aki

cadastre-se aqui
aki
Política
02-03-2018, 9h36

Alckmin enfrenta desafios em SP, MG, RJ e PR

Tucano lembra boxeador que tenta vencer por pontos
11

KENNEDY ALENCAR
LONDRES

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, vem enfrentando obstáculos no próprio partido, o PSDB, para viabilizar a sua candidatura presidencial. Nas últimas semanas, ele tem discutido com aliados a estratégia política em quatro Estados importantes: São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Paraná.

Em São Paulo, está se consolidando o cenário de palanque duplo na disputa para o governo estadual, com as candidaturas de João Doria pelo PSDB e de Márcio França pelo PSB. Nos bastidores, Alckmin preferia que Doria continuasse na prefeitura. O PSDB lançaria um nome menos competitivo e isso facilitaria a vida de França, vice que assumirá o lugar de Alckmin quando ele sair no começo de abril para ser candidato a presidente.

No entanto, Doria quer ser candidato e é apoiado por uma ala do PSDB que julga o prefeito um bom puxador de votos para a Assembleia Legislativa e a Câmara dos Deputados. Portanto, está crescendo a chance de Doria descumprir a promessa de ficar quatro anos na prefeitura a fim de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes.

Há resistências no PSDB a Doria, que talvez tenha de enfrentar uma prévia desgastante. O vereador Mário Covas Neto deixou ontem o PSDB e negocia provável filiação ao Podemos, que terá o senador Álvaro Dias, do Paraná, como candidato a presidente. Simbolicamente é uma perda importante, porque Alckmin foi vice de Covas e herdou o governo dele em 2001. Mesmo no seu Estado natal, Alckmin tem arestas a aparar a fim de ter uma campanha mais azeitada.

*

Pedras no sapato

No Paraná, o PSDB não tem candidato. O governador e tucano Beto Richa já foi reeleito. Ele estuda uma candidatura ao Senado ou ficar no governo até o fim. A vice-governadora, Cida Borghetti (PP), que está mal nas pesquisas, seria a candidata oficial de Alckmin.

Mas há simpatia de uma ala tucana pelo deputado estadual Ratinho Jr., do PSD. O PSD nacional está fechando aliança com Alckmin. Ratinho Jr. apareceu em primeiro lugar em algumas pesquisas.

Talvez o Paraná seja o caso de outro palanque duplo para Alckmin, mas lá ele tem um problema sério. A candidatura presidencial de Alvaro Dias, que era do PSDB, tira votos de Alckmin no Paraná, Estado onde os tucanos têm tradição de ser bem votados em disputas pelo Palácio do Planalto.

O prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, que desistiu das prévias tucanas atirando fortemente em Alckmin, tende a apoiar Alvaro Dias para presidente. Virgílio tem dito que Alckmin não é competitivo.

*

Fantasma de Aécio

Em Minas Gerais, Alckmin está pressionando o senador Antonio Anastasia a sair candidato ao governo do Estado pelo PSDB. Mas é operação difícil, porque Anastasia resiste à ideia.

O senador mineiro avalia que, se for candidato, todo o desgaste sofrido por Aécio na delação da JBS e em outras investigações da Lava Jato será usado na campanha contra ele. Anastasia foi braço direito de Aécio no governo.

A Lava Jato investiga propina em obras públicas, sobretudo na construção da Cidade Administrativa, sede do governo mineiro inaugurada por Aécio em 2010. Anastasia tem mais quatro anos no Senado.

Por ora, Anastasia prefere dar apoio à candidatura do deputado federal Rodrigo Pacheco ao governo do Estado. Pacheco está saindo do PMDB e deve ser candidato do DEM ao governo mineiro. A queda política de Aécio em Minas, antiga fortaleza dos tucanos, é um complicador para um bom desempenho de Alckmin no Estado.

*

Terra arrasada

No Rio de Janeiro, Alckmin está negociando a volta do ex-prefeito Eduardo Paes ao PSDB. Esse é outro movimento de Alckmin que enfrenta dificuldades internas.

A atual direção do PSDB é contrária à volta de Paes ao partido. O ex-prefeito estava em negociação avançada com o PP quando Alckmin o convidou para voltar ao ninho tucano.

Na hecatombe política que se abateu sobre o Rio, Eduardo Paes foi o político tradicional que menos perdeu, por ora. Ele daria a Alckmin um palanque mais forte no Estado, mas os problemas do governador paulista para ser aceito pelo eleitor fluminense são antigos.

Pesquisas mostram dificuldade de Alckmin para decolar no Estado. Mas, sem dúvida, acoplado a uma candidatura estadual de Eduardo Paes, ele teria mais chance neste ano.

*

Vitória por pontos

Numa análise geral, Alckmin está naquela situação de um lutador de boxe que precisa ficar em pé até o último assalto e tentar ganhar por pontos. No campo da centro-direita, ele é hoje o político com maior chance de acabar virando o candidato mais competitivo devido à maior fraqueza dos demais concorrentes, como o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, e o presidente da Câmara, Rodrigo Maia.

Além de todos esses desafios, Alckmin ainda precisa tirar votos de Jair Bolsonaro, candidato de extrema-direita, para sonhar com uma vaga no segundo turno.

