civis, estes completamente inocentes.

  4. DANIEL FARIAS disse:

    Que houve torturas, assassinatos e outras formas condenáveis por parte dos governos militares, houve. Contudo, não vi na CV citar os assassinatos, torturas e outras formas condenáveis de setores “organizados” de “esquerda” que assim também procederam.
    Acredito que seja por isso não haver maiores contribuições das FFAA e outros organismos.
    A desculpa que a tal esquerda armada só agiu assim porque os militares fizeram é a mesma para os militares fazerem assim também. Quer dizer, ambos os lados errados, mas a CV só visa um deles.
    E a Lei da Anistia foi para ambos os lados.
    Outra coisa: os mortos e assassinados pela esquerda armada, seus familiares e dependentes não receberam e nem recebem vultosas indenizações.

  5. Será que se encontra algum copado pela essa barbaridade eu pessoalmente não acredito nisso

  6. Andre Goulart disse:

    A pergunta que não quer calar! Ou melhor perguntas :

    – E os crimes comuns cometidos pela militância comunista?
    – Todas as vítimas civis e inocentes dos atentatos terroristas?
    – Os números da vítimas feriadas e mortas pelos terroristas comunista supera uma vez e meia a quantidade de desaparecidos ou mortos pelo governo militar, por que esses números não foram divulgados?
    – E finalmente – Qual a legitimidade das ações terroristas dos militantes comunistas?

    Nunca essa comissão da verdade responderá estas perguntas!

  7. Marcelo Gubani Barbosa disse:

    Pergunta ao advogado e comunista Pedro Dallari: dos 434 mortos/desaparecidos políticos que a Comissão Nacional da Verdade (verdade apontada por apenas um lado) catalogou, quantos destes foram vítimas de “justiçamento” por parte de seus companheiros de guerrilha?

  8. Alex disse:

    Legal essa descoberta…
    Mas quanto foi desviado por este governo desde que entrou no poder?
    Alguém vai ser preso?
    E vão novamente ser tachados de heróis se forem presos?

  9. nataly mconcey disse:

    …ENQUANTO não se abre as cortinas ,permeia a curiosidade ,dúvidas & ilusão…acho super válido que se abrisse todas as gavetas…MAS DE AMBOS OS LADOS ,sem vingança ou paixões…que se contasse a verdadeira história…OS “PORQUÊS”,os prós & contra de cada lado e das pessoas… acertos houve de ambos os lados…e os erros foi senão por amor a causa ,a PÁTRIA !!! DESCULPAR ,PODEMOS…PERDOAR ,SÓ DEUS(tem o poder)…JULGAR SÓ O TEMPO (senhor da razão) !!!

  10. Zekka07 disse:

    … e quantas pessoas foram prejudicadas com os mensalões e desvios de verbas que deveriam ser aplicadas na educação, saude e segurança ???????????????????

  11. Na reportagem não observei sequer um comentário a respeito de atos de terrorismo, assassinatos, sequestros etc praticados por aqueles que lutavam contra o governo. Existe alguém na CNV que poderá explicar qual a razão disto ? Cobra-se dos militares o reconhecimento de abusos contra os direitos humanos, que me parece justo.Mas e os direitos humanos da família dos inocentes que morreram, ficaram com sequelas ou foram sequesrados devido aos atos terroristas ? Estes últimos não foram/são filhos do mesmo Brasil e seres humanos com um família e uma história ? Que pena para nós brasileiros do século 21 sabermos apenas a metade da história. Grato.

  12. Tarcisio Cordaro disse:

    Esta é a quantidade de assassinados e desaparecidos em 1,5 dias na grande bagunça em que nos metemos após a ditadura!

