aki

cadastre-se aqui
aki
Política
04-01-2019, 6h51

Bolsonaro enfraquece reforma da Previdência sugerida por Guedes

Integrantes do governo criam ruídos no tema
11

Kennedy Alencar
São Paulo

Em novembro, o então presidente Michel Temer ofereceu a Jair Bolsonaro a possibilidade de tentar votar no plenário da Câmara a proposta de reforma da Previdência aprovada na comissão especial da Casa.

Onyx Lorenzoni, futuro ministro da Casa Civil e coordenador da transição, detonou a oferta e a proposta que já estava na Câmara, afirmando que o futuro governo apresentaria texto novo com tramitação começando do zero.

Paulo Guedes ouviu conselhos da equipe econômica de Temer para aproveitar pontos do que já haviam avançado na Câmara e que adicionasse outras mudanças numa segunda Proposta de Emenda Constitucional. Ganharia tempo e entregaria mudanças mais rapidamente, o que fazia e faz todo o sentido.

Mas a coisa toda ficou num baita limbo. Passou a transição, começou o governo e Guedes prometeu anteontem uma reforma bem mais dura do que de Temer, sugerindo que mandaria um texto novo. O ministro da Economia, corretamente, falou que as regras da Previdência dos servidores públicos eram uma fábrica de desigualdades no país, penalizando os mais pobres. Magistrados, por exemplo, recebem superaposentadorias.

O vice-presidente, general da reserva Hamilton Mourão, inacreditavelmente um poço de sensatez comparado a algumas figuras do ministério de Bolsonaro, voltou a dizer que o correto seria pegar carona no projeto de Temer.

Na primeira entrevista após a posse, concedida ontem ao SBT, Bolsonaro foi na linha de Mourão, mas deixou claro que apoiará uma reforma mais fraca que a de Temer e inferior à prometida por Paulo Guedes. Foi um balde de água no discurso do superministro.

Exemplo: Bolsonaro disse que não vai elevar a alíquota previdenciária de quem ganha e ganhará superaposentadorias, o que seria um pequena e justa amenização da fábrica de desigualdades apontada por Guedes.

Em resumo, cada um no governo fala uma coisa, gerando mais confusão e ruído em torno daquela que é considerada a prioridade econômica, para a qual, aliás, Guedes já admitiu ter plano B em caso de fracasso. Seria desvincular despesas e receitas obrigatórias do orçamento, algo que atingiria em cheio gastos em saúde e educação.

Basicamente, cipó de aroeira no lombo dos mais fracos é o que este governo parece ter a oferecer na economia, nos direitos humanos, na educação, na saúde e até na política externa doidivanas.

*

Vacina

Na entrevista de ontem ao SBT, há um trecho interessante que passou meio batido. Bolsonaro disse que emprestou dinheiro para funcionários sem juros. Parece uma antecipação jogada ao vento por conta de possíveis desdobramentos do caso de Fabrício Queiroz, aquele que faz “rolo”, segundo o presidente.

*

Uma andorinha

Um acordo de bastidor com Rodrigo Maia para reelegê-lo presidente da Câmara ajudaria a dar força à agenda econômica de Paulo Guedes. Mas parlamentares experientes dizem que a negociação dos projetos será feita ponto a ponto com as bancadas, como é da tradição do Congresso. Eles também criticam a forma como Onyx Lorenzoni vem conduzindo as tratativas com os partidos.

Comentários
11
  1. Luis Carlos disse:

    Olá Kennedy. Tenho duas percepções alegóricas sobre esses personagens do novo governo. Essa interação entre Bolsonaro, não estaria mais para o tira bom e o tira mau ? e paulo guedes ele não tem um odor de Zélia Cardoso de Mello com pitadas de joaquim levy ?

  2. Wellington Alves disse:

    Resumo do governo – os trapalhões.

