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Kennedy Alencar

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Economia
20-01-2016, 9h12

BC deve ter coragem de contrariar mercado ou Dilma

Nota de Tombini busca justificativa
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KENNEDY ALENCAR
BRASÍLIA

Com uma nota pouco usual quando o Banco Central dá início à sua reunião bimestral para tratar de juros, o presidente da instituição, Alexandre Tombini, buscou ontem arrumar uma justificativa. Quis obter um motivo para não elevar a taxa básica agora ou, se optar por subir a Selic, fazê-lo numa intensidade menor do que o esperado pelo mercado financeiro.

Tombini e os diretores do BC estão sob forte pressão. De um lado, o mercado financeiro quer que eles subam os juros em meio ponto percentual. De outro, a presidente Dilma Rousseff e o ministro da Fazenda, Nelson Barbosa, desejam que a taxa permaneça nos atuais 14,25% ao ano.

A nota foi uma tentativa de atender ao desejo de Dilma e Barbosa ou, pelo menos, de não entregar tudo o que mercado financeiro ou Dilma querem. Hoje à noite saberemos que rumo o Banco Central decidiu tomar.

Há algumas vozes no mercado, como a do presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, que não desejam sangue. Trabuco fez um alerta importante: a economia já está suficientemente fria.

A inflação subiu tanto assim porque os preços controlados pelo governo foram elevados depois de terem sido represados. Tem muita gente que acha que elevar os juros agora só aumentará a recessão de forma desnecessária, sem ajudar a combater a inflação.

Tombini é um presidente do Banco Central que tem entregado resultados ruins. Basta ver a taxa de inflação nos anos Dilma. A maior parte da culpa é da presidente, que destruiu a política fiscal do país.

Mas Tombini também tem responsabilidade. Cedeu quando não devia às pressões da presidente para baixar os juros na marra. Recentemente, emitiu sinais de rigor para comprar uma credibilidade perdida no mercado. E ontem deu um cavalo de pau.

O Banco Central tem de ser claro. Tem de apresentar argumentos publicamente para justificar suas decisões. Se acha que tem de elevar os juros, deve convencer a sociedade disso. Se depois de sinalizar que iria aumentar a Selic, julgar que não é hora de fazê-lo, tem de tomar a decisão e explicar à sociedade a sua mudança de rumo.

O que não dá é para continuar com um comportamento acovardado entre o desejo da maior parte do mercado por mais juros e a ingerência política danosa da presidente Dilma na economia. É preciso coragem para contrariar o mercado ou Dilma.

*

Vai ou não vai?

Numa reunião com empresários e sindicalistas na semana que vem, a presidente Dilma Rousseff vai apresentar algumas medidas que ela considera de rápida implementação para tentar reaquecer a economia. Está finalizando detalhes de medidas de incentivo ao crédito em geral, como linhas para capital de giro de pequenas e médias empresas, e algumas ações para estimular a construção civil e a indústria automobilística _setores que empregam muita gente.

O problema, como lembrou também o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabuco, é que há pouca demanda por crédito no país neste momento. As empresas estão cautelosas para tomar decisões de investimento e, eventualmente, se endividar. As pessoas físicas também podem ter dificuldade para fazer novas dívidas.

Será preciso ver se haverá efeito real mesmo para reaquecer a economia ou se teremos a reedição de medidas que já fracassaram.

O problema maior é de falta de confiança dos empresários e dos consumidores. Não existe um plano de longo prazo crível. O que se vê são medidas pontuais em preparação e inabilidade do Banco Central para exercer sua função. Falta também mais responsabilidade da classe política como um todo para construir uma saída da crise econômica.

Ouça o comentário no “Jornal da CBN”:

Comentários
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  1. Maria Aparecida Ramos Tinhorão disse:

    A questão da taxa Selic assim como outras, é apenas cortina de fumaça. O país já afundou na corrupção e não tem placebo que o resgate. Logo estaremos iguais à Venezuela, com instituições deterioradas e chamando tortura de reeducação moral e cívica !

    • walter disse:

      Exatamente Maria Aparecida Ramos Tinhorão; a palavra é deterioração…a dilma esta tentando fazer, o que o MUNDO nunca conseguiu; agir na economia por decreto, inibindo ações…
      O maior absurdo, é a continuidade destas asneira, sem qualquer intervenção da oposição ou social; todos estão vendo o abismo.
      O Tombini como o nome diz, esta agindo sob pressão; agora terá que fazer o que “mamãe” manda…ESTAMOS FALANDO DE UM PAÍS…
      Esta na HORA das ações contra este “governo”; não há qualquer esperança; vai JOGAR MAIS DINHEIRO PELA JANELA; CHEGAAA…

    • Ricardo disse:

      Saudades do FHC, não tinha corrupção e a taxa Selic do Fraga era só de 45%…

  2. Joaquim disse:

    Como já disse aqui, para este governo fechar as contas só resta um caminho e ele se chama inflação. E quanto mais pobre for o cidadão mais irá sofrer. O nosso grande problema se chama credibilidade e a Dilma não tem e não terá. A camara e o senado também vão para o mesmo caminho. Por tanto, o executivo e o legislativo, não tem mais credibilidade e muito menos moral, não adianta falar que não se cheira a porcos quando se vive no meio deles a fragrância fica no ar. No começo de 2015 eu achava que só o impedimento do presidente bastasse, hoje acho que só uma eleição geral resolve.
    O aumento geral de impostos já esta ocorrendo ( união, estados e municípios ) e o cidadão não tem para onde correr, mais dinheiro tirado da economia, tirado de nosso bolso e jogado na ineficiência e na corrupção.

