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Política
16-04-2019, 11h36

Bolsonaro comete seu 1º estelionato eleitoral

Fim de reajuste real para salário mínimo é retrocesso
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

Ao acabar com a política de reajuste real do salário mínimo, o governo Bolsonaro prejudica os mais pobres. Mais da metade das famílias do país vive com renda de até um mínimo por mês _segundo a revista “Piauí”, são 59% dos brasileiros.

Na campanha eleitoral do ano passado, Bolsonaro fugiu de debates e escondeu o seu programa de governo. Na questão específica do mínimo, deu a entender que poderia manter a atual fórmula.

Em entrevista à Globonews, no primeiro turno, ele disse que, na falta de uma política específica para reajustar o mínimo, poderia manter a regra que vigorou até 2019 e que acabará no ano que vem. “Se não tem uma nova proposta, mantém a que está em vigor”, afirmou.

Ontem, ao divulgar a LDO (Lei de Diretrizes Orcamentárias) para 2020, a equipe econômica previu apenas o reajuste da inflação. A regra que valeu até 2019 somava a inflação do ano anterior pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor) à variação positiva do PIB (Produto Interno Bruto) de dois anos atrás.

O salário mínimo em vigor recebeu reajuste de pouco mais de 1%. Somou o INPC de 2018 (3,43%) mais o crescimento do PIB de 2017 (1,1%). O valor atual é de R$ 998,00. Em 2020, será de R$ 1.040,00, caso o Congresso mantenha a previsão do Executivo.

É um retrocesso acabar com a política de valorização real do salário mínimo. Contra tal política, alguns argumentam que o aumento real eleva o gasto previdenciário e que só poderia ser dado em consonância com ganhos de produtividade, sob pena de gerar inflação.

Parece brincadeira de mau gosto alegar isso num país tão desigual e que vive num estado, na prática, de estagnação econômica. Até parece que o mínimo daria saltos gigantescos com a nova regra.

Mas a realidade é que o Brasil está preso a uma armadilha de baixo crescimento. E, na hora de arbitrar quem paga a conta, a equipe econômica fala grosso com os mais pobres e fino com os mais ricos.

A política de valorização real do salário mínimo,  criada em 2007 na gestão Lula, foi pensada para durar até 2023, pelo menos. A então presidente Dilma Rousseff renovou a regra em 2015, mantendo-a até 2019, primeiro ano de mandato de Bolsonaro. Ele poderia ter confirmado a fórmula até o primeiro ano do próximo mandato presidencial, mas resolveu acabar com uma política favorável aos mais pobres num cenário de alto desemprego e baixo crescimento.

O governo segue um caminho que aposta no empobrecimento geral do país. O dinheiro do salário mínimo tem efeito imediato na economia. Argumentar que o mínimo virou um dos grandes problemas do país é uma mistura de crueldade social, burrice econômica e insensibilidade política.

*

Lobby caminhoneiro

Ao intervir no preço do diesel, Bolsonaro cometeu seu primeiro estelionato eleitoral. Ele havia prometido respeitar a política de preços da Petrobras. De quebra, minou a autoridade de Paulo Guedes (Economia), atropelado pelo colega da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.

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Vai mal

O governo continua sem estratégia política no Congresso. Está passando um sufoco na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara numa fase preliminar da reforma da Previdência.

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Bye-bye, Brazil

Nem museu com acervo pré-histórico tolera as ideias Bolsonaro. O Museu de História Natural de Nova York simplesmente recusou sediar homenagem ao presidente brasileiro. É efeito concreto dos erros da atual política externa. Piorou a imagem do Brasil no mundo.

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Ouça os comentários feitos ontem no “Jornal da CBN – 2ª Edição”:

Comentários
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  1. walter disse:

    Kennedy, nenhum governo foi digno, na hora de reajustar o salário mínimo, não precisa defesa, a este governo, não tem dinheiro, e que deixou o Rombo, foram os outros governos anteriores…esta pressão vai de encontro, a reforma da previdência, o Bolsonaro transferiu tal responsabilidade, já assimilada; mesmo com intenções a postergação, a maioria dos congressistas, querem aprovar de imediato, já que vai faltar dinheiro para todos…quanto ao Lobby dos caminhoneiros, o governo antecipou se, a um possível caos, mal resolvido, no governo Temer…a política da Petrobras, é muito boa para acionistas, deve seguir regras…quanto a homenagem em Nova York, o presidente não liga para isso, será feito em algum momento, em qualquer lugar, quanto mais demorar melhor; precisa tocar as questões internas; quanto questão do STF, onde houve censura, segundo a maioria dos colegas; faltou vossa impressão, quando toda a imprensa esta preocupada; quem sabe possa…

  2. BRAGA-BH disse:

    Acho que o museu de NY errou e feio não autorizando a utilização de seus espaços para homenagem a Bolsonaro. Perdeu uma grande oportunidade de receber um mito ainda vivo: Um Neandertal ao vivo e a cores e que de quebra comanda um país do sul do equador.

  3. Robson Macedo Barreto disse:

    Estamos sob o comando de um desgoverno. Apertem os cintos, o piloto assumiu!