Dificilmente haverá dois candidatos de direita no segundo turno. O mais provável é um nome de direita ou centro-direita e outro da centro-esquerda. Se Lula conseguir ser candidato, uma vaga no segundo turno seria dele _o ex-presidente poderia até vencer na primeira etapa. Se Lula não conseguir ser candidato, alguém apoiado por ele teria muita chance de passar à segunda fase.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
11
  1. Wellington Santos disse:

    Acho que o silêncio de Alckmin o fez perder o trem da história…, existe uma pauta conservadora que precisa ser vista e discutida , como Bolsonaro é o único que se dispõe a defende essa pauta, vamos de Bolsonaro,sou filiado ao PSDB,mas desta vez não vai dar!!

  2. Fabio disse:

    Kennedy, sou do interior de São Paulo e posso te garantir algo, não voto em ninguém do PSDB e nem do PMDB.

  3. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Alckmin está colhendo o fruto amargo de sua omissão, arrogância e descaso com o contribuinte… ele só se preocupa com a eleição à presidência, que ele jamais terá ! Os números da criminalidade falam por si .

  4. MARIO PERZ disse:

    KENNEDY VOCÊ SE ESQUECE QUE O PSDB APOIOU DESDE O COMEÇO O GOLPISTA TEMER, A REFORMA TRABALHISTA, AJUDOU A CASSAR AS DUAS DELAÇÕES DE CORRUPÇÃO DE TEMER E IA VOTAR A FAVOR DA REFORMA PREVIDENCIÁRIA, TUDO CONTRA O POVÃO TRABALHADOR, EU JAMAIS VOTARIA EM ALGUM CANDIDATO DO PSDB E DA MATRIZ DELES, O MDB, MINAS GERAIS , MEU ESTADO, ESTÁ PELO PESCOÇO CONTRA ESSES DOIS PARTIDOS!

  5. walter disse:

    Tudo isto só acontece com o Alkimin, caro Kennedy, por ter um “papagaio de pirata”, leia se FHC, tentando de qualquer forma, causar descompasso, ao melhor governador de estado, nos últimos tempos; Como podem ser tão insanos, e burros,com o presidente eleito do partido??? São as viúvas do Serra e do Aécio, são “ervas daninhas” ambulantes; este citados na lava jato, deveriam se recolher a sua insignificância, “ter vergonha, deveria fazer parte dos cardápios de políticos citados”; o alkimin, sempre foi contestado no partido, por ser o “sr certinho”; terá sim muito trabalho, já que o emaranhado de situações negativas p/ alianças, causadas pelos citados, inviabiliza chapas saudáveis…quanto ao Dória, parece o “não sei se vou ou se fico”; deveria seguir o conselho do Governador, e permanecer “prefeitando”…Em Minas,paraná e RIO; situações a serem calculadas com cuidado, são terrenos minados; deveria convidar como exemplo, um Bernardinho p/ o RIO; faz tempo não tem ninguém de peso ali…

  6. Analista Alpha disse:

    Faltou combinar com os eleitores agora ….
    Alkimim eterno picolé de chuchu vai mostrar o que pro eleitor? Que ele conseguiu ficar mais de 20 anos no comando do estado mais rico do país e avançar muito pouco na qualidade de vida dos paulistas.
    Qual o programa paulista que fez qualquer diferença pra população em relação ao resto do país?
    Antes de pensar em alianças e nomes, deveria mostrar mais competência e ganhar votos mostrando seu trabalho.
    Mas ele é um polítco velhaco, e está mais precoupado em se manter do que ter um projeto para as pessoas.

  7. walter disse:

    Respeito sua insistência Kennedy, em evidenciar a suposta possibilidade, da candidatura do Lula; não tem qualquer chance e você tem fatos nas mãos que confirmam; “este país não pode ser apequenar, segundo a ministra Carmem, com a pressão de condenados em segunda instância”; estaríamos indo na contramão, da logica, se os fichas sujas, pudessem dar as cartas, com tantos descaminhos diários…Por isso tenho afirmado, que a Lava jato continuará por longos anos; agora mesmo, esta acontecendo vários crimes com dinheiro público, em algum lugar do país…quanto a perseguição ao Alkimin, pelas raposas felpudas do PSDB, é lamentável, considerando terem eleito o cidadão como presidente da sigla; este é o pior retrato de um país, sucateado pelos últimos governos; tentam, fazer nos crer, que são a solução da montanha!!!

  8. renata vieira disse:

    Coitado do Alckimin esta batalha será difícil para ele vencer. Embora ele seja um bom candidato.

  9. Analista Alpha disse:

    Com todo respeito, se não é pra aprovar nenhum comentário, porque não fecham a área de comentários???

  10. ANDRE disse:

    Acho muito pouco provável que o Alckmin consiga ir para o segundo turno da eleição que se apresenta. Ele está envolvidos em várias denuncias, e está ficando claro que elas estão sendo jogadas para embaixo do tapete, pela influência do mesmo em instituições cruciais. Não consegue ter uma penetração no eleitorado do Norte, Nordeste, Minas Gerais, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul, e mesmo em São Paulo, está com a intenção de 20%, o que é pouco para compensar a fraqueza fora do estado. Por fim abraça causas que não causa simpatias na população como a reforma da previdência e flertou com o governo Temer, pontos que com certeza lhe tirarão mais votos do que trarão.

  11. jose alves silva disse:

    de todos os candidatos com todo respeitos a todos mas o alckmin é o mais experiente e acredito com mais chances de crescimento na campanha eleitoral.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados

Não serão liberados comentários com ofensas, afirmações levianas, preconceito e linguagem agressiva, grosseira e obscena, bem como calúnia, injúria ou difamação. Não publicaremos links para outras páginas devido à impossibilidade de checar cada um deles.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

 
2018-09-22 14:03:42