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Kennedy Alencar

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Economia
20-07-2017, 8h15

Alta de imposto resulta de lentidão e lassidão fiscal seletiva

Equipe econômica perde tempo e faz remendo por meta deficitária
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Ao anunciar hoje aumento de imposto para tentar cumprir uma meta fiscal deficitária de R$ 139 bilhões, a equipe econômica recorre a um remendo. Passados 14 meses de governo Temer, não dá mais para culpar a administração Dilma Rousseff.

A gestão Dilma foi desastrosa na área econômica e deixou um legado ruim para Temer. Isso é fato.

No entanto, em mais de um ano de governo, houve tempo para a atual equipe econômica implementar a sua marca. Essa marca resultou na ampliação de despesas, sobretudo com concessões ao funcionalismo público, que, na média, já ganha acima dos trabalhadores da iniciativa privada.

A equipe econômica ampliou metas fiscais, todas deficitárias. Atrasou o envio da reforma da Previdência ao Congresso e insistiu numa proposta inicial draconiana que foi sendo desfigurada e, mesmo assim, tem chance baixa de ser aprovada sem novas concessões. Ao aprovar a PEC do Teto, jogou para o futuro o rigor fiscal.

Ignorou alertas para elevar impostos no ano passado, por meio da recriação da CPMF, a fim de dar um choque na largada. Agora, vai recorrer ao remédio que tanto relutou em aplicar.

Fará isso porque descumprir ou alterar a meta fiscal deste ano evocaria erros de Dilma. A equipe econômica perderia credibilidade. Num momento de grave recessão, o governo adota um remédio amargo e impopular para tentar aumentar a arrecadação. A responsabilidade foram a sua lentidão administrativa e lassidão fiscal seletiva _frouxa com a elite do funcionalismo e os aliados, mas dura em relação às políticas sociais.

No governo Temer, houve avanços, com a queda da inflação e uma menor taxa nominal de juros. Uma gestão mais profissional e mais conservadora do Banco Central ajudou a trazer a inflação para um patamar menor.

Há espaço para uma queda ainda mais acelerada dos juros, porque a taxa real continua bem alta, por volta dos 7% ao ano, descontada a inflação. Essa política resulta em enorme transferência de renda do Estado, que paga juros altos a fim de rolar a dívida pública, para quem tem aplicações financeiras.

Existe o agravante da crise política, com um Congresso que tem votado medidas de expansão fiscal e de redução da arrecadação tributária. Recentemente, setores do mercado financeiro aventaram a tese de descolamento da economia em relação à política. Essa visão vendia a tese de que a economia melhoraria mesmo diante do recrudescimento da crise política a partir das delações da JBS.

É uma tese enganosa. Enquanto perdurar a crise política no atual nível de gravidade, a economia poderá dar soluços positivos, mas tende a não produzir resultados duradouros. Só eleição presidencial direta, sem invenciones como parlamentarismo, deverá dar a um novo governo capital político para ajudar o país a superar as suas dificuldades econômicas.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. RAIMUNDO RODRIGUES DE CASTRO JUNIOR disse:

    Em qualquer rodinha de pessoas o assunto principal, se tratando de política, é Moro x Lula, no entanto este assunto está fora da agenda do Kennedy Alencar.

  2. José Gonçalves de Sá Neto disse:

    É preciso só uma coisa sair da mesmice de aumentar impostos e gerar desenvolvimento e empregos, fazer a economia girar e só uma medida é eficaz, porém falta coragem para fazer o enfrentamento aos capitais especulativos remunerados com a falta de educação, saúde, inflaextruturas como; Estradas, pontes, ferrovias, hidrovias, portos, aeroportos, abastecimento de água e tratamento de esgotos, o que fazer, é só propor ao capital especulativo que façam e garanta uma remuneração para os investimentos que não obtiverem lucro e preciso mudar o discurso terrorista do governo de que há caus, há caus por falta de governo, pois a iniciativa privada faz girar a economia, muito embora sobrecarregada com exigências e impostos altissimos.

