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Política
29-04-2016, 9h10

Ao descartar reeleição, Temer reúne mais apoio para enfrentar crise

Vice amarra aliança com PSDB e busca mais suporte no Congresso
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Ao descartar concorrer ao Palácio do Planalto em 2018 e declarar apoio ao fim da regra da reeleição, Michel Temer faz um movimento que, na largada, ajuda a fechar uma aliança para o PSDB integrar o provável futuro governo. O gesto também facilita o trabalho de costurar acordos no Congresso. Em resumo, Temer reúne mais suporte político para enfrentar a crise.

O PSDB estava dividido em relação a autorizar o ingresso de tucanos no ministério de Temer. Houve negociações políticas nos últimos dias que venceram essas resistências.

A entrevista do vice-presidente ao SBT sobre reeleição foi vista pelo PSDB com simpatia, porque, de certa forma, organiza um pouco a fila eleitoral no partido, que tem três nomes que gostariam de disputar a Presidência em 2018. O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e os senadores José Serra e Aécio Neves.

Ironicamente, o PSDB criou a reeleição no meio do mandato de FHC para dar ao então presidente mais um mandato, mas depois foi vítima da regra que inventou no meio do jogo. O PT reelegeu dois presidentes, ganhando quatro vezes de candidatos tucanos no segundo turno.

Como é natural que um presidente preocupado em se reeleger considere isso em seus planos de governo, Temer disse que teria mais liberdade para agir ao se colocar fora do jogo eleitoral de 2018. É um movimento inteligente para quem tem um enorme desafio à frente.

Temer sabe que precisa agir “imediatamente”, como disse, para tentar aprovar no Congresso medidas que a presidente Dilma não conseguiu aprovar. Quando apresentar propostas impopulares, será importante ter o maior apoio possível no Congresso.

Uma coisa é o deputado ou senador votar a favor do impeachment de Dilma. Outra coisa é apoiar uma reforma da Previdência ou um aumento de impostos. Quando descarta a reeleição, Temer dá mais força a esse discurso de governo de união nacional e dificulta negativas a medidas duras da parte dos parlamentares que derrubaram Dilma do poder. Afinal, serão todos cobrados a achar respostas para a crise.

*

História e acordos políticos

Na História, há exemplos da precariedade de acordos políticos feitos com muita antecedência. Itamar Franco apoiou a eleição de FHC em 1994 com a expectativa de que o tucano retribuiria o suporte para ele voltar à Presidência em 1998. Lula elegeu Dilma em 2010. Ela decidiu concorrer à reeleição em 2014 e impediu o desejo do petista de voltar ao poder.

Nesse contexto, poderia mudar a intenção de Temer de não disputar em 2018?

Em tese, sim. Digamos que ele consiga “colocar a economia nos trilhos” como falou na entrevista ao SBT e aprovar uma série de reformas necessárias para tirar o país da crise. Se fizer isso, teria cacife para concorrer à reeleição.

Mas Temer tem sido sincero nas conversas reservadas quando fala que presidente preocupado com reeleição não faz o que precisa ser feito. A situação no Brasil hoje é calamitosa para alguém assumir o poder já se preocupando em ficar nele.

E há uma forma de garantir que ficará mesmo fora do jogo. Dar apoio a uma emenda constitucional para acabar com a regra da reeleição, valendo inclusive para ele. Em tese, mesmo que seja aprovado o fim da reeleição, Temer teria a expectativa de direito de concorrer.

Seria ruim o fim da reeleição. Foi um expediente testado por pouco tempo no Brasil. O fracasso do governo Dilma não é exemplo de que a reeleição não funciona. Houve outros motivos para isso, mas eles já foram debatidos em outros textos do blog, como este aqui.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN':

Comentários
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  1. Mal podemos espera para o Tchau Querida final quando o processo todo acabar.

  2. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    Só o fim do imposto sindical poderá fazer do país uma democracia verdadeira.
    Até agora o que temos é uma ditadura sindical, financiada pelo imposto sindical (obrigatório só nas ditaduras).
    É essa verba que financia o vandalismo, destruição do patrimônio público, privado, invasões e depredações !

    • walter disse:

      Graças a Deus Maria Aparecida Ramos Tinhorão; estes sindicatos, que nada acrescentaram ao trabalhador, nos últimos anos, terão que trabalhar daqui para a frente; os empresários darão as cartas…
      Caro Kennedy, o governo Temer, de seu passo mais significativo, quando abre mão de uma futura candidatura; acredito, que isso o credencie a confiança dos outros partidos.
      Fica uma mensagem importante para o País, com isso podemos acreditar, numa gestão seria; terá a oportunidade de ajustar, e regularizar todos os gargalos; podemos crer; teremos dois anos afrente, para reerguer o Brasil;pode ser que a oposição mais radical, possa enxergar benesses;quem sabe até o lula…

  3. Tem que acabar com a reeleição, vender todas as estatais, acabar com o imposto sindical obrigatório, acabar com o foro privilegiado, aprovar as dez medidas contra a corrupção, fazer a reforma administrativa, fazer a reforma fiscal, fazer a reforma política, colocando clausula de barreira e voto distrital com direito a recall.
    Menos impostos e mais salário! Menos intervenção do estado. Assim a economia anda e o mercado se ajusta.
    Que zika! Corrupção Mata mais que mosquita!

