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Economia
15-09-2015, 9h12

Amadorismo político dificulta aprovação das medidas

Pacote econômico é duro e necessário para combater crise econômica
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

Como tem sido a regra no governo Dilma, foi amadora a articulação política para elaborar e divulgar as medidas econômicas anunciadas nesta segunda-feira.

A presidente Dilma Rousseff fará apelo nesta terça-feira aos líderes de partidos aliados na Câmara e no Senado. É inegável que a desarticulação política do governo ao elaborar e propor as medidas vai criar dificuldades para que elas saiam do papel.

Dilma não ouviu o ex-presidente Lula nem o avisou das medidas. Também não conversou previamente com o vice-presidente da República, Michel Temer, nem com os presidentes do Senado, Renan Calheiros, e da Câmara, Eduardo Cunha.

Em resumo, excluiu Lula, a quem deve a eleição e a reeleição, e as três principais figuras do PMDB da elaboração de medidas que dependerão do apoio deles para ter alguma chance de aprovação.

O papel do PMDB será fundamental. Se o partido não der suporte, a chance de derrota das medidas no Congresso será enorme, sobretudo na Câmara. O governo avisou de forma protocolar Temer, Cunha e Renan.

Em relação a Temer, havia um acerto na semana passada de, primeiro, anunciar cortes. Depois, tratar de forma separada de aumento de tributos. Dilma resolveu fazer tudo de uma vez.

Ontem à noite, reuniu governadores e sugeriu que eles façam proposta ao Congresso de elevar a alíquota da nova CPMF de 0,2% para 0,38%. Anunciou 0,2% já deixando espaço para que os governadores tentassem elevar o tributo na largada a fim de dividir a receita entre União, Estados e municípios. Parece pegadinha. É bem amador. Deve aumentar resistências ao projeto.

É desnecessário falar que a nova CPMF é para pagar aposentadorias. Todo mundo sabe que é para fazer caixa. A Previdência, aliás, precisa ser objeto de uma proposta de reforma a fim de criar a idade mínima de aposentadoria e de novas medidas de combate às fraudes.

*

Crise exige análise calma do pacote

O pacote econômico contém medidas duras e necessárias diante do agravamento da crise econômica. Houve embate até a última hora para que o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, conseguisse fazer uma proposta de corte de gastos mais robusta do que a desejada por ministros petistas.

Chegou-se a R$ 26 bilhões de propostas para reduzir despesas duas semanas depois de o governo dizer que não dava para cortar mais nenhum centavo do Orçamento da União para o ano que vem. E há ainda as propostas para tentar arrecadar, pelo menos, R$ 40 bilhões com aumento de impostos ou redução de renúncia fiscal. É um conjunto de medidas relevantes.

Mas há um problema grave: quase todas as medidas dependem de algum tipo de negociação política, seja com o Congresso, com os empresários, com sindicalistas e com o funcionalismo público.

A gravidade da situação econômica exigirá do Congresso e de outros setores da sociedade que analisem com equilíbrio e responsabilidade as propostas do governo. Ontem, por exemplo, já surgiram resistências no Congresso à volta da CPMF, o antigo imposto do cheque. É um imposto criticado e elogiado por muitos economistas, tem seus prós e contras. É fácil de cobrar e difícil de sonegar.

O ministro da Fazenda diz que a nova CPMF é fundamental para criar “uma ponte” a fim de fazer a travessia econômica até a saída da crise. Uma proposta de quatro anos faz sentido, porque o primeiro ano do próximo governo contaria com uma receita importante para fechar as contas públicas.

O país precisa voltar a ter uma política fiscal sólida. Isso não diz respeito somente às contas públicas de 2016, mas também dos anos que virão depois. Com seus erros e titubeios, o governo apontou um caminho. É preciso analisá-lo com calma antes de descartá-lo.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
13
  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    A pressa em anunciar essas medidas amadoras, demonstra claramente o desespero em manter o cargo e o cabide de empregos da ditadura sindical-pelega … Mas nas entrelinhas do pacote está uma engenhosa engenharia política de blindagem do verdadeiro profeta da falência. Sem essa blindagem, não haverá lugar no planeta para se esconder da prisão.

  2. Pasquale disse:

    São 39 ministérios?

  3. Alberto disse:

    Uma fantasia,um tremendo disfarce,uma esperteza para o que pretende o governo,ou seja,aumento de impostos para não mexer em benesses,privilégios,cumpadrios e assemelhados.O cortar na própria carne foi algo cômico.E o blábláblá do Levy? Francamente!! Governo de incapazes capazes de tudo.
    Presente de grego da nossa Tsipras.

