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Política
10-10-2019, 19h07

Bolsonaro é a crise, como dizia FHC sobre Sarney

Presidente dispensa oposição e dinamita governo e país
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

No governo José Sarney (1985-1990), o então senador Fernando Henrique Cardoso cunhou duas frases para criticar o presidente da República de plantão. FHC dizia: “A crise viajou”. Ele falava também: “Sarney é a crise”.

Na administração Bolsonaro, a frase de FHC faz sentido. Bolsonaro é a crise. Sua capacidade de criar problemas dispensa oposição e dinamita o próprio governo.

É óbvio que a crise brasileira tem uma série de razões. Podemos elencar o desastre econômico do governo Dilma e o desprezo da petista pela articulação política. E citar a sede de poder do tucano Aécio Neves, que não aceitou a derrota eleitoral em 2014 e se uniu a Eduardo Cunha em 2015 para sabotar Dilma Rousseff. Um golpe parlamentar para viabilizar o governo Temer _o impeachment tabajara, digamos assim.

O impacto da Lava Jato na opinião pública também teve o seu papel para a ascensão de Bolsonaro ao poder. A operação deixou um legado positivo por ter atingido pela primeira vez figuras poderosas da política e do empresariado, mas ajudou a destruir o setor de construção civil e a enfraquecer o de óleo e gás _sem contar a manipulação da opinião pública feita por Sergio Moro e Deltan Dallagnol, como revelou a Vaza Jato.

Mas Bolsonaro é hoje o presidente da República. Tem de resolver problemas e diminuir o tamanho das crises, mas faz o contrário. Ele assumiu com previsões otimistas na economia, mas os prognósticos de crescimento desabaram. O presidente obterá a reforma da Previdência por obra do Congresso. Ele só criou problemas desnecessários em dez meses de governo.

Essa crise do PSL, por exemplo, é uma falsa prioridade. Um presidente com mais de três anos de mandato pela frente deveria ter outras preocupações. Temos que chamar a coisa pelo nome que ela tem. É uma irresponsabilidade Bolsonaro priorizar a sua estratégia de reeleição de forma tão prematura.

O presidente da República e deputados federais estudam um jeito de controlar o próprio partido, o que é difícil devido ao caráter cartorial das legendas brasileiras, ou de deixar o PSL levar tempo de TV e rádio mais as verbas dos fundos partidário e eleitoral.

Há inúmeros problemas reais domésticos que demandam energia do presidente, como projetos em tramitação no Congresso, propostas a enviar ao Legislativo e acidentes como o das manchas de óleo que chegaram às praias do Nordeste. E hoje houve até um tropeço externo.

Os Estados Unidos anunciaram apoio à Argentina e à Romênia para ingressar na OCDE (Organização para a Cooperação e de Desenvolvimento Econômico), grupo que reúne nações com padrões mais avançados de políticas públicas. Os EUA traíram o suporte que Donald Trump prometera a Jair Bolsonaro em março.

É um grave erro a política de alinhamento automático de Brasília a Washington. No caso em questão, há submissão de Bolsonaro a Trump. O “I Love You” do brasileiro para o americano na ONU não funcionou.

Bolsonaro é a crise. O Brasil está no fundo do poço. E o presidente da República parece que cava todo dia um pouquinho mais para aprofundá-lo. Ouça o comentário no áudio abaixo:

Comentários
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  1. RFFSA disse:

    Eu gosto de ler o Kennedy pois ele dá avisos importantes e não costuma errar nas análises.

  2. walter nobre disse:

    Kennedy, não me lembro de tantos problemas em sequência, a qualquer presidente anterior, com exceção ao Collor, ao tomar a decisão do congelamento; diferente do atual que tem sido bombardeado por tocar o país sem panelinha, com a diferença de ter vários pepinos em série; junte se a isto, a oposição ferrenha, tentando construir fatos, não devemos esquecer os TRILHÕES roubados em administrações anteriores, por facilitações fraudulentas, com intenções maléficas. O Povo tem entendido a dificuldade do Jair, precisam de empregos mais que nunca, entendem o tamanho do abismo herdado, pela transparência constante, informada pelo presidente. Quando outros governantes anteriores, tentam denegrir o atual, não logram êxito por terem sido deficientes, participes de escândalos, ainda não solucionados. A história deste governo ainda esta sendo contada, devemos permitir que os fatos se definam, diante de tantos empecilhos diários; nosso País é continental, por tudo isto não é tão simples organizar…

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