  13. Fernando Fernandes disse:

    Não sou político e muito menos contra a denominada “Comissão da Verdade, mas apesar dos erros dos militares quando no Poder, não justifica apuração de desmandos só por parte deles.E os cometidos pelos ex- revolucionários, por que também não apurados?
    Fernando

  14. Sr. Brasil disse:

    Com todo respeito as mortes de décadas atrás, mas quantas mães estão chorando somente em 2014, sem saber quem matou seus filhos? Ou os bêbados de nosso trânsito acabarem com as famílias, e simplesmente pagam uma fiança e respondem
    livres? Como cobrar justiça do passado, se ela não se faz presente?

  15. Luiz disse:

    O senhor sabe quantas desaparecem por ano hoje no brasil? mesmo proporcionalmente ao numero de habitante da época é um absurdo. lhe digo mais de 200 mil pessoas ,adultos e crianças essa e verdadeira vergonha

  16. Carlos disse:

    Pelo menos, agora temos condicoes de apurar o que e quanto de responsabilidade temos a cobrar das Forcas Armadas quanto aos fatos, quererem negar o obvio vai alem da covardia, vem dai a recente animosidade quanto a presidente, que sofreu na pele as sevicias a que o povo foi exposto nesse negro periodo da historia, ha algo a mais no ar alem dos Bolsonaros de carreira, isso ai nada tem a ver com a recente progressao da criminalidade, essa, sim, e consequencia de outro fenomeno, o sucateamento das instituicoes, a comecar pelo ensino e a saude publica, depois que tudo que funcionava antes tem que ir para a mao da iniciativa privada, para dar lucro a alguns poucos…

  17. Jose da Silva disse:

    Acho muito pouco pelo barulho que fizeram e pelo tamanho e população do Brasil. Na Argentina foram mais de 30 mil e no Chile foram milhares.

  18. Descartes de Andrade disse:

    Os mortos das forças de segurança foram computados ? E os inocentes vítimas de terrorismo ?
    A tal comissão é fruto de revanchismo e suas conclusões não resistirão ao crivo do tempo.

  19. luiz disse:

    enquanto nos ficaamos vendo o grande empenho desta comissão da verdade, gostaria de ver uma outra comissão da verdade, sobre usina de alccol de brotas, recentemente foram dispenasados mais de mil funcionarios,do jeito que vai brotas vai virar cidade fantasma, não morro la , mas acha uma pena, vçs sabem que é um dos dono da uasina?

    • gonçalo disse:

      essa comissão da verdade so interessa a quem tem parentes políticos porque vai receber indenização , gostaria que eles buscassem a verdade de onde estão milhares de pessoas que estão desaparecidas na democracia de hoje nas mãos do pcc e do cv entre outros

  20. Romulo Gentil RJ disse:

    …História de uma nação envolve fatos e pessoas reais e portanto requer seriedade e imparcialidade. …Comissões partidarizadas e de ideologia alienígena reescrevendo nossa história é absurdo inaceitável.

  21. ERNANI NASCIMENTO disse:

    Brasil bate recorde em homicídios e fica em 7º entre ranking…
    Engraçado, por dia morrem 150 pessoas em média vitimas da violência em geral e ficam remexendo casos da ditadura, que ditadura?????? ditadura estamos agora, ou essas pessoas que morrem não nos interessam.

  22. Antonio Carlos disse:

    Por alguns comentários colocados acima, percebe-se o nível da direita brasileira, é lamentável.
    A maioria ignora o que diz, mas isso não os desculpa, já que, mesmo ignorantes, assumem a responsabilidade do que dizem.
    Curioso e que se contrapõe a esses críticos alienados, é que a elite cultural brasileira, composta pela UFRJ, USP, UNICAMP, UERJ, UFF, PUCs, OAB, SENG, apoia totalmente a CNV, assim como apoia o Governo atual.
    O mínimo que os críticos deveriam perguntar é se são todos Comunistas Terroristas, ou se essa postura se deve ao fato de serem corretamente informados?