  4. Lucas disse:

    Em relação ao lobby eleitoral, nada de muito estranho, convenhamos. Já era de se esperar que isso ia acontecer. E no que tange ao aumento irreal do salário mínimo, idem ibidem. É a famosa tragédia anunciada, sejamos francos. Todo mundo sabia que ia dar nisso.

  5. Lauro Vieira disse:

    No governo FHC o salário mínimo estava abaixo de cem dólar. No governo Lula, chegou a mais de trezentos dólares. No governo Dilma, ficou pouco acima de duzentos e cinquenta dólares. Hoje está em duzentos e cinquenta e dois dólares. Com o anunciado devemos cair bem. O governo está com desmando, ai o dólar vai subir mais. POBRE ASSALARIADO E OS APOSENTADOS!

  6. Miguel Ângelo disse:

    Vejo um Congresso que discute a religião, a economia, as decisões sobre o transporte, a segurança nacional, a aposentadoria, a vida do brasileiro, as questões estratégicas militares, os remédios em sua maioria importados, com o pé no passado. Para que discutir no orçamento de 2019, Rodovias, Concessão para iniciativa privada, se já é real a moto e carro que voam? O Congresso deveria discutir uma nova área comercial, como já temos em Manaus e oferecer a China, a Índia, a Rússia, ou a quem se candidatar a desenvolver Drones de maior porte, para uso no transporte para as Regiões Norte, Centro-Oeste, Nordeste. Qual é, e seria, o custo para manutenção de rodovias, criação? Trilhões (que serão superfaturado pelo Congresso a empresários do passado corrupto). O transporte no Brasil não precisa virar refém de ninguém. Trens, Embarcações marítimas, Drones, Drones com Zepelim (dirigível), podem ser movidos até por água em nosso país. Viajar é preciso. Para o Futuro soberano não 1 Passado Colônia.

  7. Miguel Ângelo disse:

    Salário Mínimo sem reajuste diminui o poder de compra da maioria dos trabalhadores e aposentados. Já existe solução para não se aceitar a mentira que o mínimo seja o problema de tudo. Afinal, a população que recebe ele gasta tudo que tem. Temos nele uma referência direta do retorno para os cofres do erário do que se paga. Já que é certo que ele é reinvestido totalmente na economia. Temos sim Estados quebrados. Principalmente, aqueles que recebem/receberam a maior parte de todas as verbas federais. Não nos importa a riqueza que SP produz. Se isto é o suficiente para analisar sua representação para o Brasil. Se pergunte quanto este Estado já consumiu. Por ser gigante, caro para o resto do Brasil. Tem obrigação de gerar mais riqueza sim. Como também devem gerar + riqueza o RJ, MG, BA, SC, PR, RS. Temos o salário mínimo Estadual não vinculado aos funcionalismo público. E o aumento do mínimo regional, estadual, e até o Municipal se negociado com os empresários. E os custos?

  8. Miguel Ângelo disse:

    Se você aumentasse o mínimo pago em 50%. Haveria consumo de 50% a mais deste trabalhador. Para aproximadamente 4x a mais de recursos na economia local – 2 mil reais por cabeça, pelo poder da multiplicação do dinheiro. Há, vai dizer que haveriam demissões. Podemos contar que hoje a empresa não consegue cortar mais de 33% de seu quadro de pessoal. Onde trabalham 10, cortar 3 vagas de emprego, compromete a produção. 4 ou 5 vagas, ela fecha ou tem obrigação de mecanizar sua produção, atendimento. Impossível a curto prazo. Em linha, deveriam ser aumentados os salários mínimos do comércio 1º, da indústria 2º (que seria ampliada pelo consumo dos comerciários), dos serviços 3º (pelos comerciários e industriários), e 4º por último os dos servidores públicos. Solução para a economia e aposentadoria. Mesmo com redução de vagas de trabalho, se teria o consumo aumentado. E é simples assim. É só ter pessoas interessadas em arriscar. Canadá, Austrália, Kwait tem salários mínimos maiores que o nosso.

  9. Miguel Ângelo disse:

    E assim que estes Países com menores populações tem reservas em seus cofres públicos iguais ou maiores que o Brasil. E se a relação na for para maior, que se pese que lá as coisas funcional. A saúde, os transporte, a defesa do espaço aéreo, marítimos, a territorial, as das fronteiras, a educação melhor que a nossa, a alimentação toda com incremento de vitaminas (não sei do Kwait), os remédios feito pela indústria local. Aqui quando empresários se arriscam, é para desvirtuar a política em benefício próprio ou de sua família que quer se perpetuar preguiçosamente, com suporte de políticos seculares de baixa produção na monarquia e a dita república. Nosso país tem consumo reprimido. Queiram ou não. Quem recebe um mínimo tem vontade de comprar o básico – a indústria brasileira não precisa investir em renovação de máquinários para isto. A Alemanha Capitalista recebeu a Alemanha Socialista e tem hoje a 4ª economia mais importante do Mundo. A mais importante da Europa. Acorde Brasil!

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2019-07-21 10:23:04