  3. Edi Rocha disse:

    Ótimo comentário, Kennedy. Realmente é tudo isso aí. Além disso, estava a pensar no que já se falou muito, que a crise econômica é muito agravada devido a crise política. Entretanto não sei se seria possível inverter e assim, resolvendo primeiro (ou pelo menos com prioridade) a crise econômica, automaticamente se resolveria a crise política.
    Em outras palavras o governo precisa agir no que é de sua responsabilidade para ganhar apoio e oras, melhorar a vida das pessoas como um todo. Na vida a fila anda e ficar parado não é ficar no mesmo lugar, é ficar pra trás.

  4. Pasquale disse:

    Os petroleiros deveriam começar a se preocupar com os seus empregos e suas aposentadorias.
    Apenas um conselho,rapadura não é mole não.
    Petrobras cotada a 4,00, Sheik Lula permitiu vc comprar a 26,50.

  5. EDER OLIVEIRA disse:

    Esse BC está igual cachorro quando cai de mudança. PERDIDINHO.

  6. Alberto disse:

    Um Banco Central independente,kkkkkkkkkkkkkkkkkkkk.A terra brasilis é um circo mambembe.

  7. wedenn@yahoo.com.br disse:

    Prezado Jornalista.

    Que mercado? A pressão para aumento é de rentistas e fundos especulativos. Não use “mercado” de forma tão genérica, como uma entidade sem nomes e bois. O “mercado” diz respeito ao setor produtivo? Às pessoas comuns que não querem mais juros? Não. Então seja mais preciso.

    Quanto à coragem de atender Dilma.. Não se trata disso. Coragem, sim, de fazer a coisa certa. A crítica vem de pessoas sérias, nem dos ditos consultores de fundos especulativos. Ler a entrevista hoje de Joseph Stiglitz.

    Quanto à inflação “nos anos Dilma”, informe-se melhor. A primeira gestão terminou com a segunda menor média inflacionária da história do IBGE (acima apenas do segundo governo Lula). Jornalistas não deveriam desconhecer isso.

    Abraços.

  8. Economista de boteco disse:

    A coisa já começa mal quando se vê que a determinação da taxa básica de juros não é de competência do Ministro da Fazenda. Se fosse, ele faria o que é correto, baixá-la. A inflação que temos não depende desta taxa. Ela apenas está encarecendo o crédito e aumentando os custos de produção. Quem faz compras no supermercado, e observa os preços, sabe que todo ano, no mês de janeiro, os preços disparam. E durante o ano não descem mais, independentemente da SELIC. Talvez a única solução agora para nossa inflação seria não repô-la. Em outras palavras, congelar salários e aposentadorias. Isto faria mais efeito do que restringir o crédito, pois não afetaria negativamente as empresas, muito pelo contrário. E de fato torna mais difícil justificar algum aumento de preço dos produtos. Mas a administração pública tem que fazer sua parte, nada de aumentar condução ou impostos também, senão não é possível aplicar arrocho salarial.

  9. Gilmar Santos disse:

    O negócio é vender o Brasil para os Estados Unidos..
    Pelos mesnos lá tem gente competente e as leis funcionam…

  10. Romanelli disse:

    Não há renda ..não há inflação de demanda NEM risco de inflação ..o mundo vive uma deflação ..pelo IGPdi DILMA Vana esta muito melhor que THC ou LULA ..a inflação é corretiva e de repasse por erros recentes (cambio, tarifa, emergia e preços administrados) ..NINGUÉM combateu a INDEXAÇÃO anual de salários, contratos e concessionados (nem governo, empresários ou sindicatos) ..o GOVERNO democrático é quem, eleito, é cobrado, o BC não é o FED, é só uma REPARTIÇÃO, assim como juros básico funciona em economia c/moeda forte tipo US$ ..SELIC, há anos é placebo aplicado SEM sucesso, serve apenas pra REMUNERAR rentista, o resto é firula como no crédito que pode tb ser administrado via compulsório c/restrição creditícia, SEM afetar a saúde das contas públicas ..escolha : é melhor viver com um salário MODESTA e temporariamente afetado pela perda temporária do poder de compra, ou ter que viver com o DESEMPREGO e a recessão ? da resposta VC saberá o que o BC tem que fazer.

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