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Geral
15-02-2020, 8h17

Bloomberg tem chance de ameaçar Sanders, mas passa por teste

Bilionário sofre pela 1ª vez o duro escrutínio de uma disputa presidencial
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Kennedy Alencar
WASHINGTON

Nos EUA, a legislação sobre financiamento de campanha permite que um candidato use o quanto quiser do próprio bolso para disputar eleições. Michael Bloomberg, que tem uma fortuna na casa dos US 60 bilhões, queimou até agora cerca de US$ 350 milhões para tentar ser candidato à Presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata.

Já apareceram na imprensa americana especulações de que ele poderia usar entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões para tentar chegar à Casa Branca. É óbvio que isso cria uma distorção na disputa, favorecendo os muito ricos. Na escala usada por Bloomberg, é uma atitude inédita na política americana, o que abre precedente para que bilionários tentem comprar eleições, como apontaram adversários do bilionário e ex-prefeito de Nova York.

Joe Biden, que foi vice-presidente de Barack Obama, disse isso com todas as letras. Biden é um moderado do Partido Democrata. Da ala esquerda dos democratas, o senador por Vermont Bernie Sanders também foi na mesma linha.

Hoje, Bloomberg é claramente uma ameaça à posição de Biden, que se vende como o moderado mais capaz de derrotar o presidente Donald Trump. Mas o ex-prefeito de Nova York também pode vir a ameaçar Sanders, que lidera as pesquisas nacionais na corrida democrata. Bloomberg está crescendo nessas pesquisas.

Com tanto dinheiro, o ex-prefeito de Nova York se deu ao luxo de pular as quatro primeiras prévias: Iowa e New Hampshire, que já realizaram suas disputas, e Nevada e Carolina do Sul, que farão as suas até o fim deste mês.

Somados, esses quatro Estados indicarão quase 4% dos delegados para a Convenção Nacional Democrata de julho, quando será escolhido o candidato. Por isso, é cedo para escrever obituários de candidaturas.

Bloomberg decidiu entrar na disputa por delegados na Super Terça, em 3 de março, quando haverá prévias em 14 Estados, na ilha de Samoa americana e para eleitores que vivem no exterior. A Super Terça será responsável por 34% dos delegados. Após essa rodada, será possível mapear melhor as chances de cada candidato e ver qual tendência se desenha com consistência no Partido Democrata.

Hoje, Bernie Sanders, que não pode ser subestimado, é o favorito. Bloomberg conseguirá se viabilizar a ponto de ameaçar essa posição? Essa é uma das questões do momento na eleição americana.

Com comerciais o tempo todo nas TVs e duelando com Trump, Bloomberg tenta ser a alternativa moderada democrata. É uma aposta que faz sentido. Ele tem chance.

Apesar de ter sido prefeito, Bloomberg nunca enfrentou o duro escrutínio de uma campanha eleitoral. Está passando neste momento por um corredor polonês. Ele já teve de dar explicações por declarações em que admitiu ter usado em Nova York uma política de segurança pública discriminatória em relação a minorias.

Bloomberg implementou a estratégia de parar e revistar jovens negros e latinos para “tomar armas”, o que despertou críticas, corretas, de racismo. O candidato e a campanha já pediram desculpas, mas o tema está causando dano eleitoral ao bilionário.

Bloomberg passa por um teste inicial, o do escrutínio. A segunda prova será saber se cairá nas graças do eleitor democrata a ponto de desbancar Sanders e cia.

*

Pé na estrada

Biden, que foi mal nas prévias de Iowa e New Hampshire, está em segundo lugar nas pesquisas em Nevada, que fará caucus no dia 22. O ex-vice-presidente lidera nos levantamentos a respeito das primárias na Carolina do Sul, que acontecerá no dia 29. Dois terços da base democrata na Carolina do Sul são do eleitorado negro. Biden precisa ir muito bem nesses dois Estados para chegar vivo à Super Terça.

Em duas semanas com o pé na estrada, dá para dizer que Sanders é o favorito, mas Bloomberg pode surpreender. Biden está num momento crucial e complicado. Pete Buttigieg, ex-prefeito de South Bend (Indiana), precisa mostrar que é mais do que uma zebra de início de campanha.

Elizabeth Warren, senadora por Massachusetts e da ala progressista, e Amy Klobuchar, senadora por Minnesota e do campo moderado, terão de surpreender em Nevada, Carolina do Sul e na Super Terça para almejar uma virada. Neste momento, elas parecem que ficarão fora do jogo, mas ainda é cedo. Tem uma campanha no meio do caminho.

Ouça o comentário desta sexta no “Estúdio CBN”:

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Kennedy, de fato o Biden ainda tem chances matemáticas, mas o Bernie consegue ser mais atraente, seguido pelo Bloomberg, apoiado pelos judeus com Bilhões, não se pode subestima lo. Como prefeito de Nova York foi bem, mantendo uma postura sóbria, isto pode ajuda lo a ser um candidato forte, diante da disputa.

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2020-09-29 18:06:19