  3. David Edson Ribeiro disse:

    Kennedy, esse governo não tem legitimidade pelo sulfragio eleitoral e negocia seus planos na base da compra, com emendas e benesses que elevam o buraco em que se encontra, porém as concessões ao funcionalismo são apenas para aqueles que estão na elite, os que se aproximam do povo, trabalhando em universidades e orgãos de atendimento a público vem sentindo o reajuste zero, perdas salariais e o pior que é a falta de condições de prestação de serviços amplamente divulgadas na imprensa.

  4. Miguel Ângelo Milioli disse:

    Ótimo comentário. Vamos falar mais o quê? Não existe melhora na economia só pesando contra a população. Todas as duas reformas: trabalhista e previdenciária diminuem recursos financeiros na base da economia; nos municípios. É falacioso contar com o futuro para resolver problemas do Brasil. Sem cortar para estes ano, os supersalários e mordomias dos 3 poderes e alguns militares. Nada de equilíbrio financeiro e nem crescimento. O problema do Brasil nem mais é a Dilma, o Lula, o PT, ou nosso passado político (que nos sempre foi igualmente ruim, por baixo dos panos). O problema é que a população não acredita em mais ninguém em Brasília. E tem motivação para isto. O Governo negocia com um patrimônio que não é dele. Recursos do erário (verbas). Que em maior quantidade liberada, não quer dizer que será melhor utilizada. Aliás, porque ninguém estuda se houve retenção da União na liberação de verbas durante a crise (inventada) no Governo TEMER (também nos Estados e Municípios)?

  5. walter disse:

    Caro Kennedy, não consigo separar o joio do trigo neste caso; esta necessidade de aumentar impostos, e vamos lembrar da tentativa da dilma em reativar a CPMF, pretendiam até trazer de volta o Meirelles na gestão dela, não consigo separa lá desta catástrofe costumeira no Brasil; tanto isto é fato, que seu deficit de 170 BI, se materializou…o temer é um remendo do PT, não dá para separa los;aliás, a historia mostrará; sem as preconizadas reformas, e ainda digo mais, sem novas fontes de renda, mesmo com a reforma da previdência, teremos buracos; devem ressuscitar o jogo de azar, para equilibrar as coisas…infelizmente o custo Brasil, é inviável p/ o futuro.

  6. IiNGO VON LEDEBUR disse:

    O que nossos políticos e governos precisam aprende é o que a Sra. Margaret Thatcher em alto som falou: “Não existe essa coisa de dinheiro público, existe apenas o dinheiro dos pagadores de Impostos”

  7. mano disse:

    prezados: a conta ainda não chegou para classe média alta e média média, seja coxinha descendente de Europeus refugiados, descendente da casa grande e senzala ou mortadelas descendentes desse mesmo gênero/espécie/classe social. Por enquanto ainda tá bom, mas quando essa classe perceber que a aplicação no tesouro direto corre risco, a histeria vai aflorar e aí vai faltar Patz e rivotril nas farmácias.

  8. Wellington Alves disse:

    E não adianta ter eleição presidencial direta se não se respeita o resultado.

  9. João disse:

    mais impostos para o temer/psdb comprar votos nos parlamento para defender os homens da mala…. nem um pio da pataiada da fiesp…todos de biquinho caladinho e rabinho empinado…e o Meirelão (vai se tornando felipão 7 a 1), dorme durante discurso do chefe…. é a modernização do brasil

  10. Como sempre o povo paga o Pato

  11. Gustavo Garcia disse:

    Não podemos esquecer nunca que esse déficit fiscal é fundamentalmente fruto da nova política monetária e da busca inconsequente por atingir uma inflação de 3% ao ano que impõe resseção e a necessidade de juros elevadíssimos. O iceberg está logo ali na frente e parece governo, equipe pseudo econômica, analistas de mercado e economistas ortodoxos são incapazes de perceber a iminente tragédia.

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