    • Anafilófio disse:

      Lamentável é apoiar os justiçamentos e a morte de civis inocentes. Ou ser o “alienado” por não saber delas. Lamentável a achar que a nossa elite cultural é composta apenas por esses cooptados de universidade que foram citados. Lamentável é achar que discordar de alguns aspectos da CNV é ser de direita. Lamentável é ofender quem tem opinião diferente da sua. Lamentável é não ter educação nem argumentos para debater assunto tão sério e apenas desqualificar os que divergem. Pensamento único, único, único, único……

  23. J K disse:

    Nada impede que investigações sejam reabertas após o periodo desse governo. Eles foram brutalmente atingidos e ensejam buscar detalhes até o fim. Nao quer dizer que consigam chegar no fim estimado. Vindo um novo governo no futuro, principalmente se fosse dos militares, quem sabe eles teriam força de passar a limpo o passado dos outros.
    Entenderam ? Não haverá como investigar mais nada e por isso a possibilidade de revanche diminui muito. Quem tem a maquina na mão é quem controla o sistema.

  24. Bárbara disse:

    Prezado Kennedy,
    São muitos os comentários e críticas que já li a respeito do trabalho da Comissão Nacional da Verdade, alguns, até mesmo ofensivos e direcionados à pessoa física de seu atual coordenador, o sr. Pedro Dallari, entrevistado nesta matéria. Apesar da quantidade de opiniões infundadas e grosseiras virtualmente dissipadas, confesso, como sua leitora, e como cidadã que realmente ama o seu país e que deseja vê-lo progredir (ainda que a passos lentos, reconheço), que me senti inspirada diante da postura de seu convidado. O sr. Pedro Dallari não apenas pontua com clareza os propósitos envolvidos nos trabalhos desta Comissão, tais como seu principal objetivo, seus contornos, seu alcance de atuação, etc., mas lança concreta exposição sobre como nosso país ainda necessita amadurecer em matéria de proteção aos direitos humanos. E basta uma leitura rápida (mesmo porque, se prolongar nesse tipo de leitura seria verdadeira perda de tempo) sobre os mesmos comentários (ignorantes) que acima mencionei, para que se comprove a falta de cultura de direitos humanos que vige em nosso Estado (a bem da verdade, não falta cultura apenas em matéria de direitos humanos, e os mesmos comentários são suficientes para se comprovar isso). Aqui, a grande maioria da população está tão acostumada à “festa do estica e puxa”, que quando se depara diante de algo do qual é possível se extrair frutos positivos, tudo o que sabe fazer é desacreditar e depreciar. Não escrevo, contudo, com o condão de filosofar no espaço do seu blog, mas sim, de parabenizá-lo, bem como ao sr. Pedro Dallari, pela matéria realizada. Oxalá algum dia tenhamos mais profissionais assim, que mesmo cientes da quantidade de críticas ignorantes que estarão sujeitos, dão a cara a tapa por estas mesmas pessoas que estão a criticar, e pela edificação de algo muito maior.
    Com meus sinceros cumprimentos,
    Bárbara.

  25. Bruno GH disse:

    Por mais que se tente, ou que o blogueiro tente, manter isenção e imparcialidade na sua forma de escrever, nos comentários do blog sempre aparecem os extremistas. Apareceram, por aqui, muitas opiniões que considero isentas e, felizmente, algumas poucas extremistas. Os de direita, achando que a CNV de nada vale, os de esquerda, como de costume, atacando os que discordam mas não desfiam os argumentos, apenas atacam. E o pior é que atacam tanto os de direita qto os mais isentos, que apenas cobram que haja verdade dos 2 lados.

    Um dos extremistas de esquerda, por exemplo, permite-se usar o sobrenome de um dos leitores para tachá-lo de não merecedor, como se o comentário do leitor fosse algo infundado, somente porque cobra que houvesse verdade dos 2 lados! É um absurdo isso, e bem típico de extremistas, de ambos os lados. Desvia-se o foco do tema central (a atual CNV) e passa a discussão para algo menor (se o cara merece ou não o nome)! É ridícula tal argumentação.

