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Política
30-10-2019, 10h08

Bolsonaro e Moro não podem usar PF como polícia política

Presidente deve explicações ao país sobre caso Marielle
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Kennedy Alencar
BRASÍLIA

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sergio Moro, não podem acionar a PF como se ela fosse uma polícia política. É assim que o presidente quer usar a Polícia Federal quando diz estar conversando com o ministro da Justiça sobre tomar um depoimento do porteiro do seu condomínio no Rio de Janeiro.

Uma investigação tem de obedecer aos requisitos legais e não à vontade do presidente da República de plantão. Tampouco a de um ministro da Justiça. Moro precisa explicar isso ao chefe. Convém lembrar que a PF é política de Estado, não de governo.

A reportagem de ontem do “Jornal Nacional” foi jornalisticamente impecável. Deu o furo: no dia do crime, um acusado de matar Marielle Franco (Élcio Queiroz) entrou no condomínio para encontrar outro acusado (Ronnie Lessa) dizendo que iria à casa de Bolsonaro.

O “Jornal Nacional” deixou claro que informações do dia apontavam presença de Bolsonaro em Brasília, expondo eventual contradição do depoimento do porteiro. Também relatou que o porteiro viu que Élcio se dirigiu à casa de Lessa, não à de Bolsonaro.

A reação de Bolsonaro na live de ontem foi autoritária e desmedida, um misto de seu despreparo para a função e da estratégia de criar conflitos para enfrentar problemas. Ameaçar um veículo de imprensa é crime de responsabilidade. Comportou-se como um ditador ao insinuar que não poderia renovar a concessão da TV Globo. O presidente deve, sim, explicações ao país.

Está anotado no livro de visitantes do condomínio que o suspeito Élcio Queiroz se dirigia à casa de Bolsonaro. Detalhes do carro usado pelo suspeito também estão anotados. Já seria uma trama contra Bolsonaro no dia da morte de Marielle? Claro que não.

Repetindo: é o presidente quem deve explicações ao país. As ligações suas, de seus familiares e de Fabrício Queiroz com milicianos são de conhecimento público e notório.

Claro que o presidente tem o direito de se defender, mas tem de fazê-lo dentro dos marcos legais da democracia.

Comentários
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  1. walter nobre disse:

    Kennedy, sabemos que tudo isto é um engodo, para criar fatos que desestabilizem o governo bolsonaro; Estamos na “época de caça as bruxas”, promovidas pelo sensacionalismo, não pelo jornalismo sério. Ao divulgar a notícia ontem, o Bonner fez questão de enfatizar o “seu jair” em vários momentos, como se fosse um furo; não vou nem me dar ao trabalho em afirmar que até HJ não há criminosos identificados cabalmente, pela polícia carioca, com relação ao assassinato da vereadora. Por isto recentemente, a família não concordava que o crime fosse transferido para a esfera federal. witzel governador, tem sim muito a explicar pelo vazamento, e suas intenções com este sensacionalismo promocional a sua candidatura. O presidente deve levantar as questões que envolvam seu Nome, já que a intenção é difama lo, dando respostas a sociedade com clareza.

  2. CHARLES GERCINO DO NASCIMENTO Aluno(a) LOG MFL EAD disse:

    Há um ditado que diz “onde há fumaça há fogo’’ ou será uma mera coincidência da relação do filho do presidente, Flávio Bolsonaro com o Queiroz, ligado a milícia do escritório do crime no rio de janeiro, ao qual também seu pai o presidente Jair Bolsonaro tem moradia no mesmo condomínio que morava o preso acusado de mata Marielle, Ronnie Lessa ao quão também faz parte da milícia do escritório do crime no rio. Será que a globo estaria dando um tiro no escuro ou um tiro pela culatra, sabendo que estar ameaçada de não renovar a sua concessão, sem ter algum indicio ou probabilidade sobre alguma relação de Bolsonaro com a milícia do Rio de Janeiro, eventualmente a do escritório do crime?
    Agora a polícia civil já indica que há hipótese de o porteiro ter comunicado com Bolsonaro em Brasília via celular, assim dando a autorização da entrada de Élcio de Queiroz, sendo assim Bolsonaro teria que explicar a sua relação com os acusados de crime. Seria Bolsonaro um bode expiatório ou um pano de fundo?

  3. […] sobre tomar um depoimento do porteiro do seu condomínio no Rio de Janeiro”, aponta o jornalista Kennedy Alencar em seu blog no […]

  4. Paulo Argolo disse:

    De volta ao Estado Novo. O espírito de Filinto Müller ronda o clã Bolsonaro e, de quebra, Sérgio Moro, assombrando o País como um todo.

  5. […] estranho Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sergio Moro, quererem usar a Polícia Federal como polícia política. O objetivo seria investigar o porteiro e a circunstâncias do depoimento […]

  6. walter nobre disse:

    Kennedy, não consigo imaginar um cidadão injustiçado que não fizesse o mesmo, procurar sua inocência valendo se suas armas a mão. Sendo um presidente, diante de uma investigação vazada, deveria seguir os caminhos possíveis, até por envolver outras pessoas, considerando a ineficiência da polícia do Rio. O Bolsonaro seguiu a Lei isto é o que basta, graças ao Carlos, não ficará com macula alguma, diante a opinião popular; estão promovendo a reeleição dele, esta é a grande verdade. O Dr Moro vai acompanhar as investigações do caso Marielle, vai descobrir uma série de lacunas não preenchidas, com isto a família poderá comemorar um desfecho pelas mãos do ministro da justiça; com isto param de promover e comercializar uma campanha que não ajuda

  7. […] estranho Bolsonaro e o ministro da Justiça, Sergio Moro, quererem usar a Polícia Federal como polícia política. O objetivo seria investigar o porteiro e as circunstâncias do depoimento […]

  8. Wilson disse:

    Termos e Frases da Velha Política brasileira:
    “Questão social é questão de polícia” (República Velha)
    “Política é polícia” (Coronelismo, de sul a norte do Brasil)
    “DOPS” (Vade Retro!)
    À vista dos termos e frases acima, será que realmente vigora hoje uma Nova Política brasileira?
    Ou está tudo como dantes no quartel de Abrantes?

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2019-11-18 04:32:57