    • J K disse:

      Incluir imprescindível reforma trabalhista. Terrível saber que os governos levam em arrecadação calculada sobre meus ganhos mais do que tenho de salário.

    • Luiz Silva disse:

      A corrupção de políticos se resume a 3 coisas: cargos, verbas e gastos de campanha. Como acabar com a corrupção na política? Só ocupam cargos funcionários concursados. Parlamentares não podem apresentar emendas ao orçamento. As campanhas são feitas em página do TSE onde está o que o candidato já fez e o que pretende fazer, e só. Essa solução é drástica, porem letal. Ela só tem um problema: jamais convenceremos os parlamentares a implementá-la.

      • Lei de iniciativa popular. 1,5 milhão de assinaturas colhidas entre a população de pelo menos cinco estados. Acho que é isto.
        Que zika! Corrupção Mata mais que mosquita!

        • Luiz Silva disse:

          Para isso, precisaríamos que um movimento nacional fizesse uma grande mobilização nas redes sociais para que grupos, em muitas cidades, organizassem pontos de coleta das assinaturas. Infelizmente, é quase utópico.

          • Não estou afirmando que seja fácil, mas…
            …Em Dezembro de 2014 derrubar a Dilma e o PT também era utópico.
            Eu acreditei! Fui a luta, batalhei, bati panela, participei das manifestações, escrevi em sites na internet, fiz a minha parte.
            E o resultado está ai.
            Cada povo tem o governo que merece!
            Façamos por merecer algo melhor!

  4. A marolinha do Lula virou um tsunami de desempregados. Já são 11,1 milhões de desempregados segundo o IBGE.
    Mais um recorde do PT. Nunca antes neste país o desemprego cresceu tanto, tão rapidamente.
    Que zika! Corrupção Mata mais que mosquita!

    • Daniel disse:

      Ué, não é o partido dos trabalhadores?
      Parece que a Dilma vai dar aumento para o Bolsa Familia em 1 de maio, dia do trabalhador. Que bela homenagem ao trabalhador…..

  5. Se diminuirmos para 10 o número de representantes por estado no Congresso já é uma grande economia.
    Hoje são 513 Deputados e 81 Senadores. São quase 600 parlamentares no Congresso Nacional. Para que? Nós estamos sustentando o show de horrores! Quem se sente representado por este congresso? E ainda tem todo o gabinete de cada político. Cabides de emprego pagos com o dinheiro público.
    Dez parlamentares por estado já estaria de bom tamanho. Sendo 7 Deputados e 3 Senadores por estado.
    São 26 Estados e mais um Distrito Federal. Então daria um total de 270 parlamentares para nos representarem. De preferencia com mais qualidade!
    Menos Estado e mais salário. Chega de sustentar corrupto!
    Que Zika! Corrupção Mata mais que mosquita!

    • Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

      Zika, estou de pleno acordo com você e acrescento… os municípios também têm vereadores demais (Ribeirão Preto c/ 700 mil habs. tem 22 vereadores. São Paulo tem 55, total desproporção e ineficiência).
      Poderiam ser reduzidos e não ter salários. Igual ao conselhos municipais que funcionam tão bem nos EUA e Canadá. É idealismo municipalista !

    • davi disse:

      PERFEITO – A Zika do Brasil é!
      Não sou PMDBista, PTista ou simpaticista de qualquer um desse (montão) de partidos políticos existentes. PRECISA SER REDUZIDO IMEDIATAMENTE, PONTO!

      Outra coisa: A cada dois anos temos eleições em nosso país. Toda pré eleição é a mesma coisa: Todos candidatos falando bonito, projetando e prometendo BENESSES e se aproveitando delas.

      A atuação efetiva do POVO e da LEI, para quem foi, é, e pensa em ser BANDIDO (Surrupiador de bens públicos ou não), ditará o futuro honesto, ou não, da nossa nação.

      Direitos e salários iguais aos dos trabalhadores “CLT” aos nosso nobres políticos “representantes”. Chega de: Mordomias, privilégios e foro diferenciado à “funcionários” públicos e políticos…Na grande maioria preguiçosos sendo inúteis para servir à população.

      COBREM POVO. COBREM!! ELES NOS EXIGEM ALTO, E NOS RETORNAM QUASE NADA! SÃO PODRES DE RICO À NOSSAS CUSTAS!