    • Joaquim disse:

      O Levy, perdeu totalmente o meu respeito, conseguiu se rebaixar ao nível desdes idiotas do PT. Esta historias de impostinho, sacrificalzinho, devia ter vergonha de fazer este papel.
      Este governo não tem e não terá nenhuma credibilidade, como se negociar com alguém que não se confia???
      Corte de 200 milhões na administração, sem saber aonde e como é no minimo nos chamar de otários, pelo valor ridículo e pela falta de seriedade.
      E outra coisa, vamos falar serio e as aposentadorias milionárias dos funcionários públicos, basta comparar o teto de aposentadorias do INSS e com a media do setor publico. Falar em ajuste sem mexer neste “direito adquirido” é mais uma vez nos esfolar.

  4. Cláudio disse:

    Primeiramente deveriam fazer uma reforma total, cortando ministérios, cortando emendas parlamentares, reduzindo salários de políticos em nível nacional, estadual e local e cortar assessores destes, tornar a corrupção como crime hediondo e depois tributar as grandes fortunas. Mas mais uma vez o que vemos é o povo trabalhador pagando as contas da má administração e da corrupção no meio político.

  5. Peróba neles disse:

    Mais mentirinhas, mais truques para enganar crianças.

    Você foi elegante Kennedy, ao classificar a atitude como amadora. Não se trata contudo de amadorismo, em minha opinião. Vejo habilidade veterana na arte de iludir, então classifico o ato como pilantragem.

    Vejo claramente a tendência de prometer, mascarando a intenção de não cumprir. Esta parcela da CPMF está sendo criada para aumentar o “controle” sobre os governos dos estados. Nada como uma régia mesada para controlar a meninada. Uma mesada que, é claro, mediante pretextos, deixa de ser paga. Sempre pretextos embalados em boas intenções, motivos sociais…

    Falam em utilizar recursos do FGTS para construir habitações populares. Mas, quais recursos, os que já foram gastos nas pedaladas? O dinheiro novo dos futuros recolhimentos? Huummm… já vejo o cidadão tendo de enfrentar obstáculos e prazos para receber seu FGTS.

    O tratamento que o governo precisa é o de choque. “Não para tudo que for dito”, como ouvi certa vez firmar um morador em uma estúpida e inconsequente reunião de condomínio. Desejava-se colocar tapete persa (para ser pisoteado) na recepção do edifício, lustre de cristal no hall de entrada, iluminação noturna na piscina, espelhos nas paredes dos elevadores, trocar o sistema de interfones por aparelhos com outro design… Mulheres (sempre elas) deliravam com um fundo para fazer frente à estes gastos inúteis.

    O prédio, em si, era simplório. Um 2 dormitórios classe média baixa, com um tanque de água sem cuidados no tratamento que chamavam de piscina. Foi quando um morador se ergueu, pediu licença aos presentes, foi até a mesa que computava os votos dos condôminos, se identificou e acrescentou solenemente: “estou me retirando, tenho algo mais útil para fazer, então registre-se que meu voto é não, para tudo o que for proposto aqui, seja lá o que for”.

    Assim devemos proceder com esta governália e seus componentes. Não, para tudo que propuserem. Que se virem com o dinheiro que arrecadam. Que se ajustem, cortem, diminuam, inventem, criem todas as soluções que imaginarem, mas sem aumentar 1 centavo em impostos. E que sejam impedidos de emprestar dinheiro também, em todas as formas de captação imagináveis.

    E deixem que eles esperneiem, gritem, xinguem, ameaçem. Sua receita está aí, saibam usá-la, ponto. E obviamente que o orçamento deve ser devolvido até que esteja em concordância daquilo que se entende por orçamento. Enquanto despesas ultrapassarem receitas, não deve ser aprovado.

    Basta de truques petistas!

  6. César disse:

    Ela quer claramente empurrar para o Congresso Nacional, parte da responsabilidade pelas medidas impopulares. Acha que os outros vão cair no “golpe” e dividir a culpa com ela. Amadorismo ou burrice? Vindo de quem vem, a gente nunca sabe!

  7. César disse:

    O impeachment se aproxima!

  8. Marco Túlio Castro disse:

    Dilma não consegue negociar nem com o próprio PT. O pessoal que defende a Dilma deve ir vomitar toda vez que fazem uma defesa dela.
    O PT já não tem credibilidade para aprovar nem compra de papél higiênico para o Planalto

  9. claudio antônio disse:

    Até quando vc vai levar porrada e até quando vamos ficar sem fazer nada.

  10. Pedro disse:

    Kennedy, adoraria poder dizer que você está totalmente equivocado. Lamentavelmente, tudo parece indicar que você continua acertando.

    P.S: Com a devida vênia, “Pablo Escobar, el patrón del mal”, série colombiana do Canal Caracol, é muito superior a “Narcos”.

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