  3. jose disse:

    A família dos virgens, honestos, puros empregava motorista e pagava com dinheiro público: “um homem que fazia rolos”. Se houvesse honestidade, a explicação do atípico já teria sido publicada, mas parece não ser o caso. Rolo é uma palavra chula inadequada ao vocabulário de um presidente da república. Tem muita terra devoluta e improdutiva no Brasil, mas querem as terras ocupadas pelos índios: isso é ideologia, perseguição. Essa gente é insana: implica até com a cor de cadeiras. A flor rosa é de amor e eles dizem serem cristãos e Cristo pregou o amor, então, vão mudar a cor da rosa?, Sim, pois não são cristão, são do dízimo.

  4. J K disse:

    1))) Quanta vaidade. Todos querem anunciar a “boa nova” e pulam na frente do 1º repórter que encontram ou seria balão de ensaio para ver qual prospera? 17 ganhou a eleição, tem o direito de ocupar o cargo, mas não lhe foi dado cheque em branco assinado, ele precisa conquistar o cidadão antes de usar a caneta. Quase tudo o que se pretende fazer depende do Congresso, e em especial a Câmara dos deputados serve (e de fato é) a representação da vontade popular. Se ele inicia o governo tomando medidas que afetam a população mais pobre (1 voto do rico = 1 voto do pobre) provavelmente os deputados vão fazer um balanço nessa perspectiva, fica difícil de avançar com os processos. Na minha opinião, o governo poderia, e deveria, retomar obras acabadas pelo país a fim de criar postos de trabalho. A massa de salário que entraria na economia produziria novas contratações e aumentaria a energia de movimento na economia. É um pouco do que Lula fez em início de mandato.

  5. antonio disse:

    Parabéns Kennedy por sua clareza jornalística. Pena que a grande mídia não dar espaço para análises coerentes e independentes. Você é um exemplo disso. Um dos melhores profissionais do país, mas quando está no grande mídia, não se ver esta expertise.

  6. J K disse:

    2))) Pressionar a política para mudar a Lei atual para impedir que 1 ou 2 pessoas não possam se aposentar mesmo muito próximo a adquirir o direito só pode ser feito por quem não tem responsabilidade sobre o assunto e age clandestinamente usando os acessos corrompiveis que encontrar no governo. Atuam para atender os interesses privados e/ou de empresas sem nenhum compromisso com responder pelas dificuldades no futuro.

  7. jose disse:

    Trouxeram os colégios militares para a pauta, mas quando o ranking do ENEM era publicado não aparecia nenhum desses colégios (militares) nas primeiras colocações de nenhum Estado. É mais uma falácia vendida por esse governo. Cantar hino nacional bitola a criança, tem que ensinar filosofia pra criança pensar, mas se pensar não vota na extrema direita que não debate. Esse é o nó do medo de quem não encara debates democráticos. Só xinga feito animal com cólera. Educação é pra libertar e não pra aprisionar nessas besteiras de escola sem partido, idolatria, ortodoxia. Se duvidar, vão criar a disciplina de tiro ao alvo, pois acham que não bastam dezenas de milhares de assissinatos com armas de fogo no país por ano.

  8. luizestosta@gmail.com disse:

    Bolsonaro é deputado e militar, oriundo de duas instituições cheias de privilégios e vc acha que ele vai mundar alguma coisa em relação a isso????

  9. walter disse:

    Vale sempre, permitir caro Kennedy, que qualquer governo que seja eleito pelo voto, com aprovação e esperança, por 75% da população, lhe seja permitido, o direito de iniciar um processo a favor da população, que seja submetido ao congresso, em caso de aprovação, ai sim, devemos avaliar a importância do futuro, com tais requintes; até então, o Bolsonaro, não fugiu do seu enredo, embora esteja sempre sendo questionado por nada, ou seja, nem começou…

Deixe uma resposta para jose Cancel reply

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios são marcados

Não serão liberados comentários com ofensas, afirmações levianas, preconceito e linguagem agressiva, grosseira e obscena, bem como calúnia, injúria ou difamação. Não publicaremos links para outras páginas devido à impossibilidade de checar cada um deles.

You may use these HTML tags and attributes: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>

 
2019-03-23 17:49:58