    Alguns aqui citaram os casos de desaparecidos e mortos hj em dia etc., OK, mas de fato isso é trabalho para as polícias, e não para a CNV, embora até entenda a indignação, se é que de fato haja indignação verdadeira, e não apenas o intento de usar o caos atual para polemizar a CNV, o que não contribui em nada.

    Outros, de direita, presumo, afirmam que a CNV interessa apenas àqueles que se beneficiam dela, e não à sociedade brasileira. Isso obviamente não pode ser verdade, ou não poderia ser. Infelizmente, elucidando e trazendo justiça apenas para um dos lados, permite-se tais pensamentos.

    Da forma como está a CNV, de fato buscou elucidar casos que já eram consagrados e sem solução e até casos que encontravam-se ocultos, que nem se sabia das vítimas, nem mesmo que as havia.
    Esse é o ponto positivo da CNV.

    Fica a dever, no mínimo, e pelo menos, uma boa explicação do porque somente buscar a ‘verdade’ de um dos lados. A leitora Bárbara explicita bem isso, ao dizer que o sr. Dallari “não apenas pontua com clareza os propósitos envolvidos nos trabalhos desta Comissão, tais como seu principal objetivo, seus contornos, seu alcance de atuação, etc., mas lança concreta exposição sobre como nosso país ainda necessita amadurecer em matéria de proteção aos direitos humanos.”

    Ou seja, o objetivo é, sim, buscar a verdade apenas de um lado.
    Isso, ao meu ver, traz um grande problema, que é querer fazer valer, assim como foi na ditadura, a versão dos que estão no poder na época da investigação. Por mais que o sr. Dallari afirme que o executivo não influenciou os trabalhos, e até acredito nisso, ao ter como objetivo a investigação de apenas um dos lados, os trabalhos já se tornam viciados por si só! Isso não significa que o que se fez está perdido, ao contrário, é válido, mas incompleto.

    Esse é um precedente para, no futuro, questionarem a própria CNV, usando-se o mesmo argumento que hoje sustentam os questionamentos em relação à Lei da Anistia. Baseados em entendimentos e convenções internacionais, defende-se que a Lei da Anistia, ao alcançar tanto os revolucionários quantos os militares, que na época estavam ao poder, garantiu, para estes, o que se considera ‘auto-anistia’, não reconhecida internacionalmente. Assim, a CNV, instituída por um governo que, na época dos fatos, era composto pelos revolucionários, ao abordar apenas os crimes cometidos pelo opositor, na época os militares, incorre no mesmo erro do ‘autoperdão’ dos próprios correligionários, ao não buscar a verdade para as vítimas deles próprios, que também houve.

    No futuro, em um teórico governo mais isento, sem relação com militares e nem com os que na época lutavam contra a ditadura, os achados da CNV estarão capengas de uma perna, acobertando os erros de um lado e elucidando do outro, como sempre foi.

    Assim, a CNV, ao agir de forma a ‘separar’ os que estão comigo e os que estão contra mim, acaba igualando-se à própria ditadura, motivo maior da sua existência.

    Parece que se caminhou nos direitos humanos mas, por uma análise de um ponto de vista externo, de quem não foi vítima de nenhum dos lados, percebe-se que estamos estagnados nas mesmas práticas de antes.

