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03-01-2015, 10h26

A balada de Adam Henry

Novo livro de Ian McEwan confronta justiça, ciência e fé

Daniela Martins
Brasília

É desnecessário dizer que o novo livro do inglês Ian McEwan é bem escrito e preciso, como qualquer outra obra do autor. “A balada de Adam Henry” é breve e pode ser lido em um dia, mas permanece nos pensamentos do leitor por um tempo bem maior.

McEwan nos apresenta Fiona Maye, uma juíza de quase sessenta anos, especializada em casos de família. Inteligente, dedicada, cuidadosa em suas sentenças, ela está às voltas com processos quando é confrontada pelo marido em crise. Ele deseja viver uma aventura sexual com uma moça mais jovem. Todo o mundo seguro de Fiona vem abaixo. Ela se vê uma igual aos tantos que costuma julgar no tribunal. Suas reações são incontroláveis, a imparcialidade desaparece do seu julgamento pessoal.

Em paralelo, cai em suas mãos o processo sobre o jovem Adam Henry, testemunha de jeová, que se recusa, com o apoio dos pais, a receber uma transfusão de sangue como parte do tratamento para leucemia. Prestes a completar dezoito anos, Adam está lúcido, é inteligente, amado pela família e por sua comunidade religiosa.

O que fazer? Respeitar seu desejo e deixar que se submeta a uma morte horrível por sangramento interno? Obrigá-lo à transfusão e a uma vida de renegado por seu meio social?

No dilema de Fiona, que se debate entre seu drama pessoal e o veredito sobre o drama de vida e morte de Adam, o autor coloca em evidência, como em seus outros livros, nossos sistemas de crença, nossas certezas, nossos valores morais, nossa noção de justiça e a dicotomia entre fé e ciência.

“A balada de Adam Henry”, lançado no Brasil pela Companhia das Letras, é um prazer. Um texto maduro e uma boa dose de questionamento.

Foto: David Rose

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