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Política
31-10-2019, 19h08

Autoridades fogem de suas responsabilidades no caso Marielle

Em quase 600 dias, não há investigação séria sobre mortes
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

É absurda a falta de cerimônia com que autoridades públicas agiram e agem no caso Marielle. Isso só acontece porque essas autoridades fogem de suas responsabilidades e não cumprem os seus deveres nos cargos que ocupam.

Há suspeita de que o governador do Rio, Wilson Witzel (PSC-RJ), vazou para o presidente Jair Bolsonaro um segredo de uma investigação sigilosa. Quem acusa é o próprio Bolsonaro, que diz ter sido avisado da citação no caso por Witzel no início de outubro.

No caso do porteiro que citou Bolsonaro, houve perícia de ligações da portaria para moradores apenas ontem. De acordo com a “Folha de S.Paulo”, uma perícia a jato que não avaliou se houve adulteração do material.

Mas a perícia de um apenas dia, que veio à público depois da menção a Bolsonaro, foi suficiente para três promotoras do Ministério Público do Rio se apressarem em inocentar o presidente da República e suscitar suspeita sobre o depoimento do porteiro.

O presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, que já sabia da citação ao presidente quando encontrou Bolsonaro no Palácio do Planalto, continua firme na missão de confundir conciliação com submissão aos interesses do Executivo. Está ficando feio para o STF, tachado de hienas pelo bolsonarismo, não reagir como instituição às ameaças autoritárias do atual governo.

O procurador-geral da República, Augusto Aras, e o ministro da Justiça, Sergio Moro, absolveram Bolsonaro e condenaram o porteiro. Há clara tentativa de uso da PF como polícia política, o que é ilegal.

Mas uma coisa está bem clara: quase 600 dias após a morte de Marielle e Anderson Gomes, não há uma investigação séria a respeito do caso. Sobram dúvidas e indagações.

Desde a prisão de Ronnie Lessa em março, as ligações da portaria para moradores não deveriam ter sido exaustivamente investigadas?

Que perícia de um dia foi essa para culpar o porteiro?

Por que o porteiro anotou num documento de controle de entrada que Élcio Queiroz, um dos acusados de matar Marielle e Anderson, estava se dirigindo à casa de Bolsonaro no condomínio na Barra da Tijuca, no Rio?

O que o motorista ganharia mentindo num depoimento sobre o presidente da República?

Marielle, Anderson, seus familiares e o país merecem respostas.

Ouça o comentário a partir dos 7 minutos e 40 segundos no áudio abaixo:

Comentários
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    • walter nobre disse:

      Kennedy, nunca vou entender, a família sendo aliciada pelo Witzel, não quis transferir o caso para a esfera federal, transformando o caso em moeda política do governador; depois de um ano e meio, não tem elementos cabais para condenar os presos, de longe qualquer advogado, vai alegar que seus clientes estão sendo manipulados e incriminados, já que de fato, só encontraram armas desmontadas; esta tentativa pobre, em criar circunstancia para envolver o Jair, pelo vídeo das hienas, a rede globo usou no momento seguinte para se vingar, transformou se no fiel da balança, não logrou exito, por ter um Carlos, que foi muito rápido para desencabular qualquer suspeita, provou também, que as investigações, estão sendo mal conduzidas, e nesta hora mostra a manipulação..

  1. NSK disse:

    Mais uma indagação:

    O que uma “promotora” obviamente comprometida com os Bolsonaros, com a extrema direita e com ódio da Marielle faz à frente das investigações?

    Fosse em um país de verdade a criatura já estaria demitida e possivelmente presa.

  2. Wilson disse:

    Felizmente, duas ou três promotoras do RJ, em questão de horas, elucidaram problema na portaria do condomínio do Presidente.
    Talvez elas possam ser designadas para o caso Marielle, com rapidez e sucesso equivalentes.
    Não acham?

  3. Antonio disse:

    Infelizmente todas as investigações sobre os assassinatos da vereadora e seu motorista, relacionam de alguma forma os envolvidos com a família Bolsonaro. Fotos do próprio presidente e seus familiares com os suspeitos de envolvimento no crime. Família e bandidos residem e convivem no mesmo local. Cargos políticos dados pela família para os investigados e familiares dos investigados. Ligações notórias com milicianos assassinos. Tudo isto está evidenciado nas notícias do dia a dia. Conviria que esta família viesse a público e desse explicações convincentes, ao invés de fazer ameaças e promover represálias contra a imprensa e usar os órgãos do estado para repressão contra pessoas que façam declarações ou expressem opiniões que desagradem os atuais ocupantes do governo. Governos passam e o país fica.

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2019-12-08 11:37:16