  26. Onda Vermelha disse:

    De fato, espero muito mesmo desse relatório da Comissão Nacional da Verdade(CNV). E torço muito para que não esteja me iludindo. Desejo não apenas que a CNV aponte para a necessidade de punição dos torturadores e assassinos, quase todos militares. Denuncie os locais utilizados como centros de tortura e execução. É preciso, é absolutamente necessário que esse relatório seja duro para nos fazer sentir VERGONHA daquele passado de trevas! Que apresente como sugestão não apenas a revisão da Lei da Anistia, mas também aponte para a extinção das polícias militares e a remoção do “nome” de nossos monumentos, escolas, ruas, praças e pontes de TODOS AQUELES civis ou militares que de alguma forma, seja direta ou indiretamente, colaboraram com o Golpe-Civil Militar de 1964. Mas também que aponte aqueles civis e as suas respectivas entidades que se envolveram naquela triste página de nossa história. Sejam de que importâncias forem! Sejam eles conglomerados de mídia ou federações de indústrias. Esse pessoal precisa vir a público pedir SINCERAS desculpas a toda a sociedade pelo o que nos impuseram durante todos aqueles anos. Não pode ficar pedra sobre pedra! Sei que muitos pessoas aqui abominam a Comissão Nacional da Verdade(CNV). Danam-se! A VERDADEIRA história daquele período precisa ser recontada para nossos filhos e netos para que NUNCA MAIS SE REPITA! Imagino como deve ser “doloroso” para esse pessoal quando um ex-delegado, assassino e torturador confesso como Cláudio Guerra, vem público dizer as verdades inconvenientes que muitos destes “reaças” prefeririam não ouvir. O mundo deles está desmoronando e não é nada fácil conviver com isso, mas tem cura! “A verdade vos libertará”! Importa mais saber e acreditar que aqueles que perderam seus entes queridos possam viver seus restos de vida com algum conforto de que os seus estavam do lado certo da história.

    • p/ Onda Vermelha : "A VERDADE VOS LIBERTARÁ"! disse:

      Um dos maiores valores da democracia é todos poderem externar suas opiniões livremente, é claro que sempre dentro de determinados princípios como, por exemplo, de que o direito de um termina quando começa o do outro.
      O que aconteceu em 1964 foi exatamente o contrário disso: um grupo de “brasileiros” que poderíamos até chamar de “onda vermelha” entrou em confronto com outro grupo de “brasileiros” que com toda a convicção se chamavam “verde-amarelo”.
      Diante disso somente de uma coisa podemos ter certeza: ambos tinham em suas cabeças a certeza de que estavam fazendo o melhor para o Brasil!
      Aí um quis se impor sobre o outro, como o dono da razão, e partiram para o confronto e deu no que todos já sabemos: a maior estupidez já acontecida no país, onde brasileiros lutaram ferozmente contra brasileiros – e como sempre acontece em todo confronto armado, um lado ganha, o outro perde, um comete “mais” absurdos, outro comete “menos” absurdos. Certo apenas é que ambos cometem muitos absurdos!

      A onda vermelha perdeu muito sua intensidade, desde a queda do muro de Berlim, dissolução da União Soviética etc. Mas continua, mesmo fraca, mas continua.
      Suas “ondas vermelhas” embora sem a mesma força de antigamente, ainda são capazes de produzir pérolas, como por exemplo: “A VERDADE VOS LIBERTARÁ” – PALAVRA DE DEUS, proferidas por Jesus homem, o próprio Deus encarnado quando veio a este mundo.
      Seria um bom sinal ouvir essa frase proferida por alguém da “onda vermelha”, tendo a certeza de que ela entendeu realmente o que significa “A VERDADE VOS LIBERTARÁ”.
      Que tal frase foi dita por alguém que foi recusado, humilhado, difamado, espancado, crucificado cruelmente numa cruz, totalmente inocente de qualquer crime.
      E que esse alguém simplesmente perdoou a estupidez dos que lhe fizeram tudo isso.
      E por derradeiro: Ele não reagiu com a mesma moeda a nenhuma das agressões que sofreu, como reagiram entre si a “onda vermelha” e os “verde-amarelo”.
      Ele reagiu a tudo o que sofreu com o “perdão”.
      Se a palavra “anistia” não está sendo suficiente para conter os ânimos de ambos os lados, tanto da “onda vermelha” quanto do “verde-amarelo”, e tão bem citada foi a frase “A VERDADE VOS LIBERTARÁ”, exatamente pela “onda vermelha”, o grupo de brasileiros que mais sofreu com a estupidez da luta entre “brasileiros”, por que não adotar a verdade da frase que Jesus ensinou, praticando o que significa essa “verdade”: O PERDÃO?

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2020-03-30 03:57:53