    • Antonio Oliveira disse:

      Parabéns por todas as ideias! Eu ainda acrescentaria, ainda que por algum tempo, o fim da reeleição para vereadores, deputados e senadores, também, visando a qualificar o Legislativo, de nível ético, e também intelectual, muito baixo! Como pôr o destino do Brasil na mão de Romarios, Rosários, Vicentinhos, Jean Willys, etc, a maioria aculturados ou “advogados” das 1250 “falcudades” de direito do Brasil (o restante do mundo tem apenas 1100 escolas de direto)? Ninguém poderia se aposentar como político!

      • Luiz Silva disse:

        Brilhante. Se elegeu vereador, nunca mais pode ser vereador. Se elegeu deputado estadual, nunca mais pode ser. Se elegeu prefeito, nunca mais… e assim por diante.
        Nem o famoso “governador, depois senador, depois governador, depois senador de novo” pode. Que tal um movimento pelo fim da reeleição ampla, geral e irrestrita?

      • J K disse:

        Dos males, o Romário é o menor.
        Mas que a ideia de progressao na carreira parlamentar devia ser considerada, devia.

  6. Jogada de Mestre disse:

    O toque de mestre viria com um dispositivo que fosse embutido na emenda parlamentar e que definisse o impedimento de políticos que já exerceram cargo no executivo voltarem a exercer o mesmo cargo no futuro. Isto forçaria a renovação na esfera do poder para a união, estados e municípios. Também é necessário que se defina que todos os compromissos que envolvam o orçamento e que um executivo assume, os quais se estendam para além do fim de seu mandato sejam aprovados pelas casas parlamentares por um mínimo de dois terços da casa. Senão veja-se: como pode Dilma, quase pronta para deixar o poder, mandar atualizar o valor do bolsa família? Isso forçará uma revisão e possíveis desqualificações ao benefício. Aliás, já se falou em focar os benefícios nos 5% mais pobres. Isso por si só já sinaliza revisões.

  7. Jerosmiro disse:

    É triste ver nossa democracia representativa ser guiada através do bel prazer de cada força política. Sou a favor da reeleição, a considero a melhor maneira de se implementar um programa de governo eleito nas urnas. Nosso problema foi, e é, a ausência de um projeto de desenvolvimento ao Brasil por parte de nossos maiores partidos, PMDB, PT e PSDB.

  8. J K disse:

    Amarrar tem muitos sentidos. Trazendo Serra ao governo, MT amarra o psdb e não um acordo com eles. Havendo JS no ministério, abre-se a possibilidade do mais importante-desprezado-independente ator da cena agir a seu próprio interesse isoladamente. Se evoluir satisfatoriamente, aumentam-se as chances de se fortalecer como candidato, resta saber de qual partido.
    Com isso, os planos do psdb tendem a se complicar, não foi à toa que os “caciques” já anunciaram mudança de posição sobre ocupar alguma pasta do governo, estão vendo serem tratados pela lama sem ter solução fácil. O “capeta” trabalha com precisão e vai acabar com esses partidos. A vingança será maligna.

  9. BRUNO Figueiredo disse:

    “Mas Temer tem sido sincero nas conversas reservadas quando fala que presidente preocupado com reeleição não faz o que precisa ser feito.” SINCERIDADE não é o forte dos TRAIDORES! Esse golpista eu não aceito!

  10. Alberto disse:

    Sou a favor do parlamentarismo.Como o país não o é,deveríamos ter uma única data para votação de todos os cargos eletivos das 3 esferas de governo(União,Estados e Municípios),com duração de 5 anos e sem direito a reeleição.
    Como a orcrim destruiu a terra brasilis, essa”fênix”demorará um longo e sofredor tempo para ressurgir das cinzas.

  11. CONTINUIDADE DA LAVA JATO É ESSENCIAL NO NOVO GOVERNO! disse:

    O EVENTUAL NOVO PRESIDENTE DA REPÚBLICA MICHEL TEMER, PARA GERAR A “CONFIANÇA”, IMPRESCINDÍVEL PARA QUE HAJA APOIO GERAL AO NOVO GOVERNO, DEVE, ALÉM DAS MEDIDAS ECONÔMICAS URGENTES:
    1 – DAR APOIO IRRESTRITO À CONTINUIDADE DA LAVA JATO, DOA A QUEM DOER;
    2 – NÃO NOMEAR PARA CARGOS NO GOVERNO NINGUÉM QUE ESTEJA SENDO INVESTIGADO PELA JUSTIÇA (COMO POR EXEMPLO ROMERO JUCÁ, QUE ESTÁ SENDO COTADO PARA O MINISTÉRIO DO PLANEJAMENTO);
    3 – NÃO TOMAR NENHUMA POSIÇÃO PARA EVITAR CADEIA PARA CUNHA, RENAN, LULA E COISAS SEMELHANTES!

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2019-